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quinta-feira, 3 junho 2004
Boavista - Balanço da Época
Categoria: 03/04 Balanço da SuperLiga Categoria: Boavista
8º classificado da SuperLiga, o início da temporada 2003/2004 ficou marcado pelo fim de uma era de muito sucesso, com a saída de Jaime Pacheco e um 'tiro no escuro' chamado Erwin Sanchez, na sua estreia como técnico principal, para aquele que foi denominado por João Loureiro como 'ano zero'. Uma pré época terrível, carregada de derrotas, obrigou Sanchez a alterar o sistema de jogo a poucos dias do início da prova: do 4x3x3 ofensivo passou a um 4x4x2 losango, bem defensivo, que girava em torno de Ricardo Sousa. O início de temporada foi promissor: só à 9ª jornada, o Boavista perdeu o seu primeiro jogo, em casa, frente ao FC Porto. Os lugares europeus pareciam objectivo legítimo, mesmo com um futebol medíocre, que ia dando pontos pela coesão defensiva revelada e pelo acerto de Sousa, exímio na cobrança de lances de bola parada. O início de segunda volta foi francamente mau, e mesmo com o 6º lugar sempre debaixo de mira, Sanchez foi despedido, regressando Jaime Pacheco. Cinco jogos sem ganhar - 1 empate, 4 derrotas - quase fizeram o Boavista ficar de fora da 'corrida' à UEFA, mas nos últimos 4 jogos, com 3 vitórias, deixaram a UEFA a um ponto, um prémio demasiado injusto para quem jogou tão mal e procurou o golo tão poucas vezes - o Boavista foi a equipa que menos rematou à baliza na SuperLiga 2003/2004.

O Mago . Ricardo Sousa, contratado ao Beira-Mar, provou a quem duvidava, depois das experiências falhadas nos Açores e em Belém, que consegue jogar bem fora de Aveiro e do 'colo paterno'. Andou a época inteira com a equipa às costas, e o 8º lugar só foi possivel graças à sua acção - participou em 20, dos 34 golos apontados pelos 'axadrezados' em 2003/2004. 14 golos e 6 assistências, atestam a sua preponderância numa equipa, onde, muitas vezes, pareceu o único interessado em chegar à baliza adversária, mesmo que de bola parada. E o que dizer do facto de 26 pontos dos 47 conquistados pelo Boavista terem saído dos seus golos, quase sempre, decisivos? Sousa provou que é um digno sucessor de Ioan Timofte e Erwin Sanchez como '10' do Boavista, só que ao contrário dos seus antecessores, não teve companheiros à altura do seu futebol.
Defesa à prova de bala . 3ª defesa menos batida da prova, com menos de um golo sofrido por jogo, foi o reflexo do futebol defensivo praticado pelos boavisteiros, mais preocupados em não sofrer golos, do que em marcá-los. Com Sanchez defender com 8 ou 9 jogadores de campo muito recuados foi prática comum, daí que não tenha surpreendido o baixo número de golos sofridos. O meio campo defensivo foi, defacto, muito pressionante e voltou a ser responsável por um dos números mais elevados de faltas da SuperLiga, só que com uma diferença - o Boavista ainda sofreu mais faltas, do que as que cometeu, daí que não tenha surpreendido o facto dos jogos dos axadrezados terem sido os que tiveram menos minutos de jogo efectivo. Uma ode ao anti-jogo.
Revelação todo o terreno . Raúl Meireles, produto das escolas do Boavista, teve em 2003/2004, a oportunidade de se estrear na equipa senior, depois de dois anos a rodar no Desp. Aves, onde cresceu de ano para ano. Aos 21 anos, o médio natural de Massarelos, enquadrou-se na perfeição no esquema de 4-4-2 losango de Sanchez e conquistou um lugar na equipa - 29 jogos, 27 dos quais como titulares, acabaram-no por confirmar como um dos melhores e mais completos médios da SuperLiga, exímio na recuperação de bola e aquele que, mais vezes, soube encontrar Ricardo Sousa.

