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quarta-feira, 16 fevereiro 2005
Sporting - Feyenoord: Ao ataque!
Categoria: 04/05 Competições Europeias Categoria: Sporting

Futebol de ataque: é o que se espera do jogo desta noite entre Sporting e Feyenoord, em Alvalade, o mesmo palco que irá receber, dentro de três meses e dois dias, a grande final da Taça UEFA. Frente a frente duas equipas que privilegiam o futebol ofensivo e possuem dois dos ataques mais realizadores de todos os campeonatos europeus, mas que, ao mesmo tempo, revelam algumas debilidades defensivas, como prova o facto de ambas, em 21 jogos nos respectivos campeonatos, terem 27 golos sofridos. No entanto, se o Sporting faz parte do quarteto de comandantes da SuperLiga, o Feyenoord, com os mesmos 38 pontos dos 'leões', está já fora da corrida pelo título da Eredivie, a 14 pontos do líder PSV Eindhoven. Frente a frente também dois estilos bem diferentes de 4x4x2, que não se encaixam, o que faz antever um interessante duelo do ponto visto táctico.
Muitas Mudanças. Praticamente dois meses depois do sorteio da Taça UEFA ter ditado o (re)encontro do Sporting com o Feyenoord, o conjunto de Ruud Gullit é hoje bem diferente da equipa que nessa altura apresentamos, já que o plantel sofreu importantes transformações e reajustamentos com a paragem de Inverno, na qual se registaram seis entradas e quatro saídas.
Se Gullit mantém-se fiel ao seu 4x4x2, normalmente desdobrável em 4x1x3x2, com dois extremos bem abertos, à inglesa, no apoio a dois avançados - um mais móvel, outro mais fixo -, os protagonistas são, na sua maioria, outros.
Dos seis reforços, três impuseram-se na equipa sem dificuldades: o lateral-direito sueco Alexander Östlund, que não poderá defrontar o Sporting, pois já representou o Hammarby nas competições europeias ; o defesa polivalente americano Cory Gibbs, um lateral esquerdo de origem, mas que tem vindo a ser utilizado como defesa central ; e o médio ofensivo holandês Nicky Hofs, que se tornou, de forma imediata, num jogador nuclear para Gullit, já que não é só o organizador do jogo ofensivo do Feyenoord, como também uma importante mais valia na execução de lances de bola parada, sejam cantos ou livres.
Os defesas André Bahia (ex-Flamengo) e Ivan Bandalovski (ex-Litex Lovech) e o médio ofensivo/avançado Edwin de Graaf (ex-RBC Roosendaal) foram os outros reforços, mas só o último, como suplente, tem sido, para já, opção para Gullit.
Entre as saídas, o principal destaque vai para Thomas Buffel. Habitual titular até à chegada de Gullit ao clube, o jogador belga foi perdendo espaço na equipa, e já era pouco mais do que suplente utilizado. Também o internacional sul-coreano Chong-Gug Song, habitual titular como lateral-direito, abandonou o clube, sendo que se registaram ainda as saídas de Wouter Artz e Ebi Smolarek, jogadores menos utilizados, apesar do último ter sido, em algumas situações, solução de recurso para as segundas partes.
A nova equipa tipo. Na baliza, o veterano Patrick Lodewijks continua a ser o guardião titular, tendo aproveitado bem a lesão do húngaro Gábor Babos, que regressa frente ao Sporting aos convocados, para se impor como titular.
A defesa, o sector mais débil da equipa, foi completamente reajustada: à direita, o titular Song saiu e o seu habitual suplente Gyan, está há muito lesionado. O sueco Östlund impos-se, sem dificuldade, como titular, mas não poderá jogar em Alvalade, o que abre as portas da titularidade ao jovem Gianni Zuiverloon, que completou 18 anos, no final de Dezembro. A sua inexperiência será, por certo, um factor que o Sporting deverá explorar ; à esquerda, o dinamarquês, de origem africana, Patrick Mtiliga, era o jogador mais utilizado, mas uma lesão tem-no deixado fora das opções, o que abriu as portas da titularidade a Bruno Basto, que defende pior que o rival, um jogador que se adapta facilmente a terceiro central, mas ataca melhor ; no centro da defesa, o jovem tunisino Karim Seidi é o único 'resistente', tendo agora como parceiro o americano Cory Gibbs, um jogador polivalente, que joga também a lateral, mas bastante alto e forte na marcação. No entanto, formam uma dupla algo débil, onde falta também alguma experiência e rotina, mas são jogadores perigosos na sequência de lances de bola parada.
