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terça-feira, 20 julho 2004
Notas tácticas
Categoria: Col: Bruno Ribeiro , Euro 2004 Balanço
As grandes competições entre selecções são os palcos onde os sistemas tácticos se apresentam e se consolidam, onde as modas se implantam e onde as tácticas que marcarão os tempos que se seguem se solidificam, até à próxima grande competição.
O triunfo do Brasil no Mundial de 2002 permitiu a expansão do 3-5-2 a que Scolari deu preferência (uma cópia, como o próprio admitiu, do sistema apresentado pela Argentina de Bielsa) um pouco por todo o mundo do futebol. O próprio Scolari procurou implementar este sistema na selecção portuguesa no início dos seus trabalhos. Passados 2 anos o 3-5-2 campeão mundial, demasiado exigente ao nível das características dos jogadores, deixou de ser moda ao ponto de apenas a Argentina, ainda sob o comando de Bielsa, o utilizar.
Findo o Euro 2004 importa reflectir brevemente sobre a .herança. táctica que nos é legada pelas 16 selecções que nele tomaram parte.
Analisando tacticamente as várias selecções que participaram na fase final do Euro, verificamos que o 4-4-2 foi o sistema táctico mais em voga no decorrer da prova. A grande maioria das equipas que se passearam pelos relvados portugueses privilegiaram este sistema táctico, nas suas diversas variantes (em linha, losango, rombo ofensivo ou defensivo, com médio-interiores ou alas, doble-pivot.), sendo as excepções Portugal (actuando primeiro em 4-2-3-1 e depois em 4-3-3, apesar de ter recorrido ao 4-42), Rússia (4-1-4-1 e 4-1-3-2) e a Holanda (4-3-3).
O destaque terá que ser dado obrigatoriamente à Grécia, a nova campeã da Europa. Otto Rehaggel transformou o futebol helénico dotando-o do rigor germânico e, acima de tudo, de uma grande capacidade de adaptação a diferentes esquemas apresentados pelos seus adversários. Com uma defesa de betão, e saídas para o contra-ataque rápidas, simples e eficazes, a Grécia apostou sobretudo em anular o jogo adversário ao invés de impor um esquema próprio. A postura dos gregos foi essencialmente retroactiva, fazendo depender o seu sistema táctico das opções tomadas pelo adversário. Assim, podemos observar .duas Grécias.: actuando em 4-4-2 perante adversários que apresentavam um único ponta-de-lança, ou em 5-3-2 (desdobrando-se para o 4-4-2 em missões ofensivas) quando a equipa oponente surgia com 2 avançados.
Uma outra característica do esquema grego prendeu-se com as marcações individuais às figuras mais importantes do adversário; sendo estas efectuadas tanto pelos médios-defensivos como pelo 3º central (no esquema de 5-3-2, posição ocupada por Seitaridis). Rigorosas e eficazes foram fundamentais nas vitórias dos quartos-de-final frente à França e sobre a Rep. Checa nas meias-finais.
Rep. Checa que foi por sua vez outro dos grandes destaques do ponto de vista táctico deste Euro, embora precisamente por motivos opostos aos dos gregos. Partindo de um 4-4-2 losango com alas bem abertos como base, Bruckner recorreu tanto a um falso 3-5-2 (4-4-2 quando em situação defensiva) como a um .impensável. (se tivermos em conta as características cada vez mais defensivas que marcam o futebol contemporâneo) mas empolgante 3-4-3 e situações de desvantagem.
Uma outra nota táctica a retirar do Euro luso relaciona-se com os extremos; ou a falta deles. Já aqui uma alertei para este facto nas jornadas iniciais do torneio e o desenrolar da competição permitiu confirmar as minhas suspeitas. Cada vez menos se recorre aos extremos tradicionais no futebol contemporâneo, os treinadores dão preferência a jogadores que ocupem o miolo do terreno defensivamente e sejam capazes de cobrir os flancos em situação ofensiva, permitindo ainda a subida dos laterais. Esta situação provoca o afunilamento do jogo e falta de profundidade ofensiva. Curiosamente 3 das equipas que atingiram as meias-finais recorreram aos extremos típicos (rápidos, fortes no um-para-um, à procura da linha de fundo.); mais curioso o facto de que a que venceu o torneio preferir a solução mais .moderna..
Publicado por bruno ribeiro às 22:39
Comentários
Excelente análise.
No entanto a minha opinião sobre a táctica grega é muito directa: Completo anti-jogo.
Ganharam têm mérito, mas uma equipa que joga tão feio não merecia ganhar, mas até a sorte esteve tantas vezes com eles.
#1 | Comentado por: cachucho | 24 de outubro de 2005 às 21:21
Excelente análise.
No entanto a minha opinião sobre a táctica grega é muito directa: Completo anti-jogo.
Ganharam têm mérito, mas uma equipa que joga tão feio não merecia ganhar, mas até a sorte esteve tantas vezes com eles.
#2 | Comentado por: cachucho | 24 de outubro de 2005 às 21:21