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segunda-feira, 17 maio 2004

Belenenses - Balanço da Época

Categoria: 03/04 Balanço da SuperLiga Categoria: Belenenses

15º classificado da SuperLiga, o Belenenses acabou por garantir a manutenção por apenas um golo, tendo estado, durante a última jornada, por alguns minutos, na 16ª posição, num jogo um pouco à imagem da temporada: uma equipa nervosa, com pouco nervo e talento, incapaz de reagir perante as adversidades no marcador. E a época dos 'azuis' foi mesmo assim - repleta de adversidades: uma SAD incapaz de corresponder e a cometer erros atrás de erros, mudanças de treinadores em registo descendente e um mar de lesões e interrogações sobre a qualidade de algumas contratações e opções.





Os adeptos: os vencedores de uma época muito negativa Ressurgimento . O envelhecimento dos adeptos, na sequência da perda de influência do clube nas camadas etárias mais jovens, sofreu um duro e importante revés na temporada 2003/2004 - num ano extremamente complicado, viu-se um apoio jovem ao clube notável e, sobretudo nas fases mais delicadas de uma época terrível, foram os adeptos que mostraram ser os únicos a estar à altura de envergar ao peito o símbolo da Cruz de Cristo. Há anos que não se via nada assim no Restelo, e também para isso contribuiu o fenómeno 'blogosfera', onde os 'azuis' estiveram muito à frente e foram os vencedores do campeonato virtual. No último jogo apoio não faltou, mas houve festa moderada pela manutenção - havia razão para a festejar, mas sem grandes 'ondas', porque a equipa foi incapaz de, no seu reduto, mostrar capacidade para levar de vencida a formação do Braga. Os assobios finais, com que se despediram de técnicos, jogadores e... dirigentes, provam que dentro do campo a equipa não esteve à altura de quem esteve a torcer do lado de fora e não trabalha nos gabinetes do Restelo.

Antchouet: o menos mau O menos mau . Antchouet, a 'pérola' gabonesa dos 'azuis', teve uma boa entrada na SuperLiga 2003/2004, com Manuel José a retirar o máximo proveito das suas características. Com Bogicevic e Inácio baixou de rendimento, mas conseguiu ser, quase sempre, o menos mau. 10 golos, em 30 jogos, são alguma coisa, num dos avançados mais perigosos do futebol português em contra ataque.

Muitos pontos, poucas saudades . Hugo Henrique, avançado brasileiro goleador, atravessa a fase menos luminosa da sua carreira em Portugal. (Re)descoberto no banco do Vitória de Setúbal, não terá tido um rendimento exibicional ao nível do que habituou os adeptos do Rio Ave e do Vitória Setúbal, mas fez o que ninguém conseguiu no Restelo, em 2003/2004: em 891 minutos em campo, apontou 5 golos, que valeram 10 pontos, pouco menos de 1/3 dos pontos conquistados pela equipa em toda a SuperLiga. É, apesar de tudo, de 'matador'.







João Gonçalves e Augusto Inácio - equívocos em tom de azul. Um ano de asneiras . A SAD que gere os destinos do futebol do Belenenses teve um ano perfeitamente desastroso: começou por apontar baterias para um 4º lugar inatingivel face aos recursos humanos existentes no plantel e face à ausência de reforços de vulto ; as trocas de treinador foram mal explicadas e mal executadas - Manuel José saiu quando a equipa, depois de um bom arranque, parecia entrar em quebra ; foi substituido por Bogicevic, homem de fino trato, mas desconhecedor, em absoluto, do futebol português e sem currículo e conhecimento para orientar tecnicamente uma equipa de topo ; quando as coisas pareciam estar a melhorar, apareceu um novo técnico (Inácio), num processo com contornos pouco claros, até pelas declarações do técnico pouco tempo depois de ter assinado contrato. Se isto tudo não chegasse, ainda os adeptos do Belenenses tiveram que aguentar a vergonha de verem pisar o seu relvado inúmeros jogadores sem qualquer talento, em morosos processos de observação, que acabaram por resultar num camião de reforços na última semana de inscrições. Dizia-se, na altura, que 'a fase da asneira tinha chegado ao fim'. Os quatro meses seguintes provaram que apenas estavamos a meio.

