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terça-feira, 31 maio 2005

Balanço da SuperLiga (XI)

Categoria: 04/05 Balanço da SuperLiga


Décima primeira parte do Balanço da SuperLiga, inteiramente dedicado ao trabalho dos treinadores que marcaram presença no campeonato português deste ano. Análise detalhada aos resultados alcançados por cada um e também às inúmeras chicotadas psicológicas verificadas ao longo da época. Será que resultaram?



Treinadores: Um a um


Giovanni Trapattoni (Benfica)
34 J, 19 V, 8 E, 7 D
56% de vitórias
24% de empates
21% de derrotas
1,91 média/pontos


José Peseiro (Sporting)
34 J, 18 V, 7 E, 9 D
53% de vitórias
21% de empates
26% de derrotas
1,79 média/pontos


Victor Fernández (FC Porto)
19 J, 9 V, 7 E, 3 D
47% de vitórias
37% de empates
16% de derrotas
1,79 média/pontos


Jesualdo Ferreira (Sp. Braga)
34 J, 16 V, 10 E, 8 D
47% de vitórias
29% de empates
24% de derrotas
1,71 média/pontos


José Couceiro (Vitória Setúbal e FC Porto)
34 J, 16 V, 8 E, 10 D
47% de vitórias
24% de empates
29% de derrotas
1,65 média/pontos


Rui Rodrigues 'Juca' (Marítimo)
8 J, 4 V, 1 E, 3 D
50% de vitórias
13% de empates
38% de derrotas
1,63 média/pontos


Manuel Machado (Vitória Guimarães)
34 J, 15 V, 9 E, 10 D
44% de vitórias
26% de empates
29% de derrotas
1,59 média/pontos


Jaime Pacheco (Boavista)
31 J, 13 V, 10 E, 8 D
42% de vitórias
32% de empates
26% de derrotas
1,58 média/pontos


Mick Wadsworth (Beira-Mar)
4 J, 2 V, 0 E, 2 D
50% de vitórias
0% de empates
50% de derrotas
1,50 média/pontos


Mariano Barreto (Marítimo)
25 J, 8 V, 12 E, 5 D
32% de vitórias
48% de empates
20% de derrotas
1,44 média/pontos


Carlos Brito (Rio Ave)
34 J, 10 V, 17 E, 7 D
29% de vitórias
50% de empates
21% de derrotas
1,38 média/pontos


Ulisses Morais (Gil Vicente)
27 J, 10 V, 7 E, 10 D
37% de vitórias
26% de empates
37% de derrotas
1,37 média/pontos


Nelo Vingada (Académica)
19 J, 6 V, 8 E, 5 D
32% de vitórias
42% de empates
26% de derrotas
1,37 média/pontos


Carlos Carvalhal (Belenenses)
34 J, 13 V, 7 E, 14 D
38% de vitórias
21% de empates
41% de derrotas
1,35 média/pontos


Luis Castro (Penafiel)
32 J, 13 V, 4 E, 15 D
41% de vitórias
13% de empates
47% de derrotas
1,34 média/pontos


Jorge Jesus (Moreirense)
7 J, 2 V, 3 E, 2 D
29% de vitórias
43% de empates
29% de derrotas
1,29 média/pontos


Casemiro Mior (Nacional)
17 J, 6 V, 3 E, 8 D
35% de vitórias
18% de empates
47% de derrotas
1,24 média/pontos


Vítor Pontes (União Leiria)
34 J, 8 V, 14 E, 12 D
24% de vitórias
41% de empates
35% de derrotas
1,12 média/pontos


José Rachão (Vitória Setúbal)
15 J, 3 V, 7 E, 5 D
20% de vitórias
47% de empates
33% de derrotas
1,07 média/pontos


João Carlos Pereira (Académica e Nacional)
32 J, 9 V, 5 E, 18 D
28% de vitórias
16% de empates
56% de derrotas
1,00 média/pontos


Augusto Inácio (Beira-Mar)
7 J, 1 V, 4 E, 2 D
14% de vitórias
57% de empates
29% de derrotas
1,00 média/pontos


Paulino Silva (Beira-Mar)
1 J, 0 V, 1 E, 0 D
0% de vitórias
100% de empates
0% de derrotas
1,00 média/pontos


Vítor Oliveira (Moreirense)
27 J, 5 V, 10 E, 12 D
19% de vitórias
37% de empates
44% de derrotas
0,93 média/pontos


Litos (Estoril)
34 J, 8 V, 6 E, 20 D
24% de vitórias
18% de empates
59% de derrotas
0,88 média/pontos


Manuel Cajuda (Marítimo e Beira-Mar)
11 J, 1 V, 4 E, 6 D
9% de vitórias
36% de empates
55% de derrotas
0,64 média/pontos


Luis Campos (Gil Vicente e Beira-Mar)
19 J, 3 V, 3 E, 13 D
16% de vitórias
16% de empates
68% de derrotas
0,63 média/pontos


Pedro Barny (Boavista)
3 J, 0 V, 1 E, 2 D
0% de vitórias
33% de empates
67% de derrotas
0,33 média/pontos


Manuel Fernandes (Penafiel)
2 J, 0 V, 0 E, 2 D
0% de vitórias
0% de empates
100% de derrotas
0,00 média/pontos



Chicotadas: que efeitos?

