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sexta-feira, 10 junho 2005

Marítimo: Balanço da época

Categoria: 04/05 Balanço da SuperLiga

A classificação final camufla a época conturbada que se viveu no Funchal. Em menos de um ano, passaram três treinadores pelo comando técnico do europeu Marítimo. Manuel Cajuda foi o primeiro rosto que os jogadores aguentaram. Logo na jornada inaugural da prova, o Marítimo foi copiosamente batido no Restelo, pelo Belenenses, e o chicote estalou nos Barreiros. Contudo, a psicologia funcionou ao contrário e quem saiu a rir foi Manuel Cajuda.

Entre gargalhadas, Mariano Barreto assumiu o comando técnico dos insulares e além de ter colocado a equipa a praticar um futebol agradável, conseguiu cinco vitórias em sete encontros, colocando o Marítimo, de novo, na rota europeia, depois do insucesso que foi a eliminatória ante o Glasgow Rangers, para a Taça UEFA.

O sonho depressa deu lugar à realidade e o que se seguiu não foi bom para as aspirações do Marítimo. A equipa denotava grandes dificuldades sobretudo no capítulo da finalização, condição essencial para se vencerem partidas. Assim, até à saída de Mariano Barreto, na 26ª jornada, que coincidiu com a única derrota caseira da época, frente ao Vitória de Guimarães, o Marítimo apenas obteve mais três vitórias. Muito pouco para quem lutava por um lugar europeu, mesmo tendo em conta o elevado número de empates registados. Por essa altura, o Marítimo era 8º classificado.

Seguiu-se Juca, um homem da casa, com a missão de guiar o Marítimo até ao final da época. E a equipa melhorou, pese ter arrancado com uma derrota na Luz. O jogo foi interessante e o futebol verde-rubro apresentou uma nova alma. Daí até final da prova, o Marítimo perdeu somente mais dois encontros. No último desafio, o Marítimo foi vencer fora ao terreno do Estoril e garantiu a 7ª posição final na SuperLiga, totalizando 49 pontos. Mais um, em relação à temporada anterior.









Factor casa. O Marítimo só perdeu um jogo no estádio dos Barreiros, curiosamente o encontro que ditou o afastamento de Mariano Barreto, tendo sido no cômputo geral a equipa com menos derrotas averbadas nos jogos em casa para a SuperLiga. Em número de pontos obtidos em casa, só Benfica e Belenenses fizeram melhor que os insulares.





Início fulgurante. O Marítimo entrou na SuperLiga a perder. Perdeu em Belém por 3-0 e perdeu o treinador Manuel Cajuda. Mas esse sentimento de perda, depressa se esvaneceu. Para tal, muito contribuiu a acção de Mariano Barreto. Com o ex-seleccionador do Gana à frente dos destinos da equipa, o Marítimo em 7 encontros, somou 5 vitórias, 1 empate e, apenas, 1 derrota. Entre a 4ª e a 6ª jornada, o Marítimo foi 2º classificado.








Comodismo. Depois de um início assinalável, a equipa caiu na monotonia e afundou as esperanças de um lugar europeu. Entre as 9ª e a 27ª jornadas, o Marítimo apenas venceu três encontros, tendo empatado onze. Nesse hiato de tempo, derrotas foram cinco.


Treinadores. Foram três. Manuel Cajuda iniciou a temporada mas não esquentou o lugar. Seguiu-se Mariano Barreto que também não aguentou até final. Juca foi chamado à responsabilidade e conduziu a equipa até ao 7º lugar. Cumpriu. E saiu.


A estrela:





Manduca. Este jogador esquerdino ex-Paços de Ferreira espalhou perfume pelos relvados nacionais que o viram actuar na edição 04/05 da SuperLiga. Em 31 jogos disputados, marcou 6 golos. E que golos. Manduca está mais maduro e alia imensos recursos técnicos à exploração perfeita de espaços.


A revelação:





Bibishkov. Em ano de estreia em Portugal, o jovem avançado búlgaro que o Marítimo contratou ao Marek, destacou-se pela positiva e mostrou boas características. Apontou 6 golos que correspondem a 28 jogos efectuados, ao lado de Pena, em substituição deste ou sozinho na frente de ataque. A seguir com atenção, a sua evolução na próxima temporada.


O flop:





Rui Marques. Difícil a escolha, mas justificável. Esperava-se mais de Rui Marques. E, se é certo, que Tonel e Van der Gaag até partiam em vantagem, em termos teóricos, na luta por um lugar no eixo da defesa, também não é menos verdade que este central contratado ao Estugarda, se acomodou bastante com essa situação e mostrou poucas credenciais.


Os treinadores:





Manuel Cajuda. Época claramente negativa. Fanfarrão como sempre, admitiu ter saído a rir, quando soube do seu despedimento do comando técnico do Marítimo. Só não imaginava, nessa altura, o que lhe estava reservado em Aveiro. Mas a saída do Marítimo, aconteceu logo após o desaire no Restelo (3-0), na 1ª jornada da SuperLiga.





Mariano Barreto. Mariano Barreto assumiu o comando técnico do Marítimo à 2ª jornada, com uma estreia auspiciosa frente ao Penafiel – vitória por 3-0. Só que a ligação entre Mariano Barreto e o clube não durou até final da SuperLiga. Apesar do futebol desenvolvido pela turma verde-rubra se destacar da concorrência, os resultados positivos escasseavam e, depois de uma derrota caseira com o Vitória de Guimarães, Mariano Barreto apresentou a sua demissão. O ex-seleccionador do Gana orientou a equipa insular em 25 partidas, nas quais somou 8 vitórias, 12 empates e 5 derrotas. A táctica preferencialmente utilizada por Mariano Barreto foi o 4x2x3x1 desdobrável em 4x3x3. No entanto, antes de abandonar o comando técnico do Marítimo, Mariano Barreto experimentou um esquema de 4x4x2 desdobrável em 4x2x4.





Juca. Solução de recurso encontrada dentro de casa. Estreou-se com uma derrota no estádio da Luz, diante do Benfica. Todavia, conseguiu devolver o futebol agradável à equipa. Terminou a SuperLiga com um saldo positivo de 4 vitórias, 1 empate e 3 derrotas, em 8 jogos. Com Juca ao leme, o Marítimo voltou a alinhar em 4x2x3x1, desdobrável ofensivamente em 4x3x3.



Marítimo 2004/2005:


Publicado por nuno almeida às 12:35

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