« Estrela Amadora - Balanço | Entrada | Sporting :: Equipa B acaba »
sexta-feira, 14 maio 2004
Paços de Ferreira - Balanço
Categoria: 03/04 Balanço da SuperLiga , Paços Ferreira
O 17º classificado da SuperLiga, realizou uma época decepcionante, praticamente sempre abaixo da linha de água: a excepção acabou por ser as primeiras jornadas e o início da segunda volta, onde, por pouco tempo, começou ascender ao 15º posto - só que as derrotas em Alverca e em casa frente ao Rio Ave acabaram por afogar os 'castores' e conduzi-los à descida de divisão.
O 'falhanço' terá começado logo na pré época: Mota 'sonhou' com o Bessa e Guimarães, optando por não renovar contrato, só que acabou com um contrato chorudo no Santa Clara ; José Gomes, na estreia como técnico principal, aguentou-se apenas 8 jornadas, em que conseguiu apenas uma vitória - Mota regressou à 9ª jornada, mas não fez melhor - a equipa estava a 3 pontos da 'salvação', mas o 'santo da casa' não conseguiu dar a volta à situação.

. José Manuel, o veloz extremo bracarense, realizou a sua melhor época de sempre na SuperLiga - 11 golos, em 31 jogos. Com os seus golos 'garantiu' 10 pontos para os pacenses, o que significa que foi quem mais contribuiu na luta contra a descida - podendo-se ainda juntar algumas assistências para golo. Foi, quase sempre, o melhor do Paços, e ficam também na história da SuperLiga 2003/2004 alguns dos seus golos, bastante refinados esteticamente.
. Manduca e Renato Queirós foram outros jogadores que escaparam ao 'afundar' da carrinha amarela. O extremo brasileiro confirmou credenciais que vinha a revelar na Liga de Honra, enquanto que Queirós, que continuou a alternar o banco com a titularidade, mostrou que é jogador com talento suficiente para a SuperLiga.

. Na estreia como técnico principal José Gomes não convenceu os adeptos pacenses, que presos ao trabalho do 'milagreiro' Mota, nunca perdoaram a saída do técnico da casa, e fizeram a vida negra ao jovem treinador. O trabalho de Gomes não correu bem: 8 jogos, apenas 1 vitória e 7 derrotas - mas, quando abandonou o clube, o 15º lugar estava a três pontos e o jogo seguinte era em casa...
. Simpatize-se ou não com o estilo, o que é certo é que Mota vinha de 4 anos de sucessos em crescendo: Campeão da Liga de Honra, em 1999/2000, 9º classificado, em 2000/2001, 8º classificado, em 2001/2002, 6º classificado, em 2002/2003. Aspirou, como é legítimo, a voos mais altos: com as portas semi-abertas em Guimarães e Bessa, abandonou o clube, mas o 'salto' ficou adiado e para fugir ao 'desemprego' optou por um contrato chorudo nos Açores. Começou mal a sua aventura insular, optando por regressar a Paços de Ferreira, para reconduzir o clube que o projectou a uma época tranquila. Teve ao seu dispor os mesmos jogadores da época anterior - só não teve Mário Sérgio e o avançado Carlos Carneiro, que nem sempre era titular - e reforçou fortemente a equipa na reabertura do mercado, dispensando também algumas das aquisições de Gomes. Apesar da ligeira retoma entre o final da 1ª volta e da 2ª, a derrota caseira com o Rio Ave, depois de uma derrota em Alverca, acabaram por hipotecar a recuperação, para, jornadas depois, estar a equipa praticamente condenada à descida, de nada valendo uma vitória sobre a linha de meta frente ao Vitória de Guimarães.
. Hernâni Silva, o presidente: optou por José Gomes no início da temporada, garantiu que o treinador não tinha o lugar em risco, mas, a partir da 4ª jornada, já dava 'votos de confiança' - a habitual antecâmara da chicotada psicológica. As crónicas da deslocação a Vila do Conde, da 7ª jornada, dizem que, desde a bancada VIP, procurou interferir tacticamente na equipa e que chegou a insultar um jogador da sua equipa. Já com Mota no comando, perdeu protagonismo, mas, mesmo assim, ainda se envolveu numa querela com um árbitro após uma derrota, para além de ter criticado publicamente o plantel em Dezembro, o que, convenhamos, devia ser feito internamente e não nos jornais.
. 4 pontas de lança (Rui Miguel, Paulo Vida, Beré, Fernando Gaúcho), apenas 5 golos. Muito fraco o rendimento dos pontas de lança da formação pacense, que até tinha em abundância, jogadores para uma posição onde muitos clubes portugueses são deficitários. Gaúcho, vindo em Dezembro, ainda garantiu 4 golos, mas Rui Miguel, que desceu de divisão pelo segundo ano consecutivo, apenas apontou 1 tento, em 24 jogos. Vida, dispensado em Dezembro, ficou em 'branco', em 11 partidas, enquanto que o 'possante' Beré, que também não marcou, não justificou a sua aquisição.
. Zé Nando, um lateral esquerdo regular, realizou uma época bastante fraca, chegando mesmo a ficar de fora dos convocados em algumas partidas ; Rui Dolores, aposta pessoal de Mota em Dezembro, não conquistou um lugar na equipa e provou porque é que deixara de ser opção para Sousa no Beira-Mar.

. O meio campo pacense, que tão bom futebol vinha a praticar nos últimos anos, foi muito irregular. Jogadores como Beto, Júnior, Paulo Sousa e Pedrinha - aos quais se juntou, mais tarde, Glauber - realizaram temporadas irregulares, com claros reflexos no futebol praticado pela equipa, menos vistoso e também menos eficaz na pressão e recuperação de bola.
. A defesa pacense foi sempre o 'calcanhar de aquiles' da equipa, sobretudo na sua zona central. Gomes apostou no rejuvenescimento do sector, aposta continuada por Mota: Ricardo André e Geraldo - ambos vindos do Benfica - e Cadú não fizeram uma temporada má, mas necessitavam de ter ao seu lado um central experiente, até porque Adalberto, martirizado por lesões e com o peso natural dos seus 35 anos, apenas realizou 8 jogos.
Publicado por rui malheiro às 22:45