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quinta-feira, 30 junho 2005

Vitória Setúbal: Norton de Matos e a viragem para França

Categoria: Col>> Rui Malheiro , V. Setúbal

Norton de Matos em Setúbal

Luis Norton de Matos fará a sua estreia como técnico na SuperLiga ao serviço do Vitória Setúbal, que lhe abrirá também a perspectiva de disputar as competições europeias. O Terceiro Anel propõe uma viagem pelo trajecto deste treinador multi-facetado, que nunca escondeu a sua predilecção pelo futebol argentino e francês. E tem sido o mercado francês uma das principais apostas do Vitória Setúbal para a construção do plantel para a nova temporada: conheça os reforços, os outros alvos, mas também as aquisições feitas por Norton de Matos no mercado francês, como director desportivo do Sporting e treinador do Sp. Espinho e Salgueiros.



O percurso como jogador


Norton de Matos


Luis Maria Cabral Norton de Matos, nasceu em Lisboa a 14 de Dezembro de 1953. Sobrinho-bisneto do General José Norton de Matos, grão-mestre da Maçonaria portuguesa e candidato à presidência da república em 1948, preso e exilado pelo antigo regime, Luis Maria cresceu sob essa sombra, que acabou por lhe dar algum destaque em termos de imprensa desportiva no início da carreira.
Depois de ter dado os primeiros passos nas camadas jovens do Estoril-Praia 'saltou', enquanto júnior, para o Benfica, onde se sagrou campeão nacional da categoria.
Em 1972/73 foi promovido à equipa sénior dos 'encarnados', mas não teve qualquer oportunidade na primeira equipa, rumando, na temporada seguinte, por empréstimo, à Académica, onde tentou, sem sucesso, ingressar no ensino superior.
Em 1974 regressaria à Luz, mas a falta de oportunidades acabaria por o levar a outros clubes: Estoril, Atlético e Belenenses, numa carreira em crescendo, que lhe abriria as portas do Standard Liège, emblema belga que representou entre 1978 e 1981, somando, em três épocas, 20 golos, em 87 jogos, entre Campeonato, Taça e Competições europeias.
Em 1981, regressou a Portugal, para representar o Portimonense, onde se manteve até 1984. Acabou por ser nessas três épocas um dos principais responsáveis pelas boas carreiras dos algarvios na divisão maior do futebol português, vencendo prémios de regularidade e de jogador do ano da imprensa desportiva nacional em 1981/82.
Em 1984, abandonou em litigio o clube, e apesar de se ter falado num eventual interesse do Benfica, assinou pelo Belenenses, onde jogou duas temporadas. O ponto final na sua carreira deu-se na Amadora, ao serviço do Estrela, em 1986/87.
Ao todo, foi internacional português em 8 ocasiões: 5 pela Selecção AA e 3 repartidas entre olímpicos, esperanças e júniores.