O pior futebol da SuperLiga . Muitos se queixavam do futebol praticado pela equipa na 'era Jaime Pacheco': futebol defensivo, muito faltoso e pouco virado para o espectáculo. Algumas críticas eram injustas, pois a equipa jogava, muitas vezes, com 3 ou 4 unidades de ataque e apesar de ter o seu suporte ofensivo em rápidos contra ataques, também sabia construir jogo. Só que Erwin Sanchez conseguiu algo inexplicável: conseguiu aliar o pior do futebol de Pacheco, juntando-lhe a falta de ambição e a quase total ausência de futebol construido. O Boavista de Sanchez viveu em termos ofensivos de lances de laboratório - e aqui o mérito para esse trabalho - e da inspiração de Ricardo Sousa. Velocidade no ataque, sentido de baliza e eficácia no futebol construido, mesmo que em contra ataque, foi coisa que raramente se viu. Mau demais para ser verdade - uma equipa com o conjunto de valores que o Boavista dispôs, ser um dos ataques com menos golos apontados e a equipa que menos rematou a baliza - com menos 40(!) remates do que o Estrela da Amadora - provam a falta de ambição que marcou a passagem do boliviano pelo banco do Bessa.
Ataque de 'tanga' . Foi muito má a prestação do ataque boavisteiro em 2003/2004: para além de terem sido a equipa menos rematadora da SuperLiga, foram o 4º pior da SuperLiga e o 3º pior em casa, números aos quais, há muitos anos, o Boavista não estava habituado. Em termos individuais, a prestação dos atacantes esteve longe de ser satisfatória: Luiz Cláudio, que, com alguma estranheza, até chegou a ser a aposta prioritária de Sanchez, efectou 19 jogos, 12 dos quais como titular, apontou apenas um golo, e foi dispensado poucas semanas antes do final da competição ; Fary Faye, melhor marcador da SuperLiga em 2002/2003, ainda foi o 2º melhor marcador da equipa, apesar de ter feito tantos jogos quantos Luiz Cláudio como titular ; Cafú, o mais utilizado dos avançados, mesmo não sendo ponta de lança, foi, várias vezes, a unidade mais adiantada do conjunto, e apontou 4 golos ; Márcio Santos, apenas fez 2 jogos, antes de ser dispensado em Dezembro, ficando em branco. E depois há ainda os extremos: Duda - 0 golos, em 19 jogos ; Martelinho, algumas vezes adaptado a lateral, 0 golos, em 22 jogos ; e Ali, polivalente, mas utilizado sobretudo a ala esquerdo, que ficou em branco, nos 23 jogos que realizou.
Ano Zero . Foi a imagem que João Loureiro utilizou, no início da época, para aliviar a equipa de uma eventual pressão europeia. Muito se falou sobre isso ao longo da temporada: mesmo com o Boavista na frente, o discurso passou sempre pelo jogo a jogo, e nunca se admitiu o objectivo europeu. Sanchez, com a cabeça a prémio, chegou a dizer que o objectivo era não descer. Ridiculo. Já com Jaime Pacheco no comando técnico da equipa, Loureiro voltou a falar sobre 'objectivos': chegou a admitir que havia jogadores sem qualidade no plantel e, que assim, a Europa só podia ser mesmo uma miragem. A Europa falhou por um ponto, mas seria injusta para uma equipa que jogou tão mal, só que se tivesse sido alcançada, e esteve perfeitamente ao alcance dos 'axadrezados', de certa forma, a má época seria 'apagada'. Mas uma coisa é certa: com o conjunto de valores que o Boavista dispunha, o 5º ou 6º lugar era o minimo exigivel, por mais ou menos zero que fosse o ano.
Eu vi um sapo . O Boavista conseguiu perder os dois jogos frente ao Estrela da Amadora, último classificado da SuperLiga, e que só conseguiu 3 pontos fora de casa - exactamente no Bessa, roubando a possibilidade dos 'axadrezados' chegarem a um lugar europeu. Terrível!

