« N#056 | Entrada | Balanço da SuperLiga (IV) »
quinta-feira, 26 maio 2005
Balanço da SuperLiga (III)
Categoria: 04/05 Balanço da SuperLiga
A parte três do balanço da SuperLiga debruçar-se-á sobre comparações. Fique a saber, em termos estatísticos, as principais alterações entre a mais recente edição do campeonato português e a temporada 2003/2004, assim como as diferenças, clube a clube, entre os registos alcançados esta época e nas cinco edições anteriores do campeonato português.
2004/2005 vs. 2003/2004

Ao comparar as duas últimas edições do campeonato português salta à vista como facto mais saliente o aumento do número de espectadores esta época em relação à anterior, ultrapassando a fasquia dos 3 milhões de pessoas em estádios portugueses, que não tinha sido alcançada na temporada passada. Esse factor permitiu uma média de espectadores de 10.522 por jornada, que aumentou em mais de mil a média relativa à temporada anterior.
Se o número de espectadores aumentou, também aumentou a indisciplina nos relvados portugueses, ainda que não de forma radical. Foram mostrados mais 48 amarelos - a média aumentou de 5.0 para 5.1 por jogo - do que em 2003/2004, sendo que em relação aos vermelhos - onde aumentaram as expulsões directas e diminuiram as expulsões por acumulação - houve mais um do que no exercício anterior.
Em relação a outros números, diminuiu o número de jogadores utilizados, de 27,6 para 26,5 por equipa, contribuindo também para isso as maiores restrições da Liga em relação às inscrições. Por outro lado, aumentou o número de técnicos que marcaram presença na SuperLiga: de 26 para 28, com Luís Campos, João Carlos Pereira, Manuel Cajuda e José Couceiro a terem oportunidade de orientar duas equipas na mesma temporada, o que implica a existência de 16 mudanças de técnicos durante a época, não contando com Gigi del Neri (FC Porto) e Ulisses Morais (Estoril), que abandonaram os seus clubes antes do início da temporada oficial.
Por outro lado, nota negativa para o decréscimo de número de golos totais em 18, o que levou a uma quebra da média de golos por jogo de 2,4 para 2,3. Também o máximo de 32 golos, alcançado à 7ª jornada de 2003/2004, não foi ultrapassado. O maior número de golos numa jornada foi de 30 tentos, alcançado à 5ª jornada.
Por fim, referência para o aumento do número de auto-golos (de 15 para 19) e para a diminuição do número de grandes penalidades de 75 para 69. A eficácia na tranformação das mesmas também decaiu: de 73% para 70%, o que significa que 3 em cada 10 castigos máximos foram desperdiçados em 2004/2005.
Últimas seis épocas
Dos 18 participantes na SuperLiga 2004/2005, dez deles participaram nas últimas seis edições do principal campeonato português. O próximo exercício passa pela comparação das épocas de Benfica, FC Porto, Sporting, Sp. Braga, Vitória Guimarães, Boavista, Marítimo, Belenenses, Gil Vicente e União Leiria em relação ao seu passado recente na SuperLiga.
Campeão nacional em 2004/2005, o Benfica, orientado por Giovanni Trapattoni, não só não conseguiu fazer melhor do que o Benfica de José António Camacho - ainda que em 2002/2003, a melhor época dos encarnados, também haja mérito e resultados de Jesualdo Ferreira -, como também não ultrapassou os valores alcançados pelo alemão Juup Heynckes, numa temporada inconstante e quase esquecida, que levou ao Benfica apenas ao 3º posto no final da prova. Com apenas um dado estatístico relevante - a classificação final, que acaba por ser o que fica para a história -, o Benfica 2004/2005 teve o ataque menos realizador dos últimos seis anos, com menos cinco golos apontados do que na época em que terminou no 6º lugar, o que é mais uma prova da temporada atípica a que assistimos.

