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domingo, 12 junho 2005
Sp. Braga: Balanço da época
Categoria: 04/05 Balanço da SuperLiga
Jesualdo Ferreira traçou como meta inicial fazer melhor do que na época anterior e cumpriu: depois do 5º lugar a época passada, os bracarenses acabaram a SuperLiga 2004/05 em 4º lugar, que acaba por saber a pouco, depois de terem estado mais de metade da segunda volta nos três primeiros lugares, não tira brilho a uma temporada fantástica, a melhor de sempre dos bracarenses na SuperLiga.
Tudo começou com um bom planeamento da temporada, onde se destaca, claro está, um reforço de todos os sectores em qualidade - a baliza terá sido a única excepção, mas era complicado substituir Quim -, com reflexos não só no 'onze', como também no 'banco', onde a equipa tinha claras limitações em 2003/04.
Depois de um início de temporada positivo, as derrotas diante de Vitória Setúbal e Marítimo, à 7ª e 8ª jornada, pareciam colocar um 'travão' ao Sp. Braga, aumentando a contestação a Jesualdo Ferreira, que teve o pior período após a eliminação da UEFA diante do acessível Hearts. Mas foi puro engano: a equipa encetou uma recuperação que a conduziu ao topo da classificação à 19ª jornada, após uma vitória histórica no terreno do FC Porto. Entre a 8ª e a 19ª jornada, a empatia entre adeptos, jogadores e equipa técnica foi crescendo, ainda que tenham existido duas 'manchas': com a liderança em jogo, o Sp. Braga perdeu pontos em casa com Penafiel (0-1) e Moreirense (0-0).
O período seguinte, no entanto, marcou uma quebra do Sp. Braga - derrotas em Guimarães e na Choupana, empate caseiro com o Benfica -, que levaram a uma queda do 1º para o 5º lugar. Contudo, tal como acontecera no primeiro terço do campeonato, nova recuperação: 6 jogos sem perder - 4 vitórias, 2 empates -, que permitiram a manutenção, durante algumas semanas, no 3º posto. Mas a última vitória coincidiu com o início de uma série de castigos e lesões, que atingiram unidades nucleares, na defesa e no meio-campo, com reflexos nas derrotas com Penafiel e Sporting, e consequente queda para o 4º lugar, posição em que viria a acabar o campeonato, com apenas uma vitória em cinco jogos. Apesar disso, o Sp. Braga entrou na última jornada ainda com hipóteses de chegar à Liga dos Campeões, depois do título ter ficado matematicamente impossível apenas na jornada anterior.


Primeiras Partes. Foi um dos pontos mais fortes dos bracarenses. Nas 34 partidas da SuperLiga, o Sp. Braga chegou por 16 vezes ao intervalo em vantagem, e seria campeão numa classificação virtual das etapas iniciais, com 9 pontos de vantagem sobre FC Porto e Rio Ave. Elucidativo.

Defesa de aço. O Sp. Braga teve a segunda melhor defesa da SuperLiga, e chegou a ser, durante largas semanas, a melhor, quebrando apenas nas jornadas finais. Um núcleo central de aço, com Nunes e Nem, curiosamente dois jogadores mais habituados a jogar como líberos ou centrais soltos, a formarem uma dupla de sucesso. Os laterais Abel e Jorge Luiz foram eficazes defensivamente, mas também souberam criar desequilibrios quando incorporaram acções ofensivas. O principal problema acabou por acontecer na baliza, onde Paulo Santos demorou a encontrar-se. Com uma época em crescendo, alternou boas exibições com alguns erros graves.
Qualidade. O futebol praticado pelo Sp. Braga foi de qualidade e de forte vocação ofensiva. Mérito de Jesualdo Ferreira, que criou uma máquina bem oleada, com um futebol envolvente e apoiado, com os médios e os laterais a terem liberdade para integrarem acções atacantes. E o trabalho do treinador notou-se não só nas soluções ofensivas em lances de bola corrida, como também nos lances de bola parada, outra das armas da equipa ao longo da época.

Má relação com a liderança. Antes de chegar à liderança, após uma vitória histórica no Dragão, já por duas vezes o Sp. Braga tinha tido hipóseses de chegar ao 1º lugar: em casa, diante de Penafiel e Moreirense. Em ambas as partidas não venceu. Como líder, também só se aguentou uma jornada: após a vitória no terreno do FC Porto, seguiram-se duas derrotas intervaladas por um empate.

