quarta-feira, 14 julho 2004




Penafiel - Análise

Antecipado o sonho de regressar ao convívio dos grandes, o Penafiel mexe com o mercado e consegue colocar-se nas parangonas dos jornais. Os mais cépticos apontam o clube como candidato à descida enquanto que os seguidores de Fernando Pessoa e da Mensagem já pensam na conquista da Europa. Com antigos jogadores no comando do clube e da equipa, respectivamente e vários futuros antigos jogadores no plantel e fora dele, a serem pretendidos, o clube nortenho pode vir a sofrer de esquerdite aguda( Drulovic, Folha e Clayton), o que significa que não virá nenhum subsídio da Madeira. Entre várias incógnitas e muito passadismo, a temporada do Penafiel é um mar de dúvidas que só os jogos poderão dissipar.
Falta ainda saber se o peso de Oliveira e da sua empresa nos bastidores influenciará mais nas quatro linhas ou fora delas.

À partida, estamos perante um plantel desequilibrado constituido sem rei nem roque por um presidente sonhador e um treinador sem noções básicas de metodologia que acredita que a consistência das equipas se faz à base de amizade e que o trabalho de balneário é mais eficaz que o de campo.
Como um autêntico pot-pourri futebolistico, encontramos veteranos, jovens promissores, portugueses, brasileiros, jugoslavos, esquerdinos, austríacos, antigos vegetarianos e atletas de Cristo numa opção que se entende como expansão mercantil. Já imaginamos Oliveira a regar o balneário com alho e Odiar a pedir clemência aos céus e ao mesmo tempo a descontar dez por cento do salário ou o Padre José Luis Borga a cantar na apresentação do PenaJóia.
Assim, no lote de veteranos temos João Viva, guarda-redes que faz parte da mobília que não vem de Paços de Ferreira;Artur Jorge, capitão do Braga, central de marcação mas que, nesta altura, defende a própria sombra e pouco mais; Odair, antigo companheiro de Artur Jorge nas épocas gloriosas do Braga, que deverá ser o líbero e patrão da defesa;
Folha, um dos esquerdinos mais mal aproveitados dos últimos anos, muitíssimo superior a qualquer Dominguez, destruído por Fernando Santos mas já no ocaso da carreira; Drulovic, um avançado convertido em extremo, cuja contratação só se justifica pela reedição do trio do Porto, hoje mirrado e Clayton, mais jovem que os seus colegas mas mesmo assim, com vários anos se campeonato onde atingiu o auge, a jogar como avançado solto, com Manuel Fernandes que, aliás, foi quem o descobriu.
Juntar estes três últimos jogadores num onze que será como colocar metro de superfície na Travessa dos Inglesinhos com velocidade de eléctrico. É que nem sequer se pode falar em mobilidade pela falta de pernas destes jogadores.
O discurso populista de Oliveira pode indiciar estarmos perante a galinha dos ovos de ouro mas o nível geral é relativamente baixo.
Na baliza, pelo segundo ano consecutivo, cedido pelo Sporting, Nuno Santos tem a sua oportunidade de provar que Toulon não foi um acaso e que é melhor que Buffon tal como Avelino que foi internacional esperança mas não passou disso.
Na defesa, Celso que já passou pelo Sporting de Braga onde não jogou devido a lesão pode jogar nos dos flancos podendo o treinador optar por Pedro Moreira ou por Mariano, outro internacional esperança e médio de origem para a lateral respectiva.
No centro da defesa há mais um brasileiro para ser recordado com humor daqui a umas valentes temporadas (falta-lhe sensibilidade para se tornar num clássico instântaneo) que é Weligton e Nuno Silva, tardiamente chegado à Superliga mas a tempo de afirmar a sua presença e reiterar o valor mostrado no Leixões, onde mostrou ser excelente a marcar à zona e a jogar sem dureza.
O elevado sentido posicional contra-balança a falta de altura.
O meio-campo da equipa é péssimo e face à missão dos dois jogadores que o compõe, assim se cumpra o 4-2-3-1 esperado, terão uma missão de desgaste, não se sabendo se têm condições para tal. Nilton embora cumpridor e eficaz nunca o conseguiu. Messias pode ser uma surpresa nas palavras de Manuel Fernandes assim como Carlos Oliveira enquanto que Nuno Morais promete bom trabalho, embora seja, ainda, um desconhecido apesar da passagem por Toulon. Já Pappas, é um jogador sem grandes créditos e a prometer não durar muito no campeonato nacional.
Com o trio criativo relativamente condicionado, sobram Marquinhos, atacante talentoso e interessante para bater defesas desgastadas, Edgar Marcelino, a prometer velocidade, técnica, criatividade e um regresso rápido a Alcochete, desde que tenha oportunidade de jogar, Rolf Landerl - o que faz um austíaco em Penafiel? - Américo, um jogador ambicioso, Wesley, o craque da equipa que só por pressão da imprensa não jogará até por ter fulgor que o trio de vips, por ser ídolo dos adeptos e ser um tecnicista nato, soberbo nas bolas paradas e Aleksandar Stojmirovic para completar o rosário de aberrações. O único ponta-de-lança ao dispôr de Manuel Fernandes é Roberto, de quem se espera bastante, sendo curriqueiras as boas épocas dos avançados do sulista graças ao seu conhecimento da posição. Pena que a sua boa acção se limite a um espaço tão curto de terreno.

Obviamente, este não é um plantel fechado, necessitanto de qualidade em quantidade, nomeadamente, para o meio-campo e ataque, preferência centro-direita até para fazer face às saídas importantes de jogadores como Quim, Vitor Vieira, Evaldo ou Júnior.
As nuvens não desaparecem do horizonte...



Publicado por davide pinheiro em 14 de julho de 2004 às 03:08
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Comentários:




Brutal Davide. Brutal.


:: uma recarga de madne0 em julho 14, 2004 08:51 PM



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