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domingo, 5 junho 2005
Estoril: Balanço da época
Categoria: 04/05 Balanço da SuperLiga
Um ano depois da subida à divisão principal do futebol português, o Estoril voltou a cair para a Liga de Honra. Os 'canarinhos' terminaram a SuperLiga na penúltima posição, com 30 pontos, em igualdade com o Beira-Mar, último classificado. Muitos erros à priori, com saídas de elementos fulcrais campeões na Liga de Honra, não foram devidamente colmatadas. A juntar, uma pré-época atípica e sombria que culminou com o abandono de Ulisses Morais, do cargo de treinador principal do clube. O substituto foi Litos, um técnico jovem, ligado há alguns anos ao clube. O ex-leão durou toda a temporada, mas a sua acção acabou por não surtir efeito.
O Estoril não teve um início de SuperLiga comprometedor mas, andou longe do desejável. Curiosamente até começou bem, com um empate nulo, em casa, diante do Rio Ave, seguido de uma derrota bem volumosa em Leiria e de um saboroso empate no recinto do FC Porto, onde deu a conhecer, entre outros, Jorge Baptista, contratado ao Dragões Sandinenses. A façanha conseguida no Estádio do Dragão elevou os índices psicológicos da equipa que, na jornada imediata, conquistou a sua primeira vitória na prova. O Belenenses foi a vítima e N’Doye, outra das aquisições da temporada, o herói.
Seguiram-se resultados negativos, em Penafiel, e, na recepção ao Sporting, mas nova visita à Invicta com novo empate averbado, face ao Boavista, catapultou a equipa para uma das suas melhores fases no torneio – 2 vitórias consecutivas frente ao Beira-Mar e Moreirense. À 9ª jornada, o Estoril era 8º, a sua melhor classificação, durante toda a época.
Quatro derrotas consecutivas, a última das quais na Luz, naquela que terá sido a exibição mais personalizada da equipa em toda a temporada, trouxeram Litos e equipa técnica de volta à realidade. O grupo apresentava défice qualitativo, com carências defensivas e ofensivas, associado a flocos de instabilidade emocional. O mercado de Inverno seria a chave do êxito. Porém, foi mal aproveitado. Contratou-se pouco e mal, com muitas lacunas por suprir. A realidade era dura e construída nas rondas seguintes, com vitórias nos embates caseiros e derrotas nos jogos fora da Amoreira. Na dobragem da SuperLiga, o Estoril era 15º da geral.
O empate e derrota, consentidos pela formação da Linha de Cascais, em casa, frente à União de Leiria e FC Porto, respectivamente, trouxeram problemas. Para agravar ainda mais as contas, o Estoril foi copiosamente batido no Restelo, na jornada seguinte. As quatro jornadas posteriores, praticamente, ditaram a sentença da equipa na prova, com epílogo na derrota mal digerida em Aveiro. E nem a vitória diante do Moreirense animou as hostes 'canarinhas'. Seguiram-se cinco derrotas (Académica, Sporting de Braga, Vitória de Guimarães, Benfica e Nacional) e o destino do Estoril ficou traçado. Apesar disso, a formação 'canarinha' ainda logrou vencer o Gil Vicente e empatar no Bonfim, antes da recepção ao Marítimo, na última jornada. Foi um jogo muito pobre que espelhou toda a temporada do Estoril. No fim, venceu o Marítimo.


Golos. O Estoril conseguiu um índice de concretização de topo (38 golos). E foi no seu recinto, que os 'canarinhos' deram asas ao seu futebol. Uma das maiores goleadas da SuperLiga teve lugar, precisamente, na Amoreira, quando o Estoril bateu o Beira-Mar, orientado por Manuel Cajuda, por 5-0.


Último terço de competição. Até então, o Estoril manteve-se na corrida pelo desiderato da manutenção, tendo baqueado entre a 27ª e a 31ª jornadas, de forma esclarecedora. Nesse período, os 'canarinhos' somaram por derrotas todos jogos disputados. Uma série negra, só igualada pelo Gil Vicente.
Fora. Grande parte do insucesso do Estoril ficou a dever-se às actuações nos jogos extramuros. A turma de Litos somou 11 derrotas consecutivas, entre a 11ª e a 31ª jornadas. Um recorde na edição 04/05 da SuperLiga. Associado, ou não, o facto do Estoril ter sido a 2ª pior defesa da SuperLiga.

Indisciplina. O Estoril foi a 2ª equipa mais castigada pela amostragem de cartões (103 cartões amarelos e 9 vermelhos), só superada pela do FC Porto. Paulo Sousa foi o jogador com pior média (14 cartões amarelos e 2 vermelhos).
A estrela:

Pinheiro. Um jogador ao estilo 'antes quebrar que torcer'. No miolo foi pau para toda a obra, onde alinhou como médio interior, à esquerda e à direita, e médio ofensivo. Foi o mais regular dos jogadores que compuseram o plantel do Estoril, tendo feito, em termos globais, uma época bem positiva. Dentro de campo deu tudo em prol do colectivo, disfarçando muitas vezes algum défice qualitativo com muita entrega e dedicação. Resta acrescentar que, foi dele um dos golos que silenciou o Dragão, à 3ª Jornada.
A revelação:

Elias. Já tinha passado pelo futebol português ao serviço do FC Porto B. Foi uma das contratações de Verão e assumiu-se como elemento preponderante na estratégia da equipa. Não começou ao nível de outros jogadores, mas cresceu muito com o desenrolar da competição, formando um trio muito empreendedor e diligente no meio campo estorilista, juntamente com Paulo Sousa e Pinheiro. Não foi por ele que o Estoril desceu.
Os 'flops':


Ali e Luciano Rosa. Dois dos imensos erros em termos de contratações, para a equipa principal de futebol. Ali chegou com excesso de peso e fora de forma. Não mostrou nada dentro das quatro linhas e abandonou a Amoreira. Luciano Rosa trazia o rótulo de goleador, mas esteve longe de ser a referência que se pretendia no ataque. Até começou a época como titular, mas depois desapareceu e acabou por abandonar o clube.
O treinador:

Litos. Estreou-se como técnico principal e não se pode dizer que a experiência tenha sido positiva. Teve alguns atritos com atletas e mostrou dotes de disciplinador, mas as muitas incoerências do foro táctico levaram-no à deglutição pela onda 'encarnada'. O sistema de jogo preferido de Litos foi o 4x3x3, com exploração do jogo pelas faixas laterais e suportado por um meio campo muito musculado e batalhador. Ao longo da temporada, mexeu várias vezes na estrutura, com experiências em 4x2x3x1 ou em 4x4x2 losango. O onze tipo foi constituído por Jorge Baptista na baliza. Na defesa, Rui Duarte e João Pedro foram as opções sobre as laterais, com o eixo a ser ocupado por Buba e Dorival. No meio campo, um trio formado por Paulo Sousa, Elias e Pinheiro, que supriram na medida do possível a falta de N’Doye. Fellahi constituiu opção como número dez em situações de jogo que envolveram 4 médios e ala direito em situações de 3 atacantes. Arrieta e João Paulo foram os avançados mais utilizados e que melhor rendimento deram ao conjunto 'canarinho'.
Estoril 2004/2005:

Publicado por nuno almeida às 22:00