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domingo, 12 junho 2005

Balanço da SuperLiga: Terceiro Anel

Categoria: 04/05 Balanço da SuperLiga




A época 2004/2005 vista pelos editores do Terceiro Anel.



Que percurso incrível! Apesar de todas as críticas este campeonato, penso que todos os adeptos consistentes quando olham as capas dos jornais e vêem os noticiários de desporto interrogam-se no seu íntimo: "para onde foi o entusiasmo todo?". Foi tudo ao contrário! Na Selecção estamos habituados a contas, mas no campeonato isso é coisa que há muito tempo não se usa (nem quando o Sporting decidiu tudo na última passados 18 anos). A emoção, a imprevisibilidade foram aspectos absolutamente positivos deste campeonato, levando os adeptos frenteticamente da ilusão à desilusão (ou o contrário). Este foi o ponto mais forte deste campeonato, aquilo pelo qual ele será recordado. Quem olhar para uma revista de 2004/2005 daqui a 20 anos poderá ficar desiludido, ao perceber que as equipas que disputaram o título perderam imensos pontos, e sinceramente terá um pouco de razão. Foi um campeonato em que os "grandes" estiveram pior, que nunca conseguiram repôr a "normalidade". Este talvez seja o ponto mais negativo. Não porque deseje a hegemonia absoluta das três equipas, mas o ideal seria sentir o equilíbrio pelo crescente potencial das restantes equipas.

E que outros aspectos positivos? Bem, o Benfica campeão! Trapattoni sobreviveu e venceu, incrível! Atire a primeira pedra quem nunca colocou reticências ao seu trabalho. O Braga esteve muito bem, com uma equipa muito competitiva (e boa, cheia de bons jogadores) e com um treinador que merece todo o sucesso. O Sporting deu-nos João Moutinho e um percurso notável na Europa. O Vitória de Setúbal foi todo coração na Taça de Portugal, e não só na final, o que foi um grande prémio para o treinador que nunca teve hipóteses na Superliga, não devido ao mau trabalho mas a preconceitos dos que gostam dos Campos e dos Romões. Alguns golos fabulosos, alguns jogadores surpreendentes. Ah, grande recuperação da Académica, e grande segunda volta do Guimarães que valoriza um treinador que erradamente desvalorizava - Manuel Machado.

E quanto aos aspectos negativos? Bem, o Porto, acho. De facto, acabaram em segundo com três treinadores, o que não é mau. Mas, enfim, foi demasiado distante do que se esperava (face ao orçamento) e do que se imaginava. O Beira-Mar foi péssimo, o que acaba por soar divertido por causa dos grupos de gestão internacionais. O Joaquim Rita foi detestável e enervante, fazendo-me torcer contra equipas que simpatizo para alinha com ele. O Gabriel Alves também foi irritante, e gostaria de lhe lembrar que quando foi anunciado o nome de Trapattoni que ele se riu e anunciou um fracasso. O Rui Santos não merece importância. Os árbitros também não são importantes, mas aquilo do Apito é embaraçoso. Também houve jogos maus e equipas fracas, eu não os esqueci, mas isso faz parte da piada.

Finalizando, considero que a classificação acaba por ser justa, quem foi mais consistente ficou nos primeiros lugares, quem tinha o conjunto de pior equipa, treinadores e dirigentes acabou por descer. Talvez o Braga merecesse o prémio da Liga dos Campeões, e isso era bonito. Enfim, para o ano há mais!

Alexandre Calado



A Superliga deste ano terá sido uma das piores dos últimos tempos. É verdade que tivemos emoção e competitividade até ao fim, que mais vezes vimos os “grandes” a perder pontos com as restantes equipas, e vimos serem premiados projectos sérios de pequenas e médias equipas (e.x. Rio Ave e Sp. Braga); motivos mais do que suficientes para nos darmos por satisfeitos. São melhorias que reconheço e que aprecio, mas a verdade é que quando vamos ao que realmente importa, o futebol jogado, a nossa realidade dificilmente poderia ser mais deprimente. São raros os bons jogos, já nem me atrevo a esperar por jogos de grande classe, nos relvados portugueses. Apesar de termos alguns intérpretes de elevada qualidade, em termos médios os jogadores da Superliga não passam da mediania, quando não estão bem abaixo do que aquilo que seria de esperar dum jogador profissional. A culpa? De todos: treinadores (alguns deles fracos também), dirigentes, da própria cultura futebolística nacional…
E se o futebol em campo é mau, toda a estrutura que o envolve está demasiado podre para se poder adjectivá-la com precisão. Os dirigentes do futebol nacional não contribuem minimamente para a melhoria do desporto no nosso país; antes arrastam-no pela lama com difamações, acusações e comportamentos que apenas envergonham aquelas que realmente amam o desporto por aquilo que ele é: nós, os adeptos. O caso do Apito Dourado e a rábula do Estoril – Benfica, são apenas dois exemplos do triste futebol que nos calhou em fado, a que se pode juntar a Comissão de Disciplina e os seus critérios punitivos que escapam a qualquer lógica humana; da arbitragem nada mais há a dizer do que muito já foi falado e escrito ao longo da temporada.
Em suma, esperar que todos tirem ilações do que de mal se passou e se fez, e que nas próximas temporadas o bom futebol volte aos relvados portugueses é apenas o que me resta esperar.

