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segunda-feira, 15 setembro 2003

Benfica - 3 Belenenses - 3 :: Crónica do Jogo

Categoria: 03/04 Futebol Português

vs.

O Benfica sem o seu tridente de médios ofensivos - Simão e Geovanni ficaram de fora por lesão e Zahovic no banco, depois de ter treinado limitado durante a semana - apresentou-se num 4x4x2, estreando Luisão ao lado de Argel, com João Pereira e Alex nas alas e Sokota e Féher na frente, com o avançado croata ligeiramente mais recuado em relação ao húngaro. Manuel José apesar de contar com o adversário num 4x2x3x1 rapidamente adaptou a sua equipa para um 3x4x3, que acabou por ser mais um 3x6x1, que se desfragmentava ofensivamente em 3x3x1x2x1: Wilson era o líbero ; Filgueira e Carlos Fernandes eram os centrais marcadores ; Marco Paulo e Eliseu faziam os corredores, revelando grande pendor ofensivo ; Pelé actuou à frente da defesa, como trinco ; Sané era o elemento mais cerebral do meio campo, jogando no apoio a Neca e Rui Borges os médios mais ofensivos, fechando à esquerda, sempre que necessário ; Antchouet actuava à frente, procurando desequilibrar através da velocidade.

O Benfica entrou melhor, com Féher a isolar-se aos 8 minutos, num lance mal invalidado pelo árbitro, seguindo-se Luisão, que aos 11 minutos, na sequência de um livre de Petit, quase marcou, valendo um corte eficaz de Wilson. Depois de uma entrada mais forte do Benfica, o Belenenses começou a soltar-se e desde logo se notou a superioridade do meio campo do Belenenses sobre o Benfica, tal como acontecera no jogo da pré época, que não terá servido de lição a Camacho. Petit estava excessivamente lento, ao contrário de Pelé, que no lado oposto se revelava extremamente rápido sobre a bola, com Sané, Rui Borges e Neca a conseguirem criar desequilibrios, tirando partido de uma vantagem de 3x2 a meio campo, baseada em boas trocas de bola, para além dos predicados técnicos que evidenciavam. No entanto, falhava continuamente o último passe e Antchouet estava demasiado isolado, embora o Benfica tivesse tido necessidade de cometer várias faltas na zona central do terreno.

À passagem dos 25 minutos, o Benfica voltou a dar sinais de vida, com um bom remate de Alex, que antecedeu o golo de João Pereira, dois minutos passados, com Sokota a aproveitar um erro tremendo de Wilson, que ao contrário do que lhe é habitual, fez um passe em zona proibida. Sokota lançou Féher, que apesar de algo lento de movimentos, desferiu um forte remate que Marco Aurélio defendeu, mas bola sobrou para o lesto João Pereira que não perdoou e adiantou o Benfica no marcador. O Belenenses tentou reagir, mas à semelhança do que vinha a acontecer até aqui, apesar da vantagem criada a meio campo, continuou a falhar o último passe, o que não permitiu aos jogadores do clube do Restelo criar lances de perigo, sem ser em lances de bola parada, exceptuando uma boa iniciativa de Rui Borges.

Ao intervalo, Camacho deixou no banco Petit trocando-o por Andersson, enquanto que Manuel José, sem mexer na equipa, adiantou Sané, que jogou lado a lado com Neca e Rui Borges, entrando mais pela direita, apesar da mobilidade patenteada por este trio de jogadores. O Belenenses conseguia dominar o jogo, mantendo a superioridade a meio campo e a boa troca de bola já mostrada na primeira parte, com Camacho de forma incompreensivel a não ajustar o seu esquema de jogo perante tal situação. Mas o Benfica acabou por fazer o segundo golo, o que até parecia dar razão ao técnico encarnado, com Féher, a saber aproveitar um lance extremamente feliz, na sequência de um ressalto em Eliseu que o isolou. O Benfica parecia tranquilo e respirar fundo sobre a vantagem alcançada, e apesar dos intentos de Manuel José, com as entradas de Valdiran e de Leonardo para a frente do ataque, em detrimento de Neca e Rui Borges, passando a jogar num 3x3x1x3 extremante ofensivo, a vitória parecia já não escapar aos encarnados.