A zona central do meio campo também sofreu importantes alterações. O médio mais defensivo, Pascal Bosschaart está suspenso, e o egipcio Hossam Ghaly, o seu habitual substituto, tem tido problemas físicos. Essa situação deverá abrir as portas da titularidade a Patrick Paauwe, um antigo médio centro convertido em central, posição em que foi titular até Dezembro, altura em que se lesionou. Paauwe é um jogador fundamental no grupo, pois é o líder e 'capitão', como também se trata de um jogador muito valioso tacticamente, já que defende bem, mas também ataca. Ao seu lado, mas com maior liberdade ofensiva, actuará, por certo, Nicky Hofs, o grande reforço da equipa após a paragem de Inverno. Bom condutor de jogo, assume a coordenação de jogo ofensivo e é uma grande mais valia na marcação de lances de bola parada. As outras opções para o centro do terreno são o brasileiro Gérson Magrão, ainda em adaptação ao futebol holandês, o chileno Sebastián Pardo, que pouco tem entrado nas contas de Ruud Gullit, e o médio japonês, de características mais ofensivas - mas bastante completo -, Shinji Ono, titularíssimo até Dezembro, mas que perdeu espaço devido a uma lesão e à chegada de Hofs.
Nas alas, nada de novo. Romeo Castelen e o belga Bart Goor continuam titularíssimos, sendo que o primeiro é um desequilibrador nato, muito veloz e dotado tecnicamente, especialista no último passe, enquanto que o segundo é um jogador menos explosivo, mas mais cerebral, com um pé esquerdo muito perigoso. O jovem brasileiro Leonardo, depois da partida de Smolarek, surge como opção, mas também não é um jogador a quem Gullit costume habitualmente recorrer.
Na frente, também houve mudanças. Se Dirk Kuijt, com 24 golos, em 27 jogos em 2004/2005, é intocável, como avançado mais fixo, tratando-se de um jogador tremendo na área, a quem não podem ser dados espaços para finalizar, o seu apoio é o jugoslavo Danko Lazovic, que parece finalmente ultrapassar a dificil adaptação ao futebol holandês, mostrando-se um avançado muito móvel e veloz, que se desmarca com muita facilidade, aparecendo, não raras vezes, em posição de finalização. Conta com 3 golos, em 15 jogos, tendo tirando a titularidade ao marfinense Saloman Kalou - 15 golos, em 24 jogos -, que atravessa um momento de forma menos bom, mas que terá sempre que ser levado em linha de conta, pois é um avançado rápido e forte fisicamente, que rompe bem em diagonais, e que será, por certo, lançado na segunda parte. Edwin de Graaf, também disponivel para o meio campo ofensivo, é outra opção.
Sistemas que não se encaixam. Apesar de ambas as equipas adoptarem habitualmente por sistemas que partem de um 4x4x2, com desdobramentos em 4x1x3x2, os seus diferentes formatos, não permitem um encaixe, o que irá obrigar, por certo, ambos os treinadores a travarem um interessante duelo táctico. Se o Sporting aposta num esquema mais próximo de um meio campo em losango, o que leva a um preenchimento da zona central, o Feyenoord aposta num esquema à inglesa, com dois extremos bem abertos e dois avançados. A marcação aos segundos avançados (Sá Pinto e Lazovic) acabará por ser um dos factores determinantes do jogo. É que se os centrais do Sporting deverão estar atentos a Kuijt, e os laterais, com pouca vocação para fechar dentro, terão pela frente dois alas muito trabalhosos, deverá passar pelo trinco a marcação a Lazovic. Sabendo que Custódio é muito importante a meio campo, e ainda existe um jogador nuclear como Nicky Hofs, será que Peseiro irá 'surpreender' com a colocação de Beto como unidade mais recuada do meio campo, adaptável a terceiro central? Poderá acontecer, mas não parece provável. Assim, em termos defensivos, será necessário um trabalho mais aturado, provavelmente de Fábio Rochemback, mas também de Carlos Martins ou Hugo Viana.