Bruno Ribeiro



Diz-se, sobre qualquer coisa, que a última é sempre a melhor. Para mim, realmente, foi. Ao contrário da imensa maioria de críticos – imprensa e adeptos – de tendência «grandocêntrica», a edição 2004/2005 da Superliga talvez tenha sido das mais interessantes dos últimos anos. Houve (des)equilíbrio, emoção, um campeão onze anos depois, uma investigação policial - embora tema que se venha julgar inconsequente - aos meandros obscuros do futebol nacional, jogou-se bem, jogou-se muito mal, alguns dirigentes envelheceram, noutros a senilidade cresceu, houve ainda aqueles surpreenderam e assim aconteceu um pouco da inconstância que é estar-se em Portugal.
Gostei do campeonato do meu clube, o Rio Ave. Jogaram bem, com humildade e garra e mostraram que com uma equipa e estruturas de poucos recursos também se pode incomodar todos quantos choram a enfadada canção do «nivelamento por baixo». Cheguei a sonhar com a Europa. Merecíamos. Pulei estonteantemente com os golos na Luz e no Dragão, embora no estádio dos azuis e brancos o sabor tenha sido especial, com os saltos a serem dados em pleno sector visitante. Foi muito bom ir para intervalo a vencer e olhar os rostos draconianos do desalento, pedindo mais um «fino» envergonhado. Outro dos grandes momentos foi a invasão da “onda vermelha” ao meu Estádio, o do Rio Ave. Já não tinha memória de uma coisa assim. O Benfica é, de facto, o maior clube português – aqui deixo um abraço ao João Gonçalves, maior benfiquista que conheço, a quem à porta do estádio desejei as maiores felicidades para o campeonato, mas precavendo-o de que Carlos Brito, nesse final de tarde, voltaria a ser «milagreiro». E foi, bem com umas outras tantas vezes. Ainda dessa vitória sobre o Benfica ficou a lembrança de uma capacidade mobilizadora encarnada notável, assim como do enorme «melão» que os varreu depois do apito final do árbitro, instantes após o golo épico do Miguelito. O que não vibrei... Nota positiva para a visita ao «Cidade de Barcelos» um estádio moderno, à medida dos pequenos, com bancadas amplas e uma área de imprensa confortável. Visitei ainda um sector visitante do Dragão fraco, com péssimo serviço de «catering» e um esplendoroso Municipal de Braga. Não seguindo minimamente os jogos dos restantes clubes, tenho esta última edição da Superliga em boa conta, porque com o mal dos outros continuarei a poder muito bem....

João Carmo



Aos 32 anos vivi o campeonato mais emocionante da minha vida. Vivi-o bem de perto, durante 10 meses a minha vida ficou bem preenchida. Jornada após jornada os resultados completamente inesperados dos, teoricamente, mais fortes clubes lançavam a dúvida quanto ao desfecho final. Foram muitas horas de alegrias, tristezas, ansiedade, esperança, de sonhos e pesadelos. Felizmente, resolvi comprometer-me com os leitores deste blog a publicar semanalmente a minha coluna de opinião que rapidamente se tornou um espelho deste humilde adepto benfiquista. Quando me pedem para fazer um balanço pessoal desta época, tenho agora a oportunidade de sugerir a todos os que se interessam pela opinião dos editores, que sigam o link http://terceiroanel.weblog.com.pt/arquivo/cat_col_joao_goncalves.html , onde vão encontrar toda a minha história a acompanhar a evolução do Benfica nesta temporada, é o Benfica 04/05 por capítulos visto por mim. Aqui deixo um apanhado, tipo flashes de uma época inesquecível, dividida em momentos muitos bons e outros muito maus:

Águia a voar bem alto
Ter estado nos estádios de Portugal em mais de 30 jogos. Só para a Superliga vi 17 na Luz, e acompanhei o Benfica numa dezena de deslocações. Ainda fui ver encontros entre outros clubes em Alvalade, no Restelo e no Estoril. Vi todos os jogos do Benfica na Taça de Portugal, da Luz ao Jamor, e não falhei nenhuma partida europeia na Luz!; Conhecer estádios bonitos como os de Leiria, Braga, Algarve, Barcelos e Bessa. Os outros já conhecia; Trapattoni. A confiança que o senhor nos dava nas alturas complicadas foi uma sensação inexplicável. Aquele olhar, as suas frases, as atitudes como aquela em que foi falar com o adepto que não parava de o aborrecer, tudo ficará na nossa memória. A frase chave: O “velho” sabe muito disto, o resto é conversa...; A “onda encarnada” na recta final da temporada. Imagens fabulosas e emocionantes que não se esquecem. O estádio da Luz transformado em inferno, o Algarve invadido, Vila do Conde vestida de encarnado, a loucura no Bessa...; Só são falados pela negativa, e se mais ninguém lhes faz justiça faço eu. A claque do Benfica No Name Boys ajudou muito a equipa a chegar ao título. Justificando o lema “Sempre Presentes”, nunca deixaram de apoiar em lado nenhum, e o cântico mais ouvido nos últimos meses por esse país fora nasceu ali na curva sul – Ninguém Pára o Benfica Alleeez ooohh!; A carreira da Briosa após a chegada de Nelo Vingada. Tiveram papel determinante na luta pelo título ao empatarem em Alvalade e no Dragão; Equipas como o Braga, Rio Ave e Vitória de Setúbal na Taça, mostraram bom futebol; Pedro Henriques, o único árbitro de qualidade; Luisão após a derrota em casa com o Beira Mar a mostrar toda a confiança; Ricardo, do Sporting, a entregar o título ao Benfica, seu clube de sempre; Benfica campeão!

A águia a voar mal e baixinho
Os preços dos bilhetes, um roubo!; A morte de um adepto do Benfica em Leiria; O desaparecimento de João Manuel, chocante; As suspeitas na arbitragem, ano de apito dourado; A derrota em Penafiel, ia morrendo do coração; A noite da goleada no Restelo, o pior da época; As insinuações que o Benfica foi levado ao colo pela arbitragem; O golo de Petit contra o Porto; Os sócios do lenço branco na primeira metade da época na Luz; Pedro Proença, odeio-o cada vez mais; Jogos depois das 21h ao domingo!!; Os jogos do Benfica contra Estugarda e Anderlecht.

Não se esqueçam de rever os capítulos da época em http://terceiroanel.weblog.com.pt/arquivo/cat_col_joao_goncalves.html

joão gonçalves



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Os triunfos do FC Porto na Taça Intercontinental, do CSKA de Moscovo na Taça UEFA, do Liverpool na Liga dos Campeões e do Vitória de Setúbal na Taça de Portugal; as subidas do Estrela da Amadora à SuperLiga, do Barreirense à Liga de Honra e da AD Oeiras (pela primeira vez na sua história) aos nacionais de futebol; uma equipa portuguesa pelo terceiro ano consecutivo numa final europeia; o meio campo do Sporting com referência especial a João Moutinho, o jogador português que mais me atraiu a atenção, desde Paulo Sousa, e apesar de Ricardo Carvalho; as boas lideranças levadas a cabo por Manuel Machado em Guimarães, por Carlos Brito em Vila do Conde e por Nelo Vingada em Coimbra; a competitividade que marcou a SuperLiga; a importância de Deco no/e o modelo de jogo do Barcelona; o sucesso de José Mourinho e de Manuel José, no estrangeiro; o regresso de Pedro Mantorras à competição; as massas adeptas da Académica e do Belenenses; o fascínio, de sempre, pelo futebol argentino e holandês; os campeonatos brasileiros e ingleses de futebol; terceiro anel.

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O nível deprimente da arbitragem em Portugal: destaque para as espoliações sucessivas de que foi vítima a equipa do Estoril; o fraco nível dos dirigentes e das competições de futebol profissional, em Portugal; o fim da carreira futebolística de Fernando Redondo, uma referência pessoal, de sempre; a acção dos Super Dragões, na Avenida dos Aliados, em dia de festa encarnada e, ao longo de toda a época; todos os jogos de futebol transmitidos pela TVI; as conferências de imprensa de Luiz Felipe Scolari; a vassalagem prestada por toda a comunicação social portuguesa a José Mourinho; o Apito Dourado; o annus horribilis do FC Porto: as saídas dos campeões Pedro Mendes, Ricardo Carvalho, Derlei, Carlos Alberto, Costinha e Maniche, as entradas de Areias, Leandro, Léo Lima, Leandro do Bomfim e Cláudio Pitbull - qual deles o pior? -, os equívocos primários da SAD na escolha das equipas técnicas, a indisciplina e o péssimo rendimento do grupo de trabalho durante toda a época; a doença e falecimento de João Manuel.

