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quinta-feira, 3 junho 2004

Moreirense - Balanço da Época

Categoria: 03/04 Balanço da SuperLiga Categoria: Moreirense

9º classificado da SuperLiga, entrou no campeonato a todo o gás, mas a lesão do médio Castro, até aí essencial, pôs a nú graves fragilidades a meio campo, que levaram a equipa a cair progressivamente na tabela, rondando mesmo a linha de água em Dezembro. Foi esse o momento chave da temporada: Manuel Machado, melhor do que ninguém, sabia onde estava o 'mal' e contratou 3 médios, que reequilibraram o sector intermediário. A partir daí foi sempre a subir: a Europa chegou a ser mais do que uma simples miragem, mas acabar a temporada na primeira metade da tabela acaba por ser excelente para um dos orçamentos mais reduzidos da SuperLiga.





Manuel Machado: o 'Milagreiro'

O 'Milagreiro' . Pode não ser fácil simpatizar com Manuel Machado, fruto de algumas declarações a 'quente' e dos constantes adornos de linguagem que marcam o seu discurso, por vezes, demasiado elaborado, mas o seu trabalho como técnico está a ser notável, com quatro anos de um sucesso crescente, da 2ªB ao 9º lugar da SuperLiga. Sem grandes recursos financeiros, e com algumas baixas importantes numa equipa que garantiu a manutenção na última jornada do campeonato anterior, viu-se obrigado a reconstruir o plantel. A época começou bem, só que a lesão de Castro e a pouca qualidade do meio campo veio ao de cima, e a equipa caiu nos lugares perigosos. Em Dezembro contratou 3 jogadores: 3 médios que reequilibraram a equipa, e permitiram chegar a patamares mais altos na classificação, bem longe das aflições do último ano. A Europa até esteve perto, mas acabar o campeonato na primeira metade da tabela superou até as expectativas mais entusiásticas no início da temporada. E, mais importante: Machado conseguiu moldar a equipa para três sistemas de jogo, que chegou a utilizar, sem fazer grandes alterações, na mesma partida.

Reequilibrio da equipa . O Moreirense foi um dos vencedores do 'Mercado de Inverno' - a escolha criteriosa dos reforços, bem estudada por Manuel Machado, permitiu à equipa reequilibrar-se, ganhando um novo meio campo, até aí o ponto mais fraco da equipa, após a lesão de Castro, uma das grandes revelações das primeiras jornadas da SuperLiga. Manuel Machado apostou em dois jogadores 'em baixa', mas em que confiou: Luis Vouzela estava desmotivado no Santa Clara e Bruno a treinar-se no FC Porto B - ambos entraram de 'caras' na equipa, contribuindo de sobremaneira para a excelente 2ª volta dos vimaranenses. E o terceiro reforço, o paraguaio Britez, mesmo com rendimento abaixo de Vouzela e Bruno, acabou por ser valioso, quando foi lançado para reforçar o meio campo defensivo no decorrer das partidas.

Muralha de Aço . Uma defesa coriácea num campeonato com as características da SuperLiga, continua a ser sinónimo de sucesso. Que o digam Ricardo Fernandes e Sérgio Lomba, a dupla de centrais mais utilizados do Moreirense, e que acabou por ser importante para a boa época da formação de Moreira de Cónegos, 4ª melhor defesa do campeonato, com os mesmos golos sofridos do Sporting, com uma média de um golo sofrido por golo. Para a coesão do sector também contribuiram os laterais Primo e Tito, jogadores muito regulares, e Jorge Duarte, um trinco muito útil, pelas bolas que recupera, e pela facilidade em que se transforma em 3º central, quando Machado verifica essa necessidade.

Manoel: o artilheiroDiferença com golos . Contratado ao Gil Vicente, onde fizera uma excelente época, o avançado Manoel foi decisivo em Moreira de Cónegos: apontou 8 golos, em 33 jogos, salientando-se o facto de apenas um ter sido obtido de grande penalidade. Apontou golos aos três grandes, e os seus golos acabaram por valer 11 pontos, soma importante , que representa quase 1/4 dos pontos conquistados pela equipa. Na segunda volta o seu rendimento caiu um pouco, sobretudo depois de se falar no interesse do Sporting, mas acabou a temporada em bom nível, justificando o destaque individual, numa equipa onde o colectivo é a principal arma.







Pesadelo Sul-Americano . No início da época, o Moreirense reforçou-se com dois médios sul-americanos, de regresso ao futebol português: Quintana, emprestado pelo FC Porto, nem sequer se chegou a estrear ; Uribe, que passara pelo Benfica, ainda fez 10 jogos, fruto da lesão de Castro, mas mostrou uma grande falta de pernas, apesar de um ou outro bom apontamento. Ambos foram dispensados - Quintana no início de época, Uribe em Dezembro, mas acabou por ficar até ao fim da época, mesmo não sendo utilizado. Emerson Gama e Laelson completam o 'pesadelo': os dois brasileiros não mostraram argumentos, e também foram 'despachados'.








Vítor Pereira: irregularidade como imagem de marca O 'playmaker' envergonhado . Vítor Pereira, médio de características ofensivas do Moreirense, teima em não se afirmar definitivamente. Jogador com recursos, aos 25 anos, e depois de passagens pelo Braga, Desp. Chaves e pelos espanhóis do Extremadura, ainda não foi esta época que realizou uma temporada consistente, acabando por realizar uma temporada, em termos globais, abaixo da anterior. Continua a alternar as boas exibições, com outras bem fraquinhas, totalizando 24 jogos e 2 golos, bem abaixo dos 7 golos apontados na sua época de estreia em Moreira de Cónegos.

Publicado por rui malheiro às 14:51

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