segunda-feira, 22 março 2004
Domingo Subjectivo - Só não vê quem não quer

Falemos de segurança. Aliás, numa altura em que não fala de outra coisa, dedico aqui uma pequena reflexão ao que pode estar para vir.
É quase anedótico, o tratamento que as autoridades deste país estão a efrentar o problema de segurança nos estádios. Já perdi a conta aos "jogos-teste" para o Euro. Sem variar, o resultado desses testes são sempre excelentes, positivos, e depois acrescenta-se que está tudo em ordem.
Quem frequenta os nossos estádios, assiduamente, só pode esboçar uns sorrisos irónicos. É que não estamos preparados para nada! Quanto muito, conseguimos ir tendo umas enchentes, sem haver nenhum desastre, mas isso é entre espectadores portugueses, que como sabemos, são o povo mais desenrascado da Europa.
Ainda ontem, uma televisão, mostrou toda a segurança à volta do Braga - Porto, jogado no estádio mais caro do euro. Foi assustador ver a falta de condições, de organização, a maneira como revistaram os espectadores... Enfim, uma demonstração da maneira como (não) estão preparados para este tipo de eventos.
Descontemos as barbaridades a la Avelino Torres e olhemos lá para fora. E basta escolher dois países. No dia de ontem em Inglaterra e Itália, mais uma jornada negra para o futebol. Por acaso, dois países que estão apurados para o Euro. Em Inglaterra, antes e depois do jogo Portsmouth-Southampton, automóveis danificados, lojas pilhadas e as montras partidas. Oito pessoas foram detidas e vários adeptos ficaram feridos, um dos quais necessitou de assistência hospitalar. Foi necessária a intervenção de cerca de 400 agentes da polícia, apoiados por cães e cavalos, para repor a ordem.
Tudo isto, num simples jogo da Premier.
Em Itália, no sempre escaldante derbi de Roma, o jogo acabou interrompido aos três minutos da segunda parte, na sequência da notícia da morte de uma criança no exterior do Estádio Olímpico, alegadamente atropelada por um carro da polícia. Apesar dos desmentidos das autoridades romanas, repetidos através dos altifalantes do estádio, os adeptos das duas equipas exigiram a suspensão da partida, o que acabou mesmo por acontecer. Os receios de que a ordem pública pudesse estar em causa e a vontade dos jogadores, sobretudo os do Roma, certamente assustados com o ambiente que se vivia nas bancadas, onde foram acesas diversas fogueiras, levaram o árbitro Roberto Rosetti a interromper definitivamente a partida!
As imagens são elucidativas.
Perante isto, estamos mesmo com a segurança preparada?
Publicado por João Gonçalves em 22 de março de 2004 às 17:43
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