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sexta-feira, 19 agosto 2005
Liga de Honra: A antevisão de Jorge Barata
Categoria: 05/06 Guia da Superliga
Análise de Jorge Barata, responsável pelo sítio 'Liga de Honra', com todo o historial e estatísticas desde o início da competição.
Os Clubes
A sete "Futebol Clube", três "Clube Desportivo", outros tantos "Sport Clube" e "Sporting Clube", juntam-se uma "Associação Desportiva" e um "Grupo Desportivo". Resultado ? A composição da edição 2005/06 da Liga de Honra, a não ser que se verifique alguma alteração de última hora. Os dezoito contendores da nova época continuam concentrados a Norte, sendo 6 filiados na Associação de Futebol do Porto, 3 na congénere aveirense e dois na Associação de Futebol de Braga. Entre Aveiro e os clubes da zona da Grande Lisboa, encontra-se o isolado e regressado Sporting da Covilhã. Entre o Barreiro e os dois representantes algarvios, existe apenas o deserto que o Alentejo futebolístico tem constituído há mais de uma década. Finalmente, o Santa Clara.
Favoritos
O Santa Clara será um dos candidatos à subida de divisão. Assegurou o concurso de um técnico com um currículo assinalável no futebol nacional (Mário Reis), a par de alguns jogadores com experiência suficiente para assegurar um conjunto ambicioso, como são os casos de Quim Berto e Basílio Almeida, que se reencontram após os tempos de Guimarães. Os despromovidos Estoril, Moreirense e Beira Mar, estarão entre os favoritos, tendo os aveirenses depositado em Augusto Inácio a aposta no regresso imediato ao escalão maior.
Treinadores
Numa época em que todos os clubes apostaram em técnicos portugueses, verifica-se a estreia de 5 treinadores na prova, sendo que um deles (Luís Miguel/Felgueiras) fará a estreia absoluta no banco. Esta época está já marcada por um fenómeno raro nos campos de futebol lusos. Dois dos clubes despromovidos na época anterior (Moreirense e Estoril), estreiam dois jovens técnicos - Vítor Paneira e Daúto Faquirá. Este último vem de uma época em que alcançou o seu melhor registo como técnico - a subida do Barreirense após 15 anos na agora reestruturada e rebaptizada 2ªDivisão B. Quanto a Paneira, após uma excelente carreira como jogador, dá agora os primeiros passos como técnico na Liga de Honra, após passagem pelo GD Ribeirão, com algum sucesso.
No sentido inverso, regista-se o regresso do técnico recordista da Liga de Honra - Carlos Garcia. O técnico bracarense de 55 anos, é o treinador com mais jogos (309), clubes orientados (orientará o 8º) e épocas na Liga de Honra - 05/06 será a 12ª. Curiosamente, este regresso ocorre aos comandos de um clube que se estreia na Liga de Honra - o Futebol Clube de Vizela. O clube vizelense, desde que teve uma fugaz aparição no escalão máximo do futebol português (84/85), manteve-se sempre longe do topo. Desde a formação da então 2ªDivisão de Honra que o FC Vizela competiu sempre no escalão imediatamente inferior.
Se a experiência de Carlos Garcia tiver reflexos em resultados, o Vizela poderá adicionar o seu nome ao reduzido leque de clubes que conseguiram obter duas subidas consecutivas, subindo da 2ªB à (agora) Super Liga em apenas duas épocas - Varzim (95/96 a 97/98), Santa Clara (97/98 a 99/00), Moreirense (00/01 a 02/03) e Estoril (02/03 a 04/05). Se se mantiver este ritmo, o Vizela não festejará a subida esta época e será um dos clube que ascenderá à Liga de Honra no final da época a repetir o sucesso no ano seguinte. Em caso de insucesso desportivo, o técnico costuma ser o sacrificado mais óbvio. Neste contexto, importa referir que há vários técnicos no desemprego.
Para não falar dos técnicos que não mantiveram o seu lugar na Super Liga, destaque-se a ausência de Vítor Oliveira, único técnico com dois títulos em duas épocas completas de Liga de Honra. Aliás, dos 18 técnicos que se preparam para o pontapé de saída da prova, apenas um sabe o que é vencê-la - Diamantino Miranda (Campomaiorense 96/97). Apenas por curiosidade, registe-se o caso de Horácio Gonçalves. Corria a época 2002/03 e o técnico varzinista orientava o vizinho e rival Rio Ave. Após a 8ªJornada, Horácio Gonçalves foi rendido pelo novo técnico boavisteiro Carlos Brito que acabou por levar o clube vilacondense ao título... Para além destes dois técnicos, apenas três outros sabem o que é subir ao escalão máximo do futebol nacional - Carlos Garcia, o Prof.Neca e Rogério Gonçalves. No entanto, Carlos Garcia não chegou a festejar a subida no relvado pois foi substituído após a 23ªJornada da já longínqua época de 1993/94 pelo antigo Guarda Redes internacional António Jesus, nos comandos do GD Chaves.
Jogadores, experiência e títulos
A aposta de Daúto Faquirá na juventude, a par da média etária relativamente baixa dos recém-promovidos Barreirense e Covilhã, vieram reforçar ainda mais o carácter jovem da Liga de Honra. Longe vão os anos em que tínhamos atletas que coleccionavam duas subidas consecutivas, como aconteceu no início da década de 90, com os jogadores que se mudaram de Espinho para a Amadora, após contribuírem para a subida espinhense e que voltaram a festejar um ano depois. Sinal desta mudança é Ricardo Silva. Não falamos do central que voltará a vestir a camisola axadrezada esta época, mas de um extremo de baixa estatura que terá a sua derradeira (?) oportunidade para "dar o salto".
Ricardo(s) Silva(s)
Após passagens pelas camadas jovens de vários clubes da Grande Lisboa (Benfica incluído), Ricardo Silva fez a sua estreia como sénior no Real de Massamá, na 3ªDivisão. De baixa estatura mas com uma velocidade e capacidade técnica acima da média, Ricardo destacou-se ao ponto de ser contratado pelo V.Setúbal. No entanto, a ascensão da 3ª à 1ªDivisão terá sido demasiado exigente e Ricardo foi cedido ao Olhanense em Dezembro de 1997. A sua primeira experiência em Olhão foi suficiente para cativar o Gil Vicente, clube onde jogou na época seguinte e ajudou a regressar à 1ªDivisão. Adquirido pelo Boavista, chegou mesmo a alinhar na Liga dos Campeões, mas acabou cedido ao Freamunde, de regresso à Liga de Honra. Depois, ajudou o Santa Clara a regressar à 1ªDivisão, mas acabou por passar duas épocas e meia na 2ªDivisão B - Olivais e Moscavide. A primeira experiência olhanense terá feito os dirigentes do clube chamarem-no de volta ao Algarve. Mesmo nos tempos da 2ªB, Ricardo foi sendo falado para vôos mais altos, sempre sem efeito. Será desta ou continuará a ajudar clubes a subir ao escalão máximo sem que algum clube do escalão maior olhe para ele ? "Este" Ricardo Silva completará 29 anos dois meses antes de terminar a época que agora terá início. É apenas um de muitos exemplos de talento que o futebol português parece teimar em não aproveitar. Serve de exemplo para uma homenagem mais do que merecida aos jogadores que contribuem para fazer da Liga de Honra a competição mais equilibrada do futebol português.
Publicado por terceiro anel às 08:40
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