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domingo, 10 abril 2005

Rio Ave 1 - 0 Benfica

Categoria: 04/05 SuperLiga Categoria: Benfica Categoria: Rio Ave

Rio Ave trava 'onda vermelha'

Em Vila do Conde, no seu estádio, manda o Rio Ave. A equipa orientada por Carlos Brito mantém o seu reduto imaculado - desde 16 de Fevereiro de 2004 que não conhece o sabor da derrota - e, desta vez, foi o Benfica a provar o ímpeto da 'fortaleza' dos Arcos. Miguelito, em cima do apito final, deu três pontos ao Rio Ave, ao concluir uma excelente iniciativa contra-atacante conduzida pelo brasileiro Saulo. Um triunfo feliz, numa partida bem disputada e em que qualquer um dos resultados se aceitaria perfeitamente. Registo para o apoio massivo de adeptos encarnados à sua equipa, a constituir um ambiente fantástico nesta partida da 28ª jornada Superliga.

Enquadramento. O Rio Ave, vindo de uma série de 6 jogos sem perder - uma vitória e cinco empates - tinha a espinhosa missão de travar a força benfiquista - depois de uma série de 4 vitórias consecutivas e sem conhecer a derrota desde a 19ª jornada, na partida frente ao Beira-Mar - a equipa de Trapattoni chegava ao terreno imbatível do Rio Ave com assinaláveis índices de confiança.


As tácticas. Carlos Brito sem contar com o lesionado Mozer e o castigado Danielson, de poucas soluções dispunha senão de uma natural aposta num esquema de 4x3x3. Fazendo alinhar a equipa nesse mesmo esquema táctico, à imagem do que acontecera na jornada pretérita, frente ao Vitória Guimarães, o técnico vila-condense apostava em Bruno Mendes e Junas Naciri para colmatar as baixas já referidas. Ofensivamente, a equipa do Rio Ave dispunha-se com mobilidade entre o quarteto defensivo encarnado, com Gama, Paulo César e Evandro a alternarem de posto com frequência. O Benfica, jogando com a mesma linha que vencera o Marítimo, na jornada anterior, chegava a Vila do Conde disposto num 4x2x3x1, com Nuno Gomes a ser a unidade mais adiantada dos encarnados, contando com o apoio das alas por Simão e Geovanni e a companhia nas costas de Nuno Assis, o 'rato pós-atómico'.


Um nulo condimentado. Numa primeira parte bastante viva, o Rio Ave acabou por surpreender o Benfica ao entrar com mais dinâmica nos primeiros 45 minutos. A jogar com fluídez, a equipa da casa criou a primeira grande oportunidade de golo ao testar Quim, através de um remate acrobático de Gama, na sequência de uma excelente iniciativa atacante. O Benfica acabou por equilibrar o encontro, primeiro através das bolas paradas batidas por Petit e depois, na melhor ocasião do primeiro tempo, por Simão, com o extremo luso, isolado frente à baliza, a rematar para defesa espantosa do catalão Miquel Mora Morales.


Jogar à líder. Depois de uma primeira parte equilibrada, com boas acções atacantes quer de uma quer de outra equipa, o segundo tempo começou com domínio avassalador dos encarnados. Empolgados pelo muito público presentes nos 'Arcos', os jogadores do Benfica, beneficiando de uma assinalável quebra física dos homens do Rio Ave, fizeram uma primeira meia hora em alta rotação. Primeiro Nuno Assis, depois o recém entrado Pedro Mantorras, foram capazes de pôr em sobressalto o último reduto dos da casa, salvos pelo brio de Niquinha e pelas sagazes estiradas de Mora.


Carlos Brito. Técnico que apenas surge nos 'media' quando o seu clube defronta um 'grande', dispensando a postura em 'bicos de pé' de outros colegas de profissão, Brito é o rosto da excelência deste Rio Ave 2003 - 2005. Esta noite, lendo bem o desenrolar do segundo tempo, decidiu apostar - em cheio - na irreverência de Saulo, extremo brasileiro contratado ao FC Maia. O jovem foi o 'joker' de Carlos Brito.


Público. Casa cheia. Futebol com estádios repletos tem outro colorido. Todos agradecem.


Petit. Insinuou que a equipa do Rio Ave fora 'apadrinhada' por um dos concorrentes directos do Benfica na luta pelo título. Deselegância servida com cabeça quente, não são se coadunam com um jogador que quer ser campeão nacional. Saber perder e atentar ao percurso do Rio Ave 04/05 antes de falar, são uma boa receita para Armando 'Petit'.


Os destaques do Terceiro Anel.



Junas Naciri Num jogo disputado com níveis exímios de fair-play, o holandês apenas exagerou numa entrada que teve sobre Geovanni e que lhe podia ter valido a cartolina amarela. Viu-a posteriormente.


Nuno Assis Quase sempre ausente, quando se isolou pela esquerda e teve oportunidade de bater Mora, deixou-se antecipar por Niquinha, que o desarmou sem mácula. O 'rato atómico' já produziu mais.


