segunda-feira, 12 julho 2004
Marítimo - Análise

Se na temporada anterior apenas o rendimento minímo foi atingido, garantindo uma presença, suada, para lá das fronteiras continentais, na presente temporada o Marítimo tem na Europa o seu ponto de partida e de chegada, contando desta vez com concorrência assumida. A estrutura base mantém-se mas sairam os dois melhores jogadores do plantel embora Silas e Tonel possam confirmar o seu estatuto de futuros internacionais.
Manuel Cajuda é mais um belo exemplo de casmurrice futebolística não hesitando em colocar os seus interesses à frente do colectivo preferindo os dogmas ao rendimento e filosofias esclerosadas a pontos e espectáculo.
Tudo isto para dizer que o clube insular dispõe, nesta época como no ano passado, de atacantes valiosos, médios competentes e defesas (quase) intransponíveis já para não falar no guarda-redes Marcos, deserdeiro da escola brasileira, seguro pelo ar e forte pelo chão, na linha do seu homónimo da selecção, de Helton ou do mítico Acácio, campeão a defender grandes-penalidades e não só.
Perdidos Pepe e Danny, capazes de virem a jogar diversas competições internacionais, se não houver preconceitos dos seleccionadores nacionais respectivos, Tonel e Silas são, definitivamente as apostas para os lugares destes jogadores e parecem acertadas se levarmos em linha de conta as épocas intramuros de cada um dos atletas e descontarmos a aventura britânica de Silas, onde nem teve oportunidades para mostrar a sua capacidade técnica.
Ainda em matéria de saídas, refira-se que dos outros elementos, Albertino era um jogador experiente mas acomodado, Dinda só existia livre e com balanço, Fábio Vidal apesar de familiar de Deco não dispunha de genes semelhantes e André nunca mostrou nada no futebol português, estando aí por escalpelizar a razão de sucessivos investimentos neste jogador, embora a obsessão de Cajuda por jogadores brasileiros sempre fosse um enigma a desvendar.
Já a dispensa Bragança e João Paiva, dois jogadores promissores, é outro enigma com a resposta a ser dada pela falta de coragem do algarvio, que se refugia no lançamento de um jogador jovem por ano para atacar os jogos com elementos tão experientes quanto pouco ambiciosos e/ou na reforma.
Acreditar que os jogadores se formam jogando quinze minutos é quase tão enganador quanto pensar que o 4-3-3 é sempre atacante.
É impensável que um jogador vencedor do Torneio de Toulon seja preterido em favor de um contentor de brasileiros. João Paiva é a prova disso mesmo.
Bragança, aposta de Byshovets, mostrou nesses jogos que é um rompedor com força, técnica, velocidade e versatilidade faltando-lhe queda para a baliza. Mesmo assim, será que é inferior a Rincon?
No capítulo das entradas, mais um brasileiro, indisciplinado, desordeiro e tecnicista vem para reforçar a ala esquerda e esvaziar os cofres dos contribuintes. Rubens Junior é o protagonista e a responsabilidade não é sua mas de quem enche o bolso à custa dos seus movimentos migratórios.
Também Manduca é brasileiro, mas mais barato e vem com vontade de provar, na Madeira, que era dos poucos pacenses com nível para se manter na Superliga. É um avançado móvel, logo extremo com Cajuda. Resta dizer que no Brasil não há extremos porque, simplesmente, esse sistema foi abolido como a escravidão o foi.
Zumbi, adivinhem, é brasileiro mas nunca tocou com Chico Science. Se for tão brilhante quanto Otto, será o ponta-de-lança que o treinador pretende e que não teve nem quis ter na época passada, nomeadamente com Gaúcho, um dos melhores jogadores de área do futebol português dos últimos anos, obrigado a uma mobilidade sem sentido na última época, onde Cajuda lhe pedia para correr em direcção à bandeirola de canto e rematar em direcção a esta.
Será que alguns treinadores portugueses não conhecem as regras e não constatam com os seus olhos que a bandeirola de canto não é um poste e que não serve de nada ter jogadores nas alas se não estiver ninguém no meio para aproveitar o jogo construido por estes elementos? Se ao menos de diagonais se tratasse mas nem isso... Resta dizer que Gaúcho era um excelente batedor de grandes penalidades que o Marítimo entretanto perdeu.
