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sexta-feira, 24 setembro 2004
Estad(i)o de Sítio (XVIII)
Categoria: Arbitragem , Col: Rui Malheiro
Revisita à semana 3 do futebol profissional, sobre o prisma dos homens do apito, que viveram (mais) uma semana complicada. Sem 'grandes' e sem Bruno Paixão disponível, tudo foi, quase sempre, tranquilo, só que os jogos que envolveram FC Porto - em versão dupla -, Sporting e Benfica, acabaram por ser marcados por algumas decisões polémicas e bastante contestação. Xistra, árbitro do ano em 2003/2004, acabou por ser o pior da semana, curiosamente numa partida em que se voltaram a ouvir queixas do 'sistema'. Benquerença, chamado ao complicado 'derby' minhoto, saiu de Braga, com uma actuação muito positiva - foi ele o melhor árbitro da semana.

Jorge Sousa (Porto)
Abriu a jornada, no Boavista-Vitória Setubal. Actuação globalmente positiva, apesar das críticas que recebeu, sobretudo, de Jaime Pacheco, totalmente injustificadas. O único erro de monta acabou por ser da responsabilidade de um dos árbitros auxiliares, o aveirense Marcílio Pinto, que deve ter sido o único a ver um fora-de-jogo a Igor, com o resultado em 1-1.
Augusto Duarte (Braga)
Justificou no Dragão, o facto de ter sido o último classificado na passada temporada, entre os que garantiram a manutenção no primeiro escalão. Como é seu timbre, exagerou no apito, colocou-se pessimamente no terreno, cortando lances, e disciplinarmente e tecnicamente foi pouco criterioso, pois com a mesma facilidade que se esqueceu do segundo amarelo a N'Doye - o jogador mais faltoso em jogo -, não viu uma falta nítida sobre Pinheiro, já em descontos, quando estava pertíssimo do lance. Salvou-se, no entanto, a grande penalidade bem assinalada sobre Hélder Postiga. Os seus auxiliares estiveram ao nível do chefe de equipa, com particular destaque pela negativa para Vítor Carvalho, do Porto, um autêntico assombro na análise de situações de fora de jogo, com prejuizo, sobretudo, para o Estoril.
Paulo Costa (Porto), António Costa (Setúbal) e João Ferreira (Setúbal)
Actuações muito positivas na tarde de domingo. Paulo Costa confirma uma boa entrada na nova temporada, com uma actuação irrepreensível no Beira-Mar - Gil Vicente, que, no entanto, foi fácil de apitar. Também bem o setubalense João Ferreira, com bom início de temporada, no Moreirense-Nacional, um jogo que deixou fluir, sem antigos excessos de rigor técnico e disciplinar. António Costa, que até começou mal a temporada, esteve bem no Penafiel-Rio Ave. No lance mais contestado, analisou bem uma bola na mão de Idalécio, não confundindo, como os adeptos locais, com uma mão na bola. Os seus auxiliares, Tomatas e Tomé, deviam, no entanto, ter-se revelado mais atentos na análise dos foras-de-jogo.
João Vilas Boas (Braga)
Foi o pior da tarde de domingo. Alguns erros na análise dos lances, mas bem a assinalar a grande penalidade que deu o 2-0 ao Belenenses. Prejudicado, e muito, por um erro grave do (des)auxiliar Alfredo Braga, de Braga, que, já em descontos, assinalou mal um fora-de-jogo a Krpan, quando este se isolou na direcção da baliza de Marco Aurélio.
Paulo Paraty (Porto)
Árbitro nomeado para o Académica-Benfica, realizou exibição pouco consistente. Bem a assinalar uma grande penalidade a favor do Benfica, esqueceu-se de expulsar o central Danilo, naquele que foi o seu erro mais grave na partida. Depois, faltas trocadas, amarelos mal mostrados - um a Ricardo Fernandes à cabeça, quando confundiu uma falta amarelada de João Pereira com uma simulação do 'estratega' coimbrão - e outros que ficaram no bolso, marcaram a sua actuação, onde Petit - 6 faltas - e Dionattan - 7 faltas - demoraram imenso a receber o mais do que merecido cartão. Um lance sobre Sokota, na área da Académica, suscitou dúvidas, mas esteve bem ao não assinalar nada, assim como num eventual fora de jogo de posição de Nuno Gomes no lance que dá origem ao tento de Simão, por não ter qualquer interferência na jogada. No entanto, os auxiliares portuenses Devesa Neto e Amândio Ribeiro nem sempre prestaram o apoio desejado, com mais prejuízo para o Benfica, com alguns foras-de-jogo mal tirados.
