domingo, 11 julho 2004
Boavista - Análise

A única possibilidade de melhorar em relação à época passada deixa Jaime Pacheco sem grande margem de manobra para poder falhar, isto é, ficar abaixo do quinto lugar. A revolução operada no plantel indicia mudanças radicais nos jogadores que terão, obrigatoriamente, que se adaptar ao estilo rápido e combativo do treinador, incapaz de abdicar da sua filosofia.
Resta saber se também os jogadores estarão dispostos a abandonar o seu estilo e a cumprir tarefas dignas de uma batalha campal e a desperdiçar, se não todo, pelo menos, parte do seu talento a defender o que ainda não ganharam e a conquistar triunfos fora do campo.
Desde que Jaime Pacheco tomou conta da equipa, ainda nos anos noventa, tem conseguido matar artistas e construir trolhas, capazes de ser óptimos capatazes e péssimos arquitectos, por isso é com curiosidade que se aguarda as épocas de Toñito, Lucas ou José Manuel, três jogadores rápidos, como o treinador pretende, mas que preferem o bilhar ao boxe.
Um sistema pseudo-atacante em que todos defendem e apenas uma minoria ataca é a receita de Jaime Pacheco para conquistar vitórias curtas mas eficazes, jogando no erro do adversário em vez de o obrigar a errar.
Explanando uma circulação de bola virtual, baseada num futebol directo, e para a bancada, com recurso sistemático à falta e ao choque, o Boavista arrisca-se mais uma vez a ser o patinho feio de alguns comentadores e, principalmente, dos adeptos mas também o menino bonito dos árbitros, aliás, a recente aliança com um outro clube da mesma cidade não pode ser considerada inocente de parte a parte.
Assim, o treinador arrisca-se a ser o primeiro a ser campeão no clube e o último a perceber que está a mais no futebol se não entender que o tempo das fábricas em Lordelo já está distante. É que pragmatismo não é sinónimo de destruição e jogar prático não implica mutilar os adversários e a bola.
Os guerreiros
Na baliza, William, vencido o trauma-Ricardo, tem lugar garantido, visto ter sido um dos melhores guarda-redes da temporada anterior, representando a garantia de uma certa segurança que Khadim não oferece, por ter uma experiência menor, e por, fisicamente, ser desequilibrado.
Quanto a Carlos Fernandes, é um jovem valor que urge descobrir e que já tinha estado perto de diversos clubes da Superliga. Será uma pena se não tiver oportunidades porque sem jogar não terá hipótese de evoluir.
Na defesa, com a saída do, ultimamente, descrente, Rui Óscar, jogador fora do contexto do futebol moderno, substituido por Nélson, revelação do Salgueiros a prometer altos voos.
Quem pode entrar nas contas para esta posição é Frechaut, um médio de raiz, lugar onde atinge o rendimento mais elevado, mas que foi adaptado à defesa por Jaime Pacheco, chegando à selecção onde, não por acaso, nunca esteve bem.
O caso de Frechaut é semelhante ao de Filipe Anunciação que conhece bem o lugar mas nunca deslumbrou nesta posição
Em caso de extrema necessidade, admite-se o recuo de Martelinho, que já não tem o fulgor de outras épocas, quem sabe fruto da falta de cafés.
No centro da defesa, Paulo Turra e Éder podem formar uma dupla temível mas leal se se concentrarem apenas em jogar futebol e não as canelas dos adversários. Sem a concorrência de Ricardo Silva, levam uma certa vantagem quer sobre Hélder Rosário, contratação mais estranha do defeso, apenas justificável pela necessidade de arrumar com os adversários, quer sobre o capitão Jorge Silva, capaz de jogar também no meio-campo como marcador do segundo atacante adversário, um jogador fustigado por múltiplas lesões, que não fosse a presença no balneário e teria a continuidade no clube posta em causa.
À esquerda, dois reforços para colmatar a saída de Viveros, que se encostou bem à posição e de Mário Loja, que por vezes era adaptável à posição em caso de ser necessário defender (ainda) mais. Para além destes jogadores, Erivan não regressou, naquela que foi uma das melhores notícias para o clube axadrezado.
