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quarta-feira, 2 março 2005

Vitória de Setúbal 3-2 Sporting de Braga

Categoria: 04/05 Taça de Portugal

Impedido de empatar, José Rachão conduziu o Setúbal às meias-finais da Taça de Portugal depois de um emocionante triunfo sobre o Braga. Curiosamente, o mesmo resultado verificado na primeira volta da Superliga no primeiro de dois encontros consecutivos entre estes emblemas. Feliz, o conjunto local teve vantagem de dois golos mas teve de voltar ao encontro para desfazer uma igualdade que João Tomás e Wender haviam ditado.

Enquadramento
Ironias do calendário, este foi o primeiro de dois encontros consecutivos entre Vitória de Setúbal e Sporting de Braga. Curiosamente, ambos marcados para o Estádio do Bonfim, ainda que o da próxima segunda-feira seja referente, claro está, à Superliga. Sendo este um encontro de Taça de Portugal, José Rachão estava forçado a inverter a tendência evidenciada pelos sadinos nos últimos cinco desafios (quatro deles já sob a sua orientação) – o empate. Com efeito, o Setúbal não conhecera outro resultado que não a igualdade desde que José Couceiro (que deixou o clube com uma divisão de pontos em Alvalade) conduziu a formação sadina à vitória sobre o Guimarães. Corria o dia 26 de Janeiro e a partida era referente à competição que hoje se discutia. Todavia, importava salientar que o Vitória de Setúbal apenas vencera por duas ocasiões nos últimos doze jogos da Superliga. Relativamente ao Sporting de Braga, quebrara-se na recepção ao Gil Vicente a série negativa de três jogos sem vencer e sem marcar. No que concerne à Taça de Portugal, os bracarenses enfrentavam o seu primeiro grande teste nesta prova, uma vez que só haviam encontrado emblemas de escalões inferiores nas eliminatórias transactas.

Rachão mantém táctica mas muda nomes
Obrigado a vencer para seguir em frente, o treinador do Vitória de Setúbal apostou no esquema que tem privilegiado mas mudou alguns nomes comparativamente com a deslocação a Coimbra. Fracassada a experiência Éder, José Rachão chamou o central Veríssimo. Pensar-se-ia num esquema de três centrais mas logo se viu que o ex-Alverca se ia posicionar sobre a direita. Hugo Alcântara e Auri mantinham os postos no centro da defesa, o mesmo acontecendo com Bruno Ribeiro no que concerne à lateral-esquerda. Seguia-se um duo de médios de características predominantemente defensivas, com Sandro a fechar sobretudo pela direita (até porque era por aí que o Braga carrilava, preferencialmente, o seu jogo) e Ricardo Chaves a cobrir a restante aérea. Manuel José preenchia a ala direita do miolo sadino, funcionando tanto a nível ofensivo como no apoio a Veríssimo. Meyong, na esquerda, parecia mais liberto de funções defensivas e até surgia com frequência nas imediações da zona de Bruno Moraes, o homem mais adiantado. Jorginho dispensa apresentações, era ele o playmaker e a unidade incumbida de carrilar o futebol sadino, frequentemente delineado através de acções de contra-ataque que exigiam que o médio caísse numa das alas. Nota última mas não menos importante para a troca de guarda-redes, com Paulo Ribeiro a ceder lugar a Marco Tábuas.

Jesualdo não surpreende
Residia na baliza a principal dúvida relativamente ao onze bracarense. Marco ocupara o lugar de Paulo Santos na recepção ao Gil Vicente mas, findo o castigo, o ex-FC Porto recuperou o posto que vem ocupando durante toda a temporada. Foi essa a única alteração relativamente à partida da última sexta-feira, sendo que o quarteto defensivo voltou a ser preenchido por Abel, Nunes, Nem e Jorge Luiz. Andrés Madrid era a unidade mais recuada de um miolo assente em três linhas. Reforço do Inverno, o argentino constituía a primeira, com os interiores João Alves (sobre a direita) e Vandinho (sobre a esquerda) a formarem o elo de transição entre a defesa e o ataque. Jaime Jr. assumia a ala-direita, Wender ficava com linha oposta e João Tomás era o ponta-de-lança. Teoricamente, Jesualdo construía um esquema que lhe permitisse ser dominador, favorecendo a fácil transição para o ataque e a eficaz disposição de busca e roubo de bola.

