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sábado, 10 julho 2004

Treinadores - Balanço da Época

Categoria: 03/04 Balanço da SuperLiga


Treinador do Ano:

José Mourinho (9,5/10) . Apesar de todos os excessos, era muito difícil fazer melhor do que conseguiu. Atingiu o bi-campeonato, venceu a SuperTaça e, claro, venceu a Liga dos Campeões . momento mais alto da temporada, onde a sua inteligência e superior leitura do jogo, além do conhecimento que revelou dos adversários relevou-se importantíssimo. A nível nacional falhou a Taça de Portugal, o que impediu a época perfeita. Ficou perto, no entanto, da perfeição que não existe no futebol, mas que julga já ter atingido, o que não impede que seja o treinador da moda, aquém e além fronteiras. A grande novidade da temporada acabou por ser o 4x4x2 losango, com um meio campo compacto, num misto de força e técnica, e onde sobressaiu a percepção táctica dos jogadores daquilo que o treinador pretendia. O losango tornou-se moda nacional, e Mourinho assumiu os direitos de autor, mas esqueceu-se que já é utilizado, por várias equipas, até portuguesas, desde a década de 90. O 4x3x3, de 2002/2003, não ficou, no entanto, na gaveta. Foi utilizado muito menos vezes, e sobretudo a nível nacional, após a lesão do Ninja Derlei, pois contou com Sérgio Conceição e Maciel, jogadores que abriram as alas, mas não puderam jogar na Champions. E, no fim, se o futebol do FC Porto perdeu beleza em relação à temporada anterior, ganhou ainda mais consistência e uma tremenda eficácia, visível a nível nacional com a mão cheia de golos ao cair do pano, e a nível internacional, com a melhor média entre remates à baliza e golos marcados.


José António Camacho (8/10) . Foi uma época muito complicada, talvez a mais difícil do Benfica nos últimos anos, mas acabou por conquistar um título, quebrando um jejum de oito anos dos .encarnados., com a vitória na Taça de Portugal frente ao FC Porto, juntando o apuramento para a pré eliminatória da Liga dos Campeões, conquista bem de trás com ultrapassagem ao Sporting sobre a linha de meta. Mas apesar do sucesso relativo, não teve uma temporada isenta de erros - bem longe disso. Opções dúbias na escolha de jogadores, de esquemas tácticos, nas dispensas e, sobretudo, a mexer na equipa durante o jogo, onde revela claras limitações, marcaram também a época do Benfica. Só que, por outro lado, conseguiu vingar um futebol simples, a partir de dois esquemas tácticos . o 4x3x3 e o 4x4x2 -, com opções reduzidíssimas na constituição da equipa, juntando a isso uma força e um crer que há muito não se via na Luz, que ultrapassou as maiores adversidades, que tem no desaparecimento trágico de Miki Fehér o seu capítulo mais negro. E, finalmente, algum treinador do Benfica voltou a olhar para .cantera., de onde saíram Manuel Fernandes e João Pereira, dois jogadores com condições para construírem carreira na principal equipa dos .encarnados..

Casemiro Mior (8/10) . Era apontado, por muitos, como o grande favorito a ser o primeiro a sofrer a .chicotada.. Sem grandes ondas montou uma equipa de cariz ofensivo, numa primeira fase, sobretudo em casa, baseada num 4x3x3, que, fora da Choupana, era bem mais fechado. Com uma primeira volta muito regular em casa, na segunda metade do campeonato decidiu também arriscar fora de casa, conquistando com isso três vitórias extramuros, decisivas para a chegada ao 4º lugar, que complementaram uma segunda volta fortíssima intramuros, em que só cedeu pontos, através de empates, a FC Porto e Sporting. Conseguiu a melhor classificação de sempre da equipa, o que valeu a chegada à UEFA, sendo que o seu êxito significou também a vitória do futebol de cariz ofensivo e virado para a baliza do adversário.

