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sábado, 10 julho 2004

Nacional - Balanço da Época

Categoria: 03/04 Balanço da SuperLiga Categoria: Nacional

A revelação maior da SuperLiga 2003/2004. Poucos esperariam que um técnico desconhecido, de nome Casemiro Mior, fosse capaz de fazer melhor que José Peseiro. O que é certo é que não só fez melhor, como também conseguiu muito melhor . colocando a equipa a praticar um futebol bonito e eficaz, com mais 16 pontos que o melhor registo de Peseiro, com 56 golos apontados . só batido pelos três grandes . e alcançando a melhor classificação de sempre do Nacional . um 4º lugar, que valeu a qualificação europeia pela primeira vez no historial da equipa.
Se, na primeira volta, o percurso foi marcado pela grande regularidade caseira, travada, no entanto, com duas derrotas frente a Leiria e Marítimo, a prestação fora de casa ainda era muito baseada na busca do .pontinho., situação alterada na segunda volta, onde não só melhorou a prestação em casa . cedeu dois empates, frente a FC Porto e Sporting . mas sobretudo extramuros, onde o Nacional conseguiu arrancar melhores resultados e marcar mais golos, actuando de forma bem mais aberta do que na 1ª volta.
Para a boa época dos madeirenses, baseada num desenho de 4x3x3, não só contribuiu a inteligência do novo técnico, como também a eficácia concretizadora de Adriano, e, sobretudo, a tremenda época de Rossato, um dos melhores jogadores da SuperLiga em 2003/2004. Depois ainda existiram os pêndulos - Ávalos, dispensado pelo Boavista, na defesa, e Paulo Assunção, formiguinha laboriosa a meio campo, importante defensivamente, mas também no iniciar dos lances ofensivos . e o .irreverente.: Serginho Baiano, de rendimento pouco constante, mas que valeu 11 golos, e várias assistências para golos de Adriano.

Casemiro Mior - Era apontado, por muitos, como o grande favorito a ser o primeiro a sofrer a .chicotada.. Sem grandes ondas montou uma equipa de cariz ofensivo, numa primeira fase, sobretudo em casa, baseada num 4x3x3, que, fora da Choupana, era bem mais fechado. Com uma primeira volta muito regular em casa, na segunda metade do campeonato decidiu também arriscar fora de casa, conquistando com isso três vitórias extramuros, decisivas para a chegada ao 4º lugar, que complementaram uma segunda volta fortíssima intramuros, em que só cedeu pontos, através de empates, a FC Porto e Sporting. Conseguiu a melhor classificação de sempre da equipa, o que valeu a chegada à UEFA, sendo que o seu êxito significou também a vitória do futebol de cariz ofensivo e virado para a baliza do adversário.

Rossato . Que jogador! Apesar de mais utilizado a lateral esquerdo, do que a médio ala, ao contrário do que acontecera na época anterior, o jogador que o Nacional contratou via-internet há dois anos, fez uma temporada fabulosa, conseguindo 10 golos . a maior parte de lances de bola parada -, para além de ter sido o jogador que mais assistências para golo realizou na última SuperLiga. E, mesmo jogando na defesa, apenas viu dois cartões amarelos, totalizando os 34 jogos da temporada. Claramente a justificar voos mais altos, este é o melhor lateral esquerdo do nosso campeonato, com a vantagem de jogar também bem como médio ala.

Adriano . Depois de ter marcado 16 golos na última SuperLiga, esta temporada apontou 19 tentos, tendo estado perto de ser o melhor marcador do campeonato, perdendo o troféu para Benni McCarthy na última partida. E, para além disso, pelo segundo ano consecutivo, os seus golos valeram 20 pontos aos madeirenses, o que é significativo. Apesar do seu .habitat. ser a área, está longe de limitar a sua acção a esta, procurando, várias vezes, jogo, gostando de romper de trás para a frente, apesar do seu instinto fatal dentro da área, onde é bastante perigoso dar-lhe espaço. As portas de saída estão abertas, mas parece que o futebol estrangeiro será o seu destino.

