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domingo, 12 junho 2005

FC Porto: Balanço da época

Categoria: 04/05 Balanço da SuperLiga

Saído de duas épocas vitoriosas poucas alternativas restavam ao FC Porto senão descer; mas a forma como essa descida se efectuou foi de tal forma abrupta e descompensada que dá a nítida sensação de que alguém se esqueceu do pára-quedas sobresselente, e quando o primeiro falhou… foi cair sem parar. Erros de casting a nível de treinadores e jogadores, medo de jogar em casa (24 pontos perdidos é obra), problemas disciplinares internos que se propagavam ao relvado; um sem número de falhas que nunca antes tinham sido vistas na estrutura draconiana.
Claro que se fizermos uma análise puramente objectiva da temporada, não deixa de ser estranho considerar como desastrosa uma temporada na qual foram conquistados 2 troféus (Supertaça Cândido de Oliveira e Taça Intercontinental), se terminou a Superliga em 2º lugar a 3 pontos do vencedor, disputando o título até à última jornada e conseguindo o precioso apuramento directo para a Liga dos Campeões, prova na qual se atingiu os oitavos-de-final, um resultado positivo. A derrota na Supertaça Europeia é de certa forma aceitável, e miserável só mesmo o comportamento na Taça de Portugal da qual foi eliminado logo à primeira tentativa, embora fora de portas perante a equipa que acabou em 5º lugar no campeonato. O problema não foram “só” os resultados, mas sobretudo a forma como os mesmos aconteceram.






Superliga – a irregularidade da equipa, sobretudo a caseira, ditou o desfecho final do campeonato. A supremacia que habitualmente assume a jogar em casa não deixava esperar o descalabro que acabou por se abater sobre o Dragão (clube e estádio); neste ano negro, o momento mais baixo deu-se com a derrota humilhante por 4-0 frente ao Nacional. A verdade é que os azuis-e-brancos só se podem queixar de si próprios tão lastimável foi a sua prestação esta época; os adversários nunca mostraram ser suficientemente fortes para por si mesmos se distanciarem do FC Porto, mas este demonstrou-se incapaz de descolar dos mesmos numa primeira fase, de desferir a machadada final e de se manter no topo num segundo momento, acabando por não aproveitar os deslizes dos oponentes para chegar novamente à frente. Por mais voltas que se dê ao texto, a verdade é que este é um campeonato perdido pelo FC Porto mais do que ganho pelo Benfica.





Defesa menos batida do campeonato





Prestação nos jogos em casa






Taça de Portugal: pouco há a dizer da participação portista nesta competição, já que se resumiu a um único jogo. A carreira da equipa na prova começou e acabou na deslocação à cidade-berço onde se mostrou incapaz de contrariar um Vitória que havia vencido pouco tempo antes; as alterações feitas à habitual estrutura da equipa e o “desprezo” que Fernández demonstrou pela competição foram fatais.





Reacção após ficar reduzido a dez elementos por lesão de Costinha





Início do segundo tempo que ditou o desfecho do jogo






Supertaça Cândido de Oliveira – na primeira prova de época, e logo frente a um rival, o FC Porto saiu vencedor de uma forma que se pode considerar um pouco surpreendente já que Fernández havia chegado ao comando técnico da equipa há pouco mais de uma semana. Num jogo pouco conseguido, valeu o génio de Quaresma para resolver.





Golo de Quaresma e resposta da equipa





Produção global da equipa






Liga dos Campeões – entrando como campeão em título, o começo de defesa do título portista não podia ter sido mais decepcionante: no final da primeira volta apenas um ponto conquista fruto de um empate caseiro face ao CSKA de Moscovo, a que se seguiram duas derrotas forasteiras frente a Chelsea e PSG, colocaram a equipa numa posição precária para os 3 jogos finais. Novo empate caseiro frente aos franceses parecia ter arrumado de vez com os dragões da prova. Mas um moralizante vitória no gelo moscovita lançou a esperança para o último jogo em casa frente ao Chelsea de Mourinho; pior, se o PSG vencesse em casa o CSKA, não havia resultado que valesse aos dragões, que podiam até ficar de fora das competições europeias. Um golo de McCarthy a poucos minutos do fim culminou a reviravolta iniciada por Diego, valeu a passagem num noite épica que teve um outro herói no Parque dos Príncipes: Semak, marcador dos 3 golos que derrotaram os parisienses. Já com Couceiro ao lema, o FC Porto defrontou o Inter de Milão nos oitavos-de-final da prova; depois de um empate em casa, bastou um Adriano em dia sim para arrumar com os campeões para fora de prova. Longe do exibido a época passada, a participação sofrida na Liga dos Campeões não deixa de ser positiva do ponto de vista económico, realçando-se no entanto a forma miraculosa como a fase de grupos foi ultrapassada.