Posse de bola não ganha jogos
Desde cedo se constatou essa situação. José Rachão apostava num esquema de contra-ataque, oferecendo a posse de bola ao Sporting de Braga. Todavia, tardou para que os sadinos revelassem acerto na rápida transição pretendida e disso de aproveitaram os visitantes para marcar uma posição junto da baliza de Marco Tábuas. Com Jaime apagado, os minhotos viviam das acções individuais de Wender (quase sempre bem apoiado por Jorge Luiz e/ou Vandinho) e de João Alves. Com efeito, foi dos pés do ala ex-Naval que surgiu a primeira grande ocasião de golo, minutos depois de Jaime ter perdido um excelente lance construído pela esquerda bracarense. Sem que nada o fizesse prever, Wender arrancou um potente remate a partir de posição muito desfavorável mas que só a barra de Marco Tábuas travou. Infelizmente para Jesualdo Ferreira, este lance pareceu acordar o Vitória de Setúbal e, sobretudo, Jorginho...

Bruno Moraes – há golos felizes
Unidade fulcral na acção sadina, o médio criativo entrou na partida e não tardou para que se fizesse sentir o seu efeito. Jorginho buscou futebol nas alas e foi a partir daí que desequilibrou para servir o primeiro golo. Tudo começa com um lançamento de Bruno Ribeiro, aproveitado de forma soberba pelo playmaker para progredir para a linha de fundo (levando consigo alguns adversários) e servir a entrada de Meyong. Parecia um golo fácil mas o camaronês preferiu, qual especialista do bilhar, jogar às tabelas. Neste caso, Bruno Moraes estava no sítio certo para empurrar para o fundo da baliza de Paulo Santos. Estava aberto o marcador, o que apenas veio reforçar a tendência do encontro. Todavia, Rachão foi obrigado a trocar o lesionado Ricardo Chaves por Puma. Dessa mexida não resultou nenhuma alteração táctica mas não tardou para que Manuel José descesse no terreno, formando um tridente com Sandro e com Puma. Assim sendo, Jorginho passou a cair preferencialmente sobre a direita, mantendo-se como principal dínamo do futebol sadino. Ainda que dominador, o Braga permanecia longe do empate e até foi Manuel José a cheirar o golo. Tal não aconteceu, sendo que o intervalo chegou com a vantagem mínima para o Setúbal. Aceitável...

Braga muda, Setúbal marca
A perder, Jesualdo Ferreira decidiu arriscar ao intervalo. Pouco em jogo, Andrés Madrid foi substituído por Cesinha. Resultou isto num crescimento numérico do apoio ofensivo a João Tomás, que passou a ter um trio nas suas costas. Um trio móvel, que libertou Jaime Jr. e Wender das alas e colocou Cesinha a actuar sobre a esquerda. Se o ex-Naval de aproximou da linha mais avançada, o ex-Rio Ave passou a estar na posição que mais lhe agrada – o centro. Cá atrás, previa-se que Vandinho cumprisse a missão anteriormente entregue a Madrid mas foram evidentes as falhas que resultam no segundo golo do Vitória, logo no recomeço. Puma avançou tranquilamente e gozou de enorme liberdade na área bracarense, tendo tempo para emendar a primeira opção e servir Meyong para um remate fácil. Ainda antes de se poder avaliar o resultado da alteração promovida por Jesualdo, o Vitória solidificava a posição vantajosa com que chegara ao descanso.

