terça-feira, 6 julho 2004
O meu onze
Onze do Euro:
Nikopolidis - Seitaridis, Ricardo Carvalho, Ujfaluši, Ashley Cole - Zagorakis, Maniche, Lampard - Nedvěd - Rooney, Milan Baroš.
Nikopolidis
Guarda redes pouco espectacular, mas muito eficaz, não sofreu qualquer golo nos últimos 3 jogos do Euro 2004. Também passou por ele, com um punhado de intervenções de altíssimo nível, a conquista do Europeu por parte dos gregos.
Seitaridis
Lateral direito moderno, é forte ofensivamente, mas também defensivamente, como provou quando foi deslocado para o centro, sempre que os adversários tinham dois avançados, mostrando-se muito forte na marcação individual.
Ricardo Carvalho
Realizou um Europeu notável, na linha de uma época fantástica, a sua melhor de sempre, que o coloca, com toda a justiça, entre os melhores centrais do Mundo da actualidade. Impressionante a defender, com uma velocidade e um tempo de entrada aos lances notável, voltou a mostrar atributos a sair a jogar, procurando, algumas vezes, empurrar a equipa nacional para a frente.
Ujfaluši
O defesa central do Hamburgo e da República Checa, realizou um Europeu fantástico. Apesar de Dellas, central grego, também merecer um destaque, Ujfaluši, de 26 anos, revelou-se bastante completo - muito seguro em termos defensivos, e, sobretudo, bastante esclarecido a sair a jogar, colocando a bola com grande precisão à distância, para além de revelar atributos técnicos bastante interessantes para um defesa.
Ashley Cole
Num Europeu que revelou vários laterais esquerdos de qualidade, coisa rara nos últimos anos, o lateral do Arsenal e da Inglaterra foi o que mais se destacou, não só a defender, onde esteve espectacular, como a atacar, tirando partido de ter um corredor inteiro para explorar, já que a Inglaterra não actuava com um médio ala esquerdo.
Zagorakis
Realizou um Europeu de altíssimo nível, não só a destruir jogo, como também a construir. Apesar de jogar, preferencialmente, entre o centro e o centro/direita, quando houve necessidade também fechou e abriu a ala direita grega. Jogador de elevadíssima cultura táctica, com grande capacidade defensiva, mostrou também grandes qualidades na construção de jogo.
Maniche
O melhor do Euro 2004. Capacidade física impressionante, que lhe permitiu correr quilómetros e estar em quase todos os sítios em que era necessário: a recuperar bolas, a pressionar, a lançar jogo e a concluir lances ofensivos, dentro e fora da área. Marcou dois golos, um deles absolutamente soberbo, frente à Holanda.
Lampard
Médio moderno, encheu o campo, nos 4 jogos que realizou pela Inglaterra, conseguindo apontar 3 golos, apesar de ter sido, na maior parte dos jogos, a unidade mais defensiva do meio campo inglês. Trabalhador incansável, recuperou muito jogo, fez chegá-lo a Rooney e Owen, e quando foi preciso chegou à área adversária e ditou leis.
Nedvěd
O médio ofensivo checo, de 31 anos, é, há vários anos, o jogador mais completo do futebol europeu. Todo o jogo da equipa que melhor futebol praticou nos relvados portugueses passou pelos seus pés, ganhando uma dimensão, que, sobretudo, Baroš, agradeceu. Apesar da sua vocação ofensiva, quando foi necessário também recuperou defensivamente e nunca teve medo de colocar o pé ou se julgou demasiado estrela para correr atrás da bola. O golo que a barra negou frente à Holanda seria o melhor tento do torneio e, possivelmente, o golo do ano de 2004. Não merecia sair lesionado ainda na primeira parte da fatídica meia final.
Milan Baroš
Avançado do Liverpool, encantou no Euro 2004, prova da sua afirmação internacional. Mistura velocidade, com uma capacidade técnica e um poder de finalização notáveis. Desequilibrou em todas as partidas, quer em lances individuais, quer em lances colectivos, e só não marcou frente à Grécia - fê-lo nos outros 4 jogos -, por manifesta infelicidade. Foi o melhor marcador do torneio.
Wayne Rooney
Jovem prodigio, um verdadeiro tanque, com uma capacidade de explosão incrivel, para alguém tão pesado e com um físico que mais parece de um lutador de boxe, do que de um jogador de futebol. Mostrou também um excelente sentido de oportunidade e facilidade na finalização, não pedindo licença para rematar à baliza.
O treinador: Karel Bruckner
"Klekhi Petra", como é conhecido na República Checa, foi uma das figuras maiores do torneio. A carreira dos checos tem um momento chave: pouco passava dos 20 minutos e a Rep. Checa perdia por 0-2 com a Holanda. Bruckner preparava-se para retirar o lateral direito e lançar mais um avançado, Smicer, para abrir a esquerda do ataque. Nesse minuto, os checos fizeram o 1-2 e Bruckner lançou o avançado na mesma no lugar do lateral. Essa e a retirada do trinco para lançar mais um avançado foram as substituições que usou em desvantagem e nunca se arrependeu. As vitórias chegaram, mesmo que nos limites do risco, mas a equipa checa demonstrou uma total adaptação ao seu esquema de jogo e às suas variantes. Bruckner, com um largo percurso em clubes checos, e também na Selecção de Esperanças, chegou há dois anos à equipa principal, na sequência do afastamento do Mundial 2002, e formou uma equipa de enormissima qualidade técnica e táctica, que, até agora, poucas vezes perdeu. No Euro só caiu com um injustíssimo golo de prata.
Publicado por rui malheiro em 6 de julho de 2004 às 01:10
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Concordo plenamente com este onze. quanto ao bruckner, penso que podia ter estado melhor na meia final.
:: uma recarga de Hugo Freitas em julho 6, 2004 11:14 AM