FC Porto


Depois de Gigi del Neri ter sido destituido durante a pré época, sem tempo para se estrear em competições oficiais, Victor Fernández tomou conta da equipa até à 19ª jornada, altura em que foi despedido, depois de uma derrota caseira diante do Sp. Braga, deixando a equipa em 3º lugar, a par de Benfica e Boavista, a um ponto do Sporting (2º) e a dois do líder Sp. Braga. O seu sucessor, José Couceiro, prometeu um percurso de triunfos até ao final da temporada, mas não fez muito melhor que o espanhol: uma média pontual superior em 0,078 (1,789 de Fernández para 1,867 de Couceiro), com o FC Porto a perder 3 jogos, os mesmos que Fernández perdeu mas com mais quatro jogos. No entanto, o principal mérito de Couceiro acabou por ser manter a chama do título acesa até à última jornada, conseguindo também o apuramento directo para a Liga dos Campeões, através do 2º lugar.


Boavista


Faltavam apenas três jornadas para o fim da prova, quando Jaime Pacheco abandonou o comando técnico do Boavista. Com apenas três vitórias na segunda volta, mas também com apenas três derrotas, o percurso dos axadrezados na segunda volta da SuperLiga foi feito em quebra, devido ao elevado número de empates. No entanto, Pedro Barny, escolhido para a sucessão, apenas conseguiu um empate em três jogos. A seu favor apenas o facto de terem sido partidas com elevado grau de dificuldade, mas o objectivo europeu, através do 5º lugar, ficou definitivamente pelo caminho.


Marítimo


Manuel Cajuda, despedido após derrota pesada no jogo de estreia na SuperLiga, foi substituido por Mariano Barreto, que conseguiu cinco triunfos nas primeiras sete partidas como técnico dos madeirenses. Contudo, com o avançar da prova, as vitórias começaram-se a transformar-se em empates sucessivos, acabando por somar 12, em 25 jogos, com a equipa a ver diluir-se, de forma lenta, o objectivo europeu. Afastado do comando técnico da equipa por factores extra-futebol após derrota à 26ª jornada, coube a Juca, um homem da casa, a gestão das últimas oito partidas. Com bons resultados, diga-se, já que a média pontual foi melhorada em relação ao período anterior, graças a um percurso 100% vitorioso em casa: 4 jogos, 4 vitórias.


Vitória Setúbal


José Couceiro orientou o Vitória Setúbal nas primeiras dezanove jornadas do campeonato, abandonando o clube para rumar ao FC Porto. Depois de um início de campeonato de grande qualidade - 5 vitórias e 2 empates nas primeiras oito jornadas -, com a equipa sempre nos lugares da frente, a sua saída aconteceu num período de quebra acentuada: entre a 11ª e a 19ª jornada os sadinos, ainda sob a orientação de Couceiro, perderam cinco jogos e apenas venceram por duas vezes. José Rachão, o seu substituto, há década e meia afastado dos palcos do principal campeonato português, foi um nome que começou por ser mal aceite pelos adeptos, e é certo que a média pontual sofreu um significativo decréscimo: de 1,474 para 1,067. No entanto, o percurso foi de ligeira retoma em relação ao período final de Couceiro, permitindo aos sadinos, mesmo gerindo o plantel a pensar na Taça de Portugal, que viriam a conquistar, acabar a prova em 10º lugar.


Penafiel


Manuel Fernandes, o grande responsável pelo regresso à SuperLiga, mal teve tempo para aquecer o lugar, e após duas derrotas, em dois jogos, foi despedido. O seu sucessor, o praticamente desconhecido Luís Castro, foi protagonista de um percurso irregular, mas conseguiu, com relativa facilidade, o que poucos esperariam: uma manutenção tranquila e um 11º lugar na classificação final. Do percurso dos durienses ressalta a pouca tendência para o empate: apenas 4.


