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terça-feira, 6 julho 2004

A Europa dos Onze

Categoria: Euro 2004 Balanço

Num europeu marcado pela irregularidade dos jogadores, pela mediocridade das equipas e pela vitória dos adeptos, é tão difícil escolher onze atletas que espelhem o que de melhor teve a competição, quanto é para a União Europeia escolher um mero e singular líder. Ainda assim, ficam as escolhas:

Guarda-Redes
Nikopolidis

António Fidalgo não se lembrou dele o que só pode ser um óptimo indicador. Ele requentou a frieza mediterrânica no calor atlântico. Seguro como uma rocha, não cometeu uma única falha durante toda a competição. Impressionante, sem dar nas vistas.

Defesas
Seitaridis
Fez esquecer Paulo Ferreira e já se diz que é melhor que o antigo setubalense.
Dizia-se o mesmo de Pena em relação a Jardel mas este campeonato já ninguém tira a um lateral que defendeu muito e atacou bem.

Ricardo Carvalho
Nem que fosse por ter atirado Fernando Couto para a conta Poupança Reforma, já merecia um prémio. Se tudo o resto for recordado, merece juro bonificado, Cartão Jovem até aos trinta anos e um desconto de vinte por cento nos cabeleireiros Marina Cruz.

Dellas
Dellas em Marte passou em vários canais entre 12 Junho e 4 de Julho. Com uma vassoura semelhante a um aspirador e um sentido posicional capaz de fazer inveja a um polícia sinaleiro, foi uma das grandes surpresas do campeonato. Não foi eleito o melhor jogador porque, como diria Fernando Santos, só pôde ficar um sendo ele o sacrificado.

Edman
Uma escolha por exclusão de adversários e por ter sido o lateral-esquerdo que conseguiu uma prestação mais elevada numa partida, precisamente, frente à Bulgária.

Médios
Zagorakis
Uma bússola com todos os pontos cardeais a apontar para a eficácia, embora a distinção atribuída estivesse destinada a Maniche em caso de vitória portuguesa na prova. Galgou metros e correu quilómetros, sempre em prol da equipa.

Maniche
Fez tudo neste Europeu. Defendeu, atacou, marcou, bailou, construiu, destruiu num corropio constante. Del Neri não o merece.

Frank Lampard
Igual a Maniche só que pior acompanhado. Mourinho é um homem com sorte por poder treinar este dois jogadores. Estamos, seguramente, na presença do melhor jogador inglês da actualidade. Falta-lhe apenas uma esposa vistosa.
Lucy Pinder é a nossa sugestão. Confira aqui .

Avançados
Charisteas
Teve tanto de temível como de esquecido. Assinou uma época de luxo no Werder Bremen mas os adversários só repararam em Ailton. Menos cotado que Nikolaidis, sai do Europeu como uma das principais referências da próxima Liga dos Campeões.

Milan Baros
Esquecido por Houllier no Liverpool, teve tempo para se preparar para o Euro, em condições excepcionais.
Nem estava a jogar bem frente à Letónia quando marcou. A partir daí, foi sempre a facturar de forma impiedosa, chegando a melhor marcador.
Podemos estar na presença do melhor jogador da próxima competição, se os treinadores continuarem a oferecer tempo para se lembrar da selecção e esquecer o clube.

Wayne Rooney
Também em Liverpool, mas no rival Everton, é mais um daqueles que se enganou no campeonato, esquecendo os Sub-21. Tem tudo para se tornar num jogador mítico do futebol inglês.

Treinador
Otto Rehaggel
O Jaime Pacheco alemão. Sempre com os olhos no adversário, à espera do seu erro, qual animal em busca da presa, representa o melhor e o pior deste Europeu.
Foi o mais pragmático e aquele que melhor estudou os adversários mas, ao mesmo tempo, contribuiu para a destruição do futebol europeu, já de si em ruínas.
Conseguiu tirar o melhor partido de uma boa equipa, sem estrelas, e entrou para a história da Grécia mas não para a do futebol europeu.
Os deuses veneram-no, os gregos idolatram-no, os intelectuais do futebol defendem-no mas o adepto não fica convencido.
Uma vitória da Grécia no Europeu, assim como uma final da Liga dos Campeões entre o Porto e o Mónaco, espelha um mundo ao contrário.
Lembrar o seu nome daqui a alguns meses será pergunta de nível difícil no concurso "Um contra todos".

Publicado por davide pinheiro às 02:44