Acabado? Longe disso...
Ainda que o jogo tenha passado por breves momentos de exaltação, cedo se elevou o patamar futebolístico e das cinzas renasceu o Sporting de Braga. Primeiro por João Tomás, que se desmarcou nas costas da defensiva sadina e bateu Marco Tábuas após receber um passe longo. Muito cresceram os minhotos a partir de então, aproximando-se da igualdade na marcação de um livre directo bem parado pelo guardião do Vitória. Todavia, nada havia a fazer para travar um remate genial da autoria de Wender. Soberbo golo e tudo em aberto para o quarto-de-hora final. Cândido Costa entrou logo depois mas quem mais mexeu foi Rachão, que apostou definitivamente numa linha de três centrais e lançou Igor para acompanhar Bruno Moraes, com Jorginho nas costas. Bruno Moraes que viria a conseguir o terceiro golo, tardiamente anulado por evidente mão na bola. Se a versão controversa de Maradona foi penalizada, o avançado emprestado pelo FC Porto tratou de imitar o astro argentino de forma legal. Assim aconteceu a três minutos do final, com o ex-Santos a construir um brilhante lance individual, travado por Paulo Santos mas concluído por Igor. Com felicidade à mistura, o Vitória de Setúbal está nas meias-finais da Taça de Portugal.


Ficha do Jogo
Quarta-Feira, 2 de Março de 2005 – 21:15
Estádio do Bonfim, em Setúbal
Árbitro – Pedro Henriques (Lisboa)
Auxiliado por Gabínio Evaristo e Paulo Moreira

Vitória de Setúbal – Marco Tábuas; Veríssimo, Hugo Alcântara, Auri e Bruno Ribeiro; Sandro e Ricardo Chaves (Puma, 18´); Manuel José, Jorginho e Meyong (Igor, 76´); Bruno Moraes

Sporting de Braga – Paulo Santos; Abel, Nunes, Nem (Maurício, 91´) e Jorge Luiz; Andrés Madrid (Cesinha, 45´); João Alves e Vandinho; Jaime Jr. (Cândido Costa, 62´), Wender e João Tomás

Golos
1-0 por Bruno Moraes, aos 15´
2-0 por Meyong, aos 48´
2-1 por João Tomás, aos 61´
2-2 por Wender, aos 75´
3-2 por Igor, aos 87´

Publicado por andré viana às 23:15

Comentários

Queria deixar aqui os meus parabens ao vitória pela passagem às "meias" e espero q o SLB amanha consiga fazer o mesmo

Publicado por: Gonça em março 2, 2005 11:39 PM

O Braga não merecia de maneira nenhuma sair daquele jogo derrotado, pois o Setúbal não jogou futebol nenhum para ter marcado três golos.
O Braga foi sempre superior que eles.
Fizemos 3 erros e eles aproveitaram bem, foi sorte porque de resto estavamos sempre em cima deles.
Mas segunda-feira vai haver desforra...vamos vencer e lutar pelo titulo...(será que estou sonhar demais? não!)

Publicado por: Cidália em março 3, 2005 08:24 AM

Cidália ganha quem marca mais, nós marcamos 4 valeram 3 o Braga 2 por isso perdeu.
Recua-mos quando venciamos mas voltamos à carga e voltamos a marcar com raça e garra.
O triunfo foi mais que merecido.
Não se esqueça que já para a $up€rliga tinha levado 2-3 em Braga.
E nao vale a pena as conversas de desforra, porque vai ganhar quem merecer e não há vencedor antecipado por isso calma que se pode ser giro um outsider ganahr o campeonato, NAO ganhem os vicios dos ditos grandes


FORÇA VITORIA !!!

Publicado por: yekini em março 3, 2005 02:29 PM

Sim, um outsider...e eu acredito que está época não vai ganhar nenhum "grande"!

Publicado por: Cidália em março 3, 2005 08:11 PM

O setubal parecia ter ganho ao Milan ou ao Real Madrid , tal a festa que fizeram . Caidinha do céu , esta vitoria.Mas parabens , com sorte tambem se ganha.
Força Braga , ainda ha muito para ganhar esta epoca.

Publicado por: Atila em março 4, 2005 01:50 AM