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quinta-feira, 1 julho 2004
A Grécia Germânica
Categoria: Euro 2004
Uma equipa compacta, realista, fria, calculista, fechada, mortal e eficaz. Há uns anos este início de prosa serviria para caracterizar uma qualquer selecção alemã que acabava muitas vezes a brilhar bem alto neste tipode torneios.
Hoje com os alemães em casa sobe ao tecto da europa uma grécia de sangue germânico. Otto Rehhagel conseguiu incutir neste selccionado grego todas as qualidades que fizeram da Almanha uma potência do temida do futebol mundial. Jogam feio, são até muito chatinhosa abordar o jogo, mas se não sofrerem um golo , com o avançar do tempo tornam-se cínicos e fatais.
Hoje viu-se a qualidade do futebol checo a vir ao de cima. Enquanto houve Nedved, que saiu cedo e debilitou a sua equipa, a República Checa parecia ter todos os argumentos pedidos a um finalista do campeonato da europa. Mas a bola não entrava, logo no arranque da partida, quando um poderoso remate de Rosicky embateu estrondosamente no poste, estavam decorridos apenas três minutos de jogo.
Mas a Grécia voltou a apresentar os argumentos que já mostrara em partidas anteriores e não tardou a refrear o ímpeto do adversário. A partir dos 10 minutos, o meio-campo helénico acertou as marcações, deixou de conceder espaços a Nedved, Rosicky e Poborsky na construção dos lances e logrou «adormecer» a partida, afastando progressivamente o perigo das imediações da baliza de Nikopolidis.
Mesmo sem Nedved, Nem por isso deixaram de ser os checos, ao longo da segunda metade do jogo, os únicos a assumir as despesas do encontro, embora a bem montada estrutura defensiva da Grécia não concedesse grandes veleidades a Koller e Baros, que se viam constantemente obrigados a recuar no terreno para conseguir abrir espaços entre os defesas gregos.
As ocasiões de golo não existiam, mas era sempre a República Checa que mais tentava, de todas as formas, marcar o golo que lhe permitiria rumar à final. Aos cabeceamentos de Koller sucediam-se as investidas de Rosicky, os cruzamentos de Poborsky e os remates de meia-distância dos médios. Mas todas as tentativas acabavam invariavelmente por sair ao lado da baliza ou contra o corpo dos defensores.
Aos 79 minutos, Koller teve nos pés a ocasião de golo mais soberana de toda a partida, mas o possante avançado não conseguiu dar o melhor seguimento ao (excelente) lance desenvolvido por Rosicky, rematando torto, quando estava em posição privilegiada para bater Nikopolidis.
Um lance que podia ter impedido o prolongamento e a surpresa que posteriormente se verificou. É que se a Grécia pouco tinha feito ao longo dos 90 minutos para merecer vencer este jogo, a entrada helénica em campo para a disputa do período suplementar deu a sensação de que os jogadores de Otto Rehhagel tinham guardado todas as forças para esta fase da partida.
E em escassos três minutos os gregos estiveram por duas vezes muito próximos de marcar, mas duas espantosas defesas de Petr Cech mantiveram o nulo e confirmaram o porquê de o futuro guarda-redes do Chelsea ser apontado como um dos mais promissores jogadores na sua posição.
As apostas de Rehhagel em Giannakopoulos e Tsartas para refrescar a equipa grega transformaram o jogo, que entrou então na fase mais animada, com os checos a tentar responder na mesma moeda, mas a acusar o esforço despendido nos 90 minutos em que estiveram sempre a marcar o ritmo da partida.
A Grécia, essa, parecia finalmente despertar, e a três minutos do final da primeira parte, Dellas surgiu oportuno na área checa a corresponder a livre cobrado na intermediária, cabeceando para nova espectacular defesa de Cech.
Até que, quando faltavam 15 segundos para terminar o prolongamento, Dellas voltou a subir à área opositora para tentar de novo a sua sorte, desta feita em canto cobrado por Tsartas. E aí, no momento em que tudo se podia decidir, Dellas conseguiu ser mais feliz que Cech e finalmente bateu o aparentemente intransponível guarda-redes, com um cabeceamento que ditou a vitória grega.
Publicado por João Gonçalves às 22:32