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sábado, 10 julho 2004

Marítimo - Balanço da Época

Categoria: 03/04 Balanço da SuperLiga Categoria: Marítimo

Esperava-se muito do Marítimo 2003/2004, com Manuel Cajuda, novo treinador, a prometer a UEFA. O objectivo foi concretizado, apenas na última jornada, e com os mesmos pontos do Rio Ave, o que acabou por revelar dificuldades inesperadas para alcançar o objectivo, depois de uma excelente entrada no campeonato, onde chegou a ocupar os três primeiros lugares durante as primeiras semanas. Só que a partir daí a irregularidade passou a ser a imagem de marca da formação madeirense, capaz do melhor e do pior, com uma segunda volta em registo bastante trémulo, coincidente com o pouco acerto no Mercado de Inverno. Valeu uma zona central da defesa, bastante regular e, muitas vezes, de aço, e a criatividade de Alan e Danny, que contrastou com a falta de um homem de área, pois nem Gaúcho, nem Rincón, e muito menos Marcelo Carioca, Rodrigão, Souza ou André conseguiram suprir essa lacuna. Ao meio campo, até à chegada do irregular Léo Lima, faltou criatividade, o que sobrou em músculo e capacidade de luta. Para Cajuda, a Europa chegou pelo 2º ano consecutivo . depois de colocar a União de Leiria, em 2002/2003, num lugar europeu, foi a vez de fazer regressar o Marítimo às lides europeias, mas com um futebol abaixo do seu discurso, demasiadas vezes, excessivo e, sobretudo, redundante.

Alan . Realizou a sua melhor temporada de sempre no futebol português, com o seu quê de surpreendente, até porque chegou a andar perdido na equipa B. Acabou por ser o melhor marcador da equipa, com 9 golos, e o jogador mais desequilibrador, fazendo uso da sua extrema velocidade, boa capacidade técnica e de um poder finalizador que não lhe era conhecido. Foi uma aposta ganha do treinador, que contou com ele para todas as partidas da SuperLiga.

Danny . Mais uma vez emprestado pelo Sporting, e mesmo que num plano ligeiramente inferior ao de Alan, acabou também por ser decisivo para a qualificação europeia. Jogador rápido e bem dotado tecnicamente, é também um jogador importante no último passe, e dos seus pés saíram várias assistências para golo. Actuou, sobretudo, nas alas, mas quando Cajuda retirava um dos médios defensivos para alargar o ataque, surgia, várias vezes, em posições mais centrais, onde também revelou bom rendimento. A boa temporada na Madeira abriu-lhe, ao que parece, as portas para a afirmação em Alvalade. Será que é desta?

Zona central da defesa . Van der Gaag e Pepe formaram uma das duplas mais consistentes de centrais da SuperLiga. Pela eficácia defensiva de ambos passou parte do êxito madeirense, que sofreu bem menos golos que na temporada anterior. E, se isso não chegasse, o holandês voador garantiu 6 tentos, todos na área adversária, conseguindo fazer aquilo que a maior parte do avançados não conseguiu.

Manuel Cajuda - Continua com a tendência para falar demasiado e para intervenções egocêntricas, que, por vezes, roçam o mau gosto. Mas, ao mesmo tempo, prossegue uma carreira de êxitos ao serviço de clubes, repetindo a chegada à UEFA, tal como acontecera em 2002/2003 no Leiria. Depois de um início de campeonato promissor, com a equipa entre os primeiros classificados, seguiram-se dois terços de campeonato pautados por uma extrema irregularidade e várias exibições descoloridas e desgarradas. Não acertou na escolha dos pontas de lança . teve vários à sua disposição . e o meio campo, ao contrário do que é habitual nas suas equipas, foi quase que exclusivamente de combate e faltou-lhe um pouco a .magia. de um bom número 10. Uma zona central da defesa de aço, e dois desequilibradores natos (Alan e Danny) foram a principal base do seu sucesso.

Gaúcho . O avançado brasileiro quis muito pouco em 2003/2004, e depressa se incompatibilizou com Manuel Cajuda, forçando a saída em Janeiro. As suas exibições, ao longo das 21 jornadas em que participou, foram quase sempre fracas, mas, mesmo assim, apontou 5 golos, com o seu sentido de oportunidade a vir ao de cima.

Reforços de Inverno . Com a equipa a mostrar uma clara quebra, sobretudo em termos ofensivos, que começavam a ser visíveis nos resultados, o Marítimo atacou forte em Janeiro, incorporando 5 reforços brasileiros. André foi uma opção desastrosa, não se percebendo os motivos do seu regresso ao futebol português, enquanto que o lateral Fábio Vidal e os pontas de lança Souza e Rodrigão pouco ou nada mostraram. Salvou-se Léo Lima, médio ofensivo, que apesar da sua irregularidade e de ter demorado bastante a entrar no ritmo do conjunto, revelou predicados que faltavam ao meio campo maritimista, acabando por ser o único dos reforços de Inverno a vingar na equipa.

Irregularidade . Foi a imagem de marca do Marítimo 2003/2004. Esperava-se mais, depois de um bom início de época, e olhando para o conjunto de valores e o dinheiro investido no plantel à disposição de Cajuda. Mas o que é certo é que o regresso à Europa foi alcançado, mesmo que com os mesmos pontos do Rio Ave, que até tinha melhor .goal-average. em relação aos madeirenses. Uma série de 7 jogos sem ganhar, e duas séries de 5 jogos sem vitórias, exemplificam a irregularidade de uma equipa, que entrou no campeonato com 4 vitórias consecutivas.

Publicado por rui malheiro às 21:39

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