Assim, Carlos Fernandes parece ser o titular lógico mas é de Milhazes que pode vir a surpresa por ser um defesa que ataca e defende bem, mostrando grande versatilidade e um jogo aéreo apreciável. Quanto ao primeiro, não se entende a sua aquisição até porque o ano de glória no Farense já lá vai.
Conservador como é, Jaime Pacheco não cede ao progresso, preferindo um trio de meio-campo semelhante a uma sociedade sub-desenvolvida, pela falta de recursos que este lhe oferece em detrimento da versatilidade, mobilidade e capacidade do losango.
Por isso e até face à quantidade de médios defensivos, é previsível a colocação de um triângulo retraído com as despesas de organização a pertencerem ao elemento colocado no vértice, previsivelmente, bem marcado e manietado o que o fará procurar outros terrenos.
Os supra-citados Jorge Silva e Frechaut e Filipe Anunciação são sérios candidatos ao lugar, contando agora com a participação activa de Tiago, mais um veterano da Superliga, este sim, um jogador à Jaime Pacheco, raçudo e voluntarioso, capaz de deixar a pele em campo e de agredir um adversário caso as autoridades assim o desejem.
No plano oposto está Lucas, fisicamente a tender para o frágil mas de fino recorte técnico, que deixa saudades em Coimbra pelo que joga e pelo que sente. Vamos ver como será no Bessa, onde poderá jogar como médio de transição, isto é, entre o meio-campo defensivo e o atacante ou na direita do ataque.
Num plano secundário, André Barreto e João Pedro, regressados de divisões secundárias, terão o estágio para agradar a Jaime Pacheco e procurar a sua oportunidade no onze ou nos convocados.
A posição de médio de ataque deve estar destinada a Toñito, um jogador óptimo para o contra-ataque e para jogar livre, sem marcação, mas com pouca capacidade de luta, embora rápido, e com alguns vícios de jogador de um clube grande. Num futebol que vive do aproveitamento de ressaltos e de disputas aéreas, a acção de Toñito é uma questão por desvendar. Será o ás de trunfo?
Resta dizer que a sua adaptação ao clube poderá variar entre o óptimo e o péssimo.
Á espreita está Rui Gomes, um jovem que também pode jogar no ataque.
Este sector, tendo sofrido uma série de cortes, que não orçamentais, não ganhou muito, até porque Pedrosa, Pedro Santos ou Jocivalter, face ao deficiente aproveitamento, não deixaram marcas mas Ricardo Sousa foi só o melhor jogador da equipa desde Petit e fez ainda melhor do que Sanchez ou Timofte. Toñito não está, concerteza, à altura deste elemento, nem que seja pela ausência nas bolas paradas. Também André e Raúl Meireles, elementos preponderantes na temporada anterior não serão fáceis de substituir e Tiago não parece suficientemente capaz de valer por dois.
No ataque, um grande reforço que é José Manuel, capaz de ser ainda melhor que o Martelinho dos velhos tempos, um reforço razoável como é Guga, parecido com Duda mas mais possante e objectivo embora menos artístico; um regresso, o de João Paulo, sem nível para a Superliga e um dos piores internacionais jovens dos últimos anos, uma esperança como é Diogo Valente, autor de uma época promissora em Chaves, alguma polivalência, a de Cafu, com muita falta de jeito à mistura, mas se é isso que lhe pedem a mais não é obrigado (no Belenenses conseguia controlar a bola), e um titular indiscutível que só não o será por cegueira como é Fary.
Para trás ficaram Yuri, Luiz Cláudio, Ali e Duda mas todos eles, com excepção do último, teriam lugar na equipa.
Quanto a Vitor Borges e Hélder Calviño, foram emprestados, numa opção que se compreende.
Publicado por davide pinheiro em 11 de julho de 2004 às 18:59
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Uff, tanta ideia feita que até mete dó...
