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segunda-feira, 13 junho 2005

De novo, Argentina

Categoria: Col>> Rui Malheiro Categoria: FC Porto

Com a aquisição de 'Lucho' González e 'Licha' López, o FC Porto reabre as portas ao mercado argentino, onde não tem sido feliz a nível das aquisições. O Terceiro Anel (re)apresenta os dois novos reforços dos portistas e recorda as histórias dos argentinos que já passaram pelo FC Porto: de Roberto Mogrovejo a Juan Esnaider, sem esquecer os treinadores que durante a década de 40 e 50 orientaram tecnicamente os 'azuis e brancos'.



Um médio de «Lucho»





Luis Oscar González, mais conhecido por 'Lucho', nasceu em Buenos Aires, a 19 de Janeiro de 1981. Filho de um cozinheiro e de uma dona de casa, é o mais velho de três irmãos, que cresceram, com dificuldades financeiras, no Bairro Parque Patricios, uma zona antiga e modesta da cidade, paredes meias com o estádio do CA Hurácan. Sem talento para a escola, Lucho, desde cedo se habituou a trabalhar, ao mesmo tempo que perseguia o sonho de ser futebolista profissional, também com o objectivo de ajudar a família: há dois anos concretizou o sonho de oferecer uma vivenda aos pais.
Como qualquer miúdo do Parque Patrícios, começou a jogar futebol na rua, na Plaza España. Aos 9 anos, passou pelas escolas do Unidos de Pompeya e do Huracán, onde viria a fazer todo o seu percurso nas categorias inferiores, até chegar, com apenas 17 anos, à primeira equipa, onde coincidiu com Ávalos (Nacional e Boavista), Grana (Maia) e Toedtli (Marítimo).
A sua estreia, em 1998, ocorreu diante do Racing, o clube do seu coração. Foram os primeiros passos na formação principal, onde se fixaria como titular a partir de 1999, ano em que o Hurácan caiu na Série B. O ano de 2000 traria o seu primeiro êxito: a vitória na série B e regresso à divisão maior. Em cerca de 4 anos ao serviço da equipa principal, Lucho somaria 111 jogos e 12 golos.
River e Racing disputaram a sua aquisição, com o Boca e o Independiente também à perna, mas acabou por viajar para França, onde iria representar o Châteauroux. Só que, uma oferta superior do River, acabou por trazê-lo, dias depois, de regresso à Argentina, acabando por nunca vestir a camisola do clube francês.
Apesar das dificuldades de adaptação a uma realidade bem diferente, que o próprio assume, já que não estava habituado à pressão de jornalista e adeptos, foi uma transferência de sucesso: titular indiscutivel desde a sua chegada, venceu o Clausura 2003 e 2004, conseguindo alcançar um objectivo que sempre perseguiu - a selecção argentina. Primeiro nos sub-23, que viria a representar nos Jogos Olímpicos de Atenas, onde conquistou a Medalha de Ouro, mas também a selecção principal, onde também já é indiscutivel, e, por certo, marcará presença no Mundial da Alemanha daqui a um ano.
Médio polivalente, bem dotado fisicamente (1.85/75) e de amplos recursos tácticos e técnicos, Lucho González é um centro-campista completo: pode jogar em posições interiores e exteriores, em linhas avançadas e recuadas. No River, actua preferencialmente como médio ala, quer à direita, quer à esquerda, mas na Selecção é mais médio interior, podendo desempenhar funções à esquerda e direita. No entanto, a sua polivalência, permite-lhe também jogar como médio defensivo ou ofensivo. Forte na recuperação, assume, sem problemas, a condução e coordenação das acções ofensivas, mostrando visão de jogo e qualidade no passe, quer curto, quer longo. Não sendo um jogador explosivo, já que a velocidade está longe de ser um dos seus pontos mais fortes, progride bem no terreno com a bola, tirando partido da sua técnica, mas também de movimentações inteligentes, que lhe permitem aparecer em posições de remate.
Jogador calmo, e nada temperamental, a sua grande mania são as tatuagens. Entre as várias que tem espalhadas pelo corpo, tem uma onde tem a assinatura de Diego Armando Maradona, o seu ídolo, mas também o nome da mulher (Pamela) em caracteres chineses, as iniciais da sua família, um Rosário e Jesus Cristo, a quem pede ajuda para marcar golos.
O FC Porto terá pago, por metade do seu passe, cerca de 3,6 milhões de euros. A outra metade é posse da Global Soccer Agencies. Um negócio altamente rentável para o River Plate, que, há dois anos, o contratara por cerca de 700 mil euros ao Hurácan.