Carlos Brito (8/10) - Realizou mais uma temporada notável ao serviço do Rio Ave: depois de ter ido buscar o clube ao 13º lugar da Liga de Honra e o ter conduzido à SuperLiga, com o título de campeão da Liga de Honra, conseguiu conduzir a equipa de Vila do Conde ao 7º lugar da SuperLiga, que acabou com os mesmos pontos do 6º. Melhor era (praticamente) impossível, sobretudo quando se está na presença de um dos clubes com menos condições de trabalho e com orçamento mais baixo da SuperLiga. Mantida a estrutura base dos campeões da Honra, Brito com poucos meios para reforços de peso, apostou em jogadores desconhecidos (Mora, Junas Naciri, Zé Gomes e Danielson) e outros com carreiras em 'quebra', como os brasileiros Jaime Júnior e Paulo César, que vinham de épocas decepcionantes em Guimarães. Mesmo sem um ponta de lança goleador, e sem reforços em Setembro e Dezembro/Janeiro, moldou uma equipa à sua imagem: em 4x3x3, virada para a frente e com um futebol bonito e tecnicista, suportada na velocidade dos avançados - não apenas em contra-ataque - e num sector defensivo, onde se engloba o meio campo mais recuado, extraordinariamente competente e regular. Carlos Brito, pouco dado aos holofotes e a entrevistas auto-elogiosas, continua um trabalho de monta, num ano em que a sua vida pessoal foi marcada pela trágica morte da sua mulher, que o impediu de saborear o seu êxito pessoal com a alegria que merecia.

Manuel Machado (7,5/10) - Pode não ser fácil simpatizar com Manuel Machado, fruto de algumas declarações a 'quente' e dos constantes adornos de linguagem que marcam o seu discurso, por vezes, demasiado elaborado, mas o seu trabalho como técnico está a ser notável, com quatro anos de um sucesso crescente, da 2ªB ao 9º lugar da SuperLiga. Sem grandes recursos financeiros, e com algumas baixas importantes numa equipa que garantiu a manutenção na última jornada do campeonato anterior, viu-se obrigado a reconstruir o plantel. A época começou bem, só que a lesão de Castro e a pouca qualidade do meio campo veio ao de cima, e a equipa caiu nos lugares perigosos. Em Dezembro contratou 3 jogadores: 3 médios que reequilibraram a equipa, e permitiram chegar a patamares mais altos na classificação, bem longe das aflições do último ano. A Europa até esteve perto, mas acabar o campeonato na primeira metade da tabela superou até as expectativas mais entusiásticas no início da temporada. E, mais importante: Machado conseguiu moldar a equipa para três sistemas de jogo, que chegou a utilizar, sem fazer grandes alterações, na mesma partida.

Jesualdo Ferreira (7/10) . Poucos acreditariam que fosse capaz de fazer regressar o Braga à Europa. Na temporada anterior, a uma jornada do fim, conseguiu evitar a descida de divisão e partiu para uma reestruturação profunda do plantel, com inúmeros riscos, já que juntou jogadores de várias nacionalidades e oriundos de pontos e sistemas de jogo bem diferentes. Ganhou a aposta, tendo ainda tido a dificuldade adicional de ter sido sempre muito criticado pelos adeptos, pouco satisfeitos com a falta de brilho no futebol da equipa. E, na verdade, o Sp. Braga, em 2003/2004, jogou pouquíssimo para a bancada, o que não significa que não tenha apresentado um futebol ofensivo e com grande sentido para a baliza adversária. Foi exactamente isso que propiciou um registo de sete vitórias e quatro empates extramuros, que contrastou com um registo caseiro, sobretudo na segunda volta, bastante fraco. O Braga regressou à Europa e Jesualdo conseguiu a sua melhor classificação de sempre como técnico principal.

