« Se a Moda Pega... | Entrada | Adivinhe »
quarta-feira, 19 maio 2004
Beira-Mar - Balanço da Época
Categoria: 03/04 Balanço da SuperLiga
11º classificado da SuperLiga, o Beira Mar foi um dos conjuntos revelação da primeira volta da prova, que concluiram em 5º lugar, depois de algumas jornadas em 4º, reflexo do excelente futebol que praticaram. Depois de nas primeiras jornadas a equipa de Aveiro ter apresentado algumas dificuldades, Sousa aproveitou a primeira paragem do campeonato, no início de Setembro, para impor um novo sistema táctico: o 4x4x2 losango - que substituiu o tradicional 4x3x3 ou 4x2x3x1 - suporte da excelente campanha dos aveirenses no último trimestre de 2003. A segunda volta foi paupérrima: 11 pontos, um registo só batido pelo Estrela da Amadora (7 pontos), com apenas duas vitórias - em Alverca e frente ao Moreirense, em Aveiro, na única vitória no novo Municipal de Aveiro.

A 'Máquina Amarela' . A formação de António Sousa, que conseguiu apenas a manutenção na última jornada do campeonato 2002/2003, começou a temporada com a perda de duas unidades de peso - Ricardo Sousa e Fary Faye -, que juntos, valiam cerca de 75% dos golos dos aveirenses. A pergunta torna-se óbvia: Como é que foi possível uma equipa perder duas unidades tão preponderantes e conseguir realizar uma primeira volta tão entusiasmante? Tudo passou pela adopção de um novo sistema táctico que encaixou perfeitamente nos jogadores à disposição do técnico, solução encontrada depois de um início de época, onde mantendo o mesmo sistema táctito do passado, a equipa dava sinais de não conseguir ir mais longe do que em épocas anteriores. A opção passou pela adopção do 4-4-2 losango, um 4-3-1-2 mais compacto, com as linhas mais próximas e com alguns desdobramentos curiosos, com um tridente de médios que suportavam a subidas dos laterais, e com Juninho Petrolina em super-forma, a apoiar dois avançados - o veloz Kingsley, mais solto, e o experiente Clyde Wijnhard, mais fixo. O futebol dos aveirenses foi um regalo e os resultados - destaca-se o facto de ter sido a única equipa, até agora, a vencer na Nova Luz - chegaram a guindar a equipa a um brilhante 4º lugar perto do fim da 1ª volta.

Maestro ou Perturbador? . Juninho Petrolina realizou uma 1ª volta notável: de volta à sua posição 'natural', depois da presença de Ricardo Sousa o ter deslocado para a direita, o médio ofensivo brasileiro conduziu o futebol ofensivo dos aveirenses, passeando classe pelos relvados da SuperLiga, com pormenores técnicos deliciosos, assistências e golos. Com o eventual interesse de clubes brasileiros e mesmo portugueses no seu concurso, o jogador começou a sair dos carris, arranjando também complicações no balneário, onde a relação com Sousa esfriou. O prejuízo para o Beira Mar foi grande: com o seu abaixamento de forma, a equipa caiu de produção e arrastou-se para uma 2ª volta péssima. Juninho, ainda apareceu, aqui e ali, mas esteve muito abaixo do que podia render, juntando-se ainda o 'caso' de uma fuga até ao Brasil, com chegada fora do prazo. Maestro ou Perturbador? Eis Juninho Petrolina.

2ª volta medíocre . Apenas 11 pontos conquistados na 2ª volta, um registo de 'descida' de divisão, só batido por Estrela da Amadora, na 1ª (10 pontos) e na 2ª (7 pontos) volta. Mau demais para ser verdade, embora sempre a livre dos sobressaltos da descida, até porque os 30 pontos foram ainda conquistados na 1ª parte da prova. Só que foi sempre a descer: do 4º até ao 11º lugar, numa queda abismal, provocada por abaixamentos de forma, problemas disciplinares e saturação - presidente com treinador, treinador com presidente, jogadores com treinador. E o novo Municipal de Aveiro não foi talismã: apenas uma vitória em casa, no último jogo, depois da mudança de estádio.
Ponta de (pouca) Lança . Do brasileiro Whelliton, contratado aos espanhóis do Córdoba, depois de ter sido campeão pelo Boavista, esperavam-se golos: só que apesar de ter sido utilizado em 21 jogos, nem um para amostra. Para o centro do ataque havia, no entanto, mais duas opções: Clyde Wijnhard, avançado holandês, que realizou um boa primeira volta, só que na 2ª 'apagou-se' e perdeu mesmo a titularidade - mesmo assim, apontou 9 golos ; e o jovem João Paulo, emprestado pelo Boavista, que 'ganhou' espaço na 2ª volta, mas o Beira-Mar não pareceu ganhar muito com a troca de avançados - apenas 3 golos, em 19 jogos. E o que dizer dos extremos? Carlinhos e Gamboa foram duas desilusões, só utilizadas a espaços, Rui Dolores, dispensado no fim da 1ª volta, e Rui Lima, contratado ao Boavista para a 2ª, pouco mostraram, apesar das esperanças depositadas no último. Salvou-se Kingsley...

De revelação a semi-desilusão . Kingsley Sunny Ekeh, extremo nigeriano, de 22 anos, foi descoberto por António Sousa no Caldas, depois de passagens pelo Fátima e pelos júniores da União Leiria. A estreia foi auspiciosa e o jovem nigeriano mostrou talento: velocidade de ponta, alguma qualidade técnica e excelente capacidade de desmarcação e improvisação. A sua presença na fase áurea dos aveirenses foi notória, assim como o 'apagamento' na 2ª volta, onde, apesar de ter mantido a titularidade, também por ser mais 'conhecido' pelos adversários, foi, muitas vezes, inconsequente. Mesmo assim, o seu futebol deixou algum 'perfume', mas terá que confirmar o seu potencial no próximo ano, sobretudo com maior regularidade. 4 golos, em 33 jogos, foi o registo do seu ano de estreia na SuperLiga.
Publicado por rui malheiro às 19:37