Os números de Lucho:


Hurácan:


1999 e 1º semeste 2000: 42/5
Apertura 2000: 17/1
Clausura 2001: 17/2
Apertura 2001: 19/1
Apertura 2002: 16/3


River Plate:


Apertura 2002:
15 jogos (14x titular, 1x suplente) - 1128 minutos - 4 golos - 2 cartões amarelos

Clausura 2003:
17 jogos (14x titular, 3x suplente utilizado) - 1092 minutos - 4 golos - 0 cartões amarelos

Apertura 2003:
10 jogos (6x titular, 4x suplente) - 557 minutos - 0 golos - 0 cartões amarelos

Clausura 2004:
14 jogos (11 x titular, 3 x suplente utilizado) - 989 minutos - 2 golos - 1 cartão amarelo

Apertura 2004:
11 jogos (sempre titular) - 860 minutos - 2 golos - 0 cartões amarelos.

Clausura 2005:
14 jogos (11 x titular, 3 x suplente utilizado)/15 jornadas - 1034 minutos - 6 golos - 1 cartão amarelo.



'Licha' López: o herói de Rafael Obligado





Em Janeiro, chegou a ser apontado como possível reforço do Benfica, mas o seu destino será o Dragão. O FC Porto investiu 2,35 milhões de euros por metade do seu passe, em nova parceira com a Global Soccer Agencies, detentora da outra metade do passe do ainda avançado do Racing Club de Avellaneda.
Lisandro López, mais conhecido por 'Licha' López, tem 22 anos (2/3/83) e é natural de Rafael Obligado, uma pequena povoação nos arredores de Buenos Aires, onde o futebol tinha pouca importância até à explosão do filho da terra, que agora é visto como um novo herói.
Apesar do sonho de ser futebolista profissional ter estado sempre presente na sua vida, Lisandro optou por conjugar os estudos com o futebol, no Jorge Newbery, de Junín, no noroeste de Buenos Aires. Ingressou mesmo na Universidade de Junín, no curso de Economia, mas foi nessa mesma altura que teve a oportunidade de rumar ao Racing Club de Avellaneda, através de Miguel Angel Micó, coordenador dos escalões de base do clube, que o observou num Torneio de juvenis.
No entanto, as coisas não foram fáceis para 'Licha'. Ao dar nas vistas na formação júnior, em 2002, por duas vezes, teve oportunidade de se estrear na equipa principal do Racing, só que, em ambas as situações, acabaria por lesionar-se nas vésperas da estreia. Numa das vezes, ao partir um dedo no pé, chegou mesmo a pensar em abandonar o futebol.
A oportunidade acabaria por surgir, a 14 de Junho de 2003, ao jogar seis minutos diante do Vélez Sarsfield, substituindo Guillermo Rivarola, na altura prestes a encerrar a carreira, e que viria a ser, meses mais tarde, como seu treinador, o responsável pela explosão de Lisandro no futebol argentino. É que depois de ter conquistado a titularidade no clube, o que aconteceu na recta final de 2003, Licha López afirmou-se definitivamente no segundo semestre de 2004, ao consagrar-se como o melhor marcador do Torneio de Apertura, com 12 golos, em 19 jogos, conseguindo quebrar, com esse feito, 35 anos e 59 torneios de jejum de jogadores do Racing em relação ao troféu de melhor marcador.
Um feito relevante, para um avançado que não tem particular apetência para jogar na área, até pelas suas características fisionómicas: 1,74/70. Licha é, sobretudo, um avançado móvel, habituado a jogar num esquema de avançados abertos, sem referência na área, podendo funcionar como 2º avançado, ou então, como um extremo que, em situação ofensiva, aparece na área, tirando partido, sobretudo, de diagonais, uma das suas principais especialidades. Com faro pelo golo, finaliza com ambos os pés e de cabeça, mas também é um jogador desequilibrador no um para um, tirando partido da sua velocidade e capacidade técnica. A isso, junta ainda capacidade de luta e de pressão, procurando sempre desgastar e dificultar a saída dos defesas adversários para movimentos ofensivos.
Pretendido por Palermo, Shakhtar Donetsk e Charlton, o seu futuro passará por Portugal. Lisandro López já admitiu que uma boa época no FC Porto poderá abrir-lhe as portas para a concretização de um sonho antigo: o de jogar pela Selecção argentina e estar presente no Mundial de 2006. Tido como um 'low-profile', devido à sua timidez perante as câmaras e objectivas, define-se como o maior crítico dele próprio e raramente se sente satisfeito com o que faz. No terreno de jogo, no entanto, é uma espécie de vulcão. Agressivo e temperamental, como a foto acima documenta, tem uma relação complicada com os árbitros, que, nos últimos meses, tem tentado rever.



