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sexta-feira, 10 junho 2005
Boavista: Balanço da Época
Categoria: 04/05 Balanço da SuperLiga
Um péssimo final de época afastou os axadrezados das provas europeias pelo terceiro ano consecutivo, depois de terem passado grande parte do campeonato a oscilar entre o 1º e o 5º lugar. Numa época conturbada por problemas financeiros, o Boavista foi sempre uma equipa algo deslumbrada no topo da classificação, nos lugares que ocupou durante várias semanas e que pareciam exagerados para o real valor da equipa. Quando a realidade os acordou, o choque foi violento. Foi decidamente o campeonato do fim de um ciclo. Jaime Pacheco sai pela porta pequena, depois de ter levado o Boavista aos mais altos recordes, em Portugal e na Europa.
O campeonato começava risonho para os axadrezados. Com uma sensata política de contratações, apostando em valores seguros como Lucas, Tiago, Zé Manel e Toñito e num lote de jovens promissores como Carlos, Cadú, Nélson, Diogo Valente e André Barreto, a dupla Loureiro/Pacheco encarava esta época com confiança. Para completar esta lista de compras deu-se o regresso de João Pinto, uma das grandes figuras da história recente do futebol português. Tratava-se acima de tudo de uma equipa decidida a desmentir os "clichés" de "sarrafeira" e "ultra-defensiva" com que tinha sido rotulada nos últimos anos. E o Boavista começou por não defraudar. À 10ª jornada, os axadrezados eram terceiros na classificação, com uma regularidade assinalável e importantes vitórias em Leiria e no Restelo, por exmeplo. E foi precisamente nessa altura, em Alvalade que o sol deixou de brilhar para os lados do Bessa. E logo com uma violentíssima tempestade. Uma pesada goelada de 6-1 em Alvalade colocou os axadreados no seu devido lugar, deixando a firme convicção de que uma prova europeia seria mesmo o grande objectivo. Mas na jornada seguinte, algo ainda mais insólito aconteceu: o Boavista foi vencer ao Dragão, tornando-se a primeira equipa a consegui-lo naquele estádio (além do FC Porto, obviamente). O resto da primeira volta correu sem grandes sobressaltos, se exceptuarmos nova goleada sofrida em Lisboa, 4-0 na Luz frente ao Benfica.

A segunda volta começou com algumas derrotas e empates, mas nada que afastasse o Boavista dos lugares cimeiros. Lugares que pareciam exagerados para as reais qualidades da equipa. E à 28ª jornada, a história da primeira volta repetia-se: goleada frente ao Sporting, recuperação frente ao FC Porto. Aí parecia claro que o título não era para o Boavista; o lugar europeu, esse sim, parecia mais perto do que nunca. Mas as últimas 6 jornadas foram um autêntico pesadelo para os axadrezados: entre derrotas no terreno de equipas que lutavam para não descer, como Beira-Mar e Académica e um empate no Bessa frente ao moribundo Moreirense, Pacheco, cada vez mais contestado pelos adeptos não resistiu e abandonou o clube. Pedro Barny sucedeu-lhe no comando da equipa, mas os resultados não surgiram e o Boavista foi mesmo ultrapassado pelo Vitória de Guiamrães na tabela classificativa. Um fracasso total para este Boavista 2004/2005.

Uma palavra também para a campanha do Boavista na Taça de Portugal. Jogando sempre fora, os axadrezados foram afastando os seus adversários com mais ou menos brilhantismo. Destaque para duas vitórias na Madeira frente a Marítimo e Nacional, esta última num jogo absolutamente incaracterístico. Só nas meias-finais o Boavista baqueou, em Setúbal frente ao futuro vencedor da Taça, o Vitória. Um jogo que Pacheco abordou da pior maneira, cheio de inseguranças e falta de ambição. Um jogo que marcou o início da contestação ao técnico e por que não dizê-lo, da sua saída do Boavista.