Para a direita da defesa, um lateral de uma país do continente americano, mais concretamente do Sul, que possui uma floresta interessante. Ferreira de seu nome, antigo lateral do Gil Vicente, vem para a Madeira via Futebol Clube do Porto por causa da cedência dos direitos desportivos de Pepe. No clube gilista dizem que brilhou mas não é liquido que a sua prestação se repita na ilha.
Finalmente, Hugo Morais regressa do União da Madeira para tentar a sua sorte como extremo esquerdo, aliás extremos não faltam neste plantel.
Nos que se mantêm, ou seja a maioria, há talentos como Alan, autor de uma época fabulosa, capaz de conduzir o jogo a partir das alas, Van Der Gaag, sobrevalorizado pela imprensa, com a particularidade de ser mais importante no cantos atacantes do que defensivos, mas mesmo assim capaz de impor respeito a qualquer adversário, Briguel que tem subido de época para época, Fernando, um jogador a rever e a merecer várias oportunidades, Márcio Abreu, um bom executante que necessita de outra chama para poder ser titular e Ezequias que se esquecer a violência poderá tingir outro tipo de reconhecimento.
Num plano inferior mas com possibilidades de garantir um lugar na equipa, até pelo historial de campeonatos jogados, casos de Chainho e Bino, em queda acentuada desde que sairam de Portugal, Zeca e Eusébio, prejudicados por lesões, Wênio, capaz do melhor, quando joga preocupado com a bola e do pior quando tem que marcar adversários, Léo Lima, irregular e preso de movimentos mas com excelente técnica e visão, Joel Santos e Luís Olim, dois produtos da escola do clube que nunca conseguiram vingar definitivamente e Rincon, Souza e Rodrigão, que prometem uma luta feroz pela bancada e pela noite madeirense com os seus colegas da Choupana.
Pela amostra teremos, assim, mais uma época de futebol intermitente com péssimos e óptimos jogos consoante o interesse em ganhar ou tentar ganhar.
O 4-3-3 não deve fugir ao habitual de Cajuda com muita troca de bola lateral, sem grande sentido de baliza, a viver demasiado de acções individuais de jogadores demasiado abertos nos flancos. Como ponto positivo fica o trabalho com bolas paradas, ainda por cima com jogadores muito altos, e a evolução de alguns elementos que passaram pelas mãos de Cajuda que os levou a clubes de renome.
Outro aspecto a rever é o discurso do treinador, muitas vezes mentiroso, capaz de enganar imprensa e adeptos postando-se como vitíma de algo que só ele saberá explicar, ou afirmando um excesso de personalidade pomposo, desnecessário e falso.
Publicado por davide pinheiro em 12 de julho de 2004 às 21:57
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agarraste bem o taco, com as duas mãos, e deste com toda a força! Acho que é desta que fica sem cabelo nenhum! tava a precisar de um corte, mas era mesmo necessário ser à paulada?
Embora esteja de acordo com muito do que foi escrito, penso que algumas das criticas se aplicam à maioria dos teinadores portugueses da mesma geração!
mas força no cacete, pode ser que vá ao lugar!
:: uma recarga de MAC em julho 13, 2004 04:22 AMRecuperando uma expressão do autor, o post que aqui se comenta é mentiroso nas apreciações ou depreciações feitas ao Cajuda. Diz-se isto com o devido respeito.
Nos últimos 10 anos é difícil encontrar entre os pares (os treinadores de clubes de média dimensão), alguém com tamanha regularidade de bons resultados.
É fácil pensar em jovens jogadores que foram lançados por este treinador.
É também um facto que de forma alguma o futebol do Cajuda é monótono ou defensivo.
Pode-se dizer que é egocêntrico, que diz muitos disparates, mas que também tem entusiasmo, que arrisca, que se dá bem com grandes jogos, que tem prazer naquilo que faz, e que sobretudo conhece como poucos o campeonato português.
PS: o Ferreira é um lateral mesmo muito bom.
:: uma recarga de r. em julho 13, 2004 12:55 PM5 estyrelas, só não compares o Marcos com a pulga saltitante Helton.
:: uma recarga de Luciano Rodrigues em julho 13, 2004 03:03 PM