Manuel Cajuda (6,5/10) . Continua com a tendência para falar demasiado e para intervenções egocêntricas, que, por vezes, roçam o mau gosto. Mas, ao mesmo tempo, prossegue uma carreira de êxitos ao serviço de clubes, repetindo a chegada à UEFA, tal como acontecera em 2002/2003 no Leiria. Depois de um início de campeonato promissor, com a equipa entre os primeiros classificados, seguiram-se dois terços de campeonato pautados por uma extrema irregularidade e várias exibições descoloridas e desgarradas. Não acertou na escolha dos pontas de lança . teve vários à sua disposição . e o meio campo, ao contrário do que é habitual nas suas equipas, foi quase que exclusivamente de combate e faltou-lhe um pouco a .magia. de um bom número 10. Uma zona central da defesa de aço, e dois desequilibradores natos (Alan e Danny) foram a principal base do seu sucesso.

Vítor Pontes (6/10) - Na sua época de estreia como técnico principal, depois de uma curta experiência, de 10 jogos, em 2001/2002, quando substituiu Mário Reis no comando técnico da equipa leiriense, Vítor Pontes mostrou ser um bom treinador de campo, defensor de um futebol ofensivo, entre o 4x4x2 e o 4x3x3, sistema que utilizou, sobretudo, a partir do momento em que teve mais soluções ofensivas. Os 12 jogos sem perder com que acabou a SuperLiga, provam o seu bom trabalho, mas há aspectos que terá que 'limar': no início da época, apesar dos seus pedidos, não conseguiu impor junto dos seus directores a necessidade de mais reforços, sobretudo de um ponta de lança, posição para a qual não teve um único jogador durante a 1ª volta ; mostrou uma mão demasiado leve face aos gravíssimos problemas disciplinares que aconteceram durante a 1ª volta, com pancadaria em treinos e fora destes ; pareceu sempre andar ao ritmo da Direcção, optando sempre pelo silêncio, nos momentos de 'aperto' - fugas de Maciel e Hélton.. e no 'caso' Bilro.

António Sousa (5,5/10) . A primeira volta dos aveirenses foi entusiasmante . depois de um início de época periclitante, Sousa adoptou um novo sistema táctico que encaixou perfeitamente nos jogadores à sua disposição, que era um 4-4-2 losango, transformado num 4-3-1-2 mais compacto, com as linhas mais próximas e com alguns desdobramentos curiosos, com um tridente de médios que suportavam a subidas dos laterais, e com Juninho Petrolina em super-forma, a apoiar dois avançados - o veloz Kingsley, mais solto, e o experiente Clyde Wijnhard, mais fixo. O futebol dos aveirenses foi um regalo e os resultados - destaca-se o facto de ter sido a única equipa, até agora, a vencer na Nova Luz - chegaram a guindar a equipa a um brilhante 4º lugar perto do fim da 1ª volta. Só que não há bela sem senão, e a 2ª volta dos aveirenses foi terrível, com apenas 11 pontos conquistados, um registo de 'descida' de divisão, só batido por Estrela da Amadora. Mau demais para ser verdade, embora sempre a livre dos sobressaltos da descida, até porque os 30 pontos foram ainda conquistados na 1ª parte da prova. Só que foi sempre a descer: do 4º até ao 11º lugar, numa queda abismal, provocada por abaixamentos de forma, problemas disciplinares e saturação - presidente com treinador, treinador com presidente, jogadores com treinador.

João Carlos Pereira (5,5/10) - Com bons trabalhos na 2ªDivisão B, João Carlos Pereira, antigo jogador da 'Briosa', aceitou o desafio, no início da época, de fazer parte da equipa técnica de Artur Jorge. As suas funções pareciam, no entanto, demasiado ténues, assim como com Vítor Oliveira, que substituiu no comando técnico, após a 19ª Jornada. Cumpriu com os objectivos a que se propôs, apesar de uma caminhada irregular, onde se sublinham os preciosos triunfos em Barcelos, e, sobretudo, no Restelo - com um histórico 5-0. De fino trato e boa postura, depressa conquistou certa imprensa, desejosa de 'novos Mourinhos'. Ainda tem limitações evidentes - mexeu, várias vezes, mal na equipa ; segurou demasiado cedo resultados e acabou por perder a maior parte desses desafios -, mas tem condições de fazer uma boa carreira, pois, sobretudo no início das partidas, nunca teve medo de lançar 3 avançados e de jogar com um meio campo com 3 unidadades, bastante pressionante, mas também com capacidade para construir jogo. E acabou por ter em Joeano, o 'abono de família' que faltou à Académica de Oliveira. Recuperou alguns jogadores que acabaram por ser importantes para a manutenção da Briosa, e, ainda por cima, raramente teve ao seu dispor Dionattan Elias, o melhor jogador dos conimbricenses, no período entre Dário e Joeano.