nuno almeida



Será sempre um campeonato inesquecível para mim. Os 35 jogos que vi ao vivo este ano da Superliga, fazem deste campeonato aquele que mais de perto segui, e onde emoções foram levadas ao extremo. De todo o percurso de 2004/2005, não posso deixar de salientar os melhores momentos da época, sejam eles feitos de alegria ou tristeza: a primeira viagem a Lisboa para ver o Sporting-Marítimo, e por sinal primeira derrota do Sporting, quinze dias depois nova ida a Alvalade, acompanhado pelo grande amigo "lampião" João Gonçalves, onde manifestei pela primeira vez o meu descontentamente com Dias da Cunha, as várias deslocações fora para acompanhar o Vitória de Guimarães, recheadas de bons momentos, o clube que leva sempre a cidade atrás, as vitórias frente ao Porto e Benfica em Alvalade, talvez os únicos momentos de grande felicidade para o adepto Sportinguista, uma estádio inteiro a gritar "Pinigol", na goleada frente ao Boavista, uma ida a Vila do Conde onde vi pela primeira vez ao vivo, a onda vermelha que tantos falam e poucos viram, os grandes jogos que foram as deslocações ao Bessa e a Braga, a desilusão da visita à Luz, para entregar o título ao velho rival e por fim, a mais dolorosa derrota da época, na final da Taça UEFA no "nosso" estádio. Por tudo isto e muito mais, será sempre um ano para mais tarde recordar!

pedro varela



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Emoção na SuperLiga, com os grandes cada vez menos grandes ; O fim do jejum do Benfica e a imensa alegria que isso provocou ao meu irmão e ao camarada João Gonçalves ; A Taça para o Vitória Setúbal do Quinito e do José Rachão ; Uma equipa portuguesa, pelo terceiro ano consecutivo, numa final europeia ; O Rio Ave, graças ao trabalho enorme do Carlos Brito, pelo segundo ano consecutivo na primeira metade da tabela da SuperLiga ; O futebol mágico do Ricardo Nascimento, a afirmação de Manuel Fernandes e o surgimento de João Moutinho ; Os dribles com a cabeça do miúdo Kerlon, exemplo máximo de arte aérea ; Os triunfos da Velha Guarda: Trapattoni, Rachão, Jesualdo Ferreira, Manuel Machado e Nelo Vingada ; O trabalho de Diamantino Miranda na Liga de Honra ; A massa adepta do Vitória Guimarães, Vitória Setúbal, Académica e Sp. Braga ; a subida à Liga de Honra do Barreirense ; o triunfo internacional do futebol russo através do CSKA, à boa imagem do que melhor se viu no futebol soviético dos anos 80, com a diferença de terem desaparecido os árbitros anti-comunistas primários ; futebol de dia, numa época de muito sol e pouca chuva, mesmo que com transmissões televisivas ; as análises de António Tadeia; os comentários de Jorge Coroado na RDP, TVI e O Jogo; os jogos de futebol da RTP Memória ; ReporTV e Liga dos Últimos ; a expressão 'Já Está!'; Carlos Secretário ter-se despedido do futebol com um auto-golo.

e o Terceiro Anel, claro.

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A Margarida não gostar de futebol - parte III ; Nível dos árbitros: nivelados por baixo, com os melhores a não passarem do mediano ; a expressões 'homens do futebol' e 'nova vaga' ; 'pressão vertical' e 'pressão horizontal' ; as crónicas e as polémicas de um tal de Nuno Amieiro na Revista Dez; as realizações televisivas da maior parte dos jogos de futebol da SuperLiga ; os poucos jogos transmitidos da Liga de Honra ; a reestruturação desestruturada do quadro competitivo do futebol português ; Cláudio Pitbull e para quem se lembrou de comparar Leandro do Bonfim com Zico; a saída de Derlei do FC Porto; a tenda do Paulo Almeida; as constantes referências e vénias a José António Camacho: o técnico que, em década e meia, ganhou o mesmo que José Rachão; Luís Campos: ou como se perdem 13 jogos em 19 e se consegue continuar a treinar na SuperLiga.

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As perdas de João Manuel, um jogador exemplar a todos os níveis, e de Jorge Perestrelo, dono de um estilo inimitável de narração desportiva, que me fez, durante muitos anos, optar sonoramente pela rádio em tantas tardes e noites de futebol.

rui malheiro

Publicado por terceiro anel às 22:43

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