Só que os excessos de faciltismo dos jogadores encarnados e a descontração de Camacho não viriam a dar em nada de bom. O Belenenses, a partir do minuto 70, mostrou-se mais acutilante ofensivamente e o último passe começou a sair com precisão, com o tridente ofensivo Antchouet-Leonardo-Valdiran a jogar com muita velocidade. O Benfica, por sua vez, espreitava em contra ataque, mas aí o árbitro auxiliar esteve muito mal ao tirar dois foras de jogo em momentos decisivos, já que os jogadores encarnados se isolavam em direcção à baliza. À passagem dos 77 minutos, o Belenenses criou dois lances de perigo que deviam ter servido de alerta para a equipa encarnada, ambos na sequência de cantos, já com Verona em campo, a dinamizar a ala direita azul: primeiro, por Pelé, a obrigar Moreira a uma defesa fabulosa ; depois por Antchouet e Carlos Fernandes, com Moreira e Miguel a salvarem o golo do Belenenses, que surgiu, aos 80 minutos, na sequência de uma grande penalidade justíssima, que talvez justificasse a expulsão de Tiago, como pediam os jogadores do Belenenses.

Sané, com um remate indefensável, relançou a partida. No entanto, acabou por ser o Benfica, através de um excelente remate de Alex a estar perto do golo, mas Marco Aurélio, com uma intervenção espectacular, defendeu para canto. E do canto saiu o terceiro golo dos encarnados, apontado por Luisão, num espectacular remate à meia volta, depois de uma defesa incompleta do guarda redes brasileiro do Belenenses. O encontro parecia resolvido, mas Camacho decidiu inventar, lançando Hélder em campo, no lugar de Féher, passando a jogar com uma frente de ataque com João Pereira e Roger bem abertos. Num esquema de três centrais, em que ninguém sabia quem marcar, e um meio campo desconcentrado, o Belenenses, com uma atitude notável, partiu para cima do adversário - Sané, aos 90 minutos, depois de um excelente trabalho individual, fez o 3-2 ; e quando o Benfica procurava queimar os 4 minutos de desconto, o Belenenses lançou um rápido contra ataque através de Valdiran, que obrigou Ricardo Rocha a ceder um canto. Com Marco Aurélio a subir até à área encarnada, acabou por ser Leonardo, livre de marcação, ao segundo poste, a desviar para o fundo da baliza um cabeceamento de Carlos Fernandes. Inadmissiveis os erros de marcação da defensiva encarnada, que num lance decisivo, não souberam definir quem é que ficava com quem.

O empate é um resultado muito mau para o Benfica e um prémio justo para o Belenenses, que até foi superior ao Benfica em jogo jogado durante largos períodos de jogo. Embora depois de estar em situações de vantagem de 2-0 e 3-1 o resultado até possa parecer injusto para o Benfica, Camacho esteve muito mal no banco, o mesmo não se podendo dizer de Manuel José, cujo trabalho merece ser destacado. Este Belenenses joga muito bem à bola e apontou 5 golos nas deslocações a terrenos do Sporting e do Benfica, somando 10 golos em 4 jogos, o que é excelente. De um candidato ao título, mesmo com baixas de vulto, há que esperar muito mais e a paragem relativamente longa de competição não teve o efeito que se esperava, lançando sinais de grande alarme para a deslocação às Antas, onde uma derrota poderá ter efeitos bastante nefastos, sobretudo depois do falhanço da qualificação para a Liga dos Campeões. O brasileiro Luisão estreou-se deixando algumas indicações bem positivas, só que sofrer 3 golos num jogo em casa, sabendo que dois deles sairam na sequência de cruzamentos para a área, não abona muito em seu favor.

Duarte Gomes (4) - Foi pessimante auxiliado e isso não o ajudou em nada - três foras de jogo mal tirados a ataques muito perigosos do Benfica ; um fora de jogo mal tirado a Antchouet, a quem também ficou um fora de jogo por assinalar. Na sua área técnica, também deixou algo a desejar: Tiago, no lance da grande penalidade, podia ter sido expulso, já que impediu que a bola ficasse à mercê do isolado Filgueira ; e Luisão viu muito mal um cartão amarelo por uma falta banalíssima. Acumulou ainda alguns erros a nível da decisão de faltas. Duarte Gomes tem qualidade, mas tarde em se impor de forma definitiva. É pena.

Melhor em Campo: Sané (Belenenses) .

Publicado por rui malheiro às 01:29

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