O percurso como treinador e director desportivo


Norton de Matos


Em 1989/90, Luís Norton de Matos iniciou a sua carreira como treinador no Atlético. Uma equipa maioritariamente composta por jovens, onde Camberra e Vinha viriam a ser os únicos jogadores a chegarem à divisão maior do nosso futebol. A estreia como técnico durou pouco, já que abandonou o clube ainda antes do final de 1989.
O passo seguinte foi a Selecção Nacional, onde viria a trabalhar com António Oliveira, na selecção de Esperanças, também sem grandes resultados. Em 1991 rumou ao Barreirense, acabado de cair na 2ªB, onde se manteve durante duas temporadas: na primeira época, não foi além de um modesto 11º lugar, seguindo-se um 3º lugar, em 1992/93. Do plantel, sem grandes nomes, acabaram por ser os centrais Fonseca e Duca, ainda em início de carreira, a atingirem maior projecção no futebol português.
Após abandonar o Barreirense, iniciou a temporada 1993/94 sem clube, mas rapidamente encontrou colocação: Quinito, com quem curiosamente trabalhará em Setúbal, foi despedido do Sp. Espinho após um decepcionante início de campeonato na Liga de Honra, mas Norton de Matos esteve longe de conseguir colocar o clube na rota do regresso à SuperLiga, acabando por cair num modesto 14º posto, com a manutenção apenas a ser garantida nas últimas jornadas. Na temporada seguinte, ainda em Espinho, promoveu uma reformulação no plantel, que conduziu a um campeonato tranquilo: 9º lugar final. Registam-se as suas apostas em dois talentosos jovens formados no clube - Pedro e Cardoso -, como também em Bolinhas e Artur Jorge, que, em conjunto, valeram 23 golos em 1994/95.
Terminado o campeonato, Norton de Matos decidiu fazer uma pausa no trabalho como técnico e aceitou um convite de Pedro Santana Lopes para assumir o cargo de Director Desportivo do Sporting, com a anuência de Carlos Queirós, na altura treinador. Manteve-se no cargo durante cerca de dois anos e meio, já que em Novembro de 1997, após divergências com Simões d'Almeida, na altura 'braço direito' de José Roquette, saiu do clube.
Meses mais tarde, regressaria ao Sporting, já sem Simões d'Almeida, e com José Couceiro, o seu 'sucessor', a ver o seu cargo esvaziado após o despedimento de Carlos Manuel. Com o pomposo cargo de Consultor para o Futebol, Norton de Matos manter-se-ia em funções entre o Verão de 1998 e Abril de 1999, saindo do clube ainda antes do final de (mais) uma época má em termos desportivos, onde várias das suas apostas na prospecção se revelaram um fracasso.
Ao longo do seu trajecto no Sporting, em que o êxito desportivo resume-se à conquista de uma SuperTaça, foi o principal responsável pelas apostas em Waseige e Jozic, que estiveram longe de resultar, mas também, segundo o próprio, numa entrevista ao jornal 'Record', em 2000, pela aquisição de 26 jogadores, nos quais o Sporting investiu cerca de 6,3 milhões de contos, mas obteve lucros na ordem dos 3 milhões de contos, já que a venda de 20 deles permitiram o encaixe de 9,3 milhões de contos. Contas, no mínimo, discutiveis, se analisarmos as 36 aquisições - e não 26 - feitas pelo Sporting com Norton a desempenhar os cargos de Director Desportivo e Consultor para o futebol.
Eis os nomes: Acosta, Afonso Martins, Assis, Balajic, Bino, Carlos Miguel, César Ramirez, De Wilde, Delfim, Dominguez, Duscher, Gil Baiano, Gimenez, Hadji, Heinze, Kmet, Krpan, Lang, Leandro Machado, Luis Miguel, Marcos, Mauro Soares, Misse Misse, Nélson, Nenê, Ouattara, Paulo Alves, Pedro Barbosa, Pedro Martins, Quim Berto, Quiroga, Saber, Skuhravy, Tiago, Vidigal, Vinicius. (não contando com Hanuch e Viveros, jogadores referenciados por Norton de Matos, mas já contratados após a sua saída do clube).
Após uma paragem de mais dois anos, assumiu, no Verão de 2001, o comando técnico do Sp. Espinho, retomando a sua carreira de treinador, curiosamente no clube que abandonara para rumar a Alvalade. As expectativas eram elevadas, com uma aposta muito forte no mercado francês e argentino, dois dos seus 'eternos' alvos preferenciais, mas que acabou por se revelar um verdadeiro fracasso. A temporada foi decepcionante, com Norton de Matos a abandonar o clube, na zona de descida, à 25ª jornada. Formosinho, futuro responsável pela equipa B do Vitória de Setúbal, foi quem lhe sucedeu à frente dos 'tigres', mas não conseguiu evitar a descida do Sp. Espinho à 2ªB.
Depois de nova paragem, de cerca de um ano, foi convidado para assumir o comando técnico do Salgueiros, também na Liga de Honra, na recta final do campeonato 2002/03. Depois de ter andado semanas consecutivas na liderança sob o comando técnico de Carlos Manuel, a equipa entrara numa trajectória descendente, mas ainda estava perto da zona de subida. A substituição foi desastrosa, e o Salgueiros acabou por se afundar na 9ª posição, acumulando derrotas. A nova época marcou uma profunda remodelação no plantel, com a aposta em muitos jovens, que acabou por resultar: 6º lugar, e o lançamento de alguns talentos, como Nélson, actualmente no Boavista, e Fábio Hempel, que se viria a sagrar melhor marcador da prova.
A boa prestação, valeu-lhe a renovação do contrato para 2004/05, época que foi atempadamente preparada, com novas apostas em jovens promissores: José Fonte, Flávio e Heitor, que acompanharão Norton em Setúbal, onde já está o guarda-redes Moretto contratado pelo Salgueiros no Verão de 2004, mas também jogadores como Ricardo Pateiro (futuro jogador do Nacional), Ricardo Jorge (futuro jogador do Rio Ave) e Igor (fará a pré-época do Boavista).
Só que a 13 de Julho de 2004, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional despromoveu, por dívidas, o Salgueiros à 2ªB, assistindo-se a uma debandada de jogadores, que levaram Norton de Matos a abandonar o comando técnico do clube em Agosto.
Depois de um ano de paragem, segue-se a estreia na divisão maior ao serviço do Vitória Setúbal, que lhe permitirá também o seu debute, como técnico, em competições europeias. À sua espera um trabalho complicado, dadas as inúmeras saídas e também porque a fasquia - depois de uma época positiva, abrilhantada pela conquista da Taça de Portugal - está alta.
Tacticamente, costuma apresentar as suas equipas em 4x2x3x1, não muito diferente do esquema utilizado pelos sadinos na última temporada.


