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domingo, 4 julho 2004
Obrigado, Rui!
Categoria: Euro 2004
Não resisto a reproduzir aqui a bela prosa do jornal A Bola sobre Rui Costa:
Difícil é encaixar craque numa simples definição. Porque, no fundo, o craque não tem explicação. O craque existe. O craque é. E Rui Costa foi. Ou melhor, Rui Costa ainda é. No futebol a memória pode ser ao mesmo tempo cruel e caprichosa. Há quem da doçura dela jamais se liberte. São os deuses que muitos anos depois dos a deuses continuarão a jogar no frenesim, na nostalgia, no encanto e na saudade das nossas recordações. Com Rui Costa será, certamente, assim. Bastará um clique e ver-se-à aquele pontapé fabuloso contra a Austrália no Mundial de Lisboa em 1991 a tocar de brilho nossos olhos. Ou aquele chapéu de sonho ao guarda-redes irlandês que valeu o acesso ao campeonato da Europa de 1996. Ou aquele rasgo de alma e tiro que pôs Portugal a vencer a Inglaterra por 2-1 nos quartos-de-final deste Euro do nosso contentamento. Três golos históricos, três golos de Luz. Na Luz onde, por ironia do destino ou talvez não, Rui Costa se despedirá da Selecção Nacional.
Bonito, bonito seria ele fechar hoje a saga com pontapé que nos levasse ainda mais ao paraíso, não?! Sim, ele vai partir . mas não da nossa memória, muito menos do nosso coração. Vamos todos continuar a vê-lo de quinas ao peito na nossa imaginação a jogar como jogara na realidade . virando caleidoscópio comas suas criações em elegância de ballet sobre a relva, sacando belas-artes do corpo em jogadas que por vezes ninguém pensa(va) que fosse capaz de inventar, desconcertando adversários, concertando sonhos, ilusões, euforias...
Sim, ele vai partir.mas não da nossa memória, muito menos do nosso coração. Vamos todos continuar a vê-lo de quinas ao peito na nossa imaginação, poeta criando comos pés, iluminando o jogo, dando-lhe luz, com seus passes, seus dribles, bombas de oxigénio que se faltassem asfixiavam a magia da bola a rolar sempre redondinha, futebol tão enleante, tão instintivo que amíude parecia que prescindia do pensamento, era só encanto, era só sortilégio. Em suma era futebol de n.º 10. Que é o que ele foi, o que ele ainda é.
O que é, afinal, onº 10? É o maestro, de cabeça levantada, cérebro travesso, pé preciso e delicado, gente que Jorge Valdano descobriu que joga com pássaros coloridos na cabeça: «Na zona da definição existem tantos defesas rivais que os espaços aparecem e desaparecem em fracções de segundo. Há quem os vê e quem os não vê. Quando um jogador os vê, decide o passe, executa-o e acerta quase simultâneamente (e nisso se gasta uma fracção de segundo) . estamos perante o mago que saca pássaros da cartola. São os pássaros que tem na cabeça.» Como Rui Costa. Ou como Deco, seu sucessor...
Publicado por João Gonçalves às 15:27
Comentários
OBRIGADO ! Por te ires embora finalmente ...
Publicado por: Ze Antonio em julho 5, 2004 02:35 PM
Não saistes do nosso coração.
Obrigado Rui
Pbrigado Rui, porque não tivestes que naturalizarte para depois seres vendido
Tens sempre a casa aberta
Publicado por: saridon em julho 5, 2004 10:22 PM