Manuel José (5/10) - O futebol apresentado pelo Belenenses, durante a pré época e mesmo nas primeiras jornadas da SuperLiga, chegou a entusiarmar, e mesmo percebendo-se que a corda estava esticada, já que as opções não abundavam, tudo parecia caminhar para uma época tranquila com possibilidades de alcance de um lugar europeu - posição que a equipa ocupava à 6ª jornada, mesmo depois de ter jogado com Sporting e Benfica. Só que as goleadas sofridas frente a FC Porto e Nacional fizeram ecoar os primeiros sinais de alarme, seguidos de dois nulos, no resultado e no futebol apresentado, frente a Moreirense e Gil Vicente. Manuel José abandonou o Restelo após a 11ª Jornada, optando por prosseguir carreira no Egipto - a equipa em 9º lugar, mas começava-se a sentir que algo não estava bem, até pelo surgimento das primeires lesões, que confirmaram as limitações em termos de opções. A sua opção não caiu bem junto dos adeptos, mas o seu trabalho em 1/3 de temporada - 14 pontos acumulados -, foi bastante superior ao dos seus sucessores.

Luís Campos (5/10) - Aceitou o desafio de 'pegar' no Gil Vicente, depois de uma temporada desastrosa, em que contribuiu para duas descidas de divisão: de Vitória Setúbal e Varzim. Chegou a Barcelos, num regresso à 'casa' que mais o projectou, e começou por prometer alterações profundas. Cumpriu algumas, dando, desde logo, um cariz mais ofensivo ao jogo da equipa, e depois de um início promissor, começou a falar em Europa. Pagou 'cara' a falta de humildade, pois seguiram-se derrotas que travaram a carreira ascensional da equipa. A vitória sobre o FC Porto foi o 'elixir' para o ego de Campos, mas não houve sequência de resultados, acabando por só ver garantida a manutenção na última jornada. A qualidade do futebol da equipa melhorou, mas o registo pontual não foi muito superior ao de Reis. Maior contenção e respeito pelos adversários também não ficava mal a um dos mais irascíveis técnicos do futebol português.

Jorge Jesus (3,5/10) - Os seus tropeções na língua portuguesa, reconhecidos pelo próprio, são inversamente proporcionais a uma boa carreira como treinador principal, ainda que não tão reconhecida como merecia. Não criou grande empatia com os adeptos e a sucessão de maus resultados, fizeram com que chegasse a receber ameaças de adeptos para apresentar a demissão do posto. Jorge Jesus provou que não gosta de perder e não é homem para virar a cara a situações complicadas: diz-se que trabalhou 24 horas por dia, que nem sequer almoçava, enquanto planeava a gestão da crise, mesmo quando, num gabinete ao lado, o nome de Toni chegou a sobrepor-se ao seu. Resistiu e ganhou uma aposta, ainda que com registos minimos. Mas venceu em Alverca e na Amadora, campos por onde a permanência passou, e conseguiu travar os registos europeus de Nacional, Braga, Rio Ave e Marítimo.

José Couceiro (3,5/10) - Estreia como técnico na SuperLiga, com muitas promessas de futebol ofensivo na pré época. Não cumpriu - a equipa usou e abusou do anti-jogo, à medida que ia acumulando protestos em relação à arbitragem, que, desde cedo, escolheu como alvo. A descida de divisão foi um duro revés, depois de uma estreia auspiciosa como técnico, mas nem tudo foi mau - conseguiu criar uma equipa competitiva com poucos meios, apostando em vários jogadores jovens e recuperando outros. A descida, a pouco mais de meia dúzia de jornadas do fim, parecia bem distante, com oito pontos de vantagem sobre o 16º lugar, mas os falhanços em casa com Leiria, Guimarães e a falta de coragem frente a Belenenses - onde era obrigatório marcar um 2º golo - e nas Antas, onde o FC Porto festejava o título, acabaram por custar bastante caro.