Começo de campeonato - começou bem a campanha para os axadrezados que raramente abandonaram os postos cimeiros na primeira volta. O Boavista no começo parecia de facto uma equipa bem mais controlada e ofensiva que em anos anteriores, com um futebol mais bonitinho em alguns jogos que fazia prever um corte com o passado e a remoção do rótulo de “equipa caceteira”.
Capacidade de recuperação - Destacaram-se neste campeonato três goleadas pesadas e humilhantes (duas frente ao Sporting; uma frente ao Benfica) às quais a equipa respondeu da melhor maneira com vitórias sobre FC Porto e Nacional (este duplamente na Choupana para campeonato e Taça).

Final de campeonato – Apenas 4 vitórias foi o fraco pecúlio dos boavisteiros na segunda metade do campeonato. Nacional, Marítimo, Beleneneses e FC Porto foram os clubes que o Boavista logrou vencer. À medida que a prova se aproximava do seu fim, os concorrentes directos – Vitória de Guimarães e Rio Ave à cabeça - ganhavam terreno e na penúltima jornada, o Boavista perdeu em Guimarães o lugar europeu que havia mantido durante a época.

Defesa - A imagem de marca da equipa em anos anteriores foi em 2004/2005 um autêntico desastre, com uma das piores marcas da sua história recente. Éder foi uma sombra do central quase intransponível de outros tempos. O promissor Cadú mostrou-se demaisiado nervoso e Ambassa não foi solução, apesar de alguns bons pormenores. Parece que Paulo Turra afinal fazia mais falta do que os axadrezados pensavam...
A estrela:

Zé Manel - As suas qualidades assentaram como uma luva na estratégia de Pacheco: rápidez nas alas, cruzamentos mortíferos e sangue-frio q.b. na hora do remate. 10 golos, alguns deles com direito a figurar na lista dos mais bonitos da época (quem se esquece das “bombas” em Leiria e na Amoreira, do bizarro mas belíssimo golo em Vila do Conde ?) e um sangue-frio impressionante na cobrança das grandes penalidades (com 100% de eficácia). A quebra do Boavista está também intimamente ligada à lesão de Zé Manel.
A revelação:

Diogo Valente – Regressado de um empréstimo ao Chaves, só no final da primeira volta este jovem extremo começou a mostrar qualidades. Marcou o golo da vitória no Bessa frente ao Guimarães e a partir daí deslumbrou os adeptos de futebol com a sua velocidade, capacidade de desmarcação e remate fácil que resultaram em golos belíssimos.
O 'flop':

Flores - Mostrou alguns bons promenores na primeira volta, mas não foi capaz de fazer o que se pedia de si: golos. Na segunda volta, raramente foi convocado por Pacheco.
O treinador:

Jaime Pacheco – A seu favor estão as magníficas recuperações depois das goleadas (foi o primeiro treinador a vencer no Dragão com outtra camisola que não a azul-e-branca )e uma planificação certeira da equipa com um orçamento mais limitado do que em anos anteriores. Contra si, a atitude denfesiva e pouco ambiciosa em momentos determinantes como a meia-final da Taça em Setúbal e os jogos contra Académica e Beira-Mar. Falhou também no aproveitar do talento de jogadores como João Vieira Pinto, cuja vontade de jogar e ajudar a equipa não encontrou correspondência no seu treinador.
Enfim, o treinador campeão e “descobridor” da Europa sai do Boavista pela porta pequena, assobiado pelos adeptos, fartos de verem o seu Boavista conotado com um futebol feio e defensivo. É curioso constatarmos que na próxima época, Pacheco será treiandor do...Vitória de Guimarães.

Pedro Barny foi chamado para substituir interinamente Jaime Pacheco, mas os resultados não melhoraram. Nem se esperaria tal, aliás, com um fim de época altamente desfavorável com recepções a Braga e Benfica e uma visita a um hiper-motivado Guimarães. Apenas um ponto foi conquistado pelo ex-central axadrezado, mas na verdade não se podia pedir mais. No Bessa já se pensava na próxima época.
Boavista 2004/2005:

Publicado por pedro nery às 16:18