Os números de Licha:


Clausura 2003:
3 jogos (sempre suplente utilizado) - 27 minutos - 0 golos - 0 cartões amarelos

Apertura 2003:
13 jogos (9 como titular) - 875 minutos - 2 golos - 2 cartões amarelos

Clausura 2004:
18 jogos (sempre titular) - 1608 minutos - 6 golos - 1 cartão amarelo - 1 cartão vermelho

Apertura 2004:
19 jogos (sempre titular) - 1676 minutos - 12 golos (2 de penalty) - 4 cartões amarelos.

Clausura 2005:
14 jogos (sempre titular)/15 jornadas - 1241 minutos - 6 golos (2 de penalty) - 2 cartões amarelos * (falhou duas grandes penalidades)



Argentinos no FC Porto: histórias sem final feliz


Houseman: O amigo de Robson





Poucos lembrar-se-ão de Marcelo Houseman, mas este empresário argentino, irmão de René Houseman - ponta de lança campeão do Mundo pela Argentina em 1978 - foi o responsável pela viragem do FC Porto, em 1994, para o mercado sul-americano de origem hispânica, depois das aquisições de Cubillas e González na segunda metade da década de 70. Com relações privilegiadas com Bobby Robson, Houseman, com uma carteira recheada de jovens jogadores sul-americanos e sul-africanos, colocou no FC Porto cinco jogadores: Roberto Mogrovejo, que definia como 'novo Caniggia', Walter Paz, o 'futuro 10 da selecção argentina' e Ronald Baroni, um 'ponta de lança de créditos firmados', a que juntou ainda Mandla Zwane, o 'Maradona sul-africano' e Etienne N'Tsunda Mzumbi, o 'filho do vento'. Um conjunto de histórias pouco felizes, a que se juntaria cerca de dois anos depois, a colocação do central uruguaio Alejandro Díaz, recomendado ainda na 'era Robson', mas que viria a ser treinado por António Oliveira, que nunca confiou no jogador que foi apresentando como 'um dos melhores defesas centrais da América do Sul, superior a Bermúdez'. Depois de tantos 'flops', a que se junta ainda a colocação do guardião Botende no Marítimo, as portas do futebol português fecharam-se a Houseman, que depois de ter transferido alguns jogadores sul-americanos para o futebol inglês, representa actualmente a WorldWide Athletes, que procura colocar na Europa jogadores da Colômbia, Equador e Nigéria.