Seria dificil para muitos acreditarem no final da temporada passada que o FC Porto campeão nacional e europeu pudesse ter uma época mais fraca do que a protagonizada por Octávio Machado - 19 jogos, 6 derrotas - e José Mourinho - 15 jogos, 2 derrotas - em 2001/2002. O que é certo é que se os portistas sofreram para conquistar o 3º lugar nessa época, o pior FC Porto dos últimos anos chegou esta época à última jornada com hipóteses de ser campeão. É certo que o FC Porto de Fernández e Couceiro perdeu menos vezes e sofreu menos golos que o de 2001/2002, mas bateu todos os outros records negativos: menos vitórias, mais empates, menos golos marcados e menor diferença de golos entre marcados e sofridos. E se os dragões, pela primeira vez, nos últimos anos, não ultrapassaram a fasquia das 20 vitórias, são os dois últimos ítens os mais assustadores: apenas 39 golos marcados - o pior registo era superior em 24 golos - e uma diferença de 13 tentos entre marcados e sofridos, quase 20 golos inferior ao registo razoável (32) alcançado em 2001/2002.

Longe, bem longe, das épocas em que conquistou o título nacional, o Sporting, de José Peseiro, teve, muito provavelmente, a sua maior derrota, quando comparado com as edições anteriores, ao ficar longe dos registos alcançados por Fernando Santos a temporada passada, ainda que tenha terminado o campeonato na mesma posição: a 3ª. O facto mais positivo da época dos leões acaba por ser o ataque realizador, apenas suplantado pelo o de Bölöni, em 2001/02, que contou com os golos - 42! - de Jardel.

A lutar pelo título a duas jornadas do fim do campeonato, não surpreende que esta tenha sido a melhor temporada do Sp. Braga, não só nos últimos seis anos, como também desde sempre. Contudo, o registo da formação de Jesualdo Ferreira não é muito superior ao alcançado por Manuel Cajuda, em 2000/01, exercício em que os bracarenses também terminaram no 4º posto. Mas se nessa época o Sp. Braga atingiu o seu melhor registo ofensivo, também apresentou o seu pior score defensivo das últimas seis temporadas. Foi aí que esteve uma das principais virtudes da equipa desta época, que conquistou o melhor registo defensivo das temporadas mais recentes, conseguindo situar-se abaixo da fasquia dos 30 golos sofridos. Também por essa segurança defensiva passou o mais baixo número de derrotas e a maior diferença entre golos marcados e sofridos que o Sp. Braga, versão 2004/2005, conseguiu alcançar.

O Vitória de Guimarães, de Manuel Machado, acabou por ser um dos vencedores da temporadas. De regresso às competições europeias, o clube da Cidade-Berço fez a melhor época das últimas seis, aproximando-se dos registos alcançados na segunda metade da década de 90 e que faziam do clube um habitual participante nas competições europeias. De assinalar que a versão 2004/2005 dos vimarensenses conseguiu superar os registos alcançados em 2002/2003, ano em que Augusto Inácio levou o Vitória ao 4º lugar. Um dos factores para o êxito de Manuel Machado, acabou por ser a maior consistência defensiva, como prova o facto da equipa só ter sofrido 29 golos, depois de cinco épocas sempre acima dos 40 golos sofridos. E, se os vimaranenses perderam menos, também é certo que venceram mais vezes.

Depois de atingir o céu entre o final da década de 90 e o início do novo século, o Boavista consumou esta temporada um processo de lenta recuperação classificativa, iniciado a época passada, depois do 9º lugar em 2002/2003, época de sucesso a nível europeu. Sem valores de registo, assinala-se o aumento do número de vitórias e de golos marcados em relação aos dois exercícios anteriores, mas também, e pela negativa, o desmoronar da muralha defensiva que vinha a garantir médias inferiores a um golo sofrido por jogo. 43 golos sofridos, um saldo negativo de 4 golos, são não só o pior registo dos axadrezados nos últimos seis anos, como também em largas épocas.

Temporada regular do Marítimo, cujo facto mais saliente se prende com ter conseguido melhorar o registo pontual da época anterior, que valeu então a qualificação para uma prova europeia, mas que este ano não permitiu chegar mais além do que do 7º lugar. Se, por um lado, os madeirenses apresentaram o maior registo de empates dos últimos seis anos, esta época o Marítimo mostrou-se mais coeso defensivamente: menor número de derrotas e de golos sofridos das temporadas mais recentes.

No ano um da renovação do sector defensivo, o facto de maior destaque na temporada do Belenenses acaba por ser o registo de golos sofridos: o mais baixo das últimas seis temporadas, com média de um golo sofrido por jogo. Ainda que longe dos registos conquistados por Marinho Peres, em 2000/01 e 2001/02, sinal positivo também para o facto de Carlos Carvalhal ter conseguido a melhor temporada dos azuis nos últimos três anos. No entanto, assinala-se o elevado número de derrotas (14), só superado pela temporada passada, em que o Belenenses, que só conseguiu a manutenção na última jornada, perdeu em 15 ocasiões.