Um .onze. equilibrado . As opções não abundavam no plantel do Nacional, daí que com poucos, mas bons jogadores, Casemiro Mior formou um onze equilibrado. A baliza começou por ser entregue a Nuno Carrapato, mas uma lesão lançou Hilário para a titularidade, que acabou por se justificar. Nas laterais, Bruno Patacas . muito regular . e Rossato foram os donos da direita e da esquerda, com Ávalos, pendular e com grande capacidade de liderança, ao centro. Depois das experiências de Ivo e Fidalgo ao lado do argentino, a ida ao .mercado. em Janeiro, trouxe um excelente central aos madeirenses . Fernando Cardozo . que entrou de .caras. na equipa e formou uma dupla bastante forte com o ex-boavisteiro, correspondendo temporalmente com a afirmação europeia dos nacionalistas. O meio campo de três, teve no regular Cléber Monteiro o vértice inferior, apoiado de perto por Paulo Assunção, 2º trinco a defender, 2º médio de apoio ofensivamente, que realizou uma grande temporada, contando depois com outro médio, que também defendia, mas, sobretudo atacava: Gouveia, que também acrescentou golos de cabeça à equipa, ou Carlos Alvarez, médio espanhol bastante utilizado, na ausência de Gouveia ou na segunda parte dos jogos. No ataque, se Adriano era a referência ofensiva, Serginho Baiano, apesar da inconstância, foi também decisivo em várias partidas, jogando entre o flanco esquerdo e o posto de 2º ponta de lança, sempre que Rossato abria o flanco, ficando a direita para Alexandre Goulart, o mais irregular do Nacional, capaz do bom e do mau. O seu habitual substituto, Mário Carlos, também ficou bastante abaixo das expectativas criadas em Setúbal.

Indisciplina e Dureza . Foi o ponto mais negativo da temporada dos madeirenses. Vários jogadores envolveram-se em problemas disciplinares, dentro e fora do campo. Sempre que houve confusão, Alexandre Goulart foi protagonista principal, secundado por Ávalos e Serginho Baiano. Dentro do campo, os dois primeiros também foram protagonistas, tendo por acompanhantes Emerson, Cardozo ou Cléber, jogadores que usaram e abusaram do jogo agressivo, aos quais ainda se juntou Adriano, que, apesar dos golos, viu 10 cartões amarelos e 1 vermelho. Um aspecto a necessitar de revisão.

Diego Clementino falhou no Nacional

Os dois lados da aposta brasileira . Quem muito arrisca, acaba por petiscar, mas também por falhar. Cardozo, Rossato, Paulo Assunção e Adriano são exemplos de bons resultados da prospecção nacionalista em solo brasileiro, aos quais se pode juntar, numa segunda linha, o lutador Cléber Monteiro. Só que também há o .reverso. da medalha: Diego Clementino e Iotte, reforços de Inverno, foram um verdadeiro fracasso, assim como o brasileiro Lê, que acabou por rumar ao Restelo. Rogerinho e André Pinto, contratados a meio da época anterior, também não justificaram a aposta, com o primeiro a jogar mais pelo Camacha, e o segundo a rumar ao Santa Clara.

Temerário . A primeira volta do Nacional fora de casa, mostrou alguma falta de ambição, situação assumida pelo técnico Mior, a meio da época, com resultados visíveis no futebol apresentado pela equipa, extramuros, na 2ª volta. Assim, não surpreendeu que o Nacional, ao fim da 1ª metade da prova, só totalizasse 5 pontos e 6 golos . 4 deles em Barcelos . nos jogos fora da Choupana. Pecúlio curto, mas a tempo revisto, permitindo à equipa chegar ao 4º lugar.

Publicado por rui malheiro às 21:53

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