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quinta-feira, 22 maio 2003
FC Porto vence Taça UEFA!
Categoria: 02/03 Futebol Internacional Categoria: 02/03 Futebol Português Categoria: FC Porto

vitória justa do fc porto na final de sevilha. a vitória aconteceu com alguma dose de felicidade, numa altura em que a definição do resultado parecia levar-nos para as grandes penalidades.
análise do jogo:
1. mourinho apresentou um 4-4-2, sem surpresas, com alenichev e capucho a completarem o 11, até porque jankauskas ficou de fora dos convocados, por se ter lesionado no último treino de terça - informação que o fc porto conseguiu manter em segredo, mas que desequilibrou as opções da equipa em termos de banco. com isso, notou-se, desde logo, alguma dificuldade de encaixe portista no sistema de jogo dos escoceses, pois com petrov adiantado e a merecer a atenção de costinha, em situação ofensiva havia dois avançados para dois centrais do porto, já que as subidas de agathe e thompson prendiam os laterais portistas ;
2. a lesão de costinha acabou por ser útil a mourinho. da forma como aconteceu, percebeu-se que as dúvidas sobre a lesão de costinha eram legítimas e que foi um erro lançar um jogador debilitado fisicamente na partida. a entrada de ricardo costa - indo de encontro à ideia que tinha para esta final - permitiu equilibrar as coisas, já que paulo ferreira subiu no terreno, prendendo thompson, permitindo a ricardo costa fazer de terceiro central quando foi necessário. maniche recuou e fez bem o papel destinado a costinha. com isto, o porto não só equilibriou tacticamente o jogo, como superiorizou-se ao adversário, lançando-se para uma boa parte em que foi superior ao adversário, justificando o golo ao cair da primeira parte. a jogada sai dos pés de deco e derlei aproveita a recarga a um remate de aleinichev. algumas similitudes ao golo de juary em viena, pela forma fantástica como derlei ganha o segundo poste - sobretudo, quando está no chão na altura que deco faz o passe para o russo ;
3. o fc porto entrou desconcentrado na segunda parte do jogo e larsson soube tirar partido disso, aproveitando um centro de agathe. descoordenação defensiva portista, com ricardo costa a falhar claramente na marcação a larsson. o sueco é, sem dúvidas, um jogador com um sentido de oportunidade único e um poder de fogo verdadeiramente notável ;
4. depois do golo escocês, denotou-se, pela primeira vez, as fragilidades que o fc porto tinha em termos ofensivos, e com uns escoceses motivados e melhor fisicamente, as coisas pareciam complicar-se. mas quem tem deco na equipa sofre menos. e dos pés do mágico saiu o passe para o golo de alenichev, que com a frieza habitual fez o 2-1, numa jogada muito semelhante ao lance que viria a originar o 1-0 ;
5. a equipa do fc porto tinha o resultado que queria e que sabia que era importante defender. na sequência de um pontapé de canto, larsson fez o 2-2, num inacreditável erro de marcação, com culpas repartidas entre paulo ferreira e ricardo costa que não se decidiram sobre quem ia sobre larsson. era importante estar atento ao sueco e o sistema de marcações na sequência do canto falhou. não se percebe como o sueco aparece sozinho na área. lembrando os golos que o fc porto sofreu esta temporada, conclui-se que a principal debilidade desta equipa eram os lances de bola parada e a alguma dificuldade com cruzamentos ao segundo poste. claro que é quase impossível em portugal retirar partido do segundo tipo de lances, já que as equipas portuguesas não-grandes jogam contra o fc porto sem ponta de lança, alinhando apenas com dois jogadores abertos na frente, normalmente rápidos e baixos, sem capacidade para explorarem debilidades no futebol aéreo;
6. se depois do 1-1 já se notava as limitações físicas de algumas unidades portistas, depois do 2-2 ainda se evidenciaram mais. os escoceses pareciam melhor, só que o fc porto defendia muito bem, só não se conseguia soltar para o ataque com a fluidez habitual. a lesão muscular de jorge costa obrigou mourinho a fazer uma substituição que não contava por certo fazer, o que desequilibrou, por certo, as suas contas, já que, provavelmente, preferia refrescar unidades ofensivas - alenichev e derlei estavam muito desgastados. martin o'neill refrescou bem a equipa, sobretudo ao retirar de campo o defesa belga da equipa, que devia ter sido expulso, pois não só abusou das faltas, como também fez faltas duríssimas. a última peça lançada por mourinho foi marco ferreira, substituindo capucho. para muitos, pode ter parecido uma substituição estranha, mas nem por isso. sabendo que alenichev e derlei estavam mais cansados que o internacional português, mourinho preferiu manter em campo dois eximios marcadores de grandes penalidades, para além de ganhar velocidade na frente e de ter derlei, que tem mais poder de fogo que capucho. a expulsão de baldé ajudou o fc porto a ter uma maior tendencia ofensiva no jogo e a equilibrar-se em termos físicos com os escoceses, pois alenichev estava, minuto a minuto, cada vez mais cansado.