Miguelito Aos 91 minutos concluiu do melhor modo uma excelente jogada de contra-ataque. O seu golo valeu três pontos ao Rio Ave e o primeiro tento na sua conta pessoa em 2004/2005. Esteve regular a defender. Há quem produza menos e seja convocado à Selecção Nacional.


Mora A vitória do Rio Ave passou pelas suas mãos. Travou inúmeras oportunidades claras de golo para os encarnados, algumas delas com uma espectacularidade e grau de dificuldade desconcertantes.




Remate. Numa boa partida de futebol, o Rio Ave venceu, com alguma felicidade, o líder da Superliga. A equipa de Carlos Brito, depois do desnorte da primeira meia hora do segundo tempo, recuperou folgo com as entradas de Marquinhos e Saulo, e foi dos pés deste brasileiro que saiu o golo de Miguelito. Apesar da justiça de um empate, a visão de Carlos Brito foi justamente premiada e a hipótese UEFA mantém-se em aberto. Do lado encarnado, uma exibição francamente positiva que também podia ter valido um triunfo, sem surpresa. A equipa orientada por Geovanni Trapattoni mantém-se isolada na frente da Superliga - agora com mais 3 pontos que o Sporting, grémio que fez questão de publicitar o golo do Rio Ave, em pleno ecrã gigante do Alvalade XXI. Está relançada a luta pelo título, ainda com o Sp. de Braga (menos um jogo), Boavista e FC Porto à espreita do primeiro lugar.


Ficha do Jogo:


Estádio: Rio Ave FC
Árbitro: António Costa (Setúbal)


Rio Ave Mora – Zé Gomes, Bruno Mendes, Idalécio e Miguelito – Niquinha – Junas Naciri (Marquinhos, 75) e Delson – Evandro, Paulo César (Gaúcho, 84) e Gama (Saulo, 67).

Suplentes: Candeias (gr), Alexandre, Valente, Marquinhos, Saulo, Jacques e Gaúcho.



Benfica Quim - Miguel, Luisão, Ricardo Rocha e Dos Santos - Petit e Manuel Fernandes - Geovanni (João Pereira, 80 m), Nuno Assis (Karadas, 57 m) e Simão - Nuno Gomes (Mantorras, 75 m).

Suplentes: Moreira (gr), Alcides, Fyssas, Bruno Aguiar, João Pereira, Karadas e Mantorras.


Cartões Amarelos:

RIO: Junas Naciri, Evandro e Miguelito.
SLB: Manuel Fernandes.


Marcador: 1-0 por Miguelito (90 minutos)

Publicado por joão carmo às 23:22

Comentários

O Benfica ontem perdeu o jogo da mesma forma que havia vencido na semana passada. A partir de certa altura e tendo em conta o ascendente que a equipa tinha sobre o adversário, o Trapattoni achou que a vitória estava mais perto do que a derrota, e optou por fazer avançar para o jogo jogadores com caracteristicas ofensivas em detrimento de outros mais defensivos. O problema maior é que pela frente tinha o adversário provavelmente mais mortifero na arte do contra-ataque, em Portugal. O lance do golo vila-condense é de cátedra e quanto a mim dificilmente seria evitado, pois nem sequer houve hipótese de cortar o lance com uma falta cirurgica no meio campo adversário.

Obviamente nesta altura o Benfica já podia e devia estar na frente do marcador pelo que este lance nestas condições não surgiria, mas pela frente apanhou um GR muito inspirado que a jogar assim em todos os jogos seria uma alternativa credivel ao Casillas na selecção espanhola. E aqui chegamos ao reverso da medalha no que aos estádios cheios de benfiquistas diz respeito: é que para as equipas adversárias o jogo assemelha-se logo a qualquer coisa como uma final da liga dos campeões e ontem, pese o facto de para mim o Rio Ave ser das equipas que melhor futebol pratica na Superliga, houve aquele ingrediente extra que permite aos jogadores dar 110% o que sem a sorte do jogo valeria pêvas mas infelizmente (para mim pelo menos) a audácia do Carlos Brito foi premiada com um golo ao cair do pano.

Seja como for continuamos com 3 pontos de avanço e ainda poderemos perder mais um jogo até ao derby da penultima jornada que provavelmente será o jogo do titulo. Provavelmente, porque neste campeonato louco não se pode cair no erro de antecipar campeões com 7 jornadas por disputar.

Publicado por: Nuno M. S. Almeida [TypeKey Profile Page] em abril 11, 2005 11:20 AM

"Há quem produza menos e seja convocado à Selecção Nacional. "

era preciso que o nosso seleccionador visse jogos da Superliga...

O que me aziou mais, este Domingo, não foi a forma infeliz que tirou um ponto ao Benfica... foi, sim, a forma suja como o marcador de Alvalade não 'abriu' com o 0-1.

Enfim.

Se o Sporting continuar a jogar assim, o Benfica pode estar bem descansado. Os leões, que alegadamente jogam o melhor futebol de Portugal, fizeram outro jogo miserável.

Publicado por: Rui Alexandre [TypeKey Profile Page] em abril 12, 2005 11:18 PM