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quarta-feira, 20 abril 2005

V. Setúbal 2-1 Boavista (após prolongamento)

Categoria: 04/05 Taça de Portugal Categoria: Boavista Categoria: V. Setúbal

Nem um milagre salvaria este Boavista

O Vitória de Setúbal garantiu ontem a presença na final da Taça de Portugal com uma vitória suada mas justíssima sobre o Boavista por 2-1, num jogo que não poderia ter outro resultado tal a diferença de atitude entre as equipas. De um lado uma equipa que teve sempre a baliza adversária como destino, mesmo que por vezes não soubesse como lá chegar; do outro, uma equipa cheia de cautelas, que pouco mais fez que adiar o inevitável. O Boavista pode queixar-se das lesões de Zé Manel e Carlos Fernandes, mas seria bom que Pacheco percebesse que, em jogos a eliminar, decididos apenas num só dia, não custa muito mostrar um pouco mais de ambição. Uma equipa que passou o campeonato todo nos 5 primeiros lugares, arrisca-se agora a ver os jogos europeus pela televisão.

Enquadramento. Jogo do ano para as duas equipas, escusado será dizer. O Vitória via aqui a sua derradeira chance de agarrar o comboio para a Europa, definitivamente arredado que estava dessa luta depois da chegada de José Rachão. O Boavista pretendia também salavaguardar a sua posição europeia, já que os desaires das últimas jornadas permitiram a aproximação do outro Vitória, o de Guimarães. Seria de esperar um jogo aberto, que as duas equipas tudo fizessem para ganhar.

As tácticas. Infelizmente tal não aconteceu. E tudo por culpa de Jaime Pacheco que tudo fez para que o jogo fosse mais um bocejo de 90 minutos. Armou um 4-4-2 com um meio-campo de contenção formado por Tiago no centro, Lucas a descair para a direita e João Pedro na marcação cerrada a Jorginho. Toñito surgia mais livre no apoio a Zé Manel e Cafú. José Rachão apostou no seu 4-3-3 habitual com o trio habitual de Jorginho ao centro, Bruno Ribeiro (à esquerda) e Manuel José (à direita) no apoio a Meyong. Não havia duvidas: o jogo era para ser decidido o mais depressa possível.

Atitude do Setúbal Nunca deixaram de procurar a baliza de Carlos, mesmo que em certos momentos tivessem perdido o mapa para lá chegar. O golão de Bruno Ribeiro foi um prémio merecidíssimo para a vontade que os jogadores demonstraram.

Golo de Bruno Ribeiro. Depois de tantas oportunidades falhadas, só mesmo um lance de inspiração poderia resolver a contenda. Coube a Bruno Ribeiro a honra de o decidir com uma bomba na esquerda sem hipóteses para Carlos.

Que zarolhice ! Totalmente desnecessário o sofrimento do Vitória de Setúbal, só justificado pelo desacerto na finalização. Meyong esteve especialmente desinspirado, apesar do golo que marcou. Um penalty para as nuvens e uma mão-cheia de falhanços inacreditáveis, deixando os adeptos do Vitória à beira de um ataque de nervos.

atitude do Boavista Não se compreende que num jogo a eliminar esta equipa mostre tamanha falta de ambição, raramente preocupando-se em começar uma jogada de ataque, limitando-se a procurar a cabeça de Hugo Almeida, ou os ressaltos que o avançado conseguia arrancar. A segunda parte foi toda ela uma patética tentativa de adiar o jogo para o prolongamento e mesmo para as grande penalidades. Estranho, se pensarmos que Pacheco já havia sido obrigado a fazer duas substituições. Pacheco tem de perceber que esta fórmula já deu o que tinha a dar e que mesmo os próprios adeptos já perderam a admiração que tinham por si, como o prova a "recepção" que fizeram ao autocarro da equipa. Conseguirá resistir ao fracasso que seria o afastamento das competições europeias ?

Os destaques do Terceiro Anel.

João Pedro Pacheco incumbiu-o de marcar Jorginho e o jovem internacional até estava a fazer um bom trabalho. Mas a certa altura começaram a faltar-lhe as pernas e a experiência de Jorginho fez o resto.

Martelinho e Hugo Almeida Inacreditável a forma como o lateral axadrezado perde a bola para Bruno Ribeiro no primeiro golo dos sadinos, numa altura em que a sua equipa ia conseguindo controlar os acontecimentos. Quanto a Hugo Ameida, não só foi presa fácil para os centrais sadinos, como mostrou uma apatia e uma falta de vontade capazes de desesperar qualquer treinador. A milhas do voluntarismo e espírito de sacrifício do seu colega Cafú.

Jorginho Demorou tempo a libertar-se da forte marcação de João Pedro, mas quando o conseguiu foi um pesadelo para a equipa do Boavista. "Provocou" a expulsão do jovem boavisteiro e a partir daí foi sempre um pesadelo para a defesa axadrezada. Já no prolongamento, viu Cadú negar-lhe o golo certo.

Bruno Ribeiro A figura deste jogo sem margem para dúvidas. A ala esquerda nunca foi problema para si, sem dificuldades para ultrapassar Martelinho na maior parte das jogadas e sem problemas para aproveitar o "brinde" oferecido pelo veterano axadrezado. Na segunda parte encontrou Lucas pela frente, o jogador mais raçudo deste Boavista e as coisas começaram a complicar-se. Mas a "bomba" que decidiu este jogo justifica perfeitamente este título.

Remate. Vitória justa de um Setúbal algo masoquista, uma equipa que poderia ter decidido o jogo em duas ou três jogadas, mas a quem faltou sempre a inspiração para decidir o jogo. Estarão com todo o mérito na final do Jamor e, caso o Benfica vença esta noite o Estrela da Amadora, na próxima edição da Taça UEFA. Quanto ao Boavista, só mesmo num universo alternativo é que uma equipa com esta atitude merecia ir à final do que quer que seja. Pacheco armou uma equipa de contenção que se limitava a Pode queixar-se de algum azar – as lesões de Carlos Fernandes e Zé Manel e das expulsões que deixaram a equipa à deriva, mas nada disso explica uma atitude tão cautelosa num jogo perfeitamente ao alcance da sua equipa. O mais frustrante é constatarmos que, tivesse o jogo sido disputado no Bessa e atitude deste Boavista seria bem diferente, mais atacante, sem complexos. Mas o jogo foi fora de casa. Aproveitaram os axadrezados para estrear o seu novo autocarro e também para colocar um em frente à baliza de Carlos. Longe vão os tempos do Boavista campeão que entrava em qualquer estádio para ganhar...

FICHA DO JOGO:

V. SETÚBAL - Moretto; Éder, Auri, Hugo Alcântara e Nandinho; Sandro, Ricardo Chaves, Bruno Ribeiro e Manuel José (Igor); Jorginho e Meyong (Hélio).

BOAVISTA: Carlso; Martelinho, Cadú, Hélder Rosário e Carlos Fernandes (Éder); Lucas, Tiago, João Pedro e Toñito (João Pinto); Zé Manel (Hugo Almeida) e Cafú


ÁRBITRO: Olegário Benquerença

Publicado por pedro nery às 13:55

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