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domingo, 14 dezembro 2003
SuperLiga | Belenenses - 2 Alverca - 0 | 14ª Jornada
Categoria: Alverca , Belenenses
No Restelo, as muitas centenas ou poucos milhares do costume tiveram oportunidade de assistir a mais um habitual despique entre equipas do meio da tabela. Trocando por míudos, tratou-se de um jogo entediante com um ou outro motivo de interesse, tendo neste caso servido para reconciliar a equipa da casa com os seus adeptos, naquela que foi a primeira vitória de "Bogie" ao comando dos azuis. Com Wilson a ser dado como indisponível minutos antes do jogo, e depois da desastrosa inconsequência atacante demonstrada na semana anterior, o treinador apostou num renovado onze, composto por um quarteto defensivo inédito a demonstrar razoável competência e segurança, e um meio campo que contou com o regresso de Mauro e o posicionamento mais recuado de Sané, no apoio possível a Tuck. Os opositores apresentaram-se sem grandes novidades, exceptuando a ausência de Pedro Neves, suspenso preventivamente depois de ter acusado positivo num recente controlo anti-doping.
Nada a registar até aos 9 minutos, altura em que Mauro inaugura o marcador, na sequência de um livre cobrado no lado direito por Verona, elevando-se na área por entre uma imensidão de jogadores do Alverca e cabeceando de forma certeira com a bola entrar junto ao primeiro poste. Os jogadores ribatejanos continuaram como se nada fosse, apresentando um futebol fraco em criatividade e, nos sectores mais avançados, bastante confuso. Curiosamente, à semelhança da exibição do Belenenses em Aveiro, a metamorfose do esférico em batata quente encontrou nos visitantes uma equipa intranquila que procurava a todo o custo os dois jogadores mais avançados. José Rui, excessivamente individualista, e Rodolfo Lima, perfeitamente abandonado pela iniciativa do seu meio-campo, constituiram ainda assim as duas únicas pinceladas de futebol minimamente bem jogado que a sua equipa apresentou durante o primeiro tempo. O Belenenses pressionava o adversário com alguma agressividade, fazendo lembrar os primeiros jogos da época, com Mauro a revelar-se uma unidade útil a toda a largura do terreno e Tuck a fazer aquilo que sabe com a pouca velocidade de que dispõe, apoiado aqui e ali por um Pelé que, apesar de remetido a tarefas mais defensivas do que é habitual, soube avançar no terreno e fazer aquilo que o tem notabilizado nesta equipa, procurar as faixas e pautar o jogo a meio-campo. Apesar de ter praticado um futebol mais objectivo e de ter apresentado um ataque organizado, poucas foram as inciativas dignas de registo ao longo da primeira parte, ficando-se o onze azul muito mais pela vontade de fazer do que propriamente pela consecução desse domínio territorial. Aos 41 minutos, o médio Diogo é expulso por acumulação de amarelos, na sequência de uma violenta entrada a pés juntos sobre Tuck e deixa o seu meio-campo ainda mais fragilizado à saída para o intervalo, não sem antes o Belenenses ter explorado exactamente essa lacuna numa boa jogada de Sané a desmarcar Eliseu em velocidade que remata cruzado, com a bola a ressaltar num defesa desviando a trajectória e quase traindo Yannick, que consegue desviar para canto. Assim se chegava ao final de uma primeira parte monótona, mal jogada e com excessivo número de faltas.