Nacional


Longe, bem longe, do nível evidenciado na temporada anterior, o Nacional, sob a orientação de Casemiro Mior, andou várias semanas na zona baixa da classificação. Depois de uma reestruturação no plantel no início de Dezembro, seguiram-se três vitórias consecutivas, às quais se seguiu a partida do técnico para o Brasil, onde dirigiu, sem sucesso, o Atlético Paranaense. O seu sucessor, o luso-angolano João Carlos Pereira, despedido semanas antes da Académica, não fez melhor do que o brasileiro, com uma média pontual de 1,176, abaixo do 1,235 de Mior. Do percurso irregular de Pereira, sublinham-se as goleadas impostas em três deslocações: Aveiro (3-0), Dragão (4-0) e Alvalade (4-2).


Gil Vicente


Depois de um desastroso início de temporada com Luís Campos - 6 derrotas, em 7 jogos - era díficil alguém conseguir pior. Ulisses Morais, que o sucedeu, estreou-se de forma positiva na SuperLiga, ainda que com um percurso irregular: 27 jogos, 10 vitórias, 7 empates e 10 derrotas. Do percurso em recuperação, sublinha-se a forte entrada, com apenas 1 derrota nos 9 primeiros jogos, mas também as cinco derrotas consecutivas, entre a 21ª e a 25ª jornada, que chegaram a por em causa a manutenção, que viria a ser conseguida graças a uma boa ponta final, com 4 vitórias nos últimos 6 jogos.


Académica


Uma troca de sucesso e decisiva na retoma da Académica. Depois de um início fraco de campeonato, com a equipa raramente acima da linha de água, João Carlos Pereira abandonou o comando técnico da equipa, com 9 derrotas, em 15 jogos. A média pontual de 0,8 era sinónima de descida praticamente certa, só que Nelo Vingada, depois de um arranque trémulo, conseguiu, também graças a uma boa escolha de reforços de Inverno, dar a volta à situação: 19 jogos, 6 vitórias, 8 empates e 5 derrotas, garantiram uma média pontual de 1,368, substancialmente superior à do seu antecessor. Nesse percurso, sublinha-se a impressionante série de 12 jogos sem perder, algo que nenhuma outra equipa conseguiu em 2004/2005.


Moreirense


Uma troca tardia. Vítor Oliveira abandonou o clube à 27ª jornada, depois de um percurso marcado pelas poucas vitórias - 5 - e o elevado número de empates - 10 -, a evidenciarem que o experiente técnico preocupou-se muito mais em não perder do que em vencer. Jorge Jesus, o escolhido para a sucessão, traçou como meta 11/12 pontos para alcançar a manutenção, tendo pela frente um calendário deveras complicado. Conseguiu 9, em 7 jogos, com substancial melhoria da média pontual - de 0,926 para 1,286 -, mas nem com 12 pontos, a formação vimaranense conseguiria manter-se na SuperLiga.


Estoril


Ulisses Morais, dias antes do início da SuperLiga, decidiu abandonar o comando técnico do Estoril. Litos, o seu adjunto, assumiu a díficil tarefa de manter os canarinhos na SuperLiga, e apesar do arranque promissor - 8º classificado à 9ª jornada -, acabou por falhar o objectivo. Da época do Estoril destaca-se o elevado número de derrotas (20) e o inacreditável número de derrotas consecutivas fora de casa: 11, entre a 11ª e a 31ª jornada.


Beira-Mar


Um ano desastroso. Tudo começou com a escolha de um técnico sem créditos - Mick Wadsworth -, que, no entanto, acabaria por ser aquele que alcançou a melhor média pontual: 1,5, graças a duas vitórias e duas derrotas, o que significava um início relativamente promissor. Depois de vários problemas, com jogadores, dirigentes e adeptos, o treinador inglês decidiu regressar a casa, e Manuel Cajuda foi o eleito para a sucessão. Apenas uma vitória - no Dragão - e quatro empates em 10 jogos, fizeram a equipa cair na zona perigosa, e o técnico algarvio, queixando-se de um balneário complicado, decidiu abandonar o clube. Paulino Silva, treinador de guarda-redes, orientou a equipa num empate em Coimbra, enquanto se esperava pelo novo técnico. A primeira aposta foi o checo Chovanec, que depois viria a dar o dito por não dito, surgindo Luis Campos. Com o plantel fortemente reforçado, por jogadores por si indicados, o técnico que começara a época no Gil Vicente, não conseguiu fazer muito melhor que Cajuda: apenas mais uma vitória, menos um empate e mais duas derrotas, que representam um acréscimo da média pontual de 0,7 para 0,75, insuficiente para sair do fundo da tabela. A sete jornadas do fim, surgia Augusto Inácio para tentar o milagre. A situação melhorou - 7 pontos em 7 jogos, o que dá uma média pontual de 1 ponto por jogo -, mas a descida já estava (praticamente) consumada antes de Inácio chegar ao clube.

Publicado por rui malheiro às 14:45

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