quinta-feira, 22 julho 2004
Critérios...
Nos primeiros dias do passado mês de Maio esteve em Portugal um senhor chamado Pierre Falcone. Provinha de Angola e viajava com destino a Inglaterra mas acabou por perder o avião, passando algumas horas confortavelmente instalado na sala VIP do Aeroporto da Portela à espera do voo seguinte. Até aqui tudo bem, não fosse este homem procurado por tráfico de armas.
Um juiz francês emitiu um mandado de captura internacional por alegado tráfico de armas fabricadas da Europa de leste e que tinham Angola como destino, o caso "Angolagate". A lei estipula que nestes casos, o SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), depois de identificado o sujeito, deve apresentá-lo ao Tribunal da Relação de Lisboa para um juiz desembargador o interrogar e decidir do seu destino. Mas isso não aconteceu.
Falcone manteve-se na sala VIP do Aeroporto da Portela e seguiu viagem, graças a um passaporte diplomático que ostenta. Isto apesar da lei dizer que só o tal Tribunal da Relação de Lisboa (e não um mero funcionário do SEF), poder decidir sobre a importância do tal passaporte diplomático.
Ao que parece, Falcone até já tinha estado em Portugal outras vezes e até foi seguido de perto, mas "ordens superiores" impediram que fosse detido. Tudo para evitar incidentes diplomáticos.
Hoje o SEF decidiu deter Mantorras no Aeroporto de Lisboa. Não digo que não tenham agido bem e que o passaporte do angolano não seja falsificado. Talvez...não sei. Mas como eu gostava que, neste país, todas as pessoas fossem tratadas de igual forma.
Publicado por nuno travassos em 22 de julho de 2004 às 20:53
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So mesmo neste país, pois ao que parece ele só se esqueceu de levar o passaporte válido, levando na sua vez um já caducado. Acontecem situações assim em todos os serviços deste país de merda: funcionários que querem à força os seus minutos de fama, nem que seja entre amigos e depois dá nisto.
Como diziam em tempos: Deixem jogar o Mantorras!
:: uma recarga de Filipe Lopes em julho 22, 2004 09:48 PMPartindo do pressuposto que o passaporte que Mantorras apresentou estava de facto caducado, o que é triste neste caso é ele ser a excepção da eficiência do SEF.
A regra é a triste realidade que o Nuno apresenta.
E ainda há quem critique o futebol! Tomara a Portugal que todos os sectores deste país fossem tão maus como o futebol.
:: uma recarga de Bruno Ribeiro em julho 22, 2004 10:12 PMTanto quanto ouvi, as suspeitas são de que o passaporte é falsificado. Se o SEF agisse de outra forma é que seria criticável. Seguiu o procedimento normal.
Comparar um caso banal como este com a situação Falcone é absolutamente errado. São situações completamente distintas. Falcone é essencialmente um caso de vontade - ou a triste ausência de vontade - política, Mantorras é um tipo suspeito de viajar com passaporte falsificado.
:: uma recarga de Manuel Poças em julho 22, 2004 11:18 PMO problemas foi q no SEF ninguem acreditou q akele passaporte fosse verddeiro ao verem a data de nascimento..22 anos,é claro q tinha q ser falso..finalmente podemos saber a verdadeira idade do novo Eusebio
:: uma recarga de Renato Miguel em julho 23, 2004 03:16 AMsó não foi logo presente ao juiz porque isso teria de acontecer antes da 16 horas. Ansiedade que resultou em asneira Segundo A BOLA apurou, Mantorras tem dois passaportes. Um válido até 2006 e outro que caducou no passado mês de Janeiro. Na altura em que viajou para Suíça, integrado na comitiva benfiquista, a ansiedade era tanta que acabou por se enganar e levar consigo o passaporte antigo (pensou ele). Mais tarde, quando se apercebeu do engano, rasurou o documento, alterando a data da validade para Janeiro de 2005. Um erro provocado pela ansiedade de seguir viagem com os companheiros para o estágio de pré-época e que o jogador terá cometido pelo próprio punho, de acordo com informações fornecidas ao nosso jornal por uma fonte do SEF e outra da PSP do aeroporto de Lisboa. A desatenção do angolano esteve à beirinha de resultar num caso grave. Em primeiro lugar teria de passar a noite no aeroporto, nas salas de detenção do SEF, ainda na zona internacional (onde costumam ficar os passageiros que não chegam a entrar no território) à guarda dos agentes do SEF, como é hábito. Depois, seria apresentado em Tribunal logo pela manhã, correndo riscos de pena grave.
