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segunda-feira, 25 julho 2005
Calisto: Rei no Vietname
Categoria: Col>> João Carmo , Portugueses no Mundo

Ponto prévio do autor
-- Há quem diga que até Luís Hipólito Campos seria campeão no Vietname.
-- Eu acredito que não é bem assim...
O Prof. Henrique Calisto sagrou-se, há alguns dias atrás e ainda com duas jornadas por disputar, campeão nacional do Vietname. Em Ho Chi Minh City, antiga Saigão, o treinador português está no 'céu'. Esta é uma das principais cidades do malfadado território onde milhares de inocentes foram violentamente assassinados, a norte sob o jugo do imperalismo norte-americano e onde apenas o Tribunal contra os Crimes de Guerra, presidido pelo filósofo Bertrand Russell, chamou a atenção do mundo e a sul, onde Henrique Calisto é rei, com as guerrilhas comunistas, apoiadas pela ex-URSS, a não estarem também isentas de culpa. Hoje, os dias são de paz e os vietnamitas vivem tempos melhores, especialmente desde que Calisto abraçou esta exótica odisseia no sudeste asiático.
Ao comando do Dong Tam Long An (também conhecido por Dong Tam Ceramics), ex-equipa do exército de Saigão, e com sede, no sul do país, na cidade de Tân An, nos suburbios de Ho Chi Minh, o Professor tornou-se herói. Antes, quando ainda acumulava funções de presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos com o de director desportivo da equipa do Dong Tam, por correspondência, fax ou até telefone, Calisto já sonhava com algo mais. E não é que o potencial sucessor do amigo Narciso de Miranda, agora perdido na causa do futebol-arte, vem surpreendendo a nação vietnamita desde a sua chegada, há quatro anos atrás. Ele é uma verdadeira figura nacional no país com frequentes passagens pela televisão, rádios e destaques de primeira página em quase todos os jornais. Até ao momento, desconhece-se quanto tempo faltará para que abrace a causa autárquica do Vietname.
Em território sul-asiático apenas ousou treinar a Selecção Nacional do Vietname - onde em 2002 ficou em 3º lugar na Tigercup - além do Dong Tam. Já em Portugal, conta com largo percurso como treinador - onde na fase final da sua carreira foi bastante criticado devido ao facto das suas metodologias de treino estarem 'demodées'- o Prof. Calisto já vestiu as 'cores' do Boavista, Salgueiros, Sporting de Braga, Varzim, Leixões, Penafiel, Desportivo de Chaves, Académica de Coimbra, Rio Ave e Paços de Ferreira. Das experiências passadas leva a satisfação de ter conseguido três subidas de divisão e de ter deixado o Boavista num lugar europeu, mas, fundamentalmente, de ter conquistado sempre amigos por onde passou. Frustração, sublinhou numa entrevista, leva apenas "a da derrota". E foi à custa de várias derrotas e insucessos desportivos consecutivos que, em 1999/2000, deixou o Paços de Ferreira, em Fevereiro de 2000, cedendo o seu lugar ao até então adjunto José Mota. O estreante Mota pegou numa equipa num modesto 11º lugar, a onze pontos dos lugares de subida e, no final, conquistou não só um lugar na Superliga, como também o título nacional da Liga de Honra - graças a um espectacular ciclo de 12 vitórias em 14 jogos. Calisto veio, de forma desagradável, a terreiro clamar pelos louros do triunfo pacense, aliás como já fizera em 1996/1997 com o Rio Ave de Carlos Brito, sustentando que havia sido ele a "lançar as bases", mas esquecendo-se das 13 derrotas em 15 jogos sob a sua responsabilidade técnica.
Descuidos e deselegâncias à parte, certo é que o técnico campeão vietnamita, antigo presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol, festejou o título nacional a duas jornadas do final da V-League. A festa em Tân An foi de arromba, já que o clube há mais de 30 anos que não era campeão. O sucesso do Professor está, para além da sua valia como técnico, nos jogadores. E como em todo campeonato de futebol que se preze, brasileiros não faltam na Primeira liga do Vietname. Sob o comando de Calisto, encontram-se quatro, todos de qualidade inquestionável. Fábio Santos é um guarda-redes experiente; Tostão, um suplente de ouro; Carlos Rodrigues - a estrela e o grande goleador da equipa - e com quem forma uma dupla temível com outro avançado, António Rodrigues. Além dos pupilos de Henrique Calisto, a última edição da V-League revelou o 'artilheiro' brasileiro, Kesley Alves, jogador do segundo classificado, Becamex Bình Duong e melhor marcador do campeonato, para além do nigeriano Amaobi Honest, do Ðà Nang, que foi terceiro melhor marcador da prova, mas cuja curta passagem, e consequente 'fuga' do Rio Ave em 2004/2005, fazem dele também uma das principais referências.
Ora, além do sucesso desportivo, Calisto é também um grande embaixador da língua, desporto e cultura portuguesa no Vietname. O Professor conseguiu mesmo rubricar um protocolo entre o seu actual clube e o Boavista, um facto que pode ser comprovado com a consulta desta reportagem fotográfica, a cargo do Terceiro Anel e onde se poderão encontrar os 'traços' do xadrez boavisteiro no logototipo do clube sul-vietnamita.
Publicado por joão carmo às 17:25
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