A segunda parte veio, e o Alverca entrou de novo aos tropeções e quase sofre o segundo golo, primeiro aos 48 minutos após a saída atempada de Yannick aos pés de Verona, após boa combinação com Mauro a cruzar pelo flanco esquerdo, e 2 minutos depois, em mais um remate de Eliseu, uma unidade que até então oferecera bastante dinâmica ao lado esquerdo. Até então porque aos 53 minutos, José Couceiro vê-se obrigado a fazer entrar Manú, depois de Ramires se lesionar com alguma gravidade. A solução de recurso apresentou-se de forma surpreendente, veloz, incisivo e recuando constantemente no seu flanco para procurar mais rapidamente obter a bola e seguir com ela. A equipa respondeu positivamente e de repente todos os lances de ataque pareciam passar pelo jovem de 17 anos. Foram 20 minutos de futebol bem mais directo e arriscado por parte dos ribatejanos, com Marco Aurélio a assumir rapidamente protagonismo na defesa atenta das suas redes. Mas nem assim o Alverca conseguiu o que pretendia e, passados minutos suficientes para que o novo fôlego se perdesse e Eliseu percebesse que, devido ao perigo Manú, as suas investidas pelo lado esquerdo teriam de esperar por uma jornada mais afortunada, a equipa azul lá se recompôs e respondeu com alguns contra-ataques que em nada resultaram mas que serviram para remeter o adversário ao seu meio-campo. Pelo meio, algumas substituições com o pequeno Valdiram a entrar para o lugar de Gonçalo Brandão aos 67 minutos e José Couceiro a arriscar tudo!... aos 77 minutos, com a entrada de Zé Roberto e Alex Afonso, unidades que pouco ou nada conseguiram trazer de novo. O Belenenses tomava novamente conta do jogo à entrada dos últimos 10 minutos e o flanco direito era várias vezes percorrido por Valdiram, nas suas fintas estonteantes, capazes de deliciar o adepto mais céptico e enervar o mais paciente, e por demais desnecessárias. Em desespero de causa, o Alverca abre espaços na defesa e aos 89 minutos, na mais bonita jogada do desafio, uma preciosa assistência de Leonardo serve Valdiram que remata com pontaria suficiente para conseguir terminar a contenda.
A vitória premeia a equipa que melhor futebol jogou, mesmo sem ter enchido o olho a qualquer um dos que presenciou aquele invernal fim de tarde. No que toca ao Belenenses, Bogicevic deverá preocupar-se em conseguir um onze capaz de defender com agressividade e atacar sem excessos de individualismo. Tarefa bem complicada, se olharmos para o conjunto de jogadores à sua disposição. Verona e Leonardo foram unidades displicentes e se o primeiro ainda teve alguma participação activa no jogo, quanto ao segundo... Sim, ele esteve mesmo em campo. Infelizmente, só aos 89 minutos fez questão de o provar. O Alverca apresentou-se como uma equipa munida de bons atacantes, mas tirando aqueles 20 minutos fulgurantes em que tudo pareceu realmente possível, foi uma equipa completamente fragmentada em que cada qual pareceu abandonado na sua posição. Acabou por ter o seu melhor momento jogando com menos 10, e fruto da velocidade de um tal de Manú, capaz de pegar no jogo atacante da sua equipa, de a galvanizar, e de aguçar o apetite para próximas jornadas.
Bruno Paixão (7) - A meio da primeira parte, e com tantas faltas, apetecia clamar por mais rigor de qualquer árbitro, mas Bruno Paixão acabou por fazer uma exibição positiva, mesmo que aqui e ali a amostragem de cartões se justificasse plenamente.
Estádio: Restelo, em Lisboa.
Marco Aurélio
Fábio Rosa, Hélder Rosário, Pelé, Gonçalo Brandão (Valdiran, 67)
Sané, Tuck
Verona, Mauro (Rúben Amorim, 90), Eliseu
Leonardo
Yannick Quesnel
Amoreirinha, Marco Almeida, Veríssimo, Júnior (Zé Roberto, 77)
Torrão, Diogo
Ramires (Manú, 52), Tinaia, José Rui (Alex Afonso, 77)
Rodolfo Lima
Golos:
9' 1-0 Mauro (de cabeça, a concluir um livre de Verona, desde a direita).
90' 2-0 Valdiran (a concluir, numa remate de pé direito, uma assistência de Leonardo, de cabeça).
Disciplina:
A: Mauro (32), Tuck (58), Fábio Rosa (64), Júnior (74), Zé Roberto (89) e Rodolfo Lima (93).
V: Diogo (42), por acumulação de amarelos
Melhor em Campo: Mauro (Belenenses) .
Num jogo em que quem teve mais vontade ganhou, e mesmo que Marco Aurélio tenha decidido o jogo com as suas defesas, Mauro acaba por ser merecedor da nomeação, por ser um jogador de uma entrega imensa, capaz de apoiar a equipa, sem um único lance em que se revele displicente. Não será certamente um craque, mas dá um jeito enorme a uma equipa como a do Belenenses.
Vasco Mendonça
Publicado por terceiro anel às 23:48