Bom, por partes:
"Desde que Jaime Pacheco tomou conta da equipa, ainda nos anos noventa, tem conseguido matar artistas e construir trolhas, capazes de ser óptimos capatazes e péssimos arquitectos"
Sim senhor, tem conseguido matar artistas, veja-se o caso do Timofte, do Sanchez e até mesmo do Ricardo Sousa, jogadores que nunca conseguiram ser artistas no Bessa, foram péssimos arquitectos, não haja dúvida. Nunca marcaram alguns dos golos mais espectaculares que os últimos 10 anos do campeonato português viram, nunca fizeram jogadas daquelas de nos fazer levantar do sofá, nem nada. São trolhas, claro que são. O Timofte até era conhecido por operário e nunca por artista.
"por isso é com curiosidade que se aguarda as épocas de Toñito, Lucas ou José Manuel, três jogadores rápidos, como o treinador pretende, mas que preferem o bilhar ao boxe."
O Pacheco disse explicitamente que este ano ia tentar aliar a "raça", e a agressividade ao bom futebol. Foi precisamente o que aconteceu no ano do título. Por que razão não há-de acontecer este ano ? O Toñito e o José Manuel são jogadores que vêm precisamente garantir essa "arte" no plantel.
"Um sistema pseudo-atacante em que todos defendem e apenas uma minoria ataca é a receita de Jaime Pacheco para conquistar vitórias curtas mas eficazes, jogando no erro do adversário em vez de o obrigar a errar."
Vejamos algumas das "vitórias curtas" no ano do título:
Boavista - U. leiria 4-0
Boavista - V. Guimarães 4-1
Boavista - Alverca 5-1
Boavista - Salgueiros 5-0
Salgueiros - Boavista 1-5E quem era o treinador ? Pacheco, pois claro...
"Boavista arrisca-se mais uma vez a ser o patinho feio de alguns comentadores e, principalmente, dos adeptos mas também o menino bonito dos árbitros, aliás, a recente aliança com um outro clube da mesma cidade não pode ser considerada inocente de parte a parte."
Olha, olha, o Octávio também escreve no Terceiro Anel. Bem-vindo à equipa, Octávio !
"É que pragmatismo não é sinónimo de destruição e jogar prático não implica mutilar os adversários e a bola."
Diga-se que na época passada o Boavista sofreu mais faltas do que as que cometeu. Por isso, deve haver equipas que jogam pior do que o Boavista, que praticam um futebol mais feio.
O que se passa aaqui é muito simples: o boavista faz esse tipo de jogo nos últimos 2/3anos precisamente contra os grandes. E esses devem ser os únicos jogos que o Davide vê do Boavista. Bem, aqui vai um "flash": nos outros jogos são precisamente os adversários do Boavista que fazem esse tipo de jogo, principalmente no Estádio do Bessa. E isto muita gente "esquece-se" de dizer."Em caso de extrema necessidade, admite-se o recuo de Martelinho, que já não tem o fulgor de outras épocas, quem sabe fruto da falta de cafés."
Isto era mesmo necessário ? Não tem o fulgor das outras épocas porque já tem quase 30 anos.
"Conservador como é, Jaime Pacheco não cede ao progresso, preferindo um trio de meio-campo semelhante a uma sociedade sub-desenvolvida, pela falta de recursos que este lhe oferece em detrimento da versatilidade, mobilidade e capacidade do losango."
Quando falas em trio de meio-campo, estás a falar de 3 trincos ? Em que altura o Pacheco jogou com 3 trincos em todos os seus anos no Boavista ? (tirando as últimas jornadas da época passada em que a maior parte dos avançados estavam lesionados ?)
A resposta é NUNCA. Se a táctica do pacheco é defensiva, também a do Camacho o é. 2 trincos, um criativo no meio, dois extremos e um ponta-de-lança. Sempre foi assim no Boavista de Pacheco..."Para trás ficaram Yuri, Luiz Cláudio, Ali e Duda mas todos eles, com excepção do último, teriam lugar na equipa."
Aqui já concordamos. E então no caso do Yuri é um escândalo. Este rapaz tem tudo para ser uma das figuras do casmpeonato. Enfim, vamos vê-lo ser campeão pelo FCP daqui a dois anos...
:: uma recarga de Pedro Nery em julho 12, 2004 08:14 PM