Temporada regular da formação do Gil Vicente, em relação aos anos anteriores, com a curiosidade de ter atingindo o mesmo número de pontos, e, claro está, a mesma média pontual, da época passada, apesar de ter perdido uma posição na tabela classificativa. No entanto, e muito por culpa do desastroso início de temporada, o Gil Vicente apresentou o seu pior registo ofensivo das últimas seis temporadas, equivalente ao de 2000/01, ano de uma manutenção arrancada a ferros por Luís Campos. Em relação aos restantes números, mais uma vitória do que na época anterior, mas também mais duas derrotas.

A União Leiria acabou por ser uma das decepções da temporada. Com o pior registo das últimas seis temporadas a quase todos os níveis, a verdade é que esta foi a pior época dos leirienses na 1ªDivisão, excepção feita às épocas em que desceu de divisão. Entre records negativos, onde se destaca o facto de ter apenas apontado 29 golos, salvou-se o registo de golos sofridos (36), bem perto do melhor alcançado nas últimas seis épocas: 35 em 1999/2000 e 2001/2002.
Os outros clubes
Rio Ave - Com três participações na SuperLiga nos últimos seis anos, o Rio Ave, de Carlos Brito, não melhorou o registo pontual da época anterior, mas voltou a fazer-se história, com o segundo orçamento mais curto da SuperLiga a conseguir, pelo segundo ano consecutivo, um lugar na primeira metade da tabela. O grande destaque desta época vai para os registos defensivos: menor número de golos sofridos e menor número de derrotas, apenas 7, melhor registo que a época passada (10) e largamente superior a 1999/2000 (17).
Vitória Setúbal - Com 4 presenças nas últimas seis edições da prova, o Vitória apresentou esta época o seu melhor registo pontual e também a sua melhor classificação no passado recente na SuperLiga. Os sadinos venceram mais do que o habitual, ultrapassando, pela primeira vez, nas últimas seis épocas, a fasquia das 10 vitórias e também perderam menos. Assinala-se também o melhor registo de golos marcados - 46 - e o primeiro diferencial de golos positivo nas edições mais recentes do campeonato português.
Penafiel - De regresso à SuperLiga, após praticamente década e meia de ausência, a formação duriense destacou-se pela pouca tendência para o empate: apenas 4. Francamente negativo, o score de golos sofridos: 53, algo a rever na próxima temporada.
Nacional - Bem longe dos registos da época anterior, a verdade é que a época repartida por Casemiro Mior e João Carlos Pereira apresenta registos superiores à de José Peseiro, em 2002/2003, ano que marcou o regresso dos madeirenses à SuperLiga. Sem valores positivos a destacar, fica a nota negativa ao elevado número de golos sofridos (48) e de derrotas (17), 5 acima dos valores alcançados por Mior, em 2003/2004, e por Peseiro, há duas épocas.
Académica - Com três participações nas últimas seis edições da prova, a época da Briosa acabou por ser similar à anterior, com o mesmo registo pontual, apesar de ter acabado um lugar abaixo na classificação, e superior a 2002/2003, ano em que a Académica garantiu a permanência no último jogo. Desta época fica como aspecto mais negativo os apenas 29 golos apontados, mas, se por um lado a Académica ganhou menos jogos que em 2003/2004 (11 para 9), também perdeu menos (18 para 14).
Moreirense - Depois da evolução registada por Manuel Machado de 2002/2003 para 2003/2004, o terceiro ano consecutivo dos vimaranenses na SuperLiga foi uma desilusão. Superados todos os records negativos, a excepção foi apenas o número de golos sofridos: 43 - inferior aos 46 sofridos na época de estreia no principal campeonato português.
Estoril - Primeira participação nas últimas seis épocas. Como seria de esperar, até pela descida de divisão, o registo da formação da Linha não foi famoso, destacando-se apenas pela positiva o registo de golos marcados, superior a um por jogo. Desastroso o número de derrotas (20) e, sobretudo, o de golos sofridos (55).
Beira-Mar - Com cinco presenças - consecutivas - nas últimas seis edições da SuperLiga, a formação aveirense realizou, a todos os níveis, a sua pior época no passado recente.
Publicado por rui malheiro às 13:00