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quarta-feira, 2 março 2005

Marítimo 0-2 Boavista

Categoria: 04/05 Taça de Portugal Categoria: Boavista Categoria: Marítimo

Está quebrado um dos derradeiros enguiços do futebol português. 17 anos depois, o Boavista voltou a vencer nos Barreiros e nem se pode dizer que tenha sido uma vitória particularmente difícil. Pacheco fez bem o seu trabalho de casa: prescindiu do futebol mais ofensivo que a equipa vinha praticando nos últimos jogos e alicerçou a vitória num meio-campo sufocante e num contra-ataque mortífero. Ainda em jogo nas duas frentes, fica a sensação de que o pior para o Boavista já terá passado. Duas vitórias na Madeira (onde nenhum dos "grandes" venceu esta época) e mais uma demonstração de eficácia não deixam dúvidas sobre as capacidades da equipa de Jaime Pacheco. Do outro lado, o Marítimo esteve a anos-luz do que já se viu nesta temporada. Foi uma equipa nervosa e despersonalizada, cuja indisciplina acabou por decidir o rumo da eliminatória.

Aquele que seria à partida um dos jogos mais difíceis desta época para o Boavista (sim, a tradição ainda tem muito peso nestas coisas), ficou incrivelmente facilitado logo aos 3 minutos, numa jogada rápida de contra-ataque concluída por Milhazes, à qual Luís Filipe deu ainda o toque final para a sua própria baliza. Ficava aqui demonstrado o enorme nervosismo da equipa madeirense, estranho para quem se apresentava na máxima força. Mariano Barreto apresentou o seu 4-3-3 habitual, contando com o trio atacante Manduca, Alan e Bibishkov que tanta categoria tem espalhado nos relvados portugueses. Desta vez não foi assim. E mérito para Pacheco nesse particular. Apresentou uma equipa renovada e bastante arriscada, com as surpresas do jovem João Pedro na direita e Milhazes no meio-campo, a juntar a sua força à de Lucas e Tiago. Na frente Guga e João Pinto (provavelmente juntos pela primeira vez) apoiavam Cafú. A dar o toque final nesta inédita formação, a estreia do central camaronês Ambassa, o auto-intitulado "combo Desailly-Koeman", que até mostrou qualidades.

A perder praticamente desde o início do jogo, não restava outra solução ao Marítimo senão partir com todo que tinha para a área do Boavista. E bem tentaram os jogadores de Mariano Barreto, mas esbarravam sempre no ultra-combativo meio-campo axadrezado que, além de anular as iniciativas madeirenses ainda teve "arte" para enervar Wenio, primeiro e depois Tonel, ambos expulsos por agressões. Sem inspiração nem ideias para materializar o domínio territorial, o Marítimo arrastava-se em campo e acabaram por pertencer ao Boavista em contra-ataque, as melhores ocasiões para aplicar a estocada final. Que surgiria já nos últimos minutos por Zé Manuel (que havia entrado por Diogo Valente, que entretanto tinha substituído Milhazes) depois de jogada de João Pinto e Guga. Era o fim de uma maldição de 17 anos e das esperanças do Marítimo em assegurar um lugar na UEFA pela Taça de Portugal. Para o conseguir via campeonato, terá que mostrar muito mais do que o que fez ontem.

FICHA DO JOGO:

MARÍTIMO - Nélson, Luís Filipe, Tonel, Van der Gaag, Eusébio; Cahinho, Wenio e Silas (Marcinho); Bibishkov (Evaldo), Alan e Manduca (Lobatón).

BOAVISTA - William, João Pedro (André Barreto), Éder, Ambassa e Carlos Fernandes; Lucas, Tiago e Milhazes (Diogo Valente, depois Zé Manuel); Guga, Cafú e João Pinto

ÁRBITRO: Bruno Paixão (Setúbal)

CARTÕES AMARELOS: Silas Para o Marítimo; Milhazes, João Pedro, Diogo Valente e Cafú para o Boavista.

CARTÕES VERMELHOS: Tonel por acumulação; Wenio, directo

MELHOR EM CAMPO: Lucas (Boavista)

Publicado por pedro nery às 23:50

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