O primeiro futebolista 'cor-de-rosa'


Norton de Matos com Boy George


Multi-facetado, Norton de Matos viveu também experiências na área do jornalismo, quer escrito, quer televisivo, como experimentou o cinema, a televisão, a moda e a publicidade, que lhe permitiram ser o primeiro (ex-)futebolista a ter uma presença assídua nas publicações cor-de-rosa.
Ainda como jogador, no final da década de 70, Luís Norton de Matos foi colaborador do jornal 'Record', aproveitando a sua experiência no futebol belga. Já em plena década de 80 foi fundador e director da revista FOOT, publicação de referência, que viria a abandonar no início da década de 90. Passou depois pelo Semanário e pela TVI, como comentador, antes de ingressar no Sporting como director desportivo. Após a sua primeira saída de Alvalade, e antes do seu regresso, foi cronista do jornal Público durante o Mundial de França. Depois de abandonar, de forma definitiva, o Sporting, em 1999, foi cronista do 24 Horas, director do jornal online Desporto Digital e comentador da RTP, onde chegou a ser afastado por algum tempo, depois de Luis Duque, na altura presidente da SAD do Sporting, o ter acusado de ser 'um empresário que se esconde nas funções de jornalista', após um alegado aliciamento a jovens jogadores dos 'leões'. Mais recentemente, voltou a colaborar como comentador da TVI, no Euro 2004, e do jornal 'Record', durante a temporada 2004/05.
Mas não só no jornalismo Luis Norton de Matos fez incursões: passou também pela publicidade e trabalhou como actor, em séries televisivas e no cinema, onde participou em três filmes de Joaquim Leitão: 'Voltou', 'Resgate' e 'Ao fim da noite'.