2ª parte do jogo em casa frente ao Chelsea





3 empates em casa com um golo marcado apenas.






Supertaça Europeia – pelo segundo ano consecutivo o FC Porto falhou na tentativa de trazer mais um Supertaça Europeia para Portugal. Frente ao Valência, o pouco tempo de Fernández à frente da equipa notou-se numa prestação demasiado desinspirada para almejar vencer a partida. O golo de Quaresma permitiu acender a esperança, mas o internacional português entrou demasiado tarde para um jogo que tinha o destino traçado à partida.





Golo e exibição de Quaresma.





Falta de consistência da equipa.






Taça Intercontinental – o ponto alto da temporada foi sem dúvida o triunfo na última Taça Intercontinental, o segunda na história do FC Porto e do futebol português. Num jogo dominado de princípio a fim, os dragões acabaram por sofrer a bom sofrer para levar de vencida os colombianos do Once Caldas nos pontapés da marca de grande penalidade. Pedro Emanuel desferiu o tiro vitorioso e restaurou a justiça no resultado que Henao, a falta de pontaria portista e o árbitro foram adiando.





Exibição





Necessidade de recorrer aos penaltys para decidir o vencedor



A estrela:





Vítor Baía – já foi dado como acabado, apelidado de velho e proscrito da selecção, mas teima em mostrar que continua a ser o melhor guarda-redes português; para além de ser o jogador com mais troféus conquistados a nível mundial. Ao longo da época, com especial incidência na fase final, foi o principal suporte da equipa que se chegou a aspirar a mais do que o segundo posto deve-o a Baía.


A revelação:





Ibson – chegou em Janeiro e parecia ser apenas mais um a juntar ao contingente brasileiro do Dragão. A verdade é que o jovem médio (21 anos) mostrou qualidade para dar e vender e foi sem dúvida a melhor aquisição da temporada. Aguerrido, bom toque de bola, rápido e com qualidade de passe acima da média, falta-lhe melhorar um pouco na hora do remate para se tornar um jogador ainda mais completa, ele que faz da sua excelente leitura táctica um cartão de visita.


O 'flop':





Luís Fabiano – chegou apelidado de “Fabuloso” e como um dos melhores avançados do futebol brasileiro, suplente de Ronaldo e Adriano no escrete; saiu sem justificar a fama. Três golos é muito pouco para quem tanto prometeu, e se é verdade que passou por uma época conturbada com algumas lesões e com o episódio do rapto da mão no Brasil, deixou muito a desejar na sua passagem pela Invicta.



Os treinadores:





Luigi del Neri – aposta pessoal de Pinto da Costa para substituir Mourinho, nem tempo teve para aquecer o lugar. Despedido antes do início da temporada com a justificação de não ter entendido a filosofia do FC Porto e por não demonstrar capacidade para gerir o balneário. Algumas das dispensas que propôs e que terão estado na base da decisão de o dispensar, vieram a concretizar-se o que demonstra que sempre tinha alguma razão no que queria fazer.





Victor Fernández – encantou no país vizinho com a sua cultura de futebol ofensivo e belo esteticamente; não foi capaz de colocar nada disso em prática no FC Porto. Não deixa de ser verdade que foi com Fernández que o FC Porto apresentou o seu melhor futebol e conseguiu as únicas conquista relevantes da temporada; mas o mau jogo da equipa, os constantes problemas de indisciplina e uma certa incapacidade para perceber o clube traçaram o destino do técnico espanhol.





José Couceiro – terceiro treinador numa época atípica, herdou um plantel (des)construído por Del Neri e mutilado por Fernández. Conseguiu recuperar um pouco do espírito do FC Porto, assim como potenciar jogadores em baixa; teve ainda o mérito de lançar jovens da equipa B no plantel principal, abrindo as portas ao futuro do clube. No entanto, a verdade é que falhou nos momentos chave e não conseguiu vencer um título que chegou a estar perto o suficiente para ser agarrado com ambas as mãos. Fica a dúvida se não mereceria uma outra oportunidade.



FC Porto 2004/2005:


Publicado por bruno ribeiro às 16:07

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