sábado, 3 julho 2004
União De Leiria - Análise

A União faz a força
Aparentemente, sem grandes alterações estruturais, a equipa do Lis é candidata é atingir uma posição algures no meio de nada, isto é, sem capacidade para passar da Intertoto mas longe de sobressaltos, apostando, sobretudo, em jogadores portugueses, alguns com experiência de Superliga, outros sem esse capital mas com vontade de provar algo.
Guarda-Redes - Bastiões do templo
Apostando na manutenção da base do conjunto, a primeira prova está na baliza onde a estrela Helton, por vezes incapaz de limpar a poeira cósmica, ameaça continuar a ser, não só, o dono da baliza como o jogador mais cobiçado do plantel, inclusivamente, noutros continentes.
Na sombra está o regressado Costinha, depois de falhada a aposta do ingresso num clube de maior destaque, típico guarda-redes português, ora capaz de chegar das defesas mais difíceis, ora incapaz de desfazer um cruzamento mas com vasta experiência no clube e na prova.
Com menor crédito surge ainda Quievreux, uma ameaça a Costinha na disputa pelo banco de suplentes, revisto e aumentado, do novo Estádio Municipal de Leiria.
Quanto ao júnior Luís Miguel, é apenas uma solução de recurso, baseando-se a sua chamada ao estágio numa perspectiva de aquisição de experiência.
Defesa - Imperadores ou bate-chapas?
O quatro defensivo da equipa leiriense não oferece muita variedade mas a oferta disposta é apelativa para a equipa e para futuros negócios.
À direita, Laranjeiro, o sucessor de Bilro, um jovem que se tem imposto, também pela falta de concorrência, mas principalmente pela disponibilidade, entrega e técnica com que compensa a falta de vigor físico, que, não raras vezes, o faz ser substituído.
Na esquerda, dois polivalentes, relativamente semelhantes, sendo Edson a opção natural neste lugar por defender razoavelmente, atacar ao nível de Rossato e ser um exímio batedor de bolas paradas e de pernas adversárias, o que lhe valeu, já, algumas expulsões.
A sua colocação como organizador de jogo parece absurda, pese embora ter resultado em Alverca, uma equipa temível no seu reduto, capaz de se agigantar perante o público adversário.
O concorrente directo, Alhandra, parece, esse sim, talhado para o meio-campo até pela capacidade técnica que sempre mostrou e alguma falta de rotina na defesa.
No centro da defesa, João Paulo, recém-promovido a capitão, é intocável, sendo um dos jogadores mais valiosos do clube, até pela recente participação no Europeu Sub-21, podendo, ainda, chegar aos Jogos Olímpicos, se os Pós-23 não interferirem.
Sendo um jogador fortíssimo na marcação, que incrementou capacidades a jogar à zona, tem, por vezes, deslizes inaceitáveis que a experiência ameaça corrigir.
Para acompanhante na desefa, a luta entre a juventude de Gabriel e a rodagem de Renato pode animar a equipa.
Se Gabriel é dotado de uma estatura mais elevada e possui uma energia própria de um jogador de vinte e dois anos, Renato prefere jogar na antecipação, valendo-se da quilometragem de anos a fio nesta competição, embora longe do fulgor de outras épocas.
O nível dos jogadores é semelhante até porque se um está a meio-caminho para menos, outro está a meio-caminho para mais, mas não deixam de estar no meio de um percurso.
Vitor Pontes deve ter, ainda, em atenção o volume de cartões destes jogadores.
Quanto a Nélson, corre por fora, esperando uma onda de lesões ou castigos para aproveitar a sua oportunidade. A Taça pode ajudá-lo.
De referir a saída de Paulo Duarte, já sem andamento para a Superliga, que se junta à equipa técnica liderada por Vitor Pontes.
Já Bilro, é um caso, definitavamente, arrumado, em relação ao plantel da equipa do Lis.
Meio-Campo - Arte e ofício
Não são muitas as opções para o triângulo, invertido ou não conforme o adversário, da equipa leiriense.
Otacílio e Paulo Gomes concorrem por um lugar como líbero do meio-campo, isto é, o jogador mais recuado, que tanto pode ajudar os centrais, marcando o médio atacante/segundo avançado adversário como suprir as subidas dos laterais, compensando as suas incursões atacantes.
Otacílio, brasileiro de severa envergadura física é sério candidato a titular pela série de bons jogos realizados pela equipa consigo em campo.
Paulo Gomes pode aparecer a qualquer momento, mesmo jogando ao lado do companheiro, esperando-se que controle os seus nervos em momentos de aperto no jogo.
Numa posição intermédia, três jogadores se perfilam até pela sua versatilidade.
Faria, que João Bartolomeu ainda não conhece, é o jogador com maior vontade de brilhar.
Torrão tanto pode fazer circular a bola pelo meio-campo como recuar e ajudar o meio-campo defensivo ou mesmo a defesa, em caso de ser necessário um recurso, sendo semelhante a Tiago, regressado à base.
