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terça-feira, 7 junho 2005
Gil Vicente: Balanço da Época
Categoria: 04/05 Balanço da SuperLiga
13º classificado da SuperLiga, o Gil Vicente partiu para esta temporada, a de estreia do seu novo estádio, com muita ambição e o maior orçamento de sempre do clube. Luís Campos, que assegurara a manutenção na época anterior, teve à sua disposição um lote de jogadores por si escolhidos, mas onde se notavam tremendos desequilibrios: muitas soluções - até em demasia - do meio campo para a frente e uma defesa repleta de jogadores jovens e inexperientes, com apenas um lateral-direito, que viria a lesionar-se com gravidade na pré época.
O início de temporada foi desastroso, e após sete derrotas em oito jogos, poucos acreditariam que seria possível a recuperação, atendendo à falta de qualidade do sector defensivo e às deficiências estruturais da equipa, com imensa dificuldade em revelar ligações entre sectores, vivendo, quase que exclusivamente, de lances individuais e de bola parada.
A solução - mais do que óbvia e justificada - passou pelo despedimento de Luís Campos, após a eliminação humilhante da Taça de Portugal diante do Odivelas, com o balneário em cacos. Ulisses Morais, que abandonara o Estoril dias antes do início da SuperLiga, foi o homem escolhido e os efeitos da mudança foram imediatos. O plantel não só sofreu uma primeira reestruturação, como a equipa passou a actuar mais coesa e com maior ligação entre os sectores, que permitiram até esconder as debilidades do sector defensivo. Resultado, um Gil Vicente em ascensão, com apenas uma derrota em nove jogos e uma série de seis jogos sem perder, concluida pela primeira vitória fora: em Lisboa, diante do Belenenses.
O caminho da tranquilidade parecia encontrado, só que a equipa sofreu uma quebra de forma, aliada a algumas lesões e a um calendário complicado, e seguiu-se um período muito negativo: apenas uma vitória em nove jogos, com cinco derrotas seguidas - pior registo da temporada -, que colocaram de novo a equipa de Barcelos colada à zona de descida.
A recta final, que coincidiu com a recuperação de jogadores importantes, voltou a conduzir o Gil Vicente a uma retoma, com a manutenção a ser alcançada com alguma tranquilidade: cinco vitórias nos últimos nove jogos.


Recuperações. Recuperar de uma fase complicada - 7 derrotas em 8 jogos - é complicado, mas recuperar de uma segunda fase complicada - 7 derrotas em 9 jogos - torna-se ainda mais dificil. O Gil Vicente conseguiu-o com algum brilhantismo, já que os ciclos de recuperação foram marcados por pouquíssimas derrotas: apenas 3, duas delas diante do FC Porto.

Destaques individuais. Nandinho foi o jogador mais regular ao longo da temporada, mostrando-se importante não só no último passe, como também na finalização: apontou 7 golos, o seu segundo melhor registo desde que se estreou na divisão maior em 1995/96. No entanto, Carlos Carneiro, reforço de Inverno, deu à equipa aquilo que ainda não tinha tido: uma referência na área, que valeu também 7 golos e muitos pontos na fase decisiva da temporada. Na primeira fase de recuperação outro jogador sobressaiu: Luis Coentrão, um jogador muito influente a meio campo, que destruiu jogo, distribui-o e também apareceu a finalizar. Contudo, viria a perder influência no último terço da SuperLiga.

Defesa permeável. É certo que o registo final não foi mau - 40 golos sofridos -, mas foi visivel durante toda a época, ainda que com particular incidência na 'era Luís Campos' as debilidades do sector recuado dos gilistas. Na zona central, que perdeu a dupla Gaspar e Nunes, que formavam uma dupla coesa e eficiente, a aposta recaiu em jogadores estrangeiros jovens e inexperientes: Gregory Arnulin, contratado ao Pedras Rubras, Rovérsio e Sidraílson, descobertos no Santa Cruz do Recife, que se juntaram a Marcos António, habitualmente suplente na temporada anterior. À direita, havia apenas Édson Mendes, que se lesionou na pré época com gravidade, obrigando a adaptações durante toda a época: Bruno Tiago, Tonanha, Paulo Costa e até Nandinho, para além do central Rovérsio, foram jogadores que fizeram essa posição durante a temporada.