Carlos Xistra (Castelo Branco)
O surpreendente árbitro do ano em 2003/2004, dá sequência, esta temporada, a um conjunto de trabalhos nublosos da época que o conduziu aos píncaros. A actuação no Alvalade XXI, no Sporting-Marítimo, foi do pior que se tem visto nos últimos anos do futebol português, com a formação madeirense a sair francamente penalizada: aos 22 minutos, Enakarhire cometeu falta merecedora de grande penalidade sobre Manduca, não assinalada ; aos 57 minutos, anulou, de forma inacreditável, um golo limpo ao búlgaro Bibishkov, por uma falta que só Xistra terá visto ; e, ainda, na primeira parte, o seu auxiliar José Lima, de Lisboa, deu-lhe uma indicação errada e tardia, ao punir Bibishkov com um fora-de-jogo inexistente, já depois de ter ultrapassado e de ter sido derrubado por Ricardo, em falta merecedora de vermelho directo. Vermelho que acabaria por ser mostrado a Liedson, num segundo amarelo por simulação que se aceita, mas, tal como o primeiro amarelo mostrado ao avançado brasileiro, com um excesso de rigor, não visto em outras situações. Paupérrimo!
Olegário Benquerença (Leiria)
Nomeado para um aparentemente complicado 'derby' minhoto, a sua actuação foi marcada por uma serenidade e discrição notáveis, que o conduziram a um trabalho de altíssima qualidade, contando com a colaboração dos jogadores, que não dificultaram o seu trabalho.
Paulo Baptista (Portalegre)
Foi o árbitro nomeado para o acerto de calendário do FC Porto - União Leiria, da 1ª Jornada. Actuação fraca, uma constante na sua carreira mais recente, sempre que apanha os três grandes e o Boavista. Duas grandes penalidades por marcar - Jorge Costa empurrou Krpan na área, numa falta que não deixa qualquer dúvida, assim como Luis Fabiano, pouco depois, foi rasteirado por Alhandra, num lance em que o jogador leiriense tem intenção de chegar à bola, mas acaba por derrubar o avançado brasileiro. Quanto ao resto, os portalegrenses Luis Tavares e André Cunha nem sempre deram o auxílio necessário desde as laterais, assim como Baptista foi mostrando um critério confuso no julgamento de alguns lances e na amostragem ou não de amarelos, como é o caso de Jorge Costa, que só viu o cartão em cima dos 90 minutos, à 5ª falta, sendo que, aos 29 minutos, numa falta grosseira sobre Paulo Gomes, já devia ter sido admoestado.
Liga de Honra
Actuações positivas e sem casos, de Pedro Proença, na Ovarense-Feirense, de Hernâni Duarte, de regresso ao futebol profissional, no Felgueiras-Leixões, de Hélio Santos, no Olhanense-Naval, e de Rui Costa, no Alverca-Maia.
Também positiva, embora com alguma dualidade de critérios na amostragem de cartões amarelos, em prejuízo da equipa da casa, a actuação de Mário Mendes, no Varzim-Santa Clara.
Irregular esteve o estreante Artur Soares Dias, que se estreou no futebol profissional, com uma actuação pouco consistente no Espinho - Portimonense. Refira-se, que se estreou com uma expulsão, a Mário Carlos, dos espinhenses, aos 52 minutos, com o resultado em 0-2.
Notas negativas, por fim, para Pedro Henriques, que esteve em mau plano no Aves-Paços de Ferreira, que a equipa da casa acabou por vencer, apesar do árbitro lisboeta ter deixado passar uma grande penalidade nítida a favor da equipa da casa, e de nos instantes finais ter assinalado uma falta inexistente à entrada da área do Aves. Elmano Santos, da Madeira, teve actuação muito contestado no Gondomar-Estrela Amadora, assinalando, nos minutos iniciais, uma grande penalidade duvidosa a favor dos amadorenses, que deu o primeiro golo da partida, e ao deixar passar em claro, já em descontos, e com o resultado em 0-2, uma grande penalidade nítida sobre Wesley do Gondomar. Muito mal, tal como na semana passada, esteve o vianense Paulo Pereira. Na deslocação do Marco a Chaves, assinalou mal uma grande penalidade a castigar a equipa local, que viria a dar o 0-2, e, em simultâneo, cometeu um segundo erro: ao assinalá-la, teria que mostrar segundo amarelo ao jogador flaviense (Carlos Viana), o que não aconteceu.
Publicado por rui malheiro às 15:50
Comentários
Prefiro não comentar a análise ao Carlos Xistra ...
Pena não teres visto os 2 lances do Douala estava curioso por saber a tua interpretação !!!
#1 | Comentado por: Palhas | 24 de outubro de 2005 às 21:18
E o Liedson foi bem expulso!!!?????
Tá tudo doido...
#2 | Comentado por: Tó Quim | 24 de outubro de 2005 às 21:18
"eventual fora de jogo de posição de Nuno Gomes no lance que dá origem ao tento de Simão, por não ter qualquer interferência na jogada"
Só pode ser brincadeira!!!
Lei XI - Fora de jogo:
"A posição de fora-de-jogo só deve ser sancionada se, no momento em que a bola é tocada por um colega ou é jogada por um deles, o jogador toma, na opinião do árbitro, parte activa no jogo:
– Intervindo no jogo, ou,
– Influenciando um adversário, ou,
– Tirando vantagem dessa posição"
Quem não acreditar pode confirmar aqui:
http://www.abola.pt/ArqEpocas/regulam/leis/lei11.htm
#3 | Comentado por: furball | 24 de outubro de 2005 às 21:18
"eventual fora de jogo de posição de Nuno Gomes no lance que dá origem ao tento de Simão, por não ter qualquer interferência na jogada"
Só pode ser brincadeira!!!