Fracasso (também) em tons de azul . Foi um mau ano de Augusto Inácio: deixou o Guimarães abaixo da linha de água, não conseguiu melhor no Restelo, onde garantiu a manutenção, mas sem grandes méritos. Recebeu reforços em camião, o mesmo que, por vezes, tentou impor aos seus jogadores, em frente à sua área. Pode-se queixar de lesões e de outras vicissitudes, mas teve tempo mais do que suficiente para fazer algo mais: limitou-se a contruir a sua equipa em função dos adversários com que iria jogar, o que justifica, em parte, o vazio criativo do futebol apresentado nas últimas jornadas. Mas até em algumas opções não foi muito feliz: jogar com dois líberos já não se usa ; lançar jogadores e retirá-los na jornada a seguir nunca foi boa política ; tirar jogadores das suas posições naturais, não costumo dar grandes resultados, sobretudo quando se insiste, em demasia, em fazê-lo. Com tantos episódios e equívocos, não deixou grandes saudades no Restelo, isto apesar de afirmar que parte com a sensação do dever cumprido.

Valdiran: lágrimas de crocodilo? Porque choras, Valdiran? . Valdiran, extremo brasileiro contrato por Manuel José, após período experimental no final da época anterior, não mostrou grandes virtudes dentro do campo. Fora do campo, até foi o Terceiro Anel que se antecipou aos jornais desportivos, anunciando um passado criminal, em solo brasileiro, bastante mais rico, que o currículo como futebolista. Depois de vários pequenos episódios ao longo da temporada, perto do final da época, o reacender, em grande escala, dos problemas sociais do jogador: agressões, molestações, facadas na noite de Lisboa. Demasiado mau para ser verdade, num processo que acabou com um despedimento com justa causa, e, ao que se sabe, com uma saída de mansinho rumo ao Brasil. No entanto, o 'destino' tem destas coisas: o golo que garantiu a manutenção - o do 2-0 frente ao Alverca, no Restelo - saiu de um remate (ocasional) de Valdiran.







Manuel José: o primeiro sinal de uma crise previsivel O primeiro sinal da crise . O futebol apresentado pelo Belenenses, durante a pré época e mesmo nas primeiras jornadas da SuperLiga, chegou a entusiarmar, e mesmo percebendo-se que a corda estava esticada, já que as opções não abundavam, tudo parecia caminhar para uma época tranquila com possibilidades de alcance de um lugar europeu - posição que a equipa ocupava à 6ª jornada, mesmo depois de ter jogado com Sporting e Benfica. Só que as goleadas sofridas frente a FC Porto e Nacional fizeram ecoar os primeiros sinais de alarme, seguidos de dois nulos, no resultado e no futebol apresentado, frente a Moreirense e Gil Vicente. Manuel José abandonou o Restelo após a 11ª Jornada, optando por prosseguir carreira no Egipto - a equipa em 9º lugar, mas começava-se a sentir que algo não estava bem, até pelo surgimento das primeires lesões, que confirmaram as limitações em termos de opções. A sua opção não caiu bem junto dos adeptos, mas o seu trabalho em 1/3 de temporada - 14 pontos acumulados -, foi bastante superior ao dos seus sucessores.

. O fim de uma era . Os últimos anos da formação do Restelo tiveram 4 figuras importantíssimas, sobretudo no que concerne à sua segurança defensiva, suporte para um futebol tecnicista, que se destacou no período de Marinho Peres. Marco Aurélio - Wilson - Filgueira - Tuck formavam um núcleo duro, que era quase uma instituição dentro do próprio clube. Só que todos juntos acumulam 139 anos, o que, sobretudo a partir deste ano, tornou-se incompativel a sua presença em simultâneo no onze: a aposta nesses jogadores em conjunto e a ausência de substitutos à altura - Pelé será a excepção -, quando, sobretudo por lesão, não puderam dar o seu contributo à equipa, teve prejuízos claros para o Belenenses, que acabou por ser a 2ª pior defesa do campeonato, situação nada comum na equipa do Restelo.

Publicado por rui malheiro às 19:51

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