terça-feira, 10 junho 2003
Omer: o 'Matador' Croata
Omer, o matador. Foi assim que chegou ao futebol português, mais concretamente a Chaves, ainda na divisão maior, este avançado que o Rodez - da segunda divisão de França - descobriu no futebol croata, na altura, ainda jugoslavo. Omer, em França, era conhecido por Omerhodzic, e até foi suplente numa meia final da Taça de França (Marselha-Rodez). Só que "omeródeziche" era um nome muito complicado, para colegas, treinadores e para a própria imprensa , à excepção do craque "linguístico" José Nicolau de Melo - então, porque não, Omer? É mais fácil, mais prático e quem sabe, pudesse dar milhões.
Em Chaves, Mirsad Omerhodzic não foi feliz. Decorria a época 92/93 e a sua tarefa era a de substituir o mítico goleador Rudi, melhor marcador do clube no campeonato anterior. Rapidamente os flavienses ficaram com o destino traçado: a descida à segunda divisão. A aposta em Radi Zdravkov - mítico "10" do clube e, posteriormente, em Henrique Calisto não surtiu efeito. Omer passou a época na sombra do "tosco" finlandês Tarkkio e do inevitável Karoglan. Apenas 15 jogos, quase sempre como suplente, e 3 golos para este classe 67, natural de Pula, acabaram por ser poucos e o seu nome acabou por figurar entre a lista de dispensados no final da época.
Segiu-se o Torreense, que o aceitou, depois de curto período à experiência. A pré época dos de Torres Vedras tinha mostrado que o "matador" argentino, Gustavo Luíz, contratado como "craque" não era mais que um "barrete", então a aposta em Omer foi uma realidade. Jogando ao lado do "assombroso" Calila, Omer marcou 5 golos, em 23 jogos. Não foi muito, convenhamos, mas a divisão de honra revelara um ponta de lança possante e agressivo - cotovelas brutais nos defesas, quem não se lembra!! -, que não se limitava a concluir lances e criava inúmeros golos, através de assistências. Calila, o supersónico, que o diga.
O desafio seguinte foi o Rio Ave: duas épocas, 59 jogos e 38 golos! Fantástico, Omer. Na primeira época de verde e branco, acabou por ser quem mais brilhou, ao lado de Litos - em início de carreira-, e o lugar a meio da tabela acabou por passar pelos golos do croata. A segunda época foi um êxito - Rio Ave campeão e Omer "artilheiro-mor" da divisão de honra e ídolo da torcida verde e branca. Tudo indicava o regresso à primeira liga do "artilheiro" croata, mas com alguma surpresa apareceu entre os dispensados. Fernando era a aposta de Calisto para o ataque à primeira divisão e Omer pagou caro alguns excessos fora dos relvados - fartou-se também de "marcar golos" fora do campo e isso valeu-lhe a dispensa. Mesmo assim, durante a (péssima) primeira volta do campeonato, o seu nome era constamente relembrado nas bancadas, sobretudo quando Fernando demonstrava que era muito pior profissional que o croata.
O Beira-Mar, que pretendia regressar à divisão maior, foi o clube seguinte. Mas Omerhodzic nunca recuperou a alegria de jogar e a "mágoa" da dispensa do Rio Ave, não deixou explanar o seu melhor futebol. 5 golos, em 21 jogos, foram manifestamente pouco, até porque os aveirenses não subiram. Ainda iniciou a temporada 97/98 em Aveiro, mas alguns problemas disciplinares ditaram a sua dispensa, prosseguindo, aos 31 anos, a sua carreira na Croácia, no NK Mladost. E, assim, prosseguiu a sua carreira em clubes de menor dimensão, até iniciar a sua carreira de treinador.
Mirsad Omerhodzic é apontado como um promissor técnico na Croácia, tendo realizado um excelente trabalho no Istra Pula, clube da sua terra natal, na 2ªDivisão croata. Aguardamos, pacientemente, desenvolvimentos da sua nova carreira.
Publicado por rui malheiro em 10 de junho de 2003 às 22:34
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