Mogrovejo: um Caniggia que nunca o chegou a ser





Verão de 1994. O FC Porto perdera, muito por culpa da opção inicial por Ivic, a hipótese de se sagrar, pela primeira vez, tri-campeão, mas a segunda volta, já com Bobby Robson no comando técnico, abria excelentes perspectivas em relação ao futuro. Pinto da Costa assumia, na altura, algum cansaço pelos anos consecutivos sem férias, e confiou ao técnico britânico a construção do futuro plantel. Comprar bom e barato era a aposta, daí que a chegada de um 'Novo Caniggia', de nome Roberto Arturo Mogrovejo, tenha criado enormes expectativas. Recebido com pompa e circunstância, Mogrovejo, que representou a selecção argentina no Mundial de juniores em 1991, depois de ter sido o melhor marcador do torneio sul-americano de apuramento, teve mesmo a direito a fotos no gabinete presidencial na altura da sua apresentação. A sua experiência foi curta: as primeiras semanas da pré-época mostraram que o seu potencial ficava muito aquém do esperado, também por não ser o ponta de lança que Robson pensava que era, e a sua dispensa, depois transformada em mero período experimental, foi tudo menos surpreendente. Com uma carreira de insucessos e muitas lesões, foi caindo da 1ª até à 4ª divisão da Argentina, tendo, pelo meio, uma passagem fugaz pelos israelitas do Hapoel Kfar Shalem, há três anos Mogrovejo regressou a Portugal, para representar a selecção argentina de futebol de praia, e em entrevista ao Record relembrou a sua passagem pelo Porto: queixou-se de Houseman, que definiu como 'o homem que enganou toda a gente'; de ter sido contratado para ser ponta de lança, quando era extremo; e que Robson o queria obrigar a cortar a sua longa cabeleira loira, 'para ficar com melhor aspecto'. De regresso à Argentina, representou o modesto Justo Jose de Urquiza, da 4ªDivisão, onde encerrou carreira em 2003.


Walter Paz: o 'Pescadito'





Em 1991, tal como Mogrovejo, com quem chegou ao Porto, Walter 'Pescadito' Paz fora o único jogador a salvar-se na desastrosa participação da selecção de júniores argentina no Mundial sub-20. Eleito melhor médio ofensivo da prova, que contou com jogadores como João Pinto, Rui Costa, Luis Figo, Luiz Fernando, Ramon, Sérgio Manoel, Rödlund, Mandreko, Cherbakov, Mikhailenko, Oscar Garcia, Javier Delgado, Tejera ou Steve McManaman, havia enormes expectativas em torno do jogador, oriundo do Argentinos Juniors, e que era apontado como o 'futuro 10' da selecção argentina. A pré-época serviu para mostrar que se tratava de um jogador de boa técnica e com qualidade no passe, só que sem velocidade e agressividade para o futebol europeu. Não foi dispensado como Mogrovejo, mas acabou por rumar, por empréstimo, ao Gil Vicente, sem nunca vestir a camisola azul-branca em jogos oficiais. Em Barcelos, também não se fixou: 8 jogos, apenas um completo, e um golo. No final da época, acabaria por abandonar Portugal, sem honra, nem glória. Passou pelo Chile e pela Escócia, antes de regressar à Argentina, onde fez algumas boas temporadas na 2ªDivisão, conseguindo mesmo, em 2000, subir à divisão maior com o Quilmes. Foi um regresso curto aos principais palcos do futebol argentino, já que a sua carreira entrou numa trajectória descendente, sendo que, actualmente, joga nos regionais, ao serviço do modesto Estudiantes de Rio Cuarto.


Pizzi: o sucessor de Jardel





Juan António Pizzi chegou ao Porto a 20 de Julho de 2000, depois de ter sido escolhido para suceder a Jardel no ataque dos então tetra-campeões nacionais, mas partiria a 31 de Janeiro de 2001, sem grandes feitos, e com apenas um jogo completo realizado, diante do Atlético, num jogo da Taça de Portugal, em que o FC Porto ganhou nas Antas por 2-1, com um golo seu, depois de inúmeras oportunidades falhadas. Seis anos depois de Paz e Mogrovejo, era uma nova aposta dos portistas num futebolista argentino, também com nacionalidade espanhola, mas de créditos firmados no futebol europeu. No entanto, o Pizzi que chegou ao FC Porto, que desembolsou 440 mil contos pelo seu passe, mais 400 mil contos por dois anos de contrato, estava já longe dos tempos do Tenerife, Valência e Barcelona, e regressava à Europa, com 32 anos, depois de passagens por River Plate e Rosário Central, e um grave problema num dos joelhos, que viria a marcar a sua breve passagem pelo futebol português. Nos 11 jogos incompletos que realizou na SuperLiga, totalizando apenas 249 minutos, conseguiu apontar 3 golos, sempre nos minutos finais, nas goleadas sobre Campomaiorense (2) e Alverca (1). Após a passagem pelo FC Porto, regressou à Argentina, para representar o Rosário Central. Uma transferência a custo zero, que terá servido também para poupar alguns salários do ano e meio de contrato que ainda tinha por cumprir.