Lei XI - Fora de jogo:
"A posição de fora-de-jogo só deve ser sancionada se, no momento em que a bola é tocada por um colega ou é jogada por um deles, o jogador toma, na opinião do árbitro, parte activa no jogo:
– Intervindo no jogo, ou,
– Influenciando um adversário, ou,
– Tirando vantagem dessa posição"
Quem não acreditar pode confirmar aqui:
http://www.abola.pt/ArqEpocas/regulam/leis/lei11.htm
#4 | Comentado por: furball | 24 de outubro de 2005 às 21:18
furball:
aconselho-te a ler , novamente, o que escrevi.
'esteve bem ao não assinalar nada, assim como num eventual fora de jogo de posição de Nuno Gomes no lance que dá origem ao tento de Simão, por não ter qualquer interferência na jogada'.
#5 | Comentado por: rui malheiro | 24 de outubro de 2005 às 21:18
Caro Rui Malheiro,
Se quer fazer uma análise séria tem que ser isento, ou pelo menos tentar.
Quem quer ver facciosismo e deturpação da realidade vai a outros blogues. Não vem ao 3º anel.
Ou então avise no título que não é para ser levado a sério e se trata apenas de uma brincadeira.
#6 | Comentado por: furball | 24 de outubro de 2005 às 21:18
Claro Furball,
para isso é que há o Tetas e Bolas.
#7 | Comentado por: rui malheiro | 24 de outubro de 2005 às 21:18
Antes de mais deixa-me dizer que escrevi o 2º comentário antes de ver a tua resposta.
Se reparares a 2ª alínea diz "– Influenciando um adversário, ou,". A bola sai (ou ressalta, ou outra melhor qualificação do que aquilo foi) de um jogador da Académica que é quem está na marcação do Nuno Gomes.
Para não falar que no fora-de-jogo não há lei da vantagem e portanto, a partir do momento que a bola é passada, e um jogador está em fora-de-jogo no local onde a bola vai cair, deve ser marcado de imediato.
#8 | Comentado por: furball | 24 de outubro de 2005 às 21:18
como é que está na marcação ao Nuno Gomes, se na tua opinião o jogador do Benfica está fora de jogo?
#9 | Comentado por: rui malheiro | 24 de outubro de 2005 às 21:18
Engraçado que eu tinha escrito isso, mas depois apaguei por achar presunçoso. Obrigado pela publicidade (não procurada mas muito bem vinda).
#10 | Comentado por: furball | 24 de outubro de 2005 às 21:18
essa já é uma pergunta surreal... Não supunha que a posição de fora-de-jogo do Nuno Gomes estivesse em causa!!!
E a marcação não tem que ser obrigatoriamente atrás, ou se tem eu retiro desde já o termo e digo simplesmente que é quem impede que a bola chegue ao Nuno Gomes.
#11 | Comentado por: furball | 24 de outubro de 2005 às 21:18
já agora, furball, para saber a tua seriedade, achas que o benfica foi beneficiado? Se sim, porquê?
#12 | Comentado por: JJ | 24 de outubro de 2005 às 21:18
É simples! O Benfica tirou ou não proveito da posição de fora de jogo do Nuno Gomes? Acho que ninguém de boa fé pode dizer que não! Neste lance o árbitro prejudicou claramente a Académica, como no lance do penalty prejudicou claramente o Benfica ao não expulsar o Danilo. No entanto, o lance do golo é irregular! Se numa falta, por exemplo, o árbitro vai para dar a lei da vantagem mas a bola vai para os adversários, tem de marcar a falta, certo? Qual é a diferença?
#13 | Comentado por: Pedro Santos | 24 de outubro de 2005 às 21:18
Petit, 6 faltas? Então não eram 17, como dizia o atrasado mental do Tiago?
#14 | Comentado por: Silvério | 24 de outubro de 2005 às 21:18
"Vermelho directo que acabaria por ser mostrado a Liedson, num segundo amarelo por simulação "
Directo ou n? :-)
#15 | Comentado por: dimitri | 24 de outubro de 2005 às 21:18
Gostava que o Furball e o Pedro Santos explicassem em que situações se aplica o fora de jogo posicional.
#16 | Comentado por: quetzal guzman | 24 de outubro de 2005 às 21:18
Explico com todo o gosto! A regra do fora-de-jogo posicional aplica-se quando o jogador que está deslocado não interfere minimamente na jogada. Quando o passe(na jogada em que está fora-de-jogo) não é feito para ele, nem vai para o seu raio de acção. Nenhuma destas consições se verificou no golo do Benfica. O passe foi feito para o Nuno Gomes e o Benfica beneficiou dessa posição irregular. Mais algum esclarecimento, é só dizer!
#17 | Comentado por: Pedro Santos | 24 de outubro de 2005 às 21:18