A mulher salvou a noite
Tomando conhecimento do que se passa va, a mulher de Pedro Mantorras dirigiu-se ao aeroporto e garantiu que tinha colocado o passaporte correcto — o que tem validade até 2006 e que Mantorras julgava não ter levado para a Suíça — nas malas do jogador. Perante a insistência, os serviços de alfândega libertaram a bagagem de Mantorras (até aí, igualmente retida) e os funcionários do SEF puderam então revistá-la e descobrir o passaporte correcto, válido até 2006, para surpresa e alívio de Mantorras. O angolano deixou o aeroporto já de madrugada e não ganhou para o susto. O que é de espantar, além do desfecho desta história, é a forma como Mantorras conseguiu viajar de Lisboa para a Suíça e regressar, sempre com visto e o passaporte rasurado. Terá existido desatenção dos serviços de aeroportos, facto que, naturalmente, não desculpa o comportamento do jogador do Benfica.
:: uma recarga de João Gonçalves em julho 23, 2004 04:20 AMSó uma questão, depois de ler a recarga anterior. Como é possível ter dois passaportes? Pensava que não era possível. Quando se renova um, entrega-se o anterior. Pensava eu...
Já agora gostava de referir as palavras de um Sr. que se diz Director de Comunicação do Benfica. Disse esse senhor que o Benfica como ganhou três jogos já estava a meter medo a muita gente e que terá sido por essa razão que ocorreu o procedimento do SEF. No mínimo mereceria um processo da Procuradoria.
:: uma recarga de Leão de Torres em julho 23, 2004 09:47 AMAs pessoas não são todas tratadas de igual forma, quando não são cidadãos comuns.
Por isso é que existem passaportes diplomáticos. Se é contra a existência desse tipo de passaportes, então sugiro-lhe que reinvente a diplomacia internacional.
:: uma recarga de Nuno em julho 23, 2004 12:01 PMEu sou contra os passaportes diplomáticos quando eles impedem que se faça justiça. O Sr. Saddam Hussein também teria passaporte diplomático, o Sr. Bush tambem o terá. Pelo menos um destes é um criminoso. E por causa do passaporte vão ficar impunes. Um diplomata pode fazer tudo à sombra do seu passaporte?! Digam isso ao Milosevic!!
:: uma recarga de Travassos em julho 23, 2004 02:29 PMSe você não tivesse espinhas atravessadas na garganta e estive melhor informado e fosse mais culto, isto é, tivesse outros conhecimentos dos factos e para isso teria de os ter acompanho desde o principio, não tirava conclusões sobre os efeitos, concluiria sob as causas e não escreveria babozeiras. Estude, aprenda, certifique-e da verdade e depois apareça...tem muito tempo para isso. Não emprenhe nem entre, implicitamente, no diapazão dos fascistas. Se Falcone tivese cometido crimes como você pensa... já tinha sido destruido há muito tempo. Não escreva sobre assuntos perigosos porque a caneta pode estragar o papel. Caso Mantorras nada tem a ver com o de Falcone... nem das brasileiras prostitutas que são recambiadas... entenda as coisas "menino" Nuno.
:: uma recarga de alberto santos em julho 24, 2004 10:09 PM
