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quinta-feira, 10 junho 2004

Notas sobre o Europeu de Sub'21

Categoria: 03/04 Futebol Internacional , Col: Bruno Ribeiro

Terça-feira passada (8 de Junho) terminou mais um Campeonato Europeu de Sub'21 (a edição número 13) que terminou com mais uma vitória (a quinta) da selecção italiana nesta competição. A selecção portuguesa terminou num honroso 3º lugar que lhe vale a qualificação para as Olimpíadas de 2004 em Atenas.
Agora que a competição terminou e os festejos de vencedores e o desânimo dos vencidos se dissipa, importa fazer um curto balanço sobre as equipas e os jogadores que mais se destacaram, pois é neles que se encontra o futuro do futebol europeu.

Sem que isso constitua grande surpresa a formação transalpina voltou a fazer jus às suas credenciais e afirmou-se como a principal potência europeia nesta categoria. Pode não ser (e de facto não é) a equipa que melhor joga e cujos jogadores mais entusiasmam a audiência, mas demonstra possuir toda a arte do futebol italiano em defender bem e construir contra-ataques venenosos e mortíferos. A grande vantagem desta selecção está na maturidade dos seus jogadores (com experiência na Série A), que desde cedo aprendem a importância do colectivo face ao individual. A Itália não ganhou porque foi a que mais situações criou; ganhou porque foi a que menos errou e que melhor soube aproveitar os erros dos outros. Nada mais simples e eficaz.

A surpresa da prova foi a renascida Sérvia e Montenegro que apresentou um futebol de qualidade alicerçado na sua dupla de avançados formada por Delibasic e Lazovic. Depois da desagregação de ex-Jugoslávia tardaram a emergir talentos nesta zona balcânica, que foi vendo a sua selecção principal envelhecer sem que a fundamental renovação surgisse, sendo Kezman a única excepção. O excelente resultado obtido pelos jovens sérvios levanta a esperança de voltar a ver os relvados europeus "invadidos" pela beleza técnica dos Balcâs, da qual até à data apenas a Croácia tem sido capaz de fugazmente apresentar.

O prémio de consolação acabou por sair a Portugal, que no jogo de apuramento para o 3º lugar derrotou de forma emocionante a Suécia por 3-2. Com ausências importantes (C.Ronaldo, Tiago, H. Postiga ao serviço da selecção principal; e Quaresma e Makukula lesionados) e escolhas no mínimo estranhas e discutíveis (ausências de Miguelito e Cândido Costa), José Romão lá foi levando a água ao seu moinho, embora os seus erros técnicos tenham custado alguns dissabores (o recurso a 3 centrais na meia-final contra a Itália sem a equipa estar para isso preparada, foi como se diz "entregar o ouro ao bandido").

Das restantes selecções destaque para a Suécia que, através de um modelo de jogo muito italianizado de grande contenção defensiva e elevada eficácia no ataque, terminou a prova no 4º lugar; e para a Bielorrúsia que chegou a ter a qualificação para as meias-finais na mão, mas deixou-a escapar no último jogo da fase de grupos, e por ter sido a única equipa a derrotar os italianos. A decepção acabou por ser a Alemanha que não foi capaz de capitalizar o factor casa a seu favor, acabando por capitular às mãos da selecção nacional. Croácia e Suiça acabaram por ser os "patinhos feios" da competição embora, honra lhes seja feita, lutassem até ao fim pelo acesso às meias-finais; no entanto deixaram sempre transparecer que não estavam tão bem apetrechadas como os seus concorrentes.

Num outro post, dedicarei a minha atenção aos destaques individuais deste Europeu.

Publicado por bruno ribeiro às 18:30