Hugo Cunha é o mais tecnicista dos três podendo, inclusivamente, ser o organizador do meio-campo; sendo um jogador de técnica reconhecida, falta-lhe mais sangue e procurar mais a bola, para poder desequilibrar ainda mais.
Deve trabalhar ainda a finalização ou pelo menos a sua tentativa.
Caíco pode ser o craque se tiver as mesmas oportunidades que no princípio da época passada. Se não jogar, ninguém dará por ele.
Neste sector, realce para as saídas de Filipe Teixeira, que, sem dar muito nas vistas, foi útil em determinados momentos, de João Manuel, o santo presbitero da equipa, afastado por razões de renovação da equipa e do apagado Sérgio Gameiro, erradamente, pouco rodado na equipa,
Estes jogadores, não sendo pedras basilares da equipa, poderão fazer muita falta em épocas de recursos reduzidos.
Ataque - Os castelos e os padrões assinalados
A perda de dois jogadores fundamentais na bela segunda-volta da equipa, como o foram Hugo Almeida, chamado à selecção, e Luís Filipe foi compensada com a entrada de alguns jogadores já com créditos firmados neste campeonato.
Assim, o extremo Renato Queirós, capaz de diagonais temíveis veio de Paços de Ferreira para atingir a baliza partindo das alas.
Já Mário Carlos viajou da Madeira para recuperar o estatuto de esperança, apagado na época passada, onde foi ultrapassado por um Alexandre Goulart, deslocado no campo e indisciplinado mas capaz de assegurar uma personalidade que o setubalense não conseguiu atingir.
O supersónico Vargas viajou de Alverca para pôr a cabeça em água aos laterais adversários e aos árbitros auxiliares com maior lentidão de reacção.
É mais um jogador que não se confina exclusivamente aos flancos, ao contrário de Mário Carlos, por exemplo.
Bernardo Vasconcelos, jogador que traz um currículo, minimamente, interessante com formação no Benfica, golos no Torreense, viagem até à Holanda e regresso a Portugal para a Superliga é o substituto de Hugo Almeida.
Esguio e forte no jogo aéreo, é um jogador que pode surpreender.
O mais desconhecido é Silvestre, extremo-esquerdo que veio do Taipas, quiçá, para repetir a história de César Peixoto.
A contratação mais estranha é a de Krpan, vindo do Hajduk Split com trinta anos. A grande dúvida é saber se a sua capacidade física se mantém, apesar de tudo, a sua única virtude.
Caracterizar esta aquisição e aquilatar do seu interesse será um mistério insondável.
No capítulo das permanências, Douala, que realizou uma época fantástica, não conseguiu o salto e poderá não estar suficientemente motivado para mais uma época a jogar para uma média de cinco mil pessoas, embora o carácter do jogador indicie o contrário.
Freddy pode confirmar o que de bom fez na parte final do campeonato transacto onde conseguiu aliar a sua potência muscular a uma objectividade, até então, ausente. Resta-lhe fixar-se numa posição na ala ou no meio, sempre com a baliza no horizonte.
O desconhecido Maurito poderá representar uma boa aposta numa perspectiva temporal alargada, mas parece longe da titularidade.
Equipa técnica - Pontes da casa não fazem milagres mas moem
Como aprendiz de Mourinho, Vitor Pontes é, obviamente, adepto de um futebol muito técnico, flanqueado, baseado na posse de bola e sua circulação rápida, com uma defesa muito subida, sem receio do fora-de-jogo para poder propiciar a tão falada pressão alta.
Resta saber se a equipa tem jogadores que permitam uma filosofia tão audaz.
Comparando com o Leiria de Mourinho há um decréscimo de qualidade, logo a Europa parece distante mas tudo pode depender da concorrência.
Como o próprio treinador referiu, o 4-3-3 é para manter, sem medo de jogar em igualdade de circunstâncias no centro da defesa não abdicando dos extremos que devem incrementar a sua opção por diagonais, especialmente. jogando em contra-ataque.
O que pode variar é o triângulo de meio-campo jogando com o vértice recuado, em caso de ataque massiço ou adiantado, em jogos de combate, de grande disputa no miolo do terreno.
Possíveis alterações tácticas não abrangerão o quatro defensivo, por certo, mas poderão resultar no recuo de um jogador para o meio-campo, formando-se um losango sendo mais provável o recuo de um avançado face à quantidade astronómica de jogadore para o ataque e a exiguidade de médios.
Há diversos pormenores que podem impulsionar a equipa, sendo um deles o bom aproveitamento das bolas paradas e outro o conjunto que a equipa já possui, melhorado, este ano, por jogadores que já conhecem o clube e que têm um tempo de adaptação, necessariamente, mais curto.
Por outro lado, a excessiva dureza de alguns jogadores não ameaça torná-los mais fortes.
De referir ainda, a histórica capacidade da equipa de vencer equipas de topo.
Em suma, uma equipa a ver e rever, que assegura, à primeira vista, uma estabilidade, até financeira, invejável, distante de agonias.
Tudo o que vier para além disso será lucro. Resta saber se dentro ou fora do campo.
Publicado por davide pinheiro em 3 de julho de 2004 às 20:30
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