Ivan Moreno y Fabianesi: dispensado na pré-época





Com a transferência a custo zero de Pizzi para o Rosário Central, o FC Porto garantiu a opção sobre Ivan Moreno y Fabianesi, também conhecido por 'Galego', o jogador mais promissor da formação argentina. Fabianesi, na altura com 22 anos, tinha a vantagem de possuir passaporte comunitário, e chegou mesmo a ser observado por Rui Barros na Argentina, que terá dado o aval à sua aquisição. Com 4 golos no Clausura 2001, este médio de características defensivas, chegava à Europa carregado de ilusão. Integrou o estágio de pré-época, chegou a ser utilizado num particular diante do Racing Paris, mas Octávio Machado não ficou convencido das suas potencialidades e ditou a dispensa duas semanas depois. O processo de saída do clube acabou por não ser o mais simpático: o FC Porto garantiu que o jogador não tinha qualquer vínculo, enquanto que Moreno y Fabianesi, em declarações à imprensa, garantia que assinara um pré-acordo válido por quatro anos e que tinha sido enganado pelos dirigentes. O seu futuro passou pela equipa B do Villareal, antes de regressar à Argentina, onde representou o Banfield e o Colón de Santa Fé, clube onde se encontra desde 2003.


Hugo Ibarra: o mais caro de sempre





O Verão de 2001 trouxe também Hugo Ibarra, conhecido na Argentina por 'El Negro'. Muito se falou da aquisição do lateral-direito, que então representava o Boca Juniors, e que foi, até ao Verão passado, a aquisição mais cara de sempre do FC Porto: uma operação mediada por Jorge Mendes, com um valor total de 1,775 milhões de contos, sendo que 950 mil contos se destinaram ao clube argentino, e os restantes a encargos salariais, segurança social e comissões de um contrato válido por quatro épocas. Pinto da Costa apresentava-o como um 'jogador moderno e de grande classe', que chegava para uma posição onde o FC Porto já tinha três jogadores: Secretário, Sousa e Nélson. A sua adaptação ao futebol português esteve longe de ser a melhor, e apesar de ter feito quase sempre parte das opções de Octávio Machado durante a primeira metade da época - 31 jogos, entre todas as competições -, depois de uma série de exibições fracas, este optou por Secretário. Com José Mourinho a sua influência diminuiu drasticamente e só por quatro vezes foi utilizado, acabando por ser dispensado. Seguiram-se empréstimos a Boca Juniors, em 2002/03, e ao AS Mónaco, em 2003/04, onde foi finalista vencido da Liga dos Campeões. Pelo meio, uma polémica intensa com Octávio Machado, com acusações de parte a parte. O lateral argentino queixou-se que com Octávio a equipa 'não trabalhava nada' e que esperava que o palmelense não voltasse a ser treinador de futebol. Octávio Machado reagiu, dizendo que Ibarra 'tinha a cabeça fora de Portugal' e que 'gostava muito era da noite'. No Verão passado, Ibarra regressou ao FC Porto, integrando os trabalhos de pré-época. Foi um retorno curto, já que o jogador não mostrava vontade de permanecer no clube, tendo chegado tarde à apresentação e evidenciado pouca vontade nos jogos de pré-época em que foi utilizado. Foi dispensado por Del Neri e colocado no Espanyol, de Barcelona, onde actuou na última época.


