domingo, 11 julho 2004
Rio Ave - Análise

Depois de uma temporada em que chegou a praticar o melhor futebol da Superliga, chegando ao cúmulo de humilhar o Sporting, o Rio Ave divide-se entre a hipótese de partir para uma época semelhante à anterior ou de ficar entregue ao, triste mas inevitável, fado habitual de não descer divisão.
Num conjunto que, comparando com a época passada, perdeu duas pérolas do meio-campo como eram Jaime e Vandinho, que podem ser substituidos por Delson e Ricardo Nascimento, mas manteve a restante estrutura, é de esperar, pelo menos, consistência, segurança e um futebol bem trabalhado.
Tendo como premissa o futebol colectivo, baseado no jogador ao serviço do conjunto, não é de estranhar, no entanto, que jogadores como Miguelito ou , pelo menos estes, atinjam patamares ainda mais elevados que na temporada transacta.
Os jogadores
Na baliza, Mora, depois de ter conquistado o lugar ao brioso Candeias, guarda-redes experiente e abnegado mas algo retraído, e ter arrancado para uma boa temporada, é o titular lógico, podendo afirmar-se, definitivamente, como um jogador reconhecido, na linha de um Palatsi, por exemplo.
Candeias é uma alternativa segura enquanto que Adriano tem a oportunidade de se ambientar ao ambiente da Superliga.
A linha defensiva de quatro elementos oferece algumas soluções e não parece advir daí algum problema de maior para Carlos Brito.
À direita, Alexandre parece longe de José Gomes que mesmo assim, pode sofrer a concorrência forte de Niquinha, uma adaptação de sucesso ao lugar, mas um médio de origem que flutuará entre as duas posições consoante as necessidades da equipa.
No centro da defesa, Franco e Idalécio devem manter a dupla da época passada, com Danielson à espreita, até pelo excelente final da época que protagonizou. Como esta é uma posição de constante desgaste, não será surpreendente que os três jogadores cheguem ao fim da época com um número de jogos idêntico.
Bruno Mendes deve ser a opção válida para a equipa pese embora o seu elevado grau de abnegação e espírito de entrega.
Já o júnior Luís terá a sua oportunidade de se juntar aos jogadores mais experientes.
No lado canhoto, Miguelito é, logicamente, titular, sendo o jogador com maior margem de progressão e, consequentemente, mercado. Vamos ver quanto tempo aguentará no Rio Ave...
Quanto ao veterano Valente, terá a oportunidade de alinhar na ausência de Miguelito.
O trio de meio-campo, previsivelmente, um pouco, móvel e com capacidade de unir técnica e força, arte e marcação, pedras preciosas e lascadas, não tem abundantes opções mas consegue superar esse aspecto com uma qualidade acima de qualquer suspeita.
Subsistindo a dúvida sobre a localização vértice do triângulo, Mozer é quase presença garantida atrás, até pelo papel de bússola orientadora, adquirido graças a anos a fio na competição primodivisionária.
A partir daí, Niquinha, Delson e Junas podem combater por um ou dois lugares consoante a entrada ou não do mágico de Vila do Conde, Ricardo Nascimento, que tem uma oportunidade final e decisiva de mostrar o que vale no primeiro escalão do futebol português.
O ataque, igualmente móvel, para já, incapaz de comportar um ponta-de-lança de área, deverá viver de diagonais dos extremos que poderão explorar o arrastamento dos centrais contrários pelos recuos do ponta-de-lança vila-condense até terrenos próximos dos médios.
Assim, Evandro, Saúlo e Paulo César poderão ser candidatos a um trio brasileiro de ataque sem posições muito fixas, procurando aproveitar o adiantamento contrário, através dos espaços deixados nas costas da defesa.
Numa segunda linha, Gama está no ocaso da sua carreira, em rigoroso contraste com Flávio, Tiago Carvalho e Nandinho que se juntam a Jacques na compita por um lugar, aqui sim, mais fixo na ala.
O treinador
Carlos Brito tem construído uma carreira brilhante no Rio Ave, como treinador nesta segunda fase e conhece o clube como ninguém não sendo, por isso, previsível que aconteçam muitas mudanças em relação à época passada.
A imagem do colectivo como veículo para o sucesso alicerçada num futebol trabalhado desde a defesa até ao ataque numa mistura entre rigor e liberdade podem ser a fonte de receita, suficiente para, pelo menos, atingir a permanência, uma vez que, até agora, os problemas financeiros do clube não permitem aspirar a mais. De resto, essa situação é bem visível pelo número baixo de reforços, contratados em divisões secundárias.
O reforço do ataque parece, nesta altura, um bem essencial ao clube até para o número de opções de ataque poder aumentar e as opções de jogo poderem ser mais amplas, nomeadamente um jogo mais planeado e menos directo, aproveitando melhor os cruzamentos dos extremos.
O sistema esse deverá ser um 4-3-3, podendo surgir o 4-4-2 com um losango no meio-campo como alternativa, talvez, fora de casa, até para aproveitar os recursos do meio-campo e a possível falta deles no ataque
Publicado por davide pinheiro em 11 de julho de 2004 às 02:30
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