A recta final. À 29ª jornada, na recepção ao Belenenses, o Sp. Braga terá realizado a melhor exibição da temporada, com uma primeira parte absolutamente fantástica e uma etapa complementar de gestão, marcada, no entanto, por uma lesão de alguma gravidade de João Alves, que não mais actuou até fim da temporada. Foi um lance chave na temporada, a que se juntaram as lesões de jogadores como Vandinho e Castanheira, e os castigos de Nunes e Jorge Luiz, que mexeram na consistência defensiva na partida que seguiu - derrota em Penafiel - em vésperas de recepção ao Sporting. Esse jogo, em que os bracarenses foram surpreendidos pelo contra-ataque e cinismo dos leões, com Pinilla a fazer um hat-trick, tirou a última verdadeira hipótese de assalto ao título. Seguiu-se uma vitória no Bessa, e cinco pontos perdidos com equipas já despromovidas - empate em casa com o Beira-Mar e derrota fora em Moreira de Cónegos - que retiraram a possibilidade de ida à Liga dos Campeões.
A estrela:

Wender – Foi a principal figura de uma equipa, que valeu pelo seu todo. Aberto, preferencialmente, à esquerda, mas com liberdade também para aparecer à direita ou pelo meio, Wender fez, muitas vezes, a diferença, graças à sua capacidade técnica e velocidade, mas também por ter mantido uma consistência e regularidade exibicional acima da média. O brasileiro, que a Naval descobriu no Democrata de Valadares em 1999, realizou a sua melhor temporada de sempre no futebol português, e apesar de ter marcado menos golos do que na época anterior - 11 em 2003/04, 9 em 2004/05 -, tornou-se mais decisivo no último passe, estando na origem de vários dos 15 golos de João Tomás.
A revelação:

João Alves – Não começou por ser opção para Jesualdo Ferreira, mas a partir do momento em que se estreou, à 10ª jornada, diante da União Leiria, não mais perdeu o lugar. João Alves, que se estreara com apenas 18 anos na SuperLiga, ao serviço do Desp. Chaves, não foi só a revelação da equipa, como também um dos seus jogadores nucleares, e a sua arrepiante lesão, diante do Belenenses, à 29ª jornada, acabou por se revelar decisiva para afastar o Sp. Braga da luta por um dos três primeiros lugares. Médio de grande qualidade técnica e táctica, é um jogador moderno, que defende e ataca, com uma excelente visão de jogo e qualidade no passe, e um bom remate, quer em lances de bola corrida, quer em lances de bola parada.
O 'flop':

Aparecido Lima – Foi a última aquisição de Agosto e o primeiro jogador a partir. Oriundo do Cruzeiro, onde marcou vários golos, apesar de ser habitualmente suplente, fez três jogos na SuperLiga, sempre como suplente utilizado, e pouco ou nada mostrou. Insatisfeito por ser pouco utilizado, pediu para sair e ninguém se opôs.
O treinador:

Jesualdo Ferreira – Uma época em cheio para Jesualdo Ferreira, que, finalmente, conseguiu criar empatia com os adeptos do clube. Nada mais justo, pois o seu trabalho tem sido de monta: começou por evitar a descida de divisão em 2002/03, conseguiu a qualificação europeia em 2003/04 com uma equipa com bastantes limitações, e, este ano, melhorou os registos da época anterior, conduzindo o Sp. Braga à sua melhor época de sempre. A sua aposta, em termos tácticos, passou pelo 4x3x3, desdobrável em 4x2x1x2x1 ou em 4x1x2x2x1, e que tinha no 4x4x2 losango e no 4x2x4, este mais utilizado nas segundas partes, outras variáveis.
A aposta de Paulo Santos na baliza, há três anos praticamente sem jogar, custou-lhe alguns pontos, sobretudo na fase inicial, mas acabou por ser uma aposta ganha, ainda que não tenha feito esquecer Quim ; a defesa de 4 foi de uma segurança extrema: Nunes e Nem formaram um bloco central muito coeso ; Abel e Jorge Luiz foram dois dos melhores laterais da SuperLiga, dando consistência defensiva, mas também agressividade ofensiva, graças às suas subidas.
A meio campo, ao contrário da época anterior, as opções abundavam: Luís Loureiro foi peça fundamental na primeira metade da temporada, sendo que o argentino Andrés Madrid, contratado para o substituir em Janeiro, depois de um período de adaptação, esteve não só à altura, como deu ainda mais qualidade a sair a jogar ; João Alves e Vandinho foram os médios 'box to box', e duas figuras da equipa, que fizeram esquecer o trajecto irregular de Jaime Júnior, com Cândido Costa e Castanheira, o único a transitar da temporada anterior, a serem soluções de recurso.
No ataque, Wender, à esquerda, e João Tomás, ao centro, foram dois dos principais responsáveis pela excelente temporada dos minhotos. João Tomás, após uma época decepcionante em Guimarães, reencontrou-se com os golos: 15, em 29 jogos. À direita do ataque é que esteve talvez o principal problema da equipa: Paulo Sérgio perdeu espaço nas opções de Jesualdo, Cândido Costa foi mais utilizado como médio interior ofensivo, e Jaime Júnior e Baha, os jogadores mais utilizados à direita, não criaram grandes desequilibrios. O mesmo não se pode dizer do veloz Cesinha, o suplente mais utilizado, e do jovem Cícero, revelação da primeira metade da temporada, e que acabou por ser transferido para o Dinamo Moscovo. Faltou, na segunda metade da temporada, uma outra solução de área: Baha não correspondeu às expectativas e Edinho, goleador na equipa B, acusou ainda a sua juventude.
Sp. Braga 2004/2005:

Publicado por rui malheiro às 09:00