7. a expulsão de baldé não me pareceu justa. e a mesma, acabou por prejudicar o fc porto em termos de decisões do árbitro, pois passou a proteger mais os escoceses. mas, voltando ao lance da expulsão, a entrada é impetuosa, mas não maldosa. houve lances piores que não foram sancionados, sobretudo os de vaalgdaren. mas é importante dizer que as acções de baldé são demasiado agressivas e pelo seu tamanho ganham outro tipo de espectacularide, pois parecem muito violentas. a entrada de marco ferreira, entretanto, não trouxe frutos positivos à equipa, pois o seu tipo de futebol ainda está muito verde para uma competição destas. para além disso, é um jogador que se encaixa bem num esquema de 3 na frente, em que tem mais hipóteses de jogar sem bola e em desmarcações, mas num esquema de 2 na frente sente imensas dificuldades, já que ainda lhe falta ganhar qualidade nos lances de 1x1, para além de ser pouco possante, o que dificultava a sua acção no confronto físico. mas é graças a uma desmarcação de marco ferreira - como está habituado a jogar - que sai o justo golo de derlei, que permitiu o 3-2. excelente o passe de maniche, que arriscou, numa altura, em que quase toda a gente já fazia as contas a quem iria marcar as grandes penalidades ;
8. por tudo, a vitória do fc porto aceita-se, mas a equipa do celtic mostrou que não era tão fácil como muitos esperavam. foi um jogo muito disputado e, provavelmente, de 11 para 11, teriamos mesmo ido para as marcações de grandes penalidades. a expulsão de nuno valente, na parte final do jogo, aceita-se inteiramente. aliás podia ter acontecido um pouco mais cedo, já que as suas dificuldades com a velocidade de agathe eram cada vez maiores, o que se compreende, já que esteve muito tempo parado por lesão. mourinho, mais uma vez, comandou bem a equipa do banco e soube fazer as alterações certas, já que a decisão de mudar o esquema da equipa foi totalmente ganha, assim como a de manter derlei em campo. foi feliz.. é indiscutivel, mas tem muito mérito na vitória. por fim, muito se ouviu falar - sobretudo entre portistas - no excesso de entradas da equipa médica boavisteira no jogo da primeira mão das meias finais em glasgow. a equipa médica do fc porto entrou muito mais neste jogo e os jogadores do fc porto caiam muito. das duas uma: ou morderam a língua, pois o "mal" não é só do boavista e é da atitude dos jogadores de ambas as equipas, ou então, perceberam que é complicado jogar contra uma equipa musculada e dura como a do celtic.
9. excelente a atitude dos adeptos do celtic - antes, durante e depois do jogo - a despedirem-se da equipa, com cânticos e aplausos, mesmo derrotados. dispensavam-se alguns comentários que ouvi nomeadamente na n*tv, sobretudo - pasme-se - por um jornalista do público, que é tão importante, que nunca ouvi falar no nome dele e também não o decorei. muita conversa da treta e um portismo que não lhe fica nada bem. a análise que fez à equipa do fc porto que jogou a final foi completamente desajustada, pois disse que o fc porto venceu com uma equipa com poucos titulares - para o dito senhor, ricardo costa, ricardo carvalho, nuno valente, alenichev, capucho e marco ferreira não são jogadores titulares!!! - e que o celtic não passava de uma equipa vulgar, coisa que ele já tinha notado num jogo que assistiu na escócia frente ao hearts. aí está: um iluminado!
Publicado por rui malheiro às 17:03