Apostas falhadas. Rui Baião, Paulo Costa e Carlitos eram, à partida, três dos principais reforços dos gilistas para a nova temporada. Baião, muito rapidamenmte, arranjou problemas disciplinares e foi afastado do plantel, acabando por ser emprestado a um clube grego ; Paulo Costa, por sua vez, foi bastante utilizado por Luís Campos, mas nunca convenceu, acabando por perder espaço na equipa com Ulisses Morais, com quem só jogou apenas duas vezes a titular ; Carlitos, a espaços, ainda mostrou o seu talento, mas no regresso ao clube que o lançou na alta-roda do futebol português, acabou por estar grande parte da época lesionado.
Ciclos de derrotas. O Gil Vicente teve momentos bastantes negativos durante a temporada: o campeonato começou com seis derrotas em sete jogos - duas séries de três derrotas consecutivas, intervaladas por uma vitória -, a que se juntou ainda a eliminação da Taça de Portugal diante do Odivelas, que ocupava os lugares de descida da Zona Sul da 2ªB. Mais tarde, com Ulisses Morais, sete derrotas em nove jogos, entre a 17ª e a 25ª jornada, sendo que cinco das derrotas foram consecutivas.
A estrela:

Carlos Carneiro – A distinção pode ser um pouco injusta para Nandinho, o jogador mais regular ao longo da prova, mas Carlos Carneiro, contratado em Janeiro ao Vitória Guimarães, acabou por ser decisivo. Com um percurso algo irregular, Carneiro atingiu em Barcelos o momento mais alto da sua carreira, jogando na frente do ataque, onde aliou um bom poder de finalização, com o seu já conhecido espírito de combate e agressividade. Apontou 7 golos em meia época, que foram decisivos na conquista de 16 (!) pontos. Um reforço na verdadeira acepção da palavra.
A revelação:

Bruno Tiago – Estreante na SuperLiga, Bruno Tiago, um produto das escolas do Vitória Guimarães, que não se chegou a estrear na equipa principal, por ter sido 'desviado' para Salamanca, confirmou em Barcelos a excelente temporada que realizara no Dragões Sandinenses, despertando, na altura, a cobiça de vários clubes da SuperLiga. Médio centro de origem, Bruno Tiago foi um jogador muito útil também pela sua polivalência, já que jogou em várias posições ao centro e à direita.
O 'flop':

Sidraílson – Vários jogadores poderiam merecer destaque, mas o rendimento de Sidraílson foi desastroso. Utilizado apenas em sete partidas, mostrou ser um central bastante lento e inseguro, e não foi por acaso que a formação de Barcelos não venceu qualquer partida em que participou.
Os treinadores:

Luís Campos – Prometeu muito no início da temporada e o caso não era para menos: ao seu dispor tinha o maior orçamento de sempre do clube, que lhe permitiu reforçar a equipa com jogadores que, em outras alturas, o clube não poderia chegar. Como é seu timbre, preocupou-se em dotar a equipa de jogadores com características ofensivas, onde foram notórios alguns excessos, enquanto que se esqueceu de reforçar em qualidade o sector defensivo, que perdera jogadores nucleares como Nunes e Gaspar. Os resultados foram péssimos e o seu trabalho pouco vísivel: a equipa não apresentou um fio de jogo durante nove jornadas, vivendo de iniciativas individuais e lances de bola parada, a defesa foi excessivamente permeável e o seu comportamento voltou a deixar a desejar: os árbitros foram sempre os principais responsáveis nas derrotas, e as relações com alguns jogadores nucleares não tardaram em se deteriorar. Em termos tácticos, depois de se ter estreado com um 3x4x3 em Alvalade, optou por variar entre o 4x2x3x1 e o 4x4x2 losango, com algumas experiências em 4x2x4, sobretudo para tentar recuperar desvantagens.

Ulisses Morais – Na sua estreia na SuperLiga, tinha pela frente uma missão muito complicada, mas mostrou, desde a sua apresentação, que não é homem de assustar com dificuldades, mesmo que muito elevadas. Os resultados da sua chegada foram imediatos, e apenas uma derrota em nove jogos, permitiram ao Gil Vicente sair da situação delicada em que se encontrava, ao mesmo tempo que ganhou consistência defensiva e um fio de jogo até aí inexistente. O período que se seguiu, foi bastante complicado: perdeu Jorge Ribeiro e Júlio César, mas apostou bem em Ezequias e, sobretudo, em Carlos Carneiro, que vieram acrescentar qualidade à equipa. Só que uma onda de lesões e a baixa de forma de alguns jogadores, voltou a colocar os gilistas numa posição trémula, mas mesmo as cinco derrotas consecutivas não o fizeram esmorecer. Prova disso, a boa recta final, que conduziu à tranquilidade, permitindo-lhe também apostar em alguns jovens dos júniores do clube, a quem deu minutos na SuperLiga. Tacticamente, os seus esquemas preferenciais foram o 4x3x3, desdobrável em 4x2x1x2x1, e o 4x4x2, desdobrável em 4x1x3x2.
Gil Vicente 2004/2005:

Publicado por rui malheiro às 19:00