Esnaider: repetir Pizzi, um ano depois





A 28 de Julho de 2001, quando o FC Porto procurava fazer regressar Jardel às Antas, Pinto da Costa apresentava Esnaider como novo reforço dos 'dragões': numa operação mediada por Jorge Mendes, os portistas garantiam o empréstimo por um ano do jogador, junto da Juventus, com opção de compra, por três épocas, no final da época. Dias depois de Moreno y Fabianesi ter sido dispensado, Esnaider juntava-se a Ibarra no plantel portista para 2001/2002. Um ano após a contratação de Pizzi, nova aquisição de 'risco', sabendo-se da trajectória irregular de Esnaider - bons desempenhos no Saragoça, Atlético Madrid e Espanyol, fracassos no Real Madrid (duas passagens) e Juventus, para além de problemas disciplinares por onde passou - e da sua terrível época anterior: sem espaço na Juventus, onde acusou a dureza da preparação física, com constantes lesões no tendão de Aquiles, rumara ao Saragoça, onde para além das lesões, acumulou acidentes disciplinares, com árbitros e adeptos do seu clube.
A sua passagem pelas Antas foi curta, marcada por permanentes lesões, e sem registos positivos, para além de um golo ao Estrela da Amadora, numa eliminatória da Taça de Portugal. 3 jogos para a SuperLiga, todos incompletos, 2 jogos na Taça e 1 na Liga dos Campeões - incompleto, diante do Rosenborg - são o seu registo de 'azul e branco'. Partiu, sem deixar saudades, em meados de Janeiro, transferido para o River Plate. Evitou polémicas na hora da partida, depois de alguns incidentes com Octávio Machado, que dias depois, seria despedido. Amargurado, o palmelense, na sua primeira entrevista após a saída do FC Porto, dedicou uma frase ao avançado argentino: 'Esnaider pelas condições em que vinha nunca devia ter entrado no FC Porto'. Depois da passagem pelo River Plate, Esnaider regressou à Europa, para representar o Ajaccio e o Real Murcia, antes de voltar novamente à Argentina, onde representa o Newell's Old Boys de Rosario.


Os outros


Christian Omar Bonilla e Juan Manuel Seijo, dois médios das escolas do Argentinos Juniors, rumaram aos escalões de base do FC Porto, em Setembro de 2000, com apenas 16 anos, numa operação mediada por Jorge Mendes. Não vingaram, e em Março acabariam dispensados, com destino à equipa sénior do Salgueiros, onde também não se viriam a fixar. E, se Bonilla desapareceu do mapa, Juan Manuel Seijo, actualmente com 20 anos, joga nas reservas do Argentinos Juniors.
Já em Janeiro deste ano, chegou mais um jogador argentino para o FC Porto, com destino à equipa B: o ponta de lança Gonzalo Marronkle, de 20 anos, que mostrou qualidades na finalização na 2ªB. Homem de área, bastante alto e possante, joga fixo entre os centrais adversários, finalizando, por norma, de pé esquerdo ou de cabeça. Antes de rumar ao FC Porto representou o Lanús - estreou-se na primeira equipa com 17 anos -, o Defensa y Justicia e Los Andes.



Treinadores argentinos: aposta dos anos 40 e 50


Eládio Vaschetto


Orientou o FC Porto em 1947/48, época que não correu bem a nível interno, já que os portistas acabaram em 5º, em igualdade pontual com o 4º (Estoril-Praia). No entanto, o futebol praticado pelos 'azuis e brancos' deslumbrou, dada a sua forte vocação ofensiva, que conduziu Araújo ao título de melhor marcador do campeonato com 36 golos. Para além disso, o FC Porto deixou boa imagem nos encontros internacionais: venceu o Valência, campeão de Espanha, por 1-0, com golo de Catolino, e o Arsenal de Londres, por 3-2, com golos de Correia Dias (2) e de Araújo.
Três anos depois regressou, já que dirigentes, adeptos e atletas desejavam que voltasse ao comando técnico dos 'dragões', onde era carinhosamente apelidado de 'homem do Arsenal'. Homem de muito trabalho e poucas falas, Vaschetto protagonizou um arranque fabuloso de campeonato, em 1951/52, com os 'dragões' a chegarem a meio da prova isolados no comando com 3 pontos de vantagem, numa equipa onde pontificavam Barrigana, Virgilio, Carvalho, Joaquim, Vieira e Hernâni. Só que nos últimos dias de Dezembro de 1951 desapareceu misteriosamente rumo ao México, onde fora futebolista. Deixou os seus fatos e mobílias no Porto, e, ao que se sabe, não mais as veio buscar. O seu substituto, o espanhol Pasarín, realizou um trabalho desastroso, perdendo não só a liderança do campeonato, como também deixou cair a equipa no 3º lugar, em igualdade com o Belenenses (4º).


