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terça-feira, 7 junho 2005
Académica: Balanço da Época
Categoria: 04/05 Balanço da SuperLiga
Uma segunda volta de sonho permitiu à Académica manter-se pelo terceiro ano consecutivo na principal divisão do futebol português. Depois de uma primeira metade irregular e decepcionante, sob o comando de João Carlos Pereira, a Briosa conseguiu evitar os sustos das últimas épocas com uma recuperação notável da autoria de Nelo Vingada
Mesmo com o ex-treinador do Marítimo ao leme, as coisas não mudaram da noite para o dia. Com a derrota na Luz em Fevereiro, a Académica era dada como principal candidata à descida à Liga de Honra. Puro engano. A partir daí a Briosa encetou uma incrível série de 12 jogos sem perder só quebrada pela derrota frente ao Moreirense.
Uma campanha que teve na base do seu sucesso o mercado de Inverno, tanto no que diz respeito a jogadores como a treinadores: o veterano Nelo Vingada mostrou à chamada "nova geração" como constroi uma equipa de qualidade, em que todos sabem onde devem estar e o que devem fazer. No capítulo dos jogadores, as apostas não foram menos bem sucedidas: Marcel e Roberto Brum confirmaram as boas credenciais com que chegaram a Coimbra: o primeiro é um avançado letal de remate fácil e certeiro; o segundo, um trabalhador incansável, autêntico "patrão do meio-campo". Junte-se a isto a recuperação de um grande talento como Hugo Leal e fica a prova de que o mercado de Inverno pode ser uma fonte preciosa de qualidade, se bem utilizado.
Uma palavra também para a crescente mobilização da cidade de Coimbra em torno das campanhas da sua Briosa e para o papel importantíssimo da claque Mancha Negra nesse campo. É a prova de que clubes como a Académica são essenciais para a Superliga se esta quiser fazer jus ao seu nome.
Fica a pergunta: com a continuação de Nelo Vingada e mantendo a base deste plantel, terá a Académica condições para lutar por um lugar europeu ?



12 jogos sem derrotas! A 29 de Abril, a Académica recebeu e venceu o Boavista por 1-0 no jogo da confirmação da manutenção na Superliga e instalou o recorde de invencibilidade deste campeonato, propriedade do FC Porto de Victor Fernandez. Com o empate em Aveiro subiu para 12 o número de jogos sem conhecer a derrota. Só na penúltima jornada com uma pesada goleada frente ao Moreirense em Coimbra é que o recorde foi quebrado.


A primeira volta. A época começava cheia de esperança para os lados de Coimbra com um inverstimento forte nos mercados nacional e brasileiro, mas a quebra de jogadores importantes como Ricardo Fernandes e Joeano, aliada a uma indefinição no estilo de jogo de João Carlos Pereira e ao azar que parecia perseguir a formação coimbrã (Dário terá sido o jogador com mais bolas atiradas ao poste na primeira metade) iam afundando a equipa na tabela classificativa. O mercado de inverno surgia como o grande salvador da Académica.
A estrela:

Luciano. Desequilibrador e explosivo na ala direita com centros preciosos e finalizações notáveis, Luciano foi o grande impulsionador em campo da recuperação da Académica. Formou com Dário e Marcel um tridente temível no ataque da Briosa.
A revelação:

Zé Castro. Um central que promete fazer uma carreira de sonho. Dono de um sentido posicional notável e de uma capacidade de entreajuda, é também um jogador importante a iniciar ataques e a marcar golos decisivos, como aquele que deu a vitória na recepção ao Estoril. Formou com José António uma dupla quase perfeita no centro da defesa academista e já tem o Sporting à perna.
O 'flop':

Ricardo Fernandes. Apontado como o grande reforço da equipa para esta época, o criativo vimaranense até começou bem o campeonato, assumindo-se cedo como o patrão da equipa. Mas à medida que o campeonato avançava, a sua estrelinha foi perdendo brilho e o banco de suplentes e mesmo a ausência das convocatórias tornaram-se uma constante.
Os treinadores:

João Carlos Pereira vinha de uma época salva nos últimos minutos. Considerado um dos mais promissores elementos da chamada “nova geração de trienadores portugueses”, Pereira parecia ter todas as condições para evitar o sufoco de tempos recentes. As contratações de Ricardo Fernandes, Vasco Faísca e o regresso de Dário faziam pensar que esta equipa poderia aspirar a algo mais que as habituais fugas à descida de divisão. Mas uma irregularidade desesperante e uma incapacidade de iniciar uma sequência de resultados positivos, cedo deixaram preocupados os adeptos da Académica, que previam mais uma temporada decepcionante. As eleições para a presidência do clube não facilitaram a vida ao jovem treinador e a sua saída foi inevitável depois do empate caseiro frente ao Beira-Mar em Dezembro.

Entrou para o seu lugar Nelo Vingada, homem experiente, de currículo assinalável. Com ele vieram também alguns reforços como os cotados brasileiros Roberto Brum e Marcel e os "perdidos" Hugo Leal e Kenedy. As mudanças não foram imediatas, mas quando surgiram não deixaram ninguém indiferente , apoiado num futebol agradável e de vocação ofensiva (contrastando com a fraca produção da primeira volta que termionou com o 3º pior ataque), foram suficientes para evitar o aperto de anos anteriores.
Académica 2004/2005:

Publicado por pedro nery às 17:20