segunda-feira, 14 junho 2004




Domingo Subjectivo - O Santo António Não Merecia

Após ausênica de duas semanas, o Domingo Subjectivo regressa em pleno Euro e no auge na decepção nacional.

Para um rapaz da capital , ou para alguém que tenha resolvido passar o mês de junho em Lisboa, este sexto mês do ano tem tudo para ser o mais emocionante, alegre, festivo e intenso de sempre.

Tudo começou no primeiro fim de semana. O festival Rock in Rio arrancou em força e proporcionou grandes momentos, como o concerto de Paul McCartney, pela primeira vez em Portugal. Oito dias depois, mais de cem mil pessoas entusiamadas passaram pelo recinto exibindo bandeira e cachecóis que mostravam a ansiedade pelo Euro.

Enquanto bandeiras nacionais cresciam nas janelas de toda a cidade, a 10ª edição do festival Super Bock Super Rock chegava ao cruzamento do rio trancão com o tejo. Mais horas de música, cerveja e animação. No fim do concerto dos Massive Attack, duas bolas "roteiro" gigantes foram lançadas sobre o público que desde logo mostrou estar mais do que preparado para o Euro, não dando descanso às réplicas da redondinha oficial.

Estava feita a ponte musical entre o fim de época nacional futebolística e o começo do campeonato da Europa. Uma ponte perfeita, que os lisboetas e visitantes viveram com grande animação. Estava tudo pronto, só faltavam os golos de Portugal.

Que dia mais indicado para ver a selecção iniciar a sua carreira no Euro, do que o dia 12 de Junho? Nenhum! Portugal jogava a meio da tarde, por isso a noite de Santo António prometia ser memorável.

Aconteceu o que todos sabemos, e afinal depois de tanta euforia vivida nos primeiros dias de Junho em Lisboa, a noite de S.António foi deprimente. Alfama e Castelo eram povoados de uma gente desiludida, triste e abatida. O consumo de bebidas e comidas foi muito abaixo do normal, e conseguia-se circular com facilidade, ao contrário do que acontece todos anos nesta noite.

Salvou-se a Bica, onde os lisboetas acabaram por se animar com a presença de gente sueca, espanhola, inglesa, dinamarquesa que acabou por empolgar os adeptos mais uma vez traídos pela sua selecção.

O mínimo que os meninos de Scolari podiam fazer para compensar esta banhada, era ganhar o torneio. Alguem acredita nisso?
Por mim, ficava satisfeito se a equipa técnica de Portugal tivesse dado ordem aos seleccionados para irem para as ruas de Lisboa sentirem e ouvirem a tristeza de um povo que depositou neles toda a sua alegria. Se o fizeram em Óbidos, também podiam ter feito na noite de Santo António que não merecia esta desfeita.



Publicado por João Gonçalves em 14 de junho de 2004 às 14:54
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