quarta-feira, 21 julho 2004




Nacional da Madeira - Análise

A equipa mais estrangeira do campeonato português tem nesta época a oportunidade de mostrar que a época antecessora foi mais do que um acaso, com a agravante da estreia na Europa.
Perdidos dois jogadores fundamentais na manobra da equipa, subsiste a dúvida sobre o nível dos reforços, que tâm variado entre o óptimo e o péssimo.
Casemiro Mior vai ser, assim, sujeito a uma época de grande desgaste fruto da pressão e das viagens constantes contando, em contrapartida, com um poderosíssimo factor caseiro.

É difícil descobrir um factor comum a jogadores provenientes de tantos estados diferentes mas já na época passada o era e o clube acabou logo atrás dos grandes.
Curiosamente, as grandes figuras já tinham, pelo menos, uma época passada em Portugal, o que pode indiciar uma prestação simétrica de jogadores como Cléber ou Fernando Cardozo.
Por outro lado, as contratação de Ferreira ao Gil Vicente denota miníma atenção ao mercado português, embora o jogador tenha vindo para substituir Adriano que, tal como Serginho, ainda não mudou de ares depois de muito se ter especulado, sendo que este cenário não está, ainda, posto de parte.
Quanto aos outros reforços, Rondinelli vem para substituir Rossato contando com a forte concorrência de Cleomir, menos apreciado por Casemiro Mior do que por José Peseiro enquanto que Fábio Santos vem para ocupar a vaga de Paulo Assunção, como cabeça de área com liberdade de subir, contando com a oposição do madeirense Bruno, regressado à ilha, após viagens mal sucedidas até ao Norte do país, numa fase de declínio físico que impede de explanar o futebol lúcido e racional a que foi habituando no Marítimo, enfrentando, porém, a concorrência de Gouveia, com características semelhantes mas também a perder fulgor, embora já habituado ao clube.
Júlio Javier Marchant, argentino, antigo jogador do Union Santa Fé, é o jogador mais complicado do plantel, por estar lesionado até meados de Outubro e, consequentemente, falhar a pré-temporada e ainda pela presença de oito extra-comunitários o que obriga à suspensão da inscrição de dois deles.
Do Juventude de Caxias registaram-se diversos movimentos, viajando para a Madeira um trio atacante formado pelo médio atacante Marcelo, construtor exímio de jogo, com lugar certo na equipa, e dos avançados Michel, de nível semelhante, e Geufer, mais fraco, com provável inscrição suspensa se ninguém sair. Por outro lado, os também atacantes Serginho Cunha e Rogeirinho tomaram o caminho inverso para preencher as vagas deixadas em aberto.
Ainda no ataque, regressaram André Pinto, do Santa Clara, um avançado que não sendo horripilante nunca deslumbrou embora se possa escudar na falta de oportunidades, e três jogadores da cantera, Miguel Fidalgo, com poucos minutos no clube enquanto sénior, Carlos Manuel, promovido este ano à equipa principal, que terá a oportunidade de aprender com Bruno Patacas, que se tudo correr normalmente, poderá afirmar-se definitvamente, os saberes do ofício de lateral-direito e Nuno Viveiros, com participações diversas nas selecções mais jovens.
Na baliza inicia-se o capítulo das permanências e é pena que Hilário continue como titular porque se Nuno Carrapato é menos exuberante e goza de menor apoio da imprensa, é certo e seguro, embora raramente chegue a emocionar os fotógrafos.
Não é menos verdade que este último se lesionou, restando saber como decorreu a recuperação, mas foi durante a sua supremacia que Hilário chegou e roubou o trono.
Quanto a Belman, é o terceiro guarda-redes e pouco mais.
Na defesa, Emerson é um substituto à altura dos titulares do centro da defesa, tal como o experiente João Fidalgo, onde deverá estar Ávalos, o patrão deste sector, a melhorar de ano para ano desde que chegou a Portugal, inversamente a Alexandre Goulart, muito problemático dentro e fora de campo, embora no relvado se possa desculpar com a deficiente colocação atribuída.
Já quanto às saídas, para além das já citadas, há ainda a referir o não aproveitamento de Adilson, anteriormente emprestado e a cedência de Rómulo, outrora importante na equipa, ao Estrela da Amadora.

Não é muito provável que a estrutura da equipa se altere, continuando baseada num sistema de 4-2-3-1 com centrais a jogar à zona, laterais ofensivos, médios defensivos com amplitude de movimentos, um médio construtor à frente destes dois elementos apoiado por dois alas, igualmente, móveis e um ponta-de lança, fixo em casa e móvel fora-de-casa onde o Nacional se transforma numa equipa de contra-ataque em comparação com avalanche atacante caseira.
Por isso, este futebol brasileiro com bola e europeu sem ela está muito dependente da inspiração e valor dos jogadores contratados e ao Nacional não chega a permanência nem a tranquilidade.



Publicado por davide pinheiro em 21 de julho de 2004 às 20:19
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Comentários:




O Nacional fez, sem dúvida, uma excelente temporada. Nem sempre jogou bem, ao contrário do que chegou a ser dito. E tiveram em alguns momentos a estrelinha da sorte do seu lado. Mas isso faz parte. Parabéns, pois mereceram o 4º lugar...

Agora, há coisa que com toda a sinceridade não compreendo. De onde vem o dinheiro que lhes permite terem jogadores que são conhecidamente jogadores caros?

Das suas poucas centenas de sócios?
Das receitas de bilheteira do seu campo, que tem cerca de 2000 lugares?
Da venda de camisolas?
Da publicidade?

Pergunto com sinceridade e sem ironia. Pois acho que fazer o que o Nacional fez é digno de registo...

Mas sinceramente, não percebo de onde vem tanto dinheiro...


:: uma recarga de Rui Vasco em julho 21, 2004 08:34 PM


Nunca ouviu falar nos chorudos subsídios que o Governo Regional atribui aos clubes?!


:: uma recarga de Nuno Travassos em julho 21, 2004 08:51 PM



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