sexta-feira, 16 julho 2004
Vitória de Setúbal - Análise

O regresso de um dos históricos do campeonato à competiçaõ principal do futebol português é marcado pela deserção do técnico que o levou à subida para um outro histórico, mais ambicioso, substituído por um dirigente que percebe muito de futebol, desde que visto do gabinete e não do banco.
Algumas perdas importantes, contrabalançadas por contratações à medida do Vitória parecem apontar para uma temporada, possivelmente, tranquila desde que os jogadores atinjam o seu melhor nível.
Entre a experiência e a juventude, o nível dos jogadores é muito semelhante, sem grandes desequilíbrios e com Jorginho em lugar de destaque.
Com José Couceiro é difícil prever o estilo de jogo da equipa, daí que as suas palavras a reprovar os empates nulos sejam dúbias até por serem uma repetição da época transacta.
Sendo um antigo jogador e, ao mesmo tempo, um óptimo dirigente estranha-se a sua falta de acção no banco e a falta de ambição e motivação que a sua anterior equipa foi apresentando, ao longo da última época.
Mesmo assim, este Vitória poderá ter duas caras, jogando, declaradamente, ao ataque em casa, puxado pelos sócios e em contra-ataque fora de casa, puxado pelo Oitavo Exército. Refira-se que no caso do clube sadino, os adeptos são verdadeiramente, um elemento fundamental, mais até do que alguns treinadores que têm passado pelo clube.
O sistema de jogo deve passar por um 4-3-3 com dois médios defensivos, mais lutadores que orientadores, deixando as despesas de organização de jogo quase, exclusivamente, para Jorginho, jogador com lugar em qualquer equipa nacional, mais dois jogadores abertos nas alas, com o regressado João Paulo Brito - a rever - a ter lugar quase garantido surgindo Mário Pessoa num segundo plano e as adições dos adaptados Meyong ou José Rui, pontas-de-lança tal como Bruno Gonçalves ou Igor, dois jogadores prometedores por razões diversas, mas neste papel abandonados no meio dos centrais. A alternativa pode ser um 4-4-2 losango, face à abundância de médios, com capacidade de formar um triângulo de combate, nas costas do organizador de jogo, como são os casos de Hélio, o eterno capitão, fundamental no balneário e importante dentro do campo, Puma, médio banal, Binho, um duro, Bruno Ribeiro, tecnicista, e importante como interior-esquerdo, pese a errada colocação na defesa lateral, na época passada, Manuel José, semelhante ao último mas para o lado direito e mais jovem, Ricardo Chaves, uma possível promessa, Sandro, mais um duro, e conhecedor exímio do clube ou o jovem Costinha.
O único, possível, concorrente de Jorginho é Pedro Oliveira, internacional jovem sem lugar no Porto.
Neste sistema, os dois avançados poderiam ganhar uma mobilidade importante, capaz de ganhar espaços nas costas dos defesas centrais, que, naturalmente, subiriam mais. Sendo assim, qualquer dos avançados do Vitória encaixaria nesta estratégia, embora os extremos clássicos pudessem ter menos hipóteses de sucesso por estarem mais postados contrariando a ideia de serem vagabundos.
O que não deve mudar é a defesa, composta por quatro elementos, com a dupla formada por Veríssimo, como líbero e Hugo Alcântara, como marcador individual a sobressair ladeados por Nandinho, à esquerda, aposta consecutiva de José Couceiro e Éder, à direita, um caso seguro de sobrevalorização. Como alternativas, Ricardo Pessoa à direita e Dione, Calú e Auri, este com uma experiência considerável dos relvados nacionais, não dão muita segurança a José Couceiro.
Terminando no princípio, e face às saídas de Tigrão e Nuno Santos, astronómicos para o clube, Marco Tábuas e Paulo Ribeiro, ambos formados nas escolas do clube, lutam pela titularidade sendo o júnior Ricardo Batista o terceiro guarda-redes.
Não esquecendo as saídas de Orestes e José Pedro, principalmente, mas também Rui André, Costa e Pascal, o colectivo sadino pode realizar uma época tranquila e não mais do que isso, desde que haja uma certa estabilidade e todos se concentrem por forma a atingir o máximo pelo clube. De outra forma, será o sobe-e-desce habitual.
Publicado por davide pinheiro em 16 de julho de 2004 às 00:43
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