Do lado do Feyenoord, se os centrais (Seidi e Gibbs) deverão estar atentos a Liedson, nenhum dos laterais tem grande eficácia a defender em posições interiores, e parece provável que estejam mais atentos aos desdobramentos de Carlos Martins e Hugo Viana, o que deverá obrigar Paauwe, em principio, o médio mais recuado, a marcar Sá Pinto, para não cometer o mesmo erro que o Rio Ave na deslocação a Alvalade, ao deixar o médio mais recuado (Mozer) a marcar Fábio Rochemback, deixando Sá Pinto mais solto, o que levou o Sporting a criar muitas situações de 2 para 2 com os defesas vilacondenses. Só que se Paauwe seguir de perto Sá Pinto, é provável que Rochemback goze de alguma liberdade, até porque Hofs, apesar de apoiar defensivamente, é um médio mais talhado para acções ofensivas. Questões a esclarecer mais logo.
Sporting eliminou sempre holandeses. Em competições europeias, esta é a 5ª vez no seu historial que o Sporting encontra adversários holandes. Seguiu sempre em frente, registando apenas uma derrota em oito jogos, curiosamente diante do seu adversário desta noite. O histórico de confrontos iniciou-se em 1958/1959, na Taça dos Campeões Europeus, diante do Utrecht. Depois de uma vitória por 4-3 na Holanda, a 1 de Outubro de 1958, com um hat-trick de Ivson, uma semana depois, em Alvalade, o Sporting voltou a vencer, desta feita por 2-1, com dois golos de Ivson, um médio português, que em duas épocas ao serviço dos 'leões', registou uma média de golos superior a 1 por jogo, isto apesar de nunca se ter imposto como titular (!!!).
Novos encontros com formações holandesas, só na década de 80, e na Taça UEFA. Primeiro foi o Feyenoord, em 85/86, a ficar pelo caminho, com uma vitória dos 'leões', por 3-1, em Alvalade, a que se seguiu uma derrota em Roterdão, por 1-2, num jogo em que o Sporting esteve a vencer, graças a um golo de Litos, actual treinador do Estoril, com a derrota a surgir apenas aos 89 minutos, através de um tento de Eriksen. Depois foi o Ajax, em 88/89, numa altura em que o Sporting era orientado pelo uruguaio Pedro Rocha. Na 1ª mão, em Alvalade, os 'leões' venceram por 4-2, com golos de Oceano, Paulinho Cascavel, João Luis e Litos, seguindo-se um excelente triunfo em Amsterdão, por 2-1, com golos de Paulo Silas e Rui Maside.
Por fim, o Vitesse, em 90/91, época em que o Sporting, orientado por Marinho Peres, só caiu nas meias-finais da Taça UEFA, diante do Inter de Milão. Nos oitavos de final da competição, surgiu o adversário holandês no caminho dos 'leões', que abriram o caminho para a passagem em frente com uma vitória por 2-0 em Arnhem, com golos de Carlos Xavier e Gomes. Em Alvalade, nova vitória, por 2-1, com um 'bis' do brasileiro Douglas.
O outro Sporting-Feyenoord.
1ª Mão da 1ªEliminatória da Taça UEFA
18 de Setembro de 1985
Estádio José de Alvalade
Árbitro: Robert Valentine (Escócia)
Sporting: Damas - Gabriel, Morato, Venâncio, Fernando Mendes - Litos (81' Oceano), Jaime Pacheco, Sousa, Mário Jorge - Manuel Fernandes, Jordão.
Feyenoord: Joop Hiele, Keje Molenaar, Stanley Brard, Sjaak Troost, Ben Wijnstekers, Henk Duut, Ivan Nielsen, Mario Been, Jan Sörensen, Simon Tahamata, John Rep. Suplentes utilizados: André Stafleu, John Eriksen
Golos: 31' Manuel Fernandes (1-0), 35' Jordão (2-0), 63' Manuel Fernandes (3-0), 78' Duut (*) (3-1).
(*) - Henk Duut é um dos adjuntos de Ruud Gullit no Feyenoord.
Publicado por rui malheiro às 10:13
Comentários
Força Sporting...digo isto mas sou benfiquista!!
www.blocoesquerdaprocaralho.blogspot.com
Publicado por: Pantera em fevereiro 16, 2005 01:15 PM