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quarta-feira, 18 fevereiro 2004

Futebol de Terceira

Categoria: Col: Nuno Travassos

Já por várias vezes se falou na questão das cotoveladas no futebol. Ora nas jogadas aéreas, ora nas disputas de bolo no solo, são diversos os casos em que se utilizam os cotovelos e se acabam por atingir adversários. Parece unanime que é uma atitude reprovável a todos os níveis e algo que deveria ser passivel de forte sanção. Isto porque pode provocar danos preocupantes e graves em colegas de profissão. Eu decidi falar desta temática aqui no "Futebol de Terceira" porque, se estas atitudes já são gravissimas a um nivel profissional, julgo que quando se trata de campeonatos e jogadores amadores a reflexão deve ser ainda mais exaustiva. E falo nisto porque assisti a um desses casos neste último fim-de-semana e choca-me um pouco que estas situações se continuem a verificar nos relvados. Um colega meu foi atingido intencionalmente por um colega de profissão. Numa disputa de bola, o adversário agrediu-o com o cotovelo, partindo-lhe o maxilar. Digo que estes casos, quando verificados em competições amadoras, devem ser ainda mais reprováveis pelo seguinte: se isto acontecer a um jogador da Superliga, ele é prontamente assistido pelos competentes médicos dos clubes, prontamente levado para um hospital, operado de urgência e inicia depois um periodo de recuperação intensiva, para que regresse ao activo em breve. Num campeonato amador a história é outra: um jogador passa a semana a trabalhar e ao fim do dia ainda vai treinar, conduzido pelo gosto do desporto. Ao domingo, a unica coisa que tem em mente é jogar bem e lutar pelos objectivos individuais e colectivos. Depois, quando isto acontece, é assistido por massagistas que, apesar da experiencia e da boa vontade, não têm as habilitações dos medicos dos grandes clubes. Depois, é conduzido de hospital em hospital até ser internado. Seguem-se mais algumas horas ou mesmo dias de conflito entre o clube e a seguradora da federação portuguesa de futebol, até que finalmente o jogador é operado. E depois....não há recuperações record, não há sessões bi-diárias de tratamento. Há sim um largo tempo passado em cama, sem poder fazer o que mais gosta e, mais importante que isso, sem poder trabalhar para ganhar o seu sustento.

Publicado por nuno travassos às 23:43