Fernando Santos (3/10) . Dois aspectos positivos ao longo de uma temporada: 19 jogos sem perder na SuperLiga e adopção dum 4x4x2 losango, a partir do esquema do FC Porto, mas com uma adaptação feliz, que esteve na base da melhor fase dos leões, mesmo que dependentes sempre do rendimento das suas 3 principais unidades: Pedro Barbosa, Liedson e Rochemback. Quanto ao resto, a sua passagem pelo Sporting só pode ser vista como negativa. Não ganhou nada, perdeu cedo as chances de vencer qualquer competição, e, se o apuramento para a Liga dos Campeões até parecia um oásis, os .leões. acabaram por cair no deserto do 3º lugar, muito por culpa das suas más opções, falta de tacto e coragem. Insistiu em equívocos e, pior do que isso, o seu ar medroso, encolhido e sempre à beira de um ataque de nervos no banco, acabou por transmitir uma aura demasiado negativa à equipa. Com quatro épocas completas ao serviço dos chamados .grandes., apenas venceu um título. Esclarecedor.


Jaime Pacheco (3/10) - Quando João Loureiro despediu Erwin Sanchez, à 25ª Jornada, após um empate caseiro com o Paços de Ferreira, a equipa estava em quebra acentuada, com apenas 2 vitórias nos últimos 9 jogos. Mesmo fora dos lugares europeus, o 6º lugar estava a apenas um ponto, sabendo-se que o Marítimo, na altura 6º, ainda teria que deslocar-se ao Bessa. A missão de conduzir a equipa ao 6º lugar, apesar de não ser fácil, parecia estar ao alcance do regressado Jaime Pacheco. Só que os primeiros 5 jogos foram terríveis: apenas 1 ponto e uma derrota em casa, extremamente comprometedora com o Estrela da Amadora. Só que o 6º lugar só deixou de estar ao alcance do axadrezados à 33ª Jornada, depois de uma derrota em Leiria, mas a vitória sobre o 'europeu' Marítimo, na última jornada, deixou a equipa a um ponto dos madeirenses, ou seja, na mesma situação em que Sanchez tinha deixado, só que uma posição abaixo. Só que se Sanchez conquistou 37 pontos em 25 jogos, Pacheco, que, apesar das dificuldades, conseguiu algumas melhorias no futebol praticado pela equipa, não reflectidas na maior parte dos resultados, ficou-se pelos 10 pontos, em 9 jogos - média pontual bastante sofrível. Terá mesmo valido a pena? A próxima temporada dará, por certo, uma resposta mais consistente.

Vítor Oliveira (3/10) - Um dos técnicos com melhores trabalhos no futebol português, ao longo da última década e meia, aceitou o desafio de substituir Artur Jorge, após a 2ª jornada, num regresso a Coimbra, onde alcançara uma subida de divisão. Dificilmente poderia ter começado melhor, sobretudo fora de casa, onde arrancou preciosa vitória em Guimarães e um empate no Bessa, mas a venda de Dário, no início de Outubro, destruiu o seu trabalho, até aí, bastante positivo. Não conseguiu encontrar soluções no imenso plantel à sua disposição, situação à qual não costuma estar muito habituado, pois sempre preferiu trabalhar com grupos curtos, e viveu dois meses e meio sem jogadores capazes de suprir uma carência óbvia. Com a equipa a cair a pique e a praticar um péssimo futebol, amarrou-se a estratégias bastante defensivas, procurando reverter a situação com os primeiros reforços de Inverno - não conseguiu e acabou despedido após uma derrota caseira com o Leiria, à 19ª Jornada, com a Académica em 15º lugar, com os mesmos pontos do 16º - o Vitória de Guimarães.