As 'aquisições francesas' de Norton


Afonso Martins. A sua chegada a Alvalade coincidiu com a de Luis Norton de Matos. Afonso, na altura com 22 anos, era há duas temporadas titular do Nancy, da 2ªDivisão francesa, rumando a Alvalade, apesar do interesse de outros clubes portugueses. Esteve sete anos no Sporting, mas depois de nas primeiras três temporadas ter sido utilizado de forma irregular, passou quatro épocas na 'prateleira', realizando apenas dois jogos pela equipa principal. Depois de uma boa época na equipa B, rumou ao Moreirense, de onde saltou para o Vitória Guimarães, onde realizou uma temporada abaixo das expectativas. Na última época regressou a Moreira de Cónegos, sem o sucesso da primeira passagem.


Hadji

Mustapha Hadji. Médio ofensivo, chegou ao Sporting, em 1996, após várias épocas, de grande nível, no Nancy, onde actuara com Afonso Martins. Internacional marroquino, pegou de estaca em Alvalade, e apesar de alguma irregularidade exibicional, acabou por ser uma das unidades de maior rendimento em 1996/97. A época seguinte, ainda a começou de 'leão' ao peito, mas, em Dezembro de 1997, accionou a cláusula de rescisão para rumar ao Deportivo la Coruña, após o Sporting ter rejeitado uma melhoria no seu contrato. Um processo polémico que acabaria por render aos cofres verde-brancos 1 milhão de contos. Após um ano em meio em Espanha, onde não se afirmou, rumou ao futebol inglês, onde representou Coventry - com sucesso - e Aston Villa. Sem espaço no Villa, acabou por rumar, a meio da época 2003/04, ao Espanyol, onde marcou 2 golos, em 16 jogos.



Lang

Didier Lang. Formado nas escolas do Metz, onde surgiu na primeira equipa em 1989, foi conquistando espaço, assumindo-se como titular em 1992. Chegou a Alvalade, no Verão de 1997, a custo zero - mas com luvas de ouro -, depois de uma excelente época na 1ªdivisão francesa, em que marcou 4 golos, em 35 jogos. Ao serviço do Sporting, afirmou-se no início da temporada com Octávio Machado, assumindo-se como um jogador importante na transformação de lances de bola parada, o seu ponto mais forte, como o demonstrou, com duas assistências, na histórica vitória por 3-0 ao Mónaco na Liga dos Campeões. No entanto, foi perdendo espaço na equipa, ao evidenciar poucos argumentos em bola corrida, e acabou por ser afastado da equipa, devido a problemas disciplinares, por Cantatore. Carlos Manuel, quando chegou a Alvalade, ainda lhe deu uma oportunidade, mas o jogador voltou a evidenciar um carácter truculento e foi afastado. Regressou a França, onde passou por Sochaux, Troyes, Metz e Le Mans, cumprindo uma trajectória decrescente.



Marguet

Frédéric Marguet. Guarda-redes francês, foi contratado para o Sp. Espinho em 2001/02, oriundo do Valence, onde actuara nas três épocas anteriores, depois de ter surgido no Louhans-Cuiseaux. Não foi utilizado em nenhum jogo da Liga de Honra e acabou dispensado no final da temporada. Regressado a França, passou por dois clubes da CFA 1 (equivalente à nossa 3ªDivisão) e 2 (distrital): o Avion e o Meaux CS, onde esteve nas duas últimas temporadas. É apontado, pela imprensa francesa, como possível reforço da Ovarense ou do Moreirense.



Harry

Harry Ntimban-Zeh. Possante defesa-central francês, foi contratado pelo Sp. Espinho em 2001/02, após o fracasso do argentino Juan Brown, que seria dispensado ao Barreirense. Formado nas escolas do Racing Club Paris, passou depois pelo Calais, Bologne, Dijon, até chegar a Portugal, semanas antes de completar 28 anos. Apesar da má campanha dos 'tigres', acabou por ser dos jogadores mais regulares, prolongando o seu vínculo contratual. Manteve-se ligado ao Espinho até metade da época 2003/04, altura em que se transferiu para o Wimbledon, clube pelo qual realizou 10 jogos. Na última época manteve-se em Inglaterra, representando o Milton Keynes Dons da Coca-Cola Football League One, pelo qual efectuou 11 jogos, sempre como titular.