A troca de treinador . Quando João Loureiro despediu Erwin Sanchez, à 25ª Jornada, após um empate caseiro com o Paços de Ferreira, a equipa estava em quebra acentuada, com apenas 2 vitórias nos últimos 9 jogos. Mesmo fora dos lugares europeus, o 6º lugar estava a apenas um ponto, sabendo-se que o Marítimo, na altura 6º, ainda teria que deslocar-se ao Bessa. A missão de conduzir a equipa ao 6º lugar, apesar de não ser fácil, parecia estar ao alcance do regressado Jaime Pacheco. Só que os primeiros 5 jogos foram terríveis: apenas 1 ponto e uma derrota em casa, extremamente comprometedora com o Estrela da Amadora. Só que o 6º lugar só deixou de estar ao alcance do axadrezados à 33ª Jornada, depois de uma derrota em Leiria, mas a vitória sobre o 'europeu' Marítimo, na última jornada, deixou a equipa a um ponto dos madeirenses, ou seja, na mesma situação em que Sanchez tinha deixado, só que uma posição abaixo. Só que se Sanchez conquistou 37 pontos em 25 jogos, Pacheco, que, apesar das dificuldades, conseguiu algumas melhorias no futebol praticado pela equipa, não reflectidas na maior parte dos resultados, ficou-se pelos 10 pontos, em 9 jogos - média pontual bastante sofrível. Terá mesmo valido a pena? A próxima temporada dará, por certo, uma resposta mais consistente.
Publicado por rui malheiro às 23:08
Comentários
Tanta bílis, tanta bílis...
Isso deve fazer mal à saúde, ó Rui...
Volto a dizer o que já disse aqui várias vezes: o boavista não joga pior do que a maior parte das equipas da Superliga. Tem é um problema: é mais visível do que esses clubes pequenos.
O Rui se calhar não viu nenhum jogo de equipas pequenas no bessa: a maior parte dessas equipas vai ao estádio do Boavista fazer um anti-jogo e um futebol que nem sequer se pode dizer que seja contra-ataque: é mais pontapé para a frente e seja lá o que for. um tipo de jogo que faz com que o Boavista pareça o Arsenal do henry, o que é a prova desta pequenez da superliga.
Mesmo a estatística de que o Boavista sofre mais falta do que as que comete não foi bem aproveitada pelo Rui - significa mesmo o que eu acabei de dizer: o Boavista não é pior do que os outros; é infelizmente a face mais visível da nossa pobrezinha Superliga.
Notou-se em muitos jogos que a inépcia no ataque por parte dos boavisteiros se deveu a isso mesmo, à inépcia, e não à falta de vontade, como se viu no jogo no Dragão ,em que o boavista entrou com uma coragem e uma vontade de surpreender que eu, muito sinceramente, não vi nem sequer no Sporting.
Ah, e só uma coisa: será que o facto do boavista ter uma grande defesa - com 2 grandes centrais, Éder e Ricardo Silva - significa que a equipa tem mais "preocupações defensivas" ? Não pode apenas significar que os defesas axadrezados são realmente muito bons ?
É isto que chateia um pouco neste tipo de crónicas sobre o Baovista: dá a ideia que toda e qualquer merdinha - "pardon my french" -tem de servir a grande ideia de que o boavista é a pior equipa da Superliga e mais não sei quê. E depois dizem-se algumas imbecilidades...
Publicado por: Pedro M.N. em junho 4, 2004 11:43 AM
apesar do futebol enjoativo do Boavista em 2003/2004, não tenho qualquer problema de bilis. vi todos os jogos do Boavista em casa, com excepção do jogo com o Marítimo e com o Estrela da Amadora - o que devo ter perdido! quanto ao resto, a defesa do Boavista foi elogiada, tal como o Raul Meireles e o Ricardo Sousa, assim como foi explicado o não funcionamento do ataque. daí que não vejo grande discordância entre o que dizes e o que escrevi. a diferença pode estar na vesícula, e, sobretudo, no facto de não ser adepto do boavista e tu seres. quanto ao resto, para o ano, de certeza, que será um ano melhor.
Publicado por: rui malheiro em junho 4, 2004 12:21 PM
O Boavista ficou em 8º lugar à pala dos arbitros. Se não fossem eles tinham ido para o lugar que merecem: LIGA DE HONRA!
Publicado por: Vítor em junho 4, 2004 12:39 PM