Erwin Sanchez (2/10) - Muitos se queixavam do futebol praticado pela equipa na 'era Jaime Pacheco': futebol defensivo, muito faltoso e pouco virado para o espectáculo. Algumas críticas eram injustas, pois a equipa jogava, muitas vezes, com 3 ou 4 unidades de ataque e apesar de ter o seu suporte ofensivo em rápidos contra ataques, também sabia construir jogo. Só que Erwin Sanchez conseguiu algo inexplicável: conseguiu aliar o pior do futebol de Pacheco, juntando-lhe a falta de ambição e a quase total ausência de futebol construido. O Boavista de Sanchez viveu em termos ofensivos de lances de laboratório - e aqui o mérito para esse trabalho - e da inspiração de Ricardo Sousa. Velocidade no ataque, sentido de baliza e eficácia no futebol construído, mesmo que em contra ataque, foi coisa que raramente se viu. Mau demais para ser verdade - uma equipa com o conjunto de valores que o Boavista dispôs, ser um dos ataques com menos golos apontados e a equipa que menos rematou a baliza - com menos 40(!) remates do que o Estrela da Amadora - provam a falta de ambição que marcou a passagem do boliviano pelo banco do Bessa.

José Mota (1/10) - Simpatize-se ou não com o estilo, o que é certo é que Mota vinha de 4 anos de sucessos em crescendo: Campeão da Liga de Honra, em 1999/2000, 9º classificado, em 2000/2001, 8º classificado, em 2001/2002, 6º classificado, em 2002/2003. Aspirou, como é legítimo, a voos mais altos: com as portas semi-abertas em Guimarães e Bessa, abandonou o clube, mas o 'salto' ficou adiado e para fugir ao 'desemprego' optou por um contrato chorudo nos Açores. Começou mal a sua aventura insular, optando por regressar a Paços de Ferreira, para reconduzir o clube que o projectou a uma época tranquila. Teve ao seu dispor os mesmos jogadores da época anterior - só não teve Mário Sérgio e o avançado Carlos Carneiro, que nem sempre era titular - e reforçou fortemente a equipa na reabertura do mercado, dispensando também algumas das aquisições de Gomes. Apesar da ligeira retoma entre o final da 1ª volta e da 2ª, a derrota caseira com o Rio Ave, depois de uma derrota em Alverca, acabaram por hipotecar a recuperação, para, jornadas depois, estar a equipa praticamente condenada à descida, de nada valendo uma vitória sobre a linha de meta frente ao Vitória de Guimarães.

Mário Reis (1/10) - Coube a Mário Reis a difícil sucessão de Vítor Oliveira, responsável por um excelente 8º lugar em 2002/2003. Reis, há algum tempo parado, e afastado há um ano e meio da divisão maior, tinha um importante desafio que lhe podia permitir relançar a carreira ao mais alto nível. Se a nível de resultados não fracassou, conseguindo uma média ligeiramente superior a 1 ponto, ao longo das 11 jornadas que esteve à frente da formação de Barcelos, o futebol praticado pela equipa foi decepcionante, com particular destaque para o 'ferrolho' imposto em algumas deslocações, num futebol curto e extremamente defensivo, repleto de defesas e trincos. Foi despedido e saiu pela 'porta pequena', com muitas criticas, de jogadores, directores e da imprensa desportiva.

Miguel Quaresma (1/10) . Ainda fez renascer alguma esperança, mas a equipa, quando a assumiu, já estava condenada ao fracasso pela falta de qualidade, e, com pouco dinheiro, tornou-se impossível dar a volta em Janeiro, altura em que as contas já estavam muito complicadas. Fazer melhor do que fez, perante as condições que dispôs, não era impossível, mas era, sem dúvida, muito complicado. A sua .coroa de glória. foi roubar seis pontos a um Boavista europeu.

