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quarta-feira, 8 junho 2005

Penafiel: Balanço da época

Categoria: 04/05 Balanço da SuperLiga

António Oliveira venceu a aposta. O Penafiel manteve-se na SuperLiga, concluindo-a na 11ª posição, com a soma de 43 pontos, e Luís Castro acabou por ser revelação entre a nova fornada de treinadores que emerge, ano após ano, ao escalão principal do futebol português. Apesar disso, a época do Penafiel esteve longe de ser fácil. Contratações de renome misturadas com juventude e inexperiência de SuperLiga não constituíam um conjunto capasz e o início de competição foi terrível, com 7 golos sofridos em 2 jogos, o que levou à saída de Manuel Fernandes.

Luís Castro assumiu a responsabilidade e o Penafiel encetou uma recuperação assinalável, ainda assim muito irregular. Começou com um empate defronte do Rio Ave, seguido de vitórias em Leiria e, em casa, com o Estoril. Só que, como nem tudo é doce, seguiram-se 4 derrotas consecutivas, num score total de 2 golos apontados e 11 golos sofridos. Mais 4 rondas e tudo diferente – 3 vitórias e 1 empate. Em termos práticos, prosseguiu assim a carreira da turma duriense, com alternância entre períodos razoáveis e séries desastrosas com derrotas volumosas, até ao desaire caseiro ante o FC Porto.

A derrota com os dragões marca o ponto de viragem nos resultados, qualidade futebolística e classificação da equipa. Nas jornadas seguintes, o Penafiel foi a Alvalade e venceu e convenceu o Sporting por 2-0. Depois, empatou o Boavista, afundou o Beira-Mar e o Moreirense. Voltou ainda, a travar dois candidatos ao título, Sporting de Braga e Benfica, alternando com derrotas em Coimbra e em Guimarães. Mas, a manutenção estava assegurada. Na penúltima jornada, ainda logrou vencer na Madeira, o Nacional, e fechou a prova, em casa, saindo derrotado pelo Gil Vicente.












Fora. Foi um factor onde o Penafiel se destacou da concorrência que lutava contra a descida à Liga de Honra. Nos jogos fora do seu estádio, a formação duriense obteve 6 vitórias, 1 empate e 10 derrotas, a que correspondem 19 pontos, ou seja, cerca de 44% do total de pontos (43) que lhe valeram a permanência na SuperLiga.





Reforços de Inverno. A contratação do senegalês N’Doye a meio da época foi determinante. O médio africano facturou 4 golos, tendo participado em 6 das 13 vitórias que o Penafiel conquistou em toda a competição. Kelly Berville também foi importante do lado esquerdo da defesa e, Cassiano e Pascal deram um contributo positivo quando chamados à equipa.


Poucos empates. A irregularidade não costuma ser sinónimo de sucesso. Todavia, aconteceu diferente com o Penafiel, que foi a equipa com menos empates conquistados na SuperLiga (4). Quer se queira, quer não, as vitórias averbadas perante adversários com outras aspirações, acabam por justificar boa parte da classificação final dos durienses.





Arranque da SuperLiga. Foi terrível. Duas derrotas expressivas, na recepção ao Vitória de Setúbal por 0-4 e na visita ao Funchal por 0-3, conduziram Manuel Fernandes ao desemprego e posteriormente, Luís Castro a Penafiel.





Sector defensivo. A 3ª defesa mais batida da SuperLiga, com um total de 53 tentos consentidos. Pior mesmo, só a dos condenados, Beira-Mar e Estoril.


A estrela:





Wesley. Aos 24 anos, este médio adquirido ao Fortaleza, em 2003, é uma das principais figuras da SuperLiga. Na prática valeu, ao Penafiel, 14 golos e muitos pontos. Foi, além disso, fundamental na manobra da equipa e exímio nos lances de bola parada. É dono de uma capacidade técnica invulgar e de um pé esquerdo fabuloso, que utiliza com muita frequência para visar as balizas adversárias.


A revelação:





N’Doye. O melhor jogador do Estoril, no primeiro terço da SuperLiga acabou por sair da Amoreira na sequência de um desentendimento com o treinador e foi adquirido pelo Penafiel. Entrou e fixou-se no meio campo com arte e mestria. Apontou golos decisivos e mostrou excelentes predicados, numa mescla de força física com capacidade técnica, qualidade de passe, espontaneidade de remate e excelente transporte de bola. Uma mais-valia para o nosso futebol.


O 'flop':





Artur Jorge. Péssima aposta por parte dos responsáveis do Penafiel. Esteve desastroso quando foi chamado à responsabilidade no centro da defesa, apesar da sua longa experiência entre os grandes do futebol português. Acabou por perder o lugar para os mais jovens e abandonou o clube.


Os treinadores:





Manuel Fernandes. Trouxe o Penafiel de regresso ao convívio entre os grandes, só que não aguentou a péssima campanha da equipa, decorridas apenas duas jornadas. Nesse período, o Penafiel sofreu 7 golos. Com o ex-goleador do Sporting ao leme, os sistemas tácticos utilizados foram o 4x4x2 (preferencial) e o 4x3x3. Sem resultados.





Luís Castro. Foi contratado à Sanjoanense para render Manuel Fernandes e justificou plenamente a escolha. A diferença na qualidade de futebol apresentado e rigor táctico fizeram-se notar, assim que assumiu o comando técnico do Penafiel e os resultados surgiram naturalmente. No último terço de competição foi brilhante, assumindo papel activo nos triunfos do Penafiel em Alvalade, defronte do Sporting, e nas recepções ao Sporting de Braga e Benfica. A equipa apenas fraquejou nos últimos minutos do embate com o FC Porto, depois de ter realizado uma exibição convincente. Em termos tácticos, Luís Castro começou por perfilar a equipa num esquema de 4x2x3x1 com desdobramentos ofensivos em 4x3x3, alternando com o 4x4x2 losango. Terminou apostando num sistema com 3 defesas centrais, 5x1x3x1, transformável na táctica inicial de 4x2x3x1.



Penafiel 2004/2005:



Publicado por nuno almeida às 12:20

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