Vellas

Julien Vellas. Polivalente canhoto, adaptável a lateral, volante ou médio ala, produto das escolas do Nîmes, onde foi promovido à primeira equipa em 1999. Sem grandes oportunidades, rumou, com 20 anos, em 2001/02, ao Sp. Espinho, engrossando o contingente francês. Realizou uma temporada regular, apontando 1 golo, em 28 jogos. A principal mancha, para além do rendimento colectivo, foram os dois cartões vermelhos que viu no decorrer da prova. Regressado a França, tem vindo a fazer carreira no National, equivalente à nossa 2ªB: primeiro no Alês, depois no Raon-l'Etape, onde totalizou 4 golos, em 63 jogos, nas duas últimas temporadas.



Karim Belhocine

Karim Belhocine. Médio ofensivo francês, de origem magrebina, teve uma passagem sem chama pelo futebol português, onde apenas realizou 4 jogos pelo Sp. Espinho, em 2001/02. Oriundo do Vaulx-en-Velin, regressou a França após jogar em Portugal, representando clubes da CFA: o Forbach e o Trélissac.



Karim Benkouar

Karim Benkouar. Formado nas escolas do Nimes, onde se estreou na primeira equipa em 1999, este internacional olímpico marroquino, que marcou presença nos Jogos Olímpicos de 2000, chegou a Espinho em Dezembro de 2001, com muitas expectativas em seu redor, já depois de uma breve passagem pelo Panionios da Grécia. Extremo-direito, cujo principal predicado era a velocidade, não se adaptou ao futebol da Liga de Honra, apenas realizando 4 partidas, tendo, mesmo assim, marcado um golo. Regressou ao Nimes, onde realizou uma temporada intermitente na National 1, acabando por ter dificuldades em encontrar clube em 2003/04. Passou pelo Penafiel, à experiência, acabando por rumar ao Paredes, da 2ªB, onde acabou a temporada.



Tagro

Hypolite Koueto Tagro. Avançado veloz e bastante móvel, natural da Costa do Marfim, fez, no entanto, a sua formação em França, nas escolas do Paris Saint Germain. Depois de representar a equipa secundária do principal clube de Paris, saltou para o Sp. Espinho, onde apontou 4 golos, em 25 jogos, na temporada 2001/02. Dispensado no final da temporada, rumou ao Louletano, onde deu nas vistas, com Norton de Matos a apostar novamente na sua aquisição, desta feita para o Salgueiros. Não se impos em Paranhos, onde apenas efectuou 3 jogos em 2003/04, e depois de algumas dificuldades em arranjar colocação, regressou ao Louletano, em Dezembro de 2004, reforçando o sector ofensivo da formação algarvia.



Hamid Rhanem

Hamid Rhanem. Extremo francês, de origem marroquina, actua preferencialmente pela esquerda. Contratado pelo Desp. Aves ao modesto Salbris, da CFA francesa, foi aposta de Norton de Matos, em 2003/04, para o Salgueiros. Protagonizou boas exibições, apontando 3 golos e realizando várias assistências para Fábio Hempel. Foi contratado pela Naval, contribuindo com 3 golos, em 23 jogos, para a subida à SuperLiga do emblema da Figueira da Foz. O seu futuro, para já, é uma incógnita.