Alejandro Scopelli


Alejandro Scopelli, também conhecido por 'El Conejo' (o coelho), fez parte da primeira selecção argentina a estar presente num Mundial, em 1930. Mais tarde, viria a envergar também a camisola da selecção italiana, depois de se transferir para a Roma. Passou ainda pelo Racing de Paris, mas a Guerra, trouxe-o até Portugal e ao Belenenses, onde se tornou num jogador e treinador de referência. Viria a ser ele a introduzir em Portugal o esquema táctico WM e também a marcação individual. Depois de uma passagem pelo Chile, ainda como jogador, regressou a Portugal, onde treinou a selecção portuguesa, antes de rumar ao FC Porto, em 1948/49, tendo protagonizado uma temporada irregular, acabando em 4º lugar. A intenção dos dirigentes portistas era, mesmo assim, de lhe renovar contrato, mas optou por aceitar uma proposta do Deportivo la Coruña. Aliás, seria em Espanha que viria a passar grande parte da sua carreira de treinador, introduzindo outros métodos inovadores: no Espanyol, por exemplo, ficou conhecido por ligar os seus jogadores a tubos de oxigénio durante o intervalo, garantindo-lhes que correriam tanto na segunda parte como na primeira. Verdade ou não, o método teve correspondência a nível de resultados. Em Portugal, voltaria a trabalhar no Sporting, sem grandes resultados diga-se, onde 'roubou', em 54/55, no último minuto da temporada, através de um golo de Martins, o segundo título da história do Belenenses, 'oferecendo-o' ao Benfica. No início da década de 70 regressaria ao Restelo, já em final de carreira. Scopelli, nascido em Buenos Aires a 12 de Maio de 1908, faleceu em 1987.


Francisco Reboredo


Também argentino, foi jogador do FC Porto, tendo-se sagrado campeão de Portugal em 1937, ao lado de Pinga, numa equipa orientada tecnicamente pelo húngaro Szabo. Como treinador, teve uma breve passagem pelo comando técnico dos portistas em 1949/50, época em que foi o 4º (e último) treinador dos 'dragões', sucedendo a Alberto Augusto, Carlos Nunes e Augusto Silva. O FC Porto terminou o campeonato num modesto 5º lugar. Em 1961/62 voltou ao comando técnico do FC Porto, sucedendo, em Janeiro de 1962, ao húngaro Jorge Örth, um dos melhores futebolistas magiares de sempre, que faleceu repentinamente. Os portistas acabariam o campeonato em 2º lugar, a apenas dois pontos do Sporting, com Reboredo a rumar a Setúbal, onde rendeu Fernando Vaz, que se transferira para o Belenenses.


Lino Taioli


Antigo jogador, com passagens pelo futebol italiano, onde representou Génova e Mantova, já em fim de carreira, chegou a Portugal, em 1951/52, para orientar o Boavista, depois de uma passagem fraca pela Selecção da Colômbia e um trabalho positivo no Racing Santander. Conduziu os 'axadrezados' a um 5º lugar, onde era tratado por 'Mestre' Taioli, o que lhe abriu as portas do FC Porto. A carreira nos 'azuis e brancos' não estava a decepcionar, e a meio da temporada, encontrava-se a apenas dois pontos do líder Sporting, com os mesmos pontos do Benfica. Só que uma derrota em Évora, frente ao Lusitano, seguida de nova derrota, em casa, diante do Atlético, viria a custar-lhe o lugar. Foi rendido por Cândido de Oliveira, que, auxiliado pelos 'históricos' Pinga e Artur Baeta, não foi além do 4º lugar final.

Publicado por rui malheiro às 02:23

Comentários

Parabéns, mais uma vez o Terceiro Anel faz serviço público.
Esperemos que as coisas corram melhor com Lucho...

Publicado por: Nuno Silva [TypeKey Profile Page] em junho 13, 2005 09:56 AM