Augusto Inácio (1/10) - Pouco ou nada correu bem a Augusto Inácio em 2003/2004. 13 jogos em Guimarães, com um início 'sonhador' e um fim em 'pesadelo' - apenas 2 vitórias, 10 pontos, 16º lugar à despedida. Com queixas legítimas de algumas arbitragens, o técnico não conseguiu reverter uma situação desfavorável, que se agonizava jornada após jornada, com o afundamento do clube. Dos jogadores recebeu sempre apoio, só que as relações com Pimenta Machado estavam cada vez mais frias e, após um ou dois adiamentos, a 'chicotada' aconteceu. No Restelo não conseguiu melhor, garantindo, no entanto, a manutenção, sem grandes méritos. Recebeu reforços em camião, o mesmo que, por vezes, tentou impor aos seus jogadores, em frente à sua área. Pode-se queixar de lesões e de outras vicissitudes, mas teve tempo mais do que suficiente para fazer algo mais: limitou-se a construir a sua equipa em função dos adversários com que iria jogar, o que justifica, em parte, o vazio criativo do futebol apresentado nas últimas jornadas. Mas até em algumas opções não foi muito feliz: jogar com dois líberos já não se usa ; lançar jogadores e retirá-los na jornada a seguir nunca foi boa política ; tirar jogadores das suas posições naturais, não costumo dar grandes resultados, sobretudo quando se insiste, em demasia, em fazê-lo. Com tantos episódios e equívocos, não deixou grandes saudades no Restelo, isto apesar de afirmar que parte com a sensação do dever cumprido.

José Gomes (0/10) - Na estreia como técnico principal José Gomes não convenceu os adeptos pacenses, que presos ao trabalho do 'milagreiro' Mota, nunca perdoaram a saída do técnico da casa, e fizeram a vida negra ao jovem treinador. O trabalho de Gomes não correu bem: 8 jogos, apenas 1 vitória e 7 derrotas - mas, quando abandonou o clube, o 15º lugar estava a três pontos e o jogo seguinte era em casa...

João Alves (0/10) - João Alves não aprendeu com os erros do passado - tal como em Coimbra, em 2002/2003, repetiu o mesmo equívoco na formação do plantel: preferiu rodear-se de jogadores da sua confiança, contratando muito, mas não apostando na qualidade. Depois, sem resultados, irritou-se, e fazia alterações drásticas jornada para jornada, o que complicou a gestão de um plantel em claro decréscimo de confiança.

Vladislav Bogicevic (0/10) . Boa pessoa e de fino trato, mas completamente desfasado do futebol português e com claras limitações a ler o jogo e a explaná-lo tacticamente, o que se justifica na quase total ausência de currículo como treinador principal. Saiu de forma pouca digna, com os mesmos dirigentes que o contrataram, vá lá saber-se porquê, a darem-lhe um valente empurrão para fora do Restelo. Quase tudo o que se passou entre a chegada e a partida foi incompreensível, mas seria injusto considerá-lo culpado disso. Era a fase da asneira em todo o seu esplendor.

Artur Jorge (-) . Após duas jornadas abandonou a Académica . perdeu com o Sporting nos últimos minutos, ganhou em Leiria com a equipa a fazer um dos seus melhores jogos da temporada. A ideia que deixou é que percebeu que as nuvens negras começavam a pairar sobre Coimbra, e um projecto soviético, mesmo mais de uma década após a queda do regime comunista, é sempre uma boa fuga para a frente.

Publicado por rui malheiro às 22:31

Comentários

Em primeiro lugar, acho exageradíssima a nota atribuída ao treinador do (Inter)Nacional da Madeira. Depois, concordo (quase) plenamente com a apreciação ao trabalho do João Carlos Pereira, embora discorde da referida tendência para defender demasiado cedo os resultados, algo que apenas aconteceu contra o Paços de Ferreira, quando ele tentou segurar o 1-0 e os pacenses viraram para 1-2, antes de aparecer o deus Marcelo, que conseguiu garantir a vitória da Académica. Por último, sendo verdade que o Vítor Oliveira, um excelente técnico, dispôs de um plantel muito grande, o grande erro que cometeu foi a alternância constante do onze inicial, consecutivamente indefinido e inadaptado.

Publicado por: Luís Viegas em julho 10, 2004 11:14 PM