França: Apostas sadinas para 2005/06


Mamadou Diakité

Mamadou Diakité. Médio defensivo maliano, de 20 anos (22/5/1985), 1.75/72, ex-Metz B, fez a sua formação no futebol francês. Internacional sub-20 pelo seu país, marcou presença no Mundial da categoria em 2003, onde foi apenas utilizado na última partida da primeira fase diante da Argentina. Na altura, representava a formação secundária do Cannes, mas, no Verão de 2003, rumou ao Metz. Nos dois anos que esteve no clube, acabou por nunca ter uma oportunidade na equipa principal, alinhando pela equipa secundária, que disputou o campeonato da CFA, equivalente à nossa 3ªDivisão. Em 2004/05 nem sempre foi titular, actuando apenas em 11 jogos. É um médio defensivo, especialmente talhado para missões de contenção e de marcação, bastante agressivo e eficaz na recuperação de bola.



Siramana Dembelé

Siramana Dembelé. Médio francês, bastante polivalente, de 27 anos (27/1/1977), 1.70/70, ex-Nîmes. Com uma carreira construida nas divisões inferiores francesas, Dembelé foi o escolhido para suceder a Sandro no centro do meio campo sadino. No entanto, a sua primeira oportunidade como profissional surgiu no Paris Saint Germain, onde, com 17 anos, chegou a treinar-se com a equipa principal, cruzando-se com Ginola e Weah, dois dos seus heróis, a seguir a Pelé, o seu ídolo. Sem espaço na equipa principal do PSG, acabou por rumar ao Villiers le Bel, onde actuou por duas vezes, intervaladas por uma passagem pelo St-Denis. Mas seria no Les Lilas, um clube modesto da CFA, que representou durante quatro épocas, que conseguiria algum destaque: capitão de equipa, considerado um dos melhores jogadores da divisão, chegou a ser observado por várias equipas da Ligue 1, com o Auxerre a adiantar-se na corrida pelo seu concurso. Contudo, acabou por optar por rumar ao Alès, onde esteve um ano, seguindo para o Cannes, e, na época passada, para o Nîmes, onde marcou 5 golos, em 36 jogos, na National 1, equivalente à nossa 2ªB. Médio centro, é facilmente adaptável a várias posições no centro do terreno: no Les Lilas actuava mais como médio ofensivo, mas tem vindo a recuar no terreno, podendo jogar como médio mais defensivo, a interior ou como segundo médio defensivo, num esquema de 4x2x3x1. Mesmo que sem uma grande estampa física, trata-se de um jogador com grande 'pulmão' e capacidade de liderança, que defende bem e trabalha bastante para a equipa, mas que sabe sair para o ataque, conduzindo e distribuindo jogo com qualidade. Para além disso, é um jogador que tenta, várias vezes, os remates de fora da área.



Grégory Lacombe

Grégory Lacombe. Médio ofensivo francês, internacional sub-18 e sub-21, de 23 anos (11/1/1982), 1.64/58, ex-AS Monaco. Formado nas escolas do clube monegasco, Lacombe foi presença regular nas selecções mais jovens da França. Em Fevereiro de 2000, com apenas 18 anos, teve oportunidade de se estrear pela primeira equipa do Mónaco, participando numa partida diante do Lyon, que lhe permitiu sagrar-se campeão de França em 1999/2000. Continuou ao serviço do clube mais duas temporadas, mas as oportunidades foram poucas: 11 jogos, 1 golo. No Verão de 2002 foi emprestado ao Ajaccio, onde viria a jogar duas temporadas. Na primeira, realizou um campeonato de bom nível, apontando 5 golos, em 29 jogos, decisivos na manutenção do clube na divisão maior francesa ; na segunda, caiu de produção, apontando 2 tentos, em 21 partidas. No Verão passado regressou ao AS Mónaco, com expectativas de vir a ser mais utilizado, o que acabou por não acontecer: não fez qualquer jogo pela equipa principal, jogando pela equipa B, que disputou a CFA, pela qual realizou 18 jogos, apontando 5 golos. Trata-se de um médio ofensivo, que actua preferencialmente aberto nas alas, de preferência à esquerda, mas também à direita, podendo também desempenhar as funções de 'nº10'. Apesar de ser bastante limitado em termos físicos, trata-se de um jogador muito rápido e dotado tecnicamente, com qualidades no passe e também um bom marcador de livres. Os seus pontos mais fracos são, dada a sua baixa estatura, o jogo aéreo e alguma falta de agressividade em termos defensivos, já que é um jogador pouco dado a correr atrás da bola.


Lacombe: Estatísticas 2002 a 2005


Golos ao detalhe: 7 golos, 5 em solitário, 1 bis, 4 golos na primeira parte, 3 golos na segunda parte, 2 golos em casa, 5 golos fora de casa, 1 golo a partir do banco



Vitória Setúbal: Prospecção francesa para 2005/06


Benhamou

Julien Benhamou. Defesa polivalente francês, de 27 anos, 1.80/72, do Nîmes, onde foi titularíssimo na última época. Com uma carreira construida nos escalões inferiores, já representou também Grenoble FC, Norcap Grenoble, Aurillac e Pau. Faz qualquer posto do sector defensivo, actuando, de preferência, nas laterais, mas pode também jogar no centro da defesa ou como médio ala. Consistente em termos defensivos, é também um jogador com qualidades nos cruzamentos, quer em bola corrida, quer em bola parada.



Yao

Jean-Pascal Yao. Defesa central, de 27 anos, 1.88/76, também do Nîmes, clube com o qual acabou contrato no final desta temporada. Com largo percurso nos escalões secundários, já representou o Valence, o Grenoble e o Saint-Ettiene, tendo chegado ao Nîmes em 2003, onde somou 52 jogos nas duas últimas temporadas. Central habitualmente de marcação, é um jogador agressivo, forte fisicamente e com bom jogo aéreo.



Cantareil

Alain Cantareil. Polivalente canhoto, de 21 anos, 1.78/70, formado nas escolas do Marselha, esteve, na última temporada, emprestado ao Nîmes, clube pelo qual fez 29 jogos, marcando um golo. Faz com facilidade qualquer posto no flanco esquerdo, podendo actuar como lateral, volante, médio ala ou mesmo como médio interior.



Thibault Giresse

Thibault Giresse. Médio ofensivo, filho de Alain Giresse - uma das maiores estrelas do futebol francês na década de oitenta -, de 24 anos, 1.72/65, jogador do Toulouse. Actua preferencialmente à esquerda, como ala, ou no centro do terreno, como 'nº10', tratando-se de um jogador canhoto, de processos simples, com um excelente remate, quer em bola corrida, quer em bola parada. Depois de um início de carreira, ao serviço do Toulouse, que augurava voos mais altos, ajudando a conduzir, com 14 golos - 8 em 01/02, 6 em 02/03 - a sua equipa da National 1 à Ligue 1, o jogador não se conseguiu afirmar na divisão maior francesa, e foi emprestado ao Le Havre. Na última época regressou ao Toulouse, realizando uma época com altos e baixos, somando 2 golos, em 28 jogos, 20 dos quais como titular.



Jawad El Hajri

Jawad El Hajri. Avançado francês, de origem magrebina, de 25 anos, actua no Boulogne-sur-Mer, uma das revelações da temporada francesa, por ter ganho um dos grupos da CFA, mas sobretudo por ter chegado aos quartos de final da Taça de França. Foi a estrela principal da equipa, tendo apontado 17 golos, em 23 jogos, no campeonato. Actua preferencialmente como 2º avançado, gozando de liberdade, quer para aparecer pela direita, quer pelo centro. Veloz, dotado tecnicamente e com bom poder de finalização, tem muito mercado, depois de passagens pelo Pacy, Guingamp - onde não vingou - e Cherbourg.



Enza Yamissi

Ethisse Enza Yamissi. Médio ofensivo franco-centro-africano, de 22 anos, 1.75/70, jogou no Nîmes na última temporada, marcando 3 golos, em 35 jogos. Formado nas escolas do Bordéus, não teve hipóteses na equipa principal, seguindo depois um percurso irregular pelo La Roche-sur-Yon, Alès e Nîmes, onde actuou nas duas últimas temporadas, mas só na última conseguiu 'vingar'. Os seus pontos fortes são a velocidade e a capacidade técnica, tratando-se de um jogador que pode actuar como médio ofensivo pelo meio, mas também descair para o flanco esquerdo.



Touré

Alioune Kissima Touré. Extremo-direito, de 26 anos, 1.70/62, é apontado, neste momento, como mais do que provável reforço dos sadinos. Com um percurso muito irregular, começou a carreira no Nantes, onde apareceu na primeira equipa com apenas 18 anos. Manteve-se no clube até ao Verão de 2001, altura em que foi emprestado ao Manchester City, que abandonaria meses depois, tendo apenas realizado uma partida para o campeonato. Em Dezembro de 2001 foi reintegrado no plantel do Nantes, mas não fez qualquer jogo, acabando por transferir-se, no Verão seguinte, para o PSG, onde nunca se impôs como titular, tendo estado próximo de rumar à União Leiria em 2003/04. A temporada passada, depois de ter começado a época no PSG, foi emprestado ao Guingamp, da Ligue 2, realizando 11 jogos, sem qualquer golo. O seu jogo caracteriza-se por uma extrema velocidade, à qual alia uma boa técnica, ganhando, várias vezes, a linha de fundo, de onde arranca alguns bons cruzamentos. Touré peca, no entanto, por uma extrema irregularidade exibicional, para além de evidenciar algumas deficiências a nível do controlo de bola e, também, por ser um jogador demasiado individualista e com dificuldades na finalização.



Coquio

Florian Coquio. Avançado francês, de 26 anos, 1.80/73, actuou na última temporada no Boulogne-sur-Mer, depois de um percurso irregular, e sem grande chama, nos escalões secundários, ao serviço do Racing 92, Saint-Lô, La-Roche-sur-Yon, Mulhouse e Poitiers. Em 2004/05, apontou 7 golos, em 22 jogos, na CFA, contribuindo também para a boa campanha da equipa na Taça. Trata-se de um avançado com algumas limitações técnicas, mas móvel, muito agressivo e lutador.



Shiva-Star N'Zigou

Shiva-Star N'Zigou. Avançado internacional gabonês, com nacionalidade francesa, de 21 anos, 1.75/68, contratualmente ligado ao Nantes - estreou-se na primeira equipa em 2001/02, com 18 anos -, que o emprestou, nos últimos meses, ao Gueugnon, da Ligue 2, onde apontou 5 golos, em 18 jogos. Muito rápido e dotado tecnicamente, pode actuar como avançado solto ou descaído para o flanco direito.



Gigliotti

David Gigliotti. Avançado, internacional francês nos escalões inferiores, esteve presente no último Torneio de Toulon, tendo sido suplente utilizado na final diante de Portugal. Tem 20 anos, 1.76/74, e actua no AS Mónaco, clube pelo qual fez 6 jogos pela equipa principal a época passada, marcando um golo, diante do Nîce. No entanto, foi utilizado com regularida na equipa B, que disputou o CFA, apontado 9 golos, em 20 partidas. Rápido e móvel, apesar de não ser alto, é um jogador que aparece com muita facilidade na área, em posições de finalização.



Fauvergue
Nicolas Fauvergue. Ponta-de-lança, de 20 anos, internacional francês nos escalões inferiores, esteve presente no último torneio de Toulon, onde marcou um golo a Portugal na final. Jogador do Lille, ainda não garantiu um lugar na primeira equipa - 1 golo, em 5 jogos como suplente utilizado -, por isso tem vindo a jogar na equipa B, pela qual marcou 5 golos, em 26 jogos na CFA. Muito alto e possante, trata-se de um típico avançado de área, que desgasta bastante os centrais adversários e é bastante forte no jogo